Ter - Março 27, 2007
RECO-RECO ou TRATACTUS PORCOMUSICOLOGICUS
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RECO-RECO
ou TRATACTUS
PORCOMUSICOLOGICUS
A musicologia
oficiosa é uma rosquinha de merda de porco - a estética académica
nunca desceu tão baixo; dois ou três recos jet set e mais a
legião de imbecis ministeriáveis e/ou deputáveis a roncar teorias
sobre música e mais o cochon comissário de festival suinóide e os
agentes da porcaria, em lavagices capitalizantes; pigs…etnoporquitos
cor-de-rosa, instrumentistas que aspiram a cevados compositores, famosos
porcalhões do empresariado, berrões a guinchar pelo lugar na
chafurdice maxima. Acontece - umas focinhadas na pauta e mais umas iconografias
porcinas a armar ao ciberporco, ronco-reuniões,
conferências-saca-rolhas como as pirocas dos porcos; sectores votados
à música de instituições genoporcinas; netmerda de cochino
multicultural, cibercaca musical;
musicografia/gamela. Assim ficamos reduzidos
a montes de estrume literário, crítica vendida à ração,
propaganda-brucelose – ainda por cima apresentando-se como porcus musice
– pocilga político-partidária de qualquer burovarrão -
…pimba pigs…todos interligados pela música via TV,
exclusivamente caganeira ligeira em dó maior, e na rádio a debitar
salsichas com emulsionantes e conservantes; vejam lá! chama-se música
àquele pacote mercantil hemorroidal e estandardizado peidolar e
grunhir…como acontece entre os porcalhões no lar-doce-lar: putedo de
marrã, paneleiragem, peidofilia, fressura, e vice-versa de erotismo
cropófago…lamentável! pigs…não interessam nem à
Musicologia nem à Veterinária nem ao menino Jesus… narinas de
reco, tomadas eléctricas conectadas ao talho da censura, traques badalhocos
via satélite, bandeira-forriqueira-cagofonia, terrorismo escroto de
berrão - onde os artiodáctilos suídeos se emboligam tipo
perfodança ao som de cagadelas new wave…pigs… fato com reflexos
asa de mosca da merda, e gravata porky: em limusinas matadouros; mamões!
sempre a cobiçar um lugar no pestilento pocilgo da publicidade; varas de
júris suinomusicólogos, só para punir ou eleger as estrelas do
estrume, pela rara sabedoria de imitar, continuar a fétida
pseudo-música canónica; camarilha a babar ideologia musical sebenta,
indigna dum leitão da Bairrada que se preze. Pusmoderno, porcópera,
escatomerdalogia sónica. Filas de
porquinhos lambões a baterem-se à condecoração, ao
prémio, ao subsídio
chorudo. Trabalho multimerda suplementado por
uma hóstia de schwein mal cagada dita CD; infodarte reca; um chiqueiro
sonoro mixfedor…pigs...enfim…pigs… moral da história:
quanto mais a porcalogia musical alçava o rabo mais o sumo porcalhote lhe
enterrava o nabo…os sons que daí se ouviam eram escatofetos uma
suínaria inaudível….tudo uma grande
porcaria…pigs…estamos ameaçados por uma nova espécie
genética: o
musoporco. para o forno, orelhas bem
tostadinhas, JÁ!
Jorge Lima
Barreto
manif@
Posted at 04:04 PM
XXI
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MANIFESTO
XXI
Situação da ideologia da
música portuguesa de hoje – é como abrir o ovo ofegante do
sapo, bola translúcida peganhenta institucional, fluido ranhoso
conservatório e de escarro neo universitário premiado, a envolver um
feto fétido clonado de sapinho star… propaganda mediática sine
sapore, projecto anacoico
condecorado.
viva a nova música
portuguesa viva!!!
No que respeita
à Música Portuguesa de Hoje, a inventio, o experimentalismo, as novas
concepções tecnosociocomunicativas, i.e. a abertura a futuros
horizontes, são preteridos e desviadas por técnicas mercantis
espectaculares, subjugadas à ideologia museomórfica, ampliadas no
regime de alienação cultural nos mass media, especialmente na TV, com
quedas para o abismo perfunctório - sincronicamente há, no entanto, o
imune duma maravilhosa criatividade interveniente e construtiva da História
da Música Portuguesa (historicamente ilustrada por Carlos Seixas, Viana da
Mota, Luís de Freitas Branco, Lopes Graça, Peixinho, Filipe Pires,
Emmanuel Nunes, Emanuel Dimas Melo Pimenta, e.a.)
... A Nova Música dos compositores, dos
compositores-intérpretes e dos intérpretes portugueses é
sufragada pelo poder dos musoburocratas e circunscrita aos arranjinhos dos
operadores culturais. Os laboratórios
para a investigação electroacústica e cibernética da
Música são inexistentes, ou tímidos e privados focos de
resistência com pálida imagem económico-financeira, ilustres
desconhecidos lá fora e esmolando alvíssaras cá
dentro. O Estado é o maior
responsável pela afirmação da Cultura Portuguesa, o garante das
suas identidade e independência; porém…a guerra esteticamente
autofágica - alternativa entre os partidos políticos os e seus aliados
de ocasião, ao ignorar o situacionismo da Música, é culpada da
sua decadência; a política cultural, pontificada por um regime
intelectual e artisticamente irrelevante, sem saber, bombardeia e censura o
livre devir da Arte dos Sons, com efeitos colaterais
irreparáveis. Muitos músicos,
talentos da criação interarte e com provas dadas internacionalmente,
apenas por estrita sobrevivência individual e/ ou social, funcionalizam a
sua actividade profissional ao gosto, na maior parte das vezes fútil, de
encenadores, coreógrafos, cineastas ou capatazes do espectáculo; uma
aventura alegadamente pósmoderna, limiar que põe em risco a autonomia
da Arte .
Os aparelhos ideológicos
votam a arte musical ao isolamento; a política do liberalismo, dita
"cultural ", elege em sórdidos escrutínios, a galhofa, a bricolagem e
a falsa sumptuosidade; a parasitose empresarial e industrial, caucionada pelo
Governo, exorciza a criatividade não-
rentável. O projecto terrorista da
globalização insinua-se nos médias (rádio, disco, TV )
injectando subprodutos da propaganda audiovisual, reduz a música à
sua própria publicidade, esbate-se o brio nacional; o rosário de
genuflexões dos operadores culturais portugueses ao que é estrangeiro
denuncia a eleição do aparato, desculpada pela gratificação
do ego americanizado… Uma
estratégia tentacular consolida-se nos palanques da festa multinacional, no
sururu dos lobbies, na aparência do regionalismo e do nacionalismo;
obsoleta e alienada das verdadeiras necessidades dos músicos portugueses de
hoje (compositores e / ou intérpretes), superintende pequenas
prestações musicográficas, rede historicista e tarefeira ampliada
em jornais, dicionários & outras
publicações. O rito das
músicas planetárias é manipulado por uma teoria tecnocrática
com laivos de mixórdia cultural - assim se passa na discoteca, altar da
hipnose aeróbica, habitat da alienação, da demissão social e
da megalomania do ego
transviado. Consequentemente, músicos e
operadores culturais com espírito independente, que pretendem prosseguir na
invenção tecnológica, na originalidade técnica e na
genuinidade estética não encontram apoios económicos e afectivos,
necessários à concretização da sua
arte. A cumplicidade de editores,
divulgadores e organizadores dependentes dos senhores da banca e dos media,
coisifica a arte musical portuguesa - faz-lhe um aceno hipócrita, mas,
impõe em grande escala o consumismo compulsivo do pseudoartístico,
destila a permanente inovação das músicas do mundo e a
proliferação de encontros epifânicos da música portuguesa
com as mais variadas tipologias, do salsa à electrónica…o reino
da mescla. A invenção musical
é esganada pelos interesses das multinacionais do disco, na rádio e na
TV, diluída no miasma da NET, e assombrada por uma obsoleta musicologia de
gabinete, que decreta o desaparecimento da identidade da Música Portuguesa,
como ousou sonegar os Lusíadas, Eça,… (fomenta uma falsa luta
pelo tradicional, para gáudio capitalista no share de audiências;
dispensa a preservação da espécie ou recupera-a como uma
falácia, degradação cultural epitomisada no espectáculo:
arremedos, plágios, regurgitações da Amália, Menano,
Marceneiro, Zeca,
Paredes…). Subsidiam-se os observadores
da criação musical ad lib - viagens, bolsas, salários chorudos
para administradores, mais-valia das vedetas do corriqueiro, de descarada
conotação politiqueira, comendas paródicas, e.a., sonegando a
criatividade, a necessária interacção artística nacional e
internacional. Os eventos musicais via TV na sua maioria não têm
qualquer originalidade, são modelos, pacotes empresariais,
ruminações estéticas, olhares retrospectivos, liberalismo
licencioso a aparentar o erudito, o jornalismo musical (imprensa, rádio e
TV) é na generalidade rebarbativo, traditor, comprometido no seu pequeno
mundo de vaidade e interesse súbdito multinacional; a Música
Portuguesa de Hoje é nas diversas vertentes mal - protegida, tida como
zona demarcada minoritária e sem rentabilidade; impondo-se o mercado
estúpido de massa; a musicologia e a praxis estão minadas pela
presunção e o pasmo, sobretudo cúmplices dum processo
comercialóide . Como alegadamente
vivemos em democracia, o cantor de protesto, promiscuído no
estocástico tacho, não encontra razões para resinar - berloque
trasladado para a lufa-lufa do biscate nos media, de preferência com rhythm
section do "jazz". Os impostos (IRS, IVA ,
CIA, autárquicos, S.S., i.e. segurança social, a taxa sobre
instrumentos, livros, discos, partituras, vídeos, e outras leviandades do
fisco) pesam impiedosamente sobre os autores, músicos, cidadãos
culturalmente produtivos que vivem o quotidiano - há a ter em máxima
consideração as simples questões de alimentação,
alojamento, acrescido dos custos nunca remunerados de trabalho criativo (e.g.
compor, tocar, ensaiar, escrever, ler, estudar; adquirir hardware para o seu
trabalho) – enquanto as vedetas da "estupidez em dó maior"
(ápodo atribuído por Jorge Peixinho) e os seus padrinhos ostentam
sumarentas contas bancárias, tipo lux-vivenda & chofer & iate &
avioneta - pluma sintética de avestruz, surda cabeça enterrada na
areia; embargo sem o mínimo conhecimento e /ou audição de
música decente; idolatria de religião feiticista / peep show; o
kitsch, o socialmente imoral e o artisticamente
ignóbil. A indústria da cultura
aventada como um valor de troca capitalista visita as catacumbas do
irrisório, no limiar da pornofonia; funcionaliza a música ad extremis,
em passarela da moda, telenovela, talk show, ou decoração desportiva;
esgar terceiro- mundista ressuma a catinga, faz-se vedeta virtual, mostra a face
do senso comum, protege a aparência da criatividade; é papona e
paranóica ao vomitar a música
aparvalhada. A ópera, que na sua
veracidade era cantada pelo povo, é para o contribuinte um dispendioso
mamute lisboeta que se destina ao yuppie e ao espavento bilheteiro e
mecenático da classe média e/ou da pseudo-aristocrática, de
consequência eruditona. O
conservatório reitera a conserva; a programação clássica
espectacular é sectária, nivela o anódino e o genial; o
catálogo confunde o simulacro com o
ícone.
Comecemos pelo que nos
é dado ouvir, em disco e/ou ao
vivo: Não querendo fazer uma
compilação de questões de rescaldo do final do século
anterior, pensamos ser oportuna uma pequena observação sobre o
situacionismo da música em Portugal, especialmente referenciando a sua
divulgação e o seu regime de
criatividade. O nível dos nossos
festivais é no critério estético, deveras coerente tendo em conta
a exiguidade de meios financeiros e estratégicos para o levantamento de
acontecimentos culturais de tal monta. Concertos episódicos de artistas
portugueses e internacionais magnificaram as programações de algumas
instituições. Vulgarmente, um
discurso estereotipado é extrapolado por alegorias nacional-regionalistas,
ou então miscelânea epigonal relativa à lusofonia, o dejá vu
etno- promocional desfraldando a bandeira da "música
portuguesa".
Sabemos muito bem que
Portugal é a única nação europeia onde a Música
não faz parte das disciplinas do ensino primário e
secundário. Na escolástica, os
tirocinantes são predestinados na generalidade dos casos à
servidão na TV e escarrados na música ligeira; em departamentos da
musicologia oficial, a criação é produto ideológico,
conceito etnomusical espúrio, incumbência de aprendizes, tratado sem
consciência estético-cultural, serve quando muito para preparar
operadores e críticos nos media, sem grandes perspectivas neste campo
praxiológica, histórico e
sociomusical. Em Portugal - na imprensa, na
rádio e na TV, fundamentalmente nos espectáculos ao vivo - a
divulgação da Música de Arte foi progressivamente massmediatizada
e conheceu conspícuos produtores, independentemente da incontornável
polémica. Na imprensa há um punhado
de críticos; uma bibliografia que é escassa, isolada e sem qualquer
apoio á sua tradução tão
necessária. A pedagogia é
tepidamente administrada por alguns peripatéticos, mentores classicistas,
neomodernistas e in extremis alegados vanguardistas; fulcros da
perpetuação do conhecimento paralógico da música; o sentido
persistente da educação e preparação de compositores e
intérpretes - o Ministério da Cultura, que tem obrigação de
apostar neste tópico musical não procede para favorecer o seu
progresso, não implementa o curriculum interactivo internacional - pelo
contrário dá alento à mais-valia pimba, contra-reforma piscando o
olho à populaça e benzendo a corruptela "cultural" nos
media. Ignorando o Mundo da Música,
exulta-se a infracultura; barbaridades género touros de morte, cumplicidade
com assassinos de massa, TV Shows, sionismo, derrames de grude, mafia,
rebarbativa mea culpa colonial, cóboiada, cartoons maometanos, militarismo
made in USA, logos piroso e terrorista, tonitruante míssil
genocida.
A produção dos
músicos portugueses é esteticamente irregular, com abrasonadas
edições ao vivo ou em disco, despontou uma nova e generosa
geração de compositores/ intérpretes a qual sobrevive à
míngua da institucionalização político-administrativa da
música, nas sombras da mendicância e da incompreensão; o
laudatório inter pares distrai a necessidade duma luta contínua pela
Arte musical, impedida na sua sociocomunicação, arredada pela
mediocracia, enganada por estratégias meritocráticas, censurada pelo
convencional e execrada na sua possibilidade de realização
prática; sancionada estatalmente pelo alibi da exiguidade de meios
financeiros, aventada por um regime cultural perdulário votado ao
provinciano e à rememoração festivaleira de santinhos & 25 de
Abril; no que respeita ao Jazz, é uma aparência, conjunto de
estereotipos, é uma fasquia vistosa da pequena burguesia populista,
rosário de clichés a penhorar a "antiga senhora negro-americana", sem
fazer nada de melhor ou actualizador, gravosamente comprometido com o mundo do
showbizz. Safados musoarcanos, portas
fechadas à criatividade musical num tempo inopinado - a acção de
compositores, intérpretes e compositores/ intérpretes, (interarte,
considerando a privilegiada relação da Música e a poesia
portuguesa) - reivindica a Música Portuguesa Viva e o conceito prospectivo
como Obra Aberta é um projecto futurista e
triunfal. Em Portugal, a Música
está, como no título do filme de Pierre Brasseur, em
"situação desesperada mas não grave"
.
A Arte Musical está sempre
avançada à artimanha política - a sua pluralidade espectacular e
imaginária é a superação do senso comum totalitário e
globalizante; utopista, realiza na própria beleza a verdadeira democracia;
reúne todos os povos no prazer universal; inventa um enlevo dialéctico
e sentimental com a tecnologia; dissipa qualquer preconceito racista,
nacionalista ou imperialista - sobretudo, MÚSICA é significado de PAZ
e AMOR.
JORGE LIMA
BARRETO
manif@
Posted at 04:02 PM
Sáb
- Dezembro
10, 2005
«Bar Mitzvah à 3» de Vítor Rua
FESTIVAL
4ème
édition
création
électroacoustique en
ennéaphonie
lundi
5, mardi 6, et mercredi 7 décembre
2005
Le Pavillon
11, place Nationale, 75013 Paris,
M° Nationale
FESTIVAL NOVA
MUSICA PARIS
Lundi
5
décembre
20:30
CONCERT
I
PORTRAIT
DE JEAN CLAUDE
RISSET
«Saxtractor» saxophone soprano,
ténor et
électronique
«Octan» oeuvre
acousmatique
«Luraï» harpe
celtique et
électronique
«Resonant
Soundscapes»
oeuvre
acousmatique
«Saxatile» saxophone soprano
et électronique
Marie D,
harpe
celtique Daniel
KIENTZY,
saxophone(s) Reina
PORTUONDO,
électronique
Jean-Claude
RISSET
Né en 1938. Compositeur et
pianiste. Directeur de recherche de classe exceptionnelle au CNRS, il travaille
au Laboratoire de Mécanique et d'Acoustique de Marseille sur l'informatique
musicale. Son activité est reconnue tant dans le monde scientifique avec de
nombreux Prix et Distinctions. Plusieurs de ses oeuvres ont été
publiées sur vingt cinq disques
compacts
Mardi 6
décembre
20:00
CONCERT
II
«Flashback» œuvre
acousmatique
Elzbieta
Sikora
«Space
Bird» contrebasse
et électronique
Etienne Rolin
«Axe
7» contrebasse
Ana Maria Avram
«La complainte du
progrès»
œuvre
acousmatique
Frédéric
Kahn
«Ce qui dort dans l’ombre
sacrée»
contrebasse et
électronique
Karim Haddad
«Bar Mitzvah
à
3» contrebasse
et électronique
Vítor
Rua
Jean Pierre
ROBERT,
contrebasse Reina
PORTUONDO,
électronique
21:00
CONCERT
III
«Errance»
saxophone baryton et électronique
Eduardo Polonio
«Métamorphisme»
œuvre acousmatique
Julia Blondeau
«Passage» becs
de saxophones et électronique
Improvisation
«Icare» œuvre
acousmatique
David
Labbe
«Moment» saxophones
et électronique
Improvisation
«Manguera» œuvre
acousmatique
David Alarcon
«La colline… et
Aksax» saxophones
ténor, basse et électronique
Costin Miereanu
Daniel
KIENTZY,
saxophone(s) Reina
PORTUONDO,
électronique
Mercredi 7
décembre
20:00
CONCERT
IV
«En
confidence» (création
mondiale, d'après le livre
de Françoise Rey « La femme de
papier ») saxophones
sopranino,
basse récitant et
électronique
Jean Louis
Dhermy
«Quand trois poules vont au
champ» œuvre
acousmatique
Antonio de Sousa Dias
«Musique
funèbre» hommage
à
Mozart œuvre
acousmatique
Gérard Pape
«Random access
memory» œuvre
acousmatique
Christian Eloy
«Rituel violet»
hommage à
Jorge
Peixinho saxophone
tenor et électronique
Jorge Antunes
Daniel
KIENTZY,
saxophone(s) Reina
PORTUONDO,
électronique
21:00
CONCERT
V
«IMPROSAXIONS»
Improvisations
de :
Serge DE
LAUBIER,
méta-instrument Daniel
KIENTZY,
saxophone(s) Reina
PORTUONDO,
électronique
Le
Méta-Instrument est un
nouvel instrument qui ressemble à un grand joystick (une sorte de super
souris) qui pilote des programmes composés sur ordinateur. Il mesure la
force des doigts, du poignet, du coude et des pieds du musicien. Le
Méta-Instrument est un accès fait pour jouer, contrôler,
manipuler, en temps réel, des processus, des algorithmes, des modèles
sonores, lumineux ou graphiques. Il permet ainsi au musicien de dépasser
les frontières de l’instrument traditionnel qui produit uniquement du
son. Il ouvre les portes de l’image, il ouvre l’espace et offre une
multitude de regards croisés sur la musique et l’image de notre
temps. Le Méta-Instrument a été développé par Serge de
Laubier au sein du studio Puce Muse, avec la collaboration de La Grande Fabrique
et le partenariat du Ministère de la Culture et de la Recherche et de
l’ANVAR Haute-Normandie.
Concerts
en
ENNEAPHONIE :Mode
et système d'interprétation et diffusion multivoies (1+8) conçu
par Daniel Kientzy, avec Reina Portuondo, pour la musique organo-acousmatique.
Alentour 1 soliste, co-executé par un second musicien officiant au centre
du dispositif, il allie le potentiel inouï de l'acousmatique à celui
de l'instrumental magnifié par les colorations et / ou transformations
électroniques en temps réel ; une spatialisation
différenciée de 8 directions (en couples: loin devant, près
devant, côté, derrière) transcende l'ensemble créant une
multidimensionalité elle - même rehaussée par différents
traitements numériques de retards et synthèses d'espaces. Exigeant
mais pragmatique, il consiste en un équipement portable (50 Kg) qui ne
requière sur place que 8 haut-parleurs et leurs amplificateurs respectifs
(réellement trouvables d'un bout à l'autre de la
planète).Marie
D.Ecriture et improvisation
ont toujours accompagné sa formation puis son métier de harpiste.
Comme interprète, elle collabore à plusieurs ensembles de musique
contemporaine. Comme compositrice et improvisatrice, la "première"
pièce sera une musique de scène pour une troupe de marionnettes en
1979, puis se succéderont principalement différentes œuvres
électroacoustiques et/ou radiophoniques (réalisées soit au GES
Vierzon, soit à l'ADENOTEC) et des œuvres pour le duo
Harp/Sax.Reina
PORTUONDOSpécialisée
dans l’interprétation de la musique électroacoustique, en
particulier organo-acousmatique (mixte), pour laquelle elle a mis au point
l’Ennéaphonie. Elle est également interprète (soniste) dans
plusieurs disques, en France et à l'étranger. Parallèlement, elle
a aussi collaboré à plusieurs autres productions discographiques. Elle
donne des stages et conférences. Plusieurs œuvres lui ont
été
dédiées.Nova
Musica9,boulevard
Mortier75020
PARIStel:
0143615591fax:
0143619500nova-musica@wanadoo.frhttp://monsite.wanadoo.fr/novamusica/Daniel
KIENTZY
Artiste international
consacré à l’interprétation de la création musicale
contemporaine. Pour celle-ci il a développé un style tout à fait
nouveau, aussi bien au plan technique que conceptuel et expressif. Seul à
dominer la famille entière des 7 saxophones, plus de 350 œuvres ont
été écrites pour lui. Kientzy est
« l’inventeur » du saxophone contemporain, au sujet
duquel il a écrit, entre autres, “Les sons multiples aux
saxophones”, SAXOLOGIE (2 Grands Prix SACEM), “L’Art du
saxophone” etc. Il dédie une partie de son talent à
l’improvisation (absolue). Sa discographie, en France et à
l‘étranger, comprend 68 phonogrammes. Il a obtenu différents
prix et décorations Il est Docteur en Esthétique, Sciences et
Technologie des Arts de l’Université Paris VIII, et aussi Docteur
Honoris Causa de l’Université de
Bucarest.www.kientzy.orgJean
Pierre ROBERTÉtudes
très classiques, puis, grande soif d'autres contenus culturels,
géographiques, d'autres logiques historiques, d'autres gestes et moules
corporels, et, de créer un répertoire de musiques écrites
nouvelles. Auteur d'un livre sur les modes de jeu de la contrebasse, il fut
collaborateur de l'IRCAM, soliste de l'Ensemble l'ITINÉRAIRE, en
résidence pour un travail sur les technologies avec GRAME de Lyon et
l’UPIC. Suscitant des créations, il présente aux compositeurs
les techniques qu’il a développées. Depuis1999,
il dirige, dans le cadre du
CEFEDEM-Bourgogne, ACTEM, atelier sur la musique de chambre contemporaine ; y
suscite également des
créations.SERGE de
LAUBIERLe parcours de Serge
de Laubier est double: musicien et compositeur d'une part, ingénieur du son
d'autre part. Ses études le mènent au Conservatoire National
Supérieur de Musique de Paris où il étudie la composition avec P.
Schaeffer et G. Reibel. Parallèlement il entre à l'Ecole Nationale
Louis Lumière où il suit une formation d'ingénieur du son. Il
est Directeur de Recherche au sein d'"Espace Musical", où il invente de
nouveaux outils pour pouvoir entendre et jouer les rêves musicaux
d'aujourd'hui. Le Processeur Spatial Octophonique, premier outil d'écriture
musicale en trois dimensions est breveté et commercialisé par
Régiscène. Son travail l'amène aussi à concevoir de nouveaux
instruments dont notamment le Meta Instrument qui donne au musicien
électroacousticien un véritable rôle d'interprête, proche de
celui du chef
d'orchestre.
DRAC Ile de
France
CIDMA
Posted at 02:35 PM
Sáb
- Novembro 12, 2005
RADICAIS LIVRES
ORCHESTRUTOPICA
RADICAIS
LIVRES CONCERTO
NA CASA DA MÚSICA
(PORTO)18 NOV | 19.00
HORAS HÖLLERRIHMRUASTOCKHAUSEN ORCHESTRUTOPICACesário
Costa,
maestro
Posted at 04:48 PM
Qui - Outubro 20, 2005
Qua - Agosto 3, 2005
CURSO INTERNACIONAL DE SAXOFÓN MERZA 2005
I
CURSO INTERNACIONAL DE
SAXOCURSO INTERNACIONAL DE
SAXOFÓN MERZA
2005
Marie Bernadette
Charrier
Pablo
Coello
31 de Julio a 6 de
Agosto
CONCIERTOS
Auditorio de Vila de
Cruces
3 de
agosto Voici
di una cittá immaginaria saxofón, cinta
y vídeo
Vitor
RuaAblauf
saxofón y
percusión
Magnus
LindbergSpleen III
saxofón
barítono
Olga
NeuwirthMutations
dos saxofones y
electroacústica
Christophe Havel
Attendre,
enfin saxofón y
electroacústica
Christophe
Havel
Marie Bernadette Charrier, Pablo
Coello -
saxofones
5 de
agosto Cinètic
circulaire
4 saxofones
sopranos
Christophe
HavelMysterious Morning II
4
saxofones
Fuminori
TanadaDuduk II
cuarteto de
saxofones
Gabriel
Erkoreka In
Erwartung cuarteto de saxofones y 6
percusionistas Sofía
Gubaidulina
S@X21 - Cuarteto de
Saxofones
Nuevo Contemporáneo
info@net
Posted at 06:38 PM
ORCHESTRUTOPICA | David Alan Miller 3 AGO | 21.30 | CC Gandarinha
(Cascais)
ORCHESTRUTOPICA
| MARE NOSTRUMEmanuel
Marcelino (POR)Francesco
Antonioni (ITA)Gabriel
Erkoreka (ESP)Jesus Rueda
(ESP)José Luis
Ferreira (POR)V. Zuraj
(ESL)
net@info
Posted at 06:36 PM
Ter - Novembro 16, 2004
CASA DA MÚSICA (eventos)
foto: Joana de
Deus Remix
Ensemble & Drumming (grupo de
percussão)27 de
Novembro22
horasEuroparqueSta.
Maria da FeiraObras
de:José Manuel
López-LópezCharles
IvesMark Anthony
TurnageOlivier
MessiaenGeorge Benjamin
info@net
Posted at 07:25 PM
Ter - Junho 8, 2004
ELVIN JONES & STYEVE LACY
ELVIN JONES & STYEVE
LACYNestes últimos dias perdemos
duas das maiores figuras do Jazz: Elvin Jones
eSteve
Lacy.Elvin, nascido em Pontiac, 1927,
EUA, é um dos maiores bateristas
daHistória da Música, revolucionou
o discurso deste instrumento pelo
regimecontinuo de síncopes, pela forma
energética, sumptuosa nos breaks, que
abriua todas a s formas de liberdade
expressiva dos percussionistas; foi
oemblemático personagem do imortal
Quarteto de John Coltrane, e
formouorquestras e combos sob seu nome,
especialmente a Elvin Jones Jazz
Machinesobrepujadas pelo delírio
polirritmico, rolamentos, batidas musculadas, e
ocaracterístico balancear de melodias
hard bop; rasgo vulcânico,
laboratórioonde se revelavam grandes
talentos. Elvin Jones esteve presente em
fabulososagrupamentos de músicos como
Bud Powell, Ellington, Gil Evans, Mingus,
McCoyTyner, e uma série infindável
de trios, quartetos, ensembles dos
maioresnomes do Jazz contemporâneo
consagrando os idiomas e as figuras
maisinsignes. Casado com um japonesa e
partilhando Nova Iorque e
Tóquio,ultimamente tocava em hospitais
e prisões, numa militância
humanitáriaimpar. A sua influência
sobre as gerações de bateristas é incalculável
einultrapassável.A
dimensão universal do seu estilo fico registada em disco ou video,
comoretalhos da vida de um baterista, do
maior baterista.Nascido em Nova Iorque
em 1934, Steve Lacy é a epítome da vanguarda
doJazz: sempre dedicado ao saxofone soprano
iniciou a sua carreira majestosacom
Thelonious Monk nos anos 1950, do qual viria a ser um dos mais
exóticose raros intérpretes
durante toda a sua vida. Encontrou Elvin Jones
naOrquestra de Gil Evans, fez parte do duplo
quarteto "free jazz" de Ornette;durante anos
estabeleceu ligações com solistas como Cecil Taylor,
MalWaldron, Don Cherry, Gaslini, Roswell
Rudd, etc…a sua personalidade
radicalvinculou um estilo inimitável no
soprano: frases obsessivas, ziguezagues,uma
sonoridade tão esquisita que se aproximava do clarinete;
glissandos,pulsações subliminais,
numa capacidade única de adaptação a
qualquercontexto: trabalhou com
coreógrafos, performartistas, videastas,
sempreactualizando os regimes singulares do
seu idioleto. Improvisadorsuperlativo, tocou
com um número assombroso de músicos do jazz
clássico,moderno e contemporâneo;
abertura conspícua á electronica, ao concretismo,
àradio music, etc.... Um homem
tranquilo, sábio.Quer Elvin (ex:
Cascais Jazz) quer Lacy (ex: Fonoteca Files; tendo
estegravado o disco "estilhaços" para
os "cinco minutos de jazz" de
JoséDuarte), estiveram algumas vezes em
Portugal;.O jazz com a perda destes
heróis caminha para o seu fim – deles apenas
nosficam imitadores – podemos apenas
reouvir os seus discos incantatórios;
duasfiguras inesquecíveis da Arte dos
sons que nos foram roubadas pelo
Tempo.JORGE LIMA
BARRETO
info@net
Posted at 05:40 PM
Sáb
- Maio 8, 2004
music@improv: JORGE LIMA BARRETO
arte:
joana de
deus music@improvestéticas
da nova
improvisaçãoINTRÓITO/
IMPROMPTUA antropologia da
improvisação musical situa a sua origem em várias
frentesdeterminadas pela evolução
do hominídeo para o Homem. E a Música se
fezcarne.A
improvisação, ou seja o acto estético e espontâneo que
advém daconsciência das formas e
do movimento, dos valores sonoros e dos
ritmos,consiste, segundo Leroi-Gouran, in:
"le geste e la parole", na
possibilidadefísica de organizar
sonoridades e gestos expressivos; tais sons,
assiminventados pelo homo ludens de
Huizinga, estariam na própria origem
eidentificação do gesto
artístico e musical; a improvisação musical
erasubstância exaltante do
mágico-ritual.Os improvisos são
operações periódicas, hábitos tradicionais e
nãogenéticos; o genético
é o pré-especializado pela espécie e o hereditário é
osanguíneo transmitido de pais a
filhos, a gestalt da cultura
presente,explicando ambas as
circunstâncias a transmissão do conhecimento e o
surtode um personagem singular com
aptidões natas muito particulares, que é
omúsico; a imbricação de
fórmulas orais e gestuais, os recitativos
rítmicosdo orador improvisador,
construções/ instruções, acções
transitórias,eupraxis, alinhavadas por
ideogramas ao serviço da aprendizagem e
daconservação de segredos do
métier do músico; no Paleolítico a caverna era
uminstrumento pelos seus ecos,
reverberações,
ressoamentos.Joga-se em cada uma das
células sociais da etnia, em cadeias
operatórias,blocos de gestos
demonstrativos e comentários orais, culminando na
suarepresentação simbólica ou
escrita.A civilização de estilo
escrito tendeu progressivamente a impor-se
comoúnica, obnubilando os abismos
subterrâneos da Humanidade e a sua
inventiomusical.Passaram-se
milhares e milhares de anos e a criação musical era
significantedestes pressupostos
antropológicos e culturais, detendo a improvisação
olugar mais distinto na realização
musical, o cadinho das tecnologias
etécnicas instrumentais e vocais,
consolidação geográfica e
civilizacional.Em alegada
reacção ao absolutismo teórico hiper-racional da escrita
musicaleuropeia, no mais elevado epigonismo,
e ao seu ecumenismo totalitário e
demassas da música comercial, na
década de 1950 surgiria um fluxo
deimprovisações musicais,
também em variegadas frentes, mormente de
caracternacional ou regional mas,
fundamentalmente como fenomenologia
urbana;diríamos mesmo ser uma arte
musical definida na e pela cidade.
Rapidamente,nesses anos, a verve criativa da
improvisação ganharia a
proporçãoplanetária e
pôde a partir daí ser taxada como um movimento artístico
degrande autonomia.
Ao musicólogo interessam todas as
espécies de música existentes
(oral,escrita, cibernética…) e
tudo o que possa esclarecer o contexto humano
emque essas músicas se
situam.Aventou-se então o ramo
distintivo da "musicologia da nova
improvisação",cujo objecto é
a concepção individual e súbita de estruturas
ordenadas,implementação de
processos imediatistas, outras oportunidades para
apercepção.
Neste ensaio musicológico e
sinóptico, dado a seu objecto, iremos
citarnomes, que são afinal alguns
epónimos da nova improvisação; dado o
tónusdesta arte tão subjectiva,
procurou-se muito custosamente evitar repetir
ospersonagens do
argumento.A bibliografia é um
sumo relativo à nova música improvisada, sendo
aquicitadas algumas obras literárias
apenas quando pontuais e definitivas
numaqualquer ilação; segundo o
academismo fica bem remeter a todo o
momentoqualquer congeminação para
outrem, subjugando o texto ao tricot
daretrospecção; esta metodologia
calcificada cauciona aparentemente
oinvestigador pseudo-científico, que
recorre a uma conspícua urdidura
depensamentos alheios, impossibilitando a
originalidade e o imaginário.O objecto
deste ensaio é novo e sincrónico; no recenseamento
epistemológicopode ser considerada a
leitura dum livro, dum capítulo, dum parágrafo,
dumaopinião proverbial; dum arrufo
jornalístico; asserções que circulam no
mundomusicológico e latamente no
ensaístico; aquilo que na sua generalidade
nosdá uma ideia ou oferece uma
observação passim; consulta fugaz anotada
decapa de disco, revista, fotocópia
quase anónima que nos chega às
mãos;observação de algum
programa na TV, ou de qualquer video; o fortuito
e-mail;a dica de amigo e/ou connoisseur;
mais importante ainda: algo que algumdestes
virtuosos da improvisação nos disse em encontro pessoal e
mágico;principalmente a
auto-reflexão sobre o próprio trabalho; deleite com
umpoema; por isso, e dado o isomorfismo da
improvisação o ensaio do futurovai
remeter o leitor para o arquivo de computador ou à
enciclopédiainformática; a
musicografia está a fundir-se na galáxia multimedia. Hoje
háa NET que substitui a
informação impressa com entradas completas e
complexassobre os mais diversos assuntos e
nomeações - por outro lado, são
quaseinexistentes as bibliografia,
discografia, filmografia e
videografia,inclinadas monograficamente para
a improvisação musical. Apesar de
tudorecenseou-se uma vultuosa e
caleidoscópica bibliografia que emoldura todo
oensaio e será da maior utilidade para
quem queira sondar os
infinitosmistérios da nova
improvisação musical.Abordei
em todos os meus livros o tema da improvisação, especialmente
em"Revolução do Jazz", 1972;
"Jazz-Off ",1974; "Musa Lusa", 1997;
"JazzArte2", 2001. E, duma maneira
purgatória, editei "O Siamês
TelefaxStradivarius", 1997, como um
conjunto absoluto de citações.Em
1995 editei o livro "Nova Música Viva", específico, onde fazia
umlevantamento histórico e
estético daquilo que apelaria Nova
MúsicaImprovisada, o termo mais
cómodo - nomenclatura, estilo, género,
tecnologia,técnica, considerandos da
discografia, fenomenologias
interartísticas,perversões
metodológicas, correlações e obras decorrentes - dez
anosvolvidos e alguma coisa
mudou.Neste escopo procuramos levantar uma
(in)certa estética da nova
músicaimprovisada; uma opinião, no
sentido filosófico de doxa, revelação do
modode existência do objecto sonoro
improvisado, servindo de arauto dos
seuscriadores.Prévost
proferiu uma asserção fundamental: "quando o músico parte para
aimprovisação, ele não parte
do nada, mas do silêncio".O mais
correcto método de análise da improvisação está na
filosofia daintuição do instante
de Gaston Bachelard; cada momento improvisado é um
novosaber irredutível ao que o precede,
na sua potencialidade fascinante fazeclodir
os desejos inconscientes; para Bachelard os instrumentos
seriamteorias materializadas; a
improvisação é primeiramente um acto artesanal
quedevolve à razão o seu caracter
artístico genuíno.A
substância improvisada só pode ser narrada, contada,
descritametaforicamente, uma vez que, dado o
abandono do dogma, não há
qualquerponto de referência
sistematizado, ou gramática definitiva,
quaisquerortodoxia e autoridade; como na
acepção kantiana do a posteriori,
categoriaque classifica os conhecimentos
através das sensações os quais não
podempretender ser universalmente
válidos – apenas nos apercebemos de
rasgos,fissuras, lapsos entre unidades
semiológicas que entram subitamente
nosnossos ouvidos.
Por isso, John Cage dizia que aquilo que o
desgostava na improvisação era
adependência a sentimentos e ideias,
apesar de considerar factor positivodesta o
permitir descobertas fora dos discursos conhecidos. P.
Boulezconcordava com Cage e, acrescentava
que sendo a improvisação desprovida
daobjectividade dos esquemas convencionais
ela se tornava demasiadopersonalizada,
arbitrariamente subjugada à cultura e ao temperamento
doartista.
A grande maioria dos compositores
venerou a improvisação, pelo menos
nomomento em que estavam a compor,
improvisando.O músico improvisa aquilo
que, em princípio, apenas ele mesmo
consideraestética e tecnicamente
adequado, fora da legislação e do julgamento
prévio.Ancestralmente a
improvisação, para além de um ritual, era uma religião,
naacepção de G. Bataille em
"Erotismo e Religião".O vestígio
platónico está na anamnésia, estratos de recordações do
que foiaprendido, tocado ou vivido, e da
demiurgia, onde o músico é o construtor
domundo, associa o caos original e o
cosmo.Tudo o que se pode dizer sobre a
improvisação não tem rigorosa
cauçãomatemática, opostamente
ao estudo de uma aplicação harmónica dentro de
umregime tonal, ou de uma série, ou de
um projecto espectral, etc…; como
nãose trata propriamente duma tipologia
musical singularizada, podemos apelar
avários conhecimentos científicos
auxiliares para qualificar a
acçãoimprovisada, e é o que
iremos fazer; o improviso musical é abrangido
peloconceito aristotélico de
enteléquia, que vai da possibilidade à energia e
aorealismo; também a
improvisação é a atenção flutuante e resulta de
umametodologia empírica pela
observação da técnica e pelos
experimentossensitivos, i.e., confirma o
aforismo lockeano "nada está no intelecto
quenão tenha passado pelos
sentidos".Especialmente evocaremos
critérios das Ciências Humanas, já que
ciênciaspositivas, (e.g. a
álgebra, a física acústica, a geometria, e.a.)
apenaspodem ser adjudicadas de modo
improcedente; somos levados a admitir
oerróneo e o contraditório, como
na observação psicanalítica de
umapatologia. Cage asseverou: "a minha
intenção é acabar com
qualquerintenção"; é apenas a
vontade e o desejo do prazer que induz o gesto
dacriação
improvisatória.A improvisação
é uma invenção hic et nunc, onde o humor, nas suas
variantesradicais, classifica uma
técnica muito especial de
trabalho.Há valores
intrínsecos derivados de várias formulações teóricas
(e.g.melodia, métrica, estrutura
harmónica, homologias e simetrias
texturais,repetições,
vínculos tímbricos, escalas vagamente aproximadas
dasterminologias europeia ou etno,
etc…); mas pouco se pode dizer
naperspectiva da técnica senão
formular-se o comentário leviano (e.g. S.
Lacyrecorre a fluxos repetitivos no sax
soprano), ou um enfoque biográfico
(e.g.H. Bennink tocou com Cecil Taylor em
Julho de 1988, para gravar "Spots,Circles
and Fantasy"); o caso dos currículos dos improvisadores tece
umarede inesgotável de
correalizações, parcerias, cumplicidades –
podemosdetectar evolução
técnica (e.g. o refinamento do sopro contínuo em
EvanParker); a inconstância ou o
desequilíbrio qualitativo da proposta
(e.g.Fred Frith; H. Kaiser); vidas assoladas
por roturas, mudanças de
valoresmusicais ou político/
ideológicos, hibridações estilísticas e
tecnológicasque podem dominar fases
distintas no devir profissional do músico;
questõesa tratar uma a uma e por cada
improvisador, etc…A
hermenêutica musical a que recorremos tenta explicar a nova
improvisaçãonos seus laços
com a História, a Cultura e o vivido pelo ser
humano.Claro que se impõe uma
diferenciação fractal entre a improvisação
livrecontemporânea e o Jazz - mesmo
sucedâneos jazzísticos, com enredos
temáticosisométricos e
folclorizantes geralmente investidos no conceito de
enunciadotemático, estilo apostrofado
pelo neo-modalismo e patrocinado por
inúmeraseditoras multinacionais; agora,
alguns músicos amadores de fraca
convicçãono valor autónomo da
improvisação falam da "música" deles como
"Jazzcontemporâneo", para saltarem para
os pódios do Jazz; ou
referem-nalapidarmente como
"improvisação em tempo real"; claro que o termo
"temporeal" é apodíctico da
improvisação e, surgiu recentemente nos meios
dainformática significando
intervenção directa e sincrónica na acção
musical.Vamos por de lado, e por
agora, as questões interarte; há
dificuldadesincontornáveis na recolha
sistematizada de obras para poesia (e.g. a
artepermutacional de P. De Vree que concebeu
"Fylkingen" para poesia e
músicaexperimental in loco); teatro
musical (e.g. "blitz" de M. Duchamp);
dança(e.g. J. Surman e B. Phillips
improvisando com a dançarina Carolyn Carson
em"trio"); cinema (e.g. MEV para "Zabrinsky
Point" de M. Antonioni ); vídeo(e.g. D.
Tudor para "rainforest"); improvisos polivalentes de
música,performarte e interarte (e.g. J.
Beuys, J. Dubuffet, N. Schoeffer;
HermanNitsch de "komposition fur orgel",
e.a.); normalmente estas
hibridaçõesartísticas com a
música improvisada são de caracter pragmático
evinculativo, previsto para as
adequação e funcionalização, as quais
sonegama liberdade ao músico
improvisador. Serão inspirações para um outro
estudodicotómico ou respeitante a
pluralidades entre diversas artes, caso
dasituação multimedia, a qual pode
reunir no mesmo trabalho metatextual, avideo
art, o diaporama, a luminotecnia, a computer music, o disco, o
rádio,a gravador,
etc...HISTORIOLOGEMASNuma
brevíssima observação da antropologia cultural da música
improvisadapodemos afirmar que desde os
primórdios, a maioria quase absoluta
dasmúsicas do mundo, são de
caracter improvisado; nessas
improvisaçõescolectivas ou
individuais, cimenta-se uma gramática ou um idioma que,
portradição oral, se transmite de
geração a geração, com notáveis
diferençasestéticas que marcam
geograficamente cada cultura, muitas vezes
transmudadaou aglutinada pelos movimentos
políticos das civilizações.No
paradoxo de B. Croce, in: la critica, toda a História é
contemporânea, jáque ela existe
apenas pela permanência dos seus
vestígios.A etnomusicologia, por seu
turno, classificou os mais exóticos e
diversostipos de improvisação
(e.g. na Índia privilegia-se o ritmo e o movimento,
osciclos de fluxos improvisados; no
gamelão (orquestra indonésia)
resplandecemos vectores da
improvisação por secções e solistas; em Moçambique, os
Chopisubstantificam fórmulas
polirrítmicas, e.a. ad infinitum).Desde
a invenção da escrita sempre houve uma simbologia musical
designativade uma acção e sobre
suportes os mais heterogéneos e bizarros
(e.g.assírios, egípcios, vedas,
hebreus, gregos, romanos, hindus,
árabes,esquimós, ameríndios,
papuas, e.a.).Na Idade Média
europeia e, consolidando-se no renascimento, a escrita,
aprincípio neumática, depois
eternizando o regime modal bitonal,
vingouhegemonicamente - consagrando uma
organologia perene, átrio para
agramatologia musical historicamente a mais
importante, ao nível
político-cultural, imperialista,
colonialista, globalizador - conquistaria quase
todaa musicografia polular e
classicista.O canto melismático
litúrgico considerava múltiplos planos improvisados;
apolifonia dos séculos XV e XVI
integrava harmonias primárias
ex-improviso;Giovani Gabrielli nas suas
sonatas e canzonas explicitava certas notas
eritmos mas deixava ao cuidado dos solistas
a volúpia das velocidades e
asdinâmicas; no século XVII, o
contraponto poderia ser resultado de
frasesimprovisadas; no barroco, a
ornamentação (passagens, coloratura)
eravulgarmente improvisada; os grandes
solistas do maneirismo mostravam ahabilidade
manual e a invenção temática durante as
improvisações;Frescobaldi nas suas
improvisações em órgão desconstruía tocatas e,
Corelliimprovisava esotericamente sobre
cadenzas; a tocata, o ricercar, a fantasiae
a fuga são formas que dão ênfase à improvisação,
especialmente para órgão(e.g.
Bach, Haendel, Buxtehude) e depois para piano (e.g. Mozart
eBeethoven).No
século XIX os grandes organistas exibiam-se em monumentais
improvisaçõesromânticas
(e.g., Mendelsohn, C. Frank, onde a cadenza clássica chega
aperder a estrutura formal para dar lugar a
texturas, massas sonorasabstractas); Chopin,
Liszt ou Paganini praticavam uma
improvisaçãocodificada que ia do
tonalismo e, subito, se desmarcava na
livreatonalidade. Debussy considerava a
improvisação como a indefinição da
bruma,da nuvem, da maré, ou da
luminosidade fosforescente. A
cadênciavulgarizou-se nas orquestras
clássicas como um segmento improvisada por
umsolista, normalmente no fim de um
trecho.A densidade ultracromática dos
compositores românticos e depois a
permutaçãoextremamente rígida
do dodecafonismo expurgavam qualquer veleidade
doimprovisador.
No início do século XX
espoletaram movimentos poliartísticos como
ofuturismo (e.g. L. Russolo e a teoria do
ruído estético e da anti-música),
odadaísmo, o construtivismo, que
marcariam profundamente a actuação
domúsico- performer; após a II
Grande Guerra, prevaleceram o
serialismointegral, o espectralismo, e
outros movimentos ou géneros pós-
serialistas,para- científicos, onde se
procurava dominar todo o acontecimento
sonoro;aí, a improvisação foi
desconsiderada.As escolas da
música contemporânea americana ( e.g. C. Wolf, G. Crumb,
HenryCowell, J. Cage; Morton Feldman
prescrevia algumas notas mas deixava aolivre
arbítrio do intérprete muitos acontecimentos; etc…) não
foramfavoráveis à
improvisação porém, abriram horizontes ao aleatório e
aoindeterminismo, ao ruído e ao acaso,
ao personagem do músico maldito
erebelde, que escapa aos pragmatismo e
hierarquia e, ao paradigmatecnocrático
da música electroacústica.Como
vimos, desde 1950, e como fenómeno cosmopolita (e.g. as metrópoles
deLondres, Nova Iorque, Chicago, Los
Angeles, Paris, Berlim, Roma,
Tóquio,Moscovo, e.a.), gerou-se novo
tipo de discurso baseada no conceito
deimprovisação total, modelos
elementares, solicitações verbais, notações
maisou menos pessoais, tempos
subjectivos.O Jazz é a principal
fonte da nova música improvisada e testamentou
umapanóplia discursiva e técnica
sobredeterminante.A nova
improvisação como que re- imagina uma arqueologia da História
doJazz.No
Jazz clássico estabeleceram-se inúmeros clichés da
improvisação: desde osblues e as
suas dissonâncias específicas e de caracter emocional (e.g.
JohnLee Hooker); rede parafrástica na
fórmula do tema e variação (e.g.
LouisArmstrong); em 1948 Coleman Hawkins
gravou o avatar da improvisação, o
solo"picasso" em sax tenor sem
acompanhamento; o Jazz moderno, nos meados
doséculo passado, assenta numa
estrutura harmónica periclitante, sobre
umagrelha de acordes (e.g. Charlie Parker,
D. Gillespie, Th. Monk); nos músicose
teóricos do Jazz dito progressive ou third stream, que coleccionava
eestudava improvisações mistas
classicistas e jazzísticas (e.g. G.
Schuller,Ran Blake, J. Giuffre, John Lewis,
Don Ellis, e.a.); no modalismo que
sedesinteressava do centro tonal nos termos
de tónica e dominante e pretendiaoutras
escalas (e.g. Bill Evans, Gil Evans, Miles Davis, G. Russell,
C.Mingus, e.a.) e, no último quartel,
numa liberdade generalizada em todos
osparâmetros com o free jazz (e.g.
"Ascention" de John Coltrane, paraorquestra,
um monumento apocalíptico da improvisação, e, "Free Jazz"
deOrnette Coleman, para quarteto duplo,
propondo a teoria
harmolódicafundamentada na
dissolução do aspecto cromático). Foram seminais
asorquestras de Sun Ra, expoente do
jazz-happening, e a Jazz ComposersOrchestra
Association, ecologias caóticas de M. Mantler para
ossolos-manifestos dos militantes do free.
Os rituais afro-americanos do ArtEnsemble of
Chicago são arquétipos da nova improvisação.. A
estética dogrito nos saxofonistas A.
Ayler, F. Wright, J. Coltrane, David Murray,
F.Lowe, J. Moondoc, J. Zorn, K. Vandermark,
suscitaram concepções cardinais.
Oprojecto cataclísmico do baterista
Sunny Murray vive no inconsciente detodos os
percussionistas ulteriores. As execuções de Cecil
Taylor,construtivistas, atléticas,
sismográficas, são o topo da arte do Jazz e
dasua libertação para o
desconhecido, para a improvisação que se aparta
detodos os saberes conservatoriais e viaja
para horizontes inóspitos.As
orquestras de Jazz distinguem-se dos colectivos de
improvisadoresradicais pela
subjugação daquelas ao arranjo e à pauta; o improvisador
totalnão recopia os solos ou sequer os
sabe de cor, a substância
improvisadasurge da conexão com o
material imediatamente explícito e renega
odoutrinário. Genealogias dos
rhythm-and-blues e do funky, o jazz rock
oufusão, propunham escalas modais e um
fogo de artifício de improvisos
numconcurso de velocidade ou malabarismos de
acordes na corda bamba de ritmospropulsivos
(e.g. grupos de H. Hancock, C. Corea, Mahavishnu,
e.a.).É pertinente ainda o uso do
termo "jazz-off", que inventei em 1974,
parasignificar, no nosso caso, discursos
organizados de elementos semióticos
doJazz (e.g. fraseado, timbre, tessitura,
expressão, swing,
e.a.),descontextualizando-os num átimo
de regimes de textura, agógica ou
dinãmica.O jazz off, na sua vertente da
improvisação aberta, hipertrofiou
osparâmetros da música
clássica contemporânea ou avant
garde.Experimentalismo e/ou jazz off,
sobretudo peripécias na vida de
músicosprofissionais que enalteceram a
improvisação ao participarem em eventos
semfronteiras teorizadas, revolucionando o
status musical; dos finais da décadade
1960 aos nossos dias, afirmou-se uma elite de
improvisadores,independentemente de todos
eles terem sido ou serem executantes
ouintérpretes ou compositores de obras
enquadradas em qualquer ortodoxia
eclassificadas em tipologias, géneros,
linguagens: (e.g. nos sopros depalheta e/ou
de madeira: S. Lacy, um oráculo retrospectivo, E. Dean,
tambémteórico da
improvisação, A. Skidmore, M. Osborne, F. Jeanneau,
consagradoanalista, H. Bluiett, T. Coe, S.
Potts, N. Rothenberg, W. Fuchs, A. Harth,D.
Lazro, M.Pitz, L. Sclavis, M, Ehrlich, P. Vysniauskas, J. Purcell,
T.Chapin, J. Chance, T. Hodgkinson, este
insinuante esteta, E. Friedlander,
G.Trovesi, G. Frode, W.S. Ware, C. Gayle, J.
Butcher. J. Raskin, B. Ackley, L.Ochs, F.
Gjerstad, V. Golia, W. Puschnig, F. Corneloup, D. Collins,
A.Willers, R. Mahall, T. Chant …; nos
sopros de embocadura e/ou metais:
A.Mangelsdorff, um veterano, R. Malfati, R.
Anderson, G. Christman, Y. Robert,K. Konig,
S. Tramontana, N. Wogram, trombone… e, na família do
trompete:Miles Davis, Leo Smith, B. Vitet,
E. Rava, J. Berrocal, P. Minafra,Toshinori
Kondo, Markus Stockhausen, David Douglas, K. Wheeler, …;
ospianistas e/ou teclistas, Lowell Davidson,
Sun Ra, I. Schweitzer, AnthonyDavis, D.
Zeitlin, Y. Yamashita, U. Gumpert, M. Theurer, M. Shipp,
J.Futerman, M. Crispell, V. Ganelin, P.
Karayorgis, S. Battaglia. A. Kaufman,B.
Artaud, …; os contrabaixistas G. Peacock, J.-F. Jenny-Clark,
B.Neidlinger, J.J. Avenel, S. Swallow, J.
Dyani, M. Dresser, J. Takuma, G.Cohen, Kent
Carter, B. Laswell, William Parker, M. van R. Altena,
JohnEdwards, P. Kowald, D. Holland, B.
Chevillon, J. Linberg, J. Fonda, K.Ideki, M.
Vatcher, R. Donati, C. Tchamitchian, M. Sperry, …; F. Van
Hove,órgão; L. R. Jenkins, D.
Pifarely, J. Rose, Mark Feldman, A. Maurer,
P.Giger, Billy Bang, violino; T. Cora, T.
Honsinger, violoncelo; osguitarristas Syd
Barrett, J. McLaughlin, R. Lussier, T. Rypdal, R. Quine,
M.Ducret; R. Galiano, acordeão;
e.a.).O caso da percussão, pela
própria natureza agógica relativa ao
Jazz,oferece-nos um painel fabuloso de
praticantes numa área
liminar;especialmente os bateristas (e.g. A.
Cyrille, Rashied Ali, P. Lovens,pioneiro do
movimento, B. Altschull, J. Stevens, Stu Martin, Dennis
Charles,A. Centazzo, G. Sommer, A. Romano,
V. Tasarov, J. de Johnette, ThurmanBaker, P.
Motian, Ch. Cutler, C. Vander, E. Vesala, S. A. Johansson,
P.Lytton, Mark Sanders, P. Erskine, S.
Bennett, B. Bruford, G. Hemingway, J.Baron,
B. Previte, Jim Black, S. Noble, T. Tonani, P. Murphy, F. Maras,
G.Robair, e.a.)e percussionistas de lamela
(e.g. A. Grillo. G. Burton, G.Hampel, B.
Carrott, Bill Ware, e.a.).Em boa verdade,
embora continuassem a pisar subrepeticiamente os
mesmosproscénios, os novos
improvisadores (os mais notórios eram
geralmenteex-free jazz, heróis do jazz
off) procuraram impor-se num mundo diferente
eà parte do Jazz.
Na década de1960 e ulteriormente,
o movimento Fluxus fazia apelo
àimprovisação com materiais
inusitados, formou e influenciou uma estirpe
deimprovisadores ligados ao conceito
multimedia (e.g. N.J. Paik, V. Vostell,J.
Beuys, Zaj, M. Snow, M. Eastley, e.a.); e o happenning, proposto por
A.Kaprow, surgiu como uma figura de
actividade artística colectiva
exaltanteda espontaneidade
musical.Podemos muito vagamente distinguir
os domínios das diferentes
propostasvanguardistas: "experimental" -
não sabemos o que vamos fazer e ainda
menoso que vamos ouvir; o "happening"-
mecanismo de comunicação de
simpatiaactiva; o "aleatório" ou
música do acaso - campos hipotéticos de
iniciativaintencional, como lançar os
dados ou ler a sorte no I Ching;
a"improvisação" – acto de
memória manipulada; meio da psicanálise porque,
naconclusão lacaniana, tem raízes
no inconsciente; a
"indeterminação"-composição
cuja execução nunca pode ser única; é o conceito de "obra
aberta"de U. Eco, "as obras deixarão de
ser fins em si mesmas para serem
janelasabertas para o mundo"; a "música
intuitiva" - cujo pretexto suscita
odomínio da intuição e causa
trocas recíprocas; a "música conceptual",
avançao primado da ideia sobre a
matéria sonora.A performarte
(i.e. performance art), assumiu a música como um dos
seuselementos artísticos e, o performer
no decorrer da actuação acumula
muitasvezes a função de
músico improvisador; a música improvisada não é
pré-composta, dispensa a partitura,
é vagamente conduzida por
regrasestritamente originais do artista, sem
ponto de partida definido, exceptotalvez na
escolha do material ou da instrumentação, opção não
rarorespeitante à noção de
objecto sonoro ou ready made; podendo
utilizargadgets, parafernália
doméstica, objectos naturais, botânicos ou
minerais,líquidos, gasosos,
luminescentes, aparelhagem industrial mecânica
oueléctrica,
etc…Nos anos 1970 surgiram
grupos seminais cuja linguagem improvisacional
vigoraainda no século XXI (e.g. The New
Music Ensemble; o Sonic Arts Group, quetinha
entre outros membros G. Mumma, A. Lucier, R. Ashley, D. Behrman);
oGruppo Nuova Consonanza (com F.
Evangelisti, M. Bertoncini, E. Macchi,
E.Morricone, W. Branchi, este autor de
partituras gráficas aptas para
oimproviso); o Musica Elettronica Viva (com
A. Curran, R. Teitelbaum, F.Rzewsky, e.a.,
que praticava a electronic live com sintetizador
Moog,brainwave, drones, simulacros de ritual
Gagaku, etc…); o ImprovisationChamber
Ensemble do mentor Lukas Foss pretendia fazer desaparecer
aidentidade do instrumento; o conjunto
Gentle Fire de Hugh Davies, recorrendoà
montagem de esculturas sonoras, feed back e distorção permanentes; os
TajMahal Travellers, em Tóquio, com T.
Kosuji, R. Kyoke, usando
instrumentosorientais e técnicas
electromagnéticas; e.a.Sucedem-se
girândolas técnicas como a da multifonia (soprar e cantar
emsimultâneo, explorando os sons
harmónicos), a subversão tonal, o
vibratoexpressivo, fricção nas
cordas, uma variedade espectral
circense,coordenações
dinâmicas inventadas in loco,
etc…Na música
contemporânea, na sua vertente experimentalista, perpetrada
noscursos de Darmstadt, ou na música de
John Cage, valoriza-se
aindeterminação, o conceptual e o
aleatório; em duas obras de K.
Stockhausen,"aus den sieben tagen" e
"prozession" enuncia-se, respectivamente,
umprocesso, o modus faciendi,
relações entre mais e menos
intensidade,estabelecem-se mnemónicas;
e fornecem-se instruções poéticas como "não
penseem nada"; em "Ceylon", Stockhausen
define o ritual da música
electroniclive; John Tilbury, pianista
versátil, é a favor da invenção no momento;
ogrupo AMM, com Prévost; Tilbury;
Hobbs; Rowe, que colocava desde
entãoobjectos na mesa em
hibridações
electroacústicas.O AMM, grupo
matricial, incluía o noise generator, objectos, rádio, e.a.,
eprofere um movimento extremamente discreto
de texturas improvisadas,aparentemente
estáticas; o trio Iskra 1903, fundado em 1970 por D.
Bailey,B. Guy e P. Rutherford, foi
determinante do expressionismo
abstraccionista.O trio do pianista Howard
Riley, desconstrução e gestualismo,
apelomultitemático, com o baterista
Tony Oxley num estilo fragmentário, e
BarryGuy, epónimo da abertura
tímbrica no contrabaixo, pontilístico, com
recursoao ring modulator; Gest, proto
música multimedia; afirma-se a
improvisaçãocomo reinvento do eu
(e.g. o pianista Misha Mengelberg).Surgiram
as teorias anarquizantes de C. Cardew que desafiavam a
autocraciado compositor e rejeitavam a
distinção entre o amador e o profissional
–desta postura iriam surgir
divergentes e grandes compositores
ecompositores/ intérpretes como M.
Portal, clarinete; C. Roque-
Alsina,electronics, H. Holliger (oboé);
U. Holliger (harpa); C. Caskel, J.-P.Drouet,
S. Yamashta, S. Fink (percussão),
e.a.Os minimalistas Terry Riley e La
Monte Young criam várias situações para
aimprovisação, especialmente "In
C" de Riley sobre um tapete repetitivo.Riley
é igualmente um epítome da improvisação minimal repetitiva
em piano eteclados. Os enunciados da
música minimal repetitiva foram pão para a
bocade uma plêiade de improvisadores,
tidos como pósminimalistas.Frank
Zappa, guitarrista e orquestrador, devotou-se em algumas das
suasproliferas e inigualáveis
actividades, a vários aspectos da
improvisação,sobretudo pelo
levantamento histórico de fórmulas para o improviso
epropondo outras pistas aos executantes
(e.g. experimentos iniciáticos com
B.Gardner, Don Preston, B. Neildlinger; "the
torture never stops" de "Stagevol. 5" e
"shut up’n play yer guitar", e.a.); a sua concepção
improvisatóriareflectiu-se
especialmente no Captain Beefheart e, dissimuladamente,
emHenry
Cow.O solo improvisado é o brasão
do rock clássico e do progressive,
comsucedâneos no heavy metal, mas
considerando essas
explanaçõesespectaculares
principalmente da parte dos solistas de guitarra
electrica,submetidas a conspectos
harmónicos lapidares e ritmos
bináriosestabilizados.
No rock a contar desde os finais da
década de 1960, também podemos
citarrasgos de solipsismo lunático
(e.g. Neil Young em "trans";
certossituacionismos de J. Lennon/ Plastic
Ono Band, e.a.). Sob a égide da popart
de A. Warhol criaram-se algumas obras de teor
improvisatório,abstractas,
experimentalistas (e.g. "sister ray" dos Velvet Underground,
umempreendimento de John Cale; "metal
machine" de Lou Reed; atitudes
comprojecção no art rock de
Throbbing Gristle; Gist; Sonic Youth em "day
dreamnation", e.a.). No kraut rock ou rock
alemão, desenharam-se grandespaisagens
improvisadas sobre fluxos monótonos e maquínicos, num princípio
dehipnose do ritmo contínuo (e.g. K.
Schultze, E. Froese, K. Schnitzler,
M.Gottsching, e.a.).
Depois, desde os anos 1980, com o
sistema midi e a digitalização, a
novaimprovisação
estilhaçou-se num âmbito pósmoderno com
divagaçõespoliscópicas,
amálgama e concocção de delírios líricos, de variegados
estiloe
género.Constelação de
propostas de certo modo aberrativas donde sairiam
osmovimentos insulares e progressistas da
nova música improvisada e daelectronic
live. Convocação exógena de
matérias sonoras ou de natureza artística diversa,
oexperimentalismo foi a única via
verdadeiramente revolucionária na
históriade todas as músicas de
hoje.Em 1983 o Bow Gamelan Ensemble recorria
a explosivos, gás, lâmpadas,
numrevivalismo futurista. O OMCI,
acrónimo de Organico Musica
CreativaImprovvisata propõe jogos de
transgressão com o sintagmas do free.
Génerosetnomusicais como o raga
indiano, o maqam árabe, o radif do Irão, dão
lugarprimordial à
improvisação e são dissimuladamente incluídos nos
repertóriosda improvisação
dita world music (e.g. Pandit Tran Nath, voz, um mentor
dominimalismo; Don Cherry, sopros; C.
Walcott, sitar; L. Shankar, violino;
S.Dempster, S. Turre, Graig Harris,
didgeridoo; Nana Vasconcelos, berimbau;Sri
Chinmoy, piano; Keiko Abe, marimba; M. Yokoyama, T. Makoto,
shakuhashi;Mishihiro Sato, shamisen,
orquestração; B. Larner, M. Masahoka, koto;
R.Abou-Kalil, cordofones árabes; K.
EL´Zabar, percussões; Alice
Coltane,harpa, teclados,
orquestração, e.a.).O
espiritualismo inspirador de improvisações ritualÌsticas (e.g.
SofiaGubaidulina, também excelsa
improvisadora), a nova
simplicidade,concentração mental
sobre o uno, escrita automática e/ou repentina
herdadadas ideias surrealistas (e.g. W.
Rhim, o correr da escrita, despojada
dapromiscuidade vernácula), a escola
da música espectral, corrente
cujomaterial parte exclusivamente das
propriedades acústicas dos sons (e.g.
G.Grisey, T. Murail, M. Levinas, H. Dufourt)
- projectam-se nos simulacros damúsica
improvisada a mais actual.Retalhos, frases
soltas, tempo sincopado…marcam na alvorada do séc. XXI
umatendência revivalista do free jazz
criando um confusionismo próprio
dapósmodernidade; e alguns dos grandes
improvisadores tornam-se famosos eemparelham
com os nomes mais sonantes da interpretação clássica (e.g.
oexcelso encontro multicultural de Y.
Menuhin & Ravi Shankar, que declina
oimprovisado, acumulando a dupla
função subconsciente de intérprete
eexecutante e aproxima os léxicos
etnográficos).improv . musa
lusa Num pequeno parêntesis
e depois de confirmarmos a desterritorialização e
otransnacionalismo da nova música
improvisada, podemos - apenas
pelareferência ao passaporte - declinar
alguns nomes nacionais, tendo sempre emconta
que a capilaridade estilística e o intercâmbio, são apanágio
destaarte musical.
Podemos, por ordem cronológica e desde
os finais da década de 1960,
alinharalgumas figuras relevantes da
música portuguesa, artistas com
carreirascomprometidas no projecto da
improvisação contemporânea; todos foram
decerta maneira polinstrumentistas (e.g.
sopro, corda, percussão, vocalismo;ou
com inclinações electroacústicas, concretistas e,
recentemente,informáticas);
auto-produtores e engenheiros do seu próprio
som;relacionaram improvisação
musical com interacções artísticas e
tecnológicas.Os mais importantes
improvisadores portugueses são aqueles que
conhecerammais
internacionalizações, em interacções qualitativas e
quantitativas eparticiparam em
realizações de decisão e intervenção originais
comocompositores/intérpretes, mesmo em
criações inéditas e consideradas
pelaHistória da Música
Contemporânea (e.g. C. Zíngaro, violino,
arranjo,electronics, computação,
primus inter pares; J. Lima Barreto,
piano,teclados, electronics; Plexus; Anar
Band; C. Bexegas, flauta,
electronics;Telectu; M. Azguime,
percussão, electronics, computação; V. Rua,
guitarra,arranjo, computação,
electronics; N. Rebelo, guitarra, electronics;
R.Toral, guitarra, electronics,
computação; e.a.)Podemos levantar
en passant outras significativas figuras
solísticas,grupais, incidências
organigramaticais e técnicas: (e.g. Sei
Miguel,trompete, arranjo; Zé Oliveira,
traps; D.W. Art; António
Duarte,electronics; Moeda Noise; Miso
Ensemble; Zé Ernesto Rodrigues, viola;
P.Curado, sopros; R. Amado, sopros; L.
Desirat, bateria; D. Maranha,heterofones;
Osso Exótico; Vidya Ensemble; B. Pedroso, M. Franco,
bateria;M. Mota, guitarra, fingerpicking;
Rute Praça, violoncelo; Vitriol;
JoãoPaulo, piano; G. Falcão,
guitarra; Kromlecs; Tozé Ferreira, E. Buchinho,
P.Raposo, Carlos Santos, Nuno Tudela,
Vítor Joaquim, André Gonçalves,
oprojecto Granular, acções em
electronics, video, interacção, tempo
real,live processing, computação
e/ou lap top; etc…).Num caracter
idiomático da música popular portuguesa o guitarrista
CarlosParedes é facile princeps da
improvisação, à qual se dedicou
generosamente.Soslaiemos algumas
discursividades improvisadas por intérpretes
classicistas(e.g. João Pedro Oliveira,
órgão; A. Victorino D´Almeida, piano;
PedroCarneiro, percussão, e.a.);
devaneios de conspícua qualidade pop;
ouimprovisadores parajazzísticos em
interlúdios de improvisação total, do
soloao pequeno conjunto, aquando declinaram
momentaneamente a ortodoxia do Jazz,i.e. os
que viveram em profundidade a ousadia do discurso sem restrições
emsituação de registo
fonográfico ou em concerto no âmbito da
improvisação(e.g. os
contrabaixistas Jean Saheb Sarbib, Zé Eduardo, C. Barretto,
C.Bica; os sopradores Rão Kyao, Carlos
Martins, L. Filipe; o pianista A.
PinhoVargas; a vocalista Maria João; os
guitarristas J. Peixoto, Paulo C.Martins; os
bateristas/ percussionistas M. Barreiros, A. Salero,
J.Salgueiro,
e.a.).Houve e há inúmeros
textos avulsos sobre a matéria em
publicaçõesperiódicos,
revistas, catálogos, livros; esboça-se um círculo de
editorasdiscográficas dedicadas à
especialidade e, organizaram-se festivais
oueventos de grande nível
internacional, exclusivamente dedicados à
novaimprovisação, os quais
estimularam esta liberdade estética dos
músicosportugueses.Não
devemos descuidar as acções interartísticas constantes do
vademecum daimprovisação musical -
esta seita sempre foi resgatada por outras
artes(e.g. dança, teatro,
vídeoarte, performarte, cinema, instalação,
escultura,ambiências e outras
funcionalizações por qualquer motivo cultural;
houvepoliartistas arroláveis que
apostaram como protagonistas de
músicaimprovisada); consideremos aqui a
categoria do "não-músico" como um
assumidoestigma futurista (e.g. Ernesto de
Sousa, Puzzle, A. Palolo, C. Capdeville,L.
Bragança Gil, Projecto /Progestos, A. Olaio, P. Tudela, J.E. da
Rocha,Paulo Eno, No Noise Reduction, J. P.
Feliciano, J. Fiadeiro, R. Bertholo,Adriana
Sá, e.a.). Alguns poetas e declamadores líricos e /ou
concretistastrabalharam em
interacção coma improvisação musical; (e.g. E.M. Melo
eCastro, João Perry, Eugénio de
Andrade, A. Bual, Ana Hatherly,
e.a.).De qualquer maneira está
criado um círculo artístico de músicos
emusicógrafos devotados à
improvisação.(IN)
DEFINIÇÕESQuer escrita
quer não, a música é uma arte concebida no
momento.O étimo
"improvisação" provém latim "improviso", qualquer coisa de
súbito eimprevisto, logo de
inaudito.A definição de pintura
não pode reduzir o campo visual ao quadro, ou a
demúsica restringi-la a uma forma
sonata - existem muitas outras maneiras
depintar e tocar, outros suportes fora da
moldura ou do ditame da pauta.Há
duas espécies de improvisação: uma, ligada a linguagens
musicaisestabelecidas e, a outra, que é
o objecto deste estudo, fugindo
aopreconceito e aos discursos formal e
previamente reconhecidos. Oimprovisador ouve
a melodia interiormente e simultaneamente transfere-a
paraos dedos ou a
boca.Ser bom improvisador é
incompatível com o facto de saber como se faz;
pelasua libertinagem o executante não
pode ter a ideia de como realmente
deveproceder. Que fique bem assente que hoje
já não é possível conceber
umaestética normativa e sentenciosa. No
provérbio de Cage "a Arte não é sobre
oestar certo".
Por outro lado não há
significado sem regras; vem a propósito o regime
da"improvisação estruturada", a
qual não se confunde com qualquer
improvisaçãosubsumida por sintaxe,
gramática ou linguagem musicais autorizadas
peloacademismo… aliás, para I.
Stravinsky, a composição seria uma
improvisaçãoselectiva.
A forma cristaliza e delimita; interpretar
consiste afinal em reinterpretaruma leitura,
é um acto repetitivo do executante; contrariamente,
aimprovisação só existe
quando o músico toca; é a inovação semiológica
quepor um método de tentativas e erros,
articula signos até ao momento
daexperimentação alheios ao
discurso musical instituído.A nova
improvisação dispensa o cânone, as obras pragmatizadas que
são bitolade outras; o seu estilo
performativo só pode ser apreendido pela imitação
eoralidade, rejeitando a fixação
escrita (e.g. J. Hendrix). Na
bricolage,corolário da livre
improvisação, combinam-se resíduos, vive-se
aplasticidade do momento e a
instabilidade.A música
improvisada é diferente da música que inclui improvisações;
toma olugar do idioma e dos seus estilos
idiossincráticos; prodígio da
capacidadelógica a mais imediata,
durante a improvisação o criador experimenta
amúsica pela primeira vez e
possivelmente a última; "a música foi para o
ar,nunca mais se vai poder apanhá-la",
declamava Eric Dolphy referindo
aimprovisação.
A nova improvisação envolve uma
liberdade quase total durante a
execução,dentro de certos
parâmetros engendrados pelo compositor/ intérprete; na
suavia recriativa, sugere técnicas e
intenções baseadas na experiência
anterior(treinos, ensaios, tentativas,
correcções) consolidando uma espécie
deestilo muito
pessoal.O experimentalismo conduz
à megalomania, vive subterraneamente nos
espíritosmais ousados e transgressores,
sem prescrições, sem truques mágicos; a
novamúsica improvisada não é
apenas mais uma espécie de música, mas,
"umamaneira de fazer música" (e.g.
há uma alegoria de Boris Vian em "a
espumados dias" que é o piano-cocktail,
onde cada nota ou acorde providencia
umabebida capitosa; uma legião de
pianistas usa todo o corpo do
piano;prepara-o intrometendo surdinas e
objectos sortidos nas cordas
ouarremessando-os; tantalisa as cordas como
topologias ou itinerários para
osimprovisos em raspagens, glissandos,
punctus da percussão, no sentido em
queR. Barthes falava do erotismo da
intermitência, algo apelativo pela
suavivacidade e se mostra dissimuladamente
elevando-nos à ubris, ao excesso,
àexaltação; executa um jogo
mirabolante com os pedais ou electrifica o
pianode diversas maneiras; (e.g. M.
Levaillant, também teórico e
historiógrafopioneiro, F. Tusques; G.
Gaslini, teórico da "música total"; C.M.
Palestine;S. Finnerud; B. Greene, cujo
ensaio baptizou a new thing; D. Maroney;
G.Monahan; Jon Jang; Andrea Neumann;
e.a.).O epítome da nova
improvisação consiste numa série de escolhas
extremamentepersonalizadas, cadinho de
egofuturismos, polémicas inflamadas,
manifestosde dimensão irracional,
fragmentação subcultural, significação imaginária
einformalizante, actividade de
estruturação e desconstrução apostadas
nodevir, sem significados fixos e
exclusivos; a experimentação vive
doespontâneo e só é
expontâneo aquilo que não emana duma coacção
interiorizadae que tem a sua própria
poesia; a conivência total do músico executante e
dacriação sonora é
explosão da vivência do prazer, inflexão expressiva;
comona "Carta Roubada" de E. Poe, o
escondido está à mostra.A
acção musical improvisada é a volúpia de um tornado, o
espreguiçar da ondado mar, radar de
morcego, risco de voo no céu azul, descoberta de Sedna,
oplanetóide oculto do Sistema
Solar.O discurso é
auto-erótico no solo e alo-erótico nos conjuntos dialogal
ecolectivo. Não raro a
improvisação descamba para o cenário
metaforicamentesexual, como na "Filosofia de
Alcova" de Sade: as alegorias do solo e
amasturbação, do duo e o desflorar
da virgindade, do trio e a mènage à
trois,do quarteto e a troca de pares (dito
"swing" em erotologia), até à orgia
noensemble e à bacanal na
orquestra.O experimentalismo na sua
situação musical pósmoderna é a poética da
puraintuição; verdade subjectiva,
atenção fractal ao concreto
maisinsignificante - método das nossas
ciências contemporâneas.Arte da
combinação e da síntese, inspiração que é um
caudal de fluxos dasmúsicas do mundo -
o experimental acaba com a soberania das categorias
poisque é indiferença e
non-sense.Stravinsky era fervoroso adepto da
improvisação na seguinte condição:
"élindo quando se podem tocar pequenas
melodias no teclado - principalmente seelas
surgem espontaneamente do próprio piano, é o júbilo…levados
peloprazer, subitamente ultrapassamos um
obstáculo desconhecido e isso fecunda
onosso poder
criativo".Do ponto de vista linguístico
a improvisação é alofonética, uma
variaçãolabiríntica a partir
duma posição específica; do grão da voz ao
isomorfismotecnomorfológico (e.g.
instrumental, emocional, metatextual,
e.a.).As técnicas instrumentais
são arredias, separadas da convenção,
desviadaspara outros propósitos e, logo
recorrendo a outros meios - os padrões
daestética corriqueira e
convencionalizada não se adequam à compreensão,
emuito menos ao julgamento da técnica
improvisacional.A improvisação
é um teatro da vida, música da
eutopia.IDIOMAS &
IDIOLETOSA Música
organiza-se como uma linguagem, é um sistema de
estruturassolidárias,
coordenação regular, substantificação combinatória;
pelasintaxe, associação de
unidades, estabelece-se uma entidade formal que
possapermitir o sentido expressivo na
composição clássica e nos estereótipos
damúsica popular. Por seu turno o
idioma é uma linguagem peculiar de um
povo,classe, comunidade ou mesmo
positivamente duma pessoa, é a
característicaestilística musical
(e.g. o Jazz, o zydeco, o klezmer, o barroco, a
minimalrepetitiva, e.a.); considerado um
idioma singular, o idioleto é a
expressãoestritamente individual,
identificador como as impressões digitais, é
umaidiossincrasia, o comportamento
específico de um indivíduo
autoreferencial(e.g. os estilos
pianísticos de A. Kontarsky ou de M. Pollini, que
destacama sua personalidade em cada
interpretação, mesmo executando o mesmo
trechocomposicional, que os distingue de
outros executantes homólogos, e.a.);
umapeculiaridade pessoal, afinal, a
tipicidade da
improvisação.Em
psicanálise o meu idioleto é o meu controle total duma língua;
satisfaçãodo desejo privado,
probabilidade subjectiva e personalista,
operaçãopsicomórfica.Aqui
podemos ponderar uma questão controversa: a improvisação não
é umidioma como será a música
clássica impressionista ou a música palaciana
doIraque, antes uma concocção
idiomática, painel de idioletos - a variação e
amultiplicidade tornam insusceptível
qualquer classificação
idiomáticaunívoca; assim, a nova
música improvisada não é um idioma, um estilo,
umaescola, uma corrente; quanto muito é
movimento musical descontínuo efractal,
com diferenciadas frentes idioletais.O
idioleto é uma função esquizóide, impõe o seu selo a
toda asintomatologia, exibe um código
privado e independente de um só
locutor.Diríamos então que o
discurso da nova música improvisada é
idioletal.Recorrendo a meios
semiográficos insólitos (e.g. tablaturas,
colagens,prodígios do design,
projecção de diaporama, ecrã de computador, e.a.),
cadaimproviso é uma afirmação
do eu, hiperespecialização
não-condicionada,estranha
reivindicação do egotismo; os flautistas J. Newton e R.
Dickdiferem num glorioso solipsismo, embora
ambos trabalhem em campos similaresda
improvisação livre, porque cada um tem a sua directiva
cultural.Lamartine: "as minhas ideias pensam
por mim".De notar que o autodidatismo ou o
estudo avulso e deliberado são
condiçõesnormais do tirocínio
do improvisador.O improvisador
respeita a lei à medida que a vai
promulgando.A improvisação conduz
do sonho à acção, é um fenómeno afectivo,
psicodramapessoal: climaxes, claustro de
sonhos, imagem do tempo que
passa,miscelânea, zona errónea,
interlúdio de eros, sossego intranquilo;
catarse,descarga de afectos
patogénicos; escalas fabricadas no
relacionamentoinesperado de unidades como
notas, frases, morfemas; variações de humor
quesignificam o entretenimento (e.g. o
vocalismo de Ph. Minton); a
extremaintrospecção (e.g. AMM,
Astreja); a fúria (e.g. "machine gun" de
P.Brotzman); a serenidade icónica (e.g.
solos de R. Fripp); o histriónico(e.g.
L. Coxill, C. Actis Dato, Gary Lucas, S. Beresford ); o
ritualnaturalístico (e.g. H. Paschoal),
etc…Citando o poeta Shelling, o
improviso é "uma infinidade consciente,
sínteseda natureza e da liberdade"; no
limite, é pela abolição da memória,
procuraanimada de resultados jamais
atingíveis; dispensa a angústia da influência
eda genealogia, o ditame autoritário e
conservatorial, é, para quemimprovisa,
um teatro do absurdo.Tudo se passa numa
associação criativa de ideias relampejantes,
catarse,descarga de afectos
patogénicos. A improvisação
do virtuoso cria modelos de procedimentos
comportamentais,depois imitados pelo
próprio ou por outrem- um hábito torna-se um
idioletorecalcitrante.
O cluster ou o ruído dependem do gosto
individual, só classificável
aposteriori como música - esquizofonia,
saturação de percepções (e.g. o
P.Metheny de "zero tolerance for silence";
S. Witwer, Thurston Moore, A.Lindsay,
Elliott Sharp, E. Chadbourne, J. O´Rourke, L. Ranaldo, M.
Ribot,renomados guitarristas de elucubrante
semiologia , e.a.).A biografia que procura
divulgar e organizar o historial da improvisação,
éo recurso trivial da crítica
jornalística e, para Paul Bley, a
biografia(dos improvisadores), é apenas
um self service de anedotas.Eis como
J. Pressing (no ensaio "improvisação: métodos e
modelos",Keyboard 10, 1980), considera a
improvisação à luz das ciências cognitivas
eno âmbito da fisiologia e da
neuropsicologia :a) complexos sinais
electromagnéticos; b) músculos, ossos,
tecidosconectivos que executam
sequências complexas de acções; c) o auditivo,
ovisual, o táctil, monitorizam
acções imediatas; d) a música improvisada
éinstrumental e/ou vocal; e) os sons
são colocados em representação
cognitivae reconhecidos como música; f)
input, órgãos dos sentidos, processamento
edecisão dos sistema nervoso central e,
output, sistema muscular e glandular,um
requisito complicado com os dois componentes perceptivo e motor; g)
aacção contínua predomina em
diversos aspectos seriados e motrizes
comoepítetos de valor prosódicos
que reflectem predilecções; h) o feedback
évital na improvisação para
corrigir erros e na adaptação
semi-subconscientedo papel dos erros -
percepção do movimento do gesto musical,
selecção,design e
execução; i) a memória subjectiva é uma impressão para
cada acçãodos improvisos; preciso
acto do desejo, vai até ao nível da consciência
queemerge explicitamente como se fosse
verbal; j) operação cognitiva em
temporeal e correcção dos erros,
realização táctil e sinestésica, laço entre
operformer e o
instrumento.Método de tentativa e
erro em altos contextos estruturais, a improvisação
éum veículo da expansão
consciente e toque de profundas sensações
individuaise grupais, conceito de
sincronicidade e introversão, cognição
intuitiva;para Bergson, a intuição
é um meio de atingir um contacto directo com
arealidade ordinária mascarada pelo
conhecimento humano; assim,
aimprovisação é arte da
intuição artesanal, parte do estado de tabula rasa;
omúsico improvisador é o
músico em si; improvisar é uma crença,
acredita-sena primeira vez.
A improvisação é
mnemotécnica, no sentido do adágio de D. Ellington,
é"sempre premeditada como um crime
perfeito".TEORIA &
PRAXISCompor é prever a
acção, improvisar é agir, jogar com vectores rítmicos
ouescalas, paradigmas da ilusão,
demonstração empírica, eco das
dimensõesfísicas do som;
tensão dinâmica, oposição, liberdade e controle;
segundoThelonious Monk, que lamentava ter
cometido erroneamente os mesmos
errosdeliberados, a improvisação
muitas vezes repetida acaba por se fixar;
aimprovisação total dá lugar
ao cliché e ao automatismo, onde apenas
aespontaneidade é a verdadeira
invenção; conceito de liberdade
individual,tempo deslocado por acidentes,
fugindo à tirania da arquitectura das
notaspara trabalhar o som em
si.Segundo D. S. Hofstadter em "metamagical
themas", de 1985, um erro clamorosopode
tornar-se no mais feliz desafio para o
imrovisador.Talvez uma das
noções sobreviventes da teoria académica, e das mais
válidaspara a improvisação,
seja a figura sintáxica do "rubato", que designa
ogesto livre, pondo de lado
indicações de tempo ou de compasso, e que
sedesenrola com plena liberdade de
sentimentos. Depois do improviso conceptual
do silêncio e da concomitante
ideologianiilista, a mais credível
teoria da improvisação, e a mais radical, é a
dosolo permanente na oscilação
contínuo/ descontínuo.Outra
teorização importante, que versa a duração das cada
improvisações,uma vez que, em
disco e correspondendo muitas vezes à cronometragem
doconcerto, são alcunhadas e
delimitadas, assumidas provisoriamente
comoobras; umas vezes reduzidas ao
instantâneo miniatural; outras no
tempoestereotipado da canção;
outras ainda prolongadas até dissertações
conformesà extrema duração do
CD; se com o LP o caso ficava pela hora, no CD
pelasduas horas, com o DVD o tempo é
ilimitado, editando quantos discos se
quisere a ser lidos ininterruptamente no
computador; ter a consciência
dalongevidade das execuções é
emblemático da genuína
improvisação.Tomemos o caso
da voz: o fenómeno vocal foi extremamente revolucionado
pelacomposição clássica
contemporânea, (e.g. L. Berio, G. Logothetis,
G.Apergis, P. Maxwell Davies, D. Smalley,
e.a.) apoiando-se em teorias
dalinguística e da fonética e,
isso reflectiu-se nos regimes da
novaimprovisação -jogos de
garganta, alternância de sons inspirados ou
expiradoscomo elementos os mais
vulgarizados; relato do sucesso da oralidade sobre
aescrita, a improvisação vocal
contemporânea prefere a desconstrução da
prosae a nova poesia (e.g. concreta,
gráfica, hi tec, info); o estilo em geral
épirotécnico, com tendência a
imitar qualquer instrumento, aspecto
retóricodo scat ou canto onomatopeico,
inflação de tiques operáticos -
trilo,gargarejo, gargalhada, choro, diafonia
de inspiração mongólica, abuso
dofalsete, vibrato excessivo; tessitura
urdida com voz engomada, falada,
quasefalada, sotto-voce; canto
silábico, melismático, de boca fechada;
murmúrio,grito lancinante,
oração evocatória, libido narcísica (e.g.
DemetrioStratos, o mais radical, Jeanne Lee,
June Tyson, J. Clayton, B. McFerrin, K.Krog,
M. Nichols, D. Galas, e.a.).Assim como a
coreografia contemporânea foi pondo de parte o étimo "ballet"
eavançou com "dança", também
a nova música improvisada pôs termo ao
vocábulo"cantor" e propôs o de
"vocalista".Derek Bailey tentara a sua
carreira como músico de jazz ao imitar
oguitarrista Oscar Moore do trio de Nat King
Cole, mas logo abandonou ointento por
considerar que estava num ocasião errada, num local errado e
numcontexto racial errado; aqui determinou
uma clivagem entre a improvisação
dojazz e o conceito de
improvisação contemporânea, procurando novos caminhos
eestabelecendo outros conceitos que o
levassem a uma boa improvisação
livre.A partitura, quando existe a priori,
é apenas um pequeno estímulo ou
umorganigrama vagamente planificador de
acções concretas.O
virtuosismo, a excelência artística, a completa licença criativa,
oencantamento imaginário, dependem de
protocolos sem elementos
sintácticos,como ritmo, fraseado,
swing, e.a.; a filosofia da linguagem ilumina
certasfacetas da improvisação;
segundo Wittgenstein, o instrumento musical
talcomo a fala, já possui uma
configuração linguística; na improvisação
ospróprios instrumentos prenunciam
gramáticas ou sintaxes; o improviso é
afragmentação de um todo
incompleto, colapso e reparação, discrepância e
sonscôncavos, derrocada das categorias
gramatológicas e lexicais –
escalasinusitadas, harmonias voláteis,
acordes súbitos sem norte,
vertigensmicrotonais, idiomas sobre o
abismo, géneros apócrifos;
actualizaçãoimediatista de
arranjos - o detalhe provém do refinamento da
técnicainstrumental; a verdadeira
improvisação é atemática e fora de um
quadrorítmico
isocrónico.O caso da just
intonation (e.g. LaMonte Young, H. Partch ou Terry
Riley),conhecida desde tempos remotos,
é baseada numa sequência de
intervaloscorrectamente organizados nas suas
frequências, derivada da série
deharmónicos, o que viria a ser
transposto para muitos programas
desintetizadores; o improvisador pode jogar
dentro dos limites dessa
afinaçãoespecífica, numa
miríade de escolhas.A
hibridação do pós-free jazz e do jazz off com nova
instrumentação eilações
fantasmáticas; circulação de energia intuitiva ou de
foroalegadamente telepático.
Semiologias do Jazz e/ou do barroco (e.g.
K.Jarrett em "Kohln Concert"), texturas
tímbricas agrestes em formasobsessivas
e idealizadas quantitativamente (e.g. as sinfonias de G.
Branca).Há uma etnomusicologia da
nossa própria cultura; a etnomusicologia não
falade "obras" mas de "peças"; não
há versão definitiva de um tema ou de
umacanção e hesita-se em falar de
"obra" fixada na pauta, unívoca, como
nosentido clássico; a ideia do
improvisador vai ao encontro de Morton
Feldmanao proclamar: "abaixo a obra-prima,
viva a Arte!"...Para melhor
entendermos o funcionamento dos media recorrentes, convém
revera participação de
automatismos, acústicos e, eléctricos analógicos
oudigitais, na improvisação e,
estabelecer uma primeira fase diacrónica,
aqual diz respeito à mecânica que
prescreve a maioria dos
instrumentosacústicos que existem nas
formações de música improvisada contemporânea;
osvirtuosos afirmam-se especialmente em
parafernálias da
organologiaoficializada ou na
exibição de protótipos acústicos ou
traficânciasinstrumentais, estipulando
técnicas tão soberbas quanto surpreendentes
(e.g.B. Turetzky e o contrabaixo; P.
Rutherford e o trombone; M. Svoboda e
oeufónio; Carol Emanuel e a harpa; G.
Mazzola ou R. Woodward e o piano; Uittie a
técnica dos dois arcos para solar no contrabaixo; de registar
algunsacidentes improvisados pelos quartetos
Arditti, Kronos, de cordas; ou Rova,de
saxofones; e.a.).Outrossim, podemos
considerar alguns tópicos que são síndromas da análise
daimprovisação (J.J. Nattiez,
passim): a) natureza do modelo ou o modo,
omaterial temático, a fórmula
melódico-rítmica, o esquema abstracto;
b)distinção entre
realização e modelo: se o músico está ou não consciente
domodelo, deliberação; c) a
memória de uma performance serve de modelo
aoutra, baseada em outras
improvisações; e) dimensão de work in progress,
jáque o que ouvimos não é o
processo mas o resultado de um
processo.O instrumentarium
acústico da nova improvisação tornou-se
conceptualmenteinfinito; foi desenvolvido
nas suas implementações técnicas, denotando
umnovo gesto teatral, não raro
posterior às composições heterodoxas de
K.Stockhausen, J. Cage, G. Scelsi, L. Nono,
M. Kagel, D. Schnebel, M. Ohana,L. Berio, G.
Ligeti, P. Boulez, H. Lachenman, H. Radulescu,
R.Haubenstock-Ramati, F. Dusapin, S.
Sciarrino até ao ultra- racionalismo
deFerneyhough - estes nomes são apenas
algumas pistas para uma
situaçãotécnica da
execução absolutamente inovadora e singular; a manipulação,
apostura instrumental, efeitos
exploratórios da mais diversa índole,
etc…A música clássica
de hoje, formalmente a mais rica, mais plena de
leis,ordens, antecipações
racionais, emocionalmente licenciou-se na
improvisaçãogeneralizadamente
abstracta, propondo ao nível sintáxico a abolição
doregime da "canção
temática", do tonalismo, e propôs o primado
daexperimentação, abrindo outros
horizontes (e.g. no órgão, J. Guillou ou
Z.Szathmary; entre uma aristocracia de
grandes intérpretes, os quaisinvestiram
em áreas de extrema complexidade
improvisacional).Outros grandes
intérpretes clássicos contemporâneos afirmaram a
suaidentidade na improvisação;
principalmente os mais distintos alcandoraram
emparalelo os cúmulos do culto;
acontece mesmo muitas vezes que interpretar
eimprovisar seja um empenhamento duplo dos
virtuosos (e.g. C. Berberian, voz; M.
Goldstein, P. Zukofsky, violino; F. Rzewsky,
L.Andriessen, teclados; Globokar, C.
Linberg, trombone; J. Impett, trompete;M.
Portal, sopros; J. Lèandre, Aladar Page, J.M. Rollez, contrabaixo;
S.Gazzeloni, A. Nicolet, P.-Y. Artaud,
flauta; H. Sparney, P. Meyer,clarinete; D.
Kientzy, saxofones; Lothar Faber, oboé; S. Palm,
violoncelo;as cravistas A. Vischer, E.
Choinacka, M. Porfido; J. Bream, L. Brower,
J.Williams, D. Tanenbaum, E. Fisk,
guitarra...).Criou-se uma espécie
de improvisação nómada, segmentária,
concretista,instável,
deambulatória, optativa, resultante do desafio insólito
propostono instrumento
artesanal.Vem a propósito a
construção de novos instrumentos (e.g. os
instrumentos"bruitistas", cujo resultado
sonoro é o ruído, nos intonarumori de
Russolo;os objectos sonoros de M. Kagel,
como o pan-xilo; aos instrumentos de vidrode
A. Lockwood e J.-C. Chapuis; os hidrofones de M. Eastley e R. Waters;
asinstrumentos de cerâmica de W.
Hortenstein ou de S. Rawcliffe; o órgão
defogo de M. Moglia; a percussão
scratch de P. Dadson; os paus-de-chuva de
B.Pollitt, o video octavox de Q. R. Ghazala,
a charada dos Sonic Youth,
etc…).Consideremos três tipos que
foram mais convenientes ao
discursoimprovisado: 1. melhoramento
adjunção, aperfeiçoamento de partes
deinstrumentos de série. (e.g. P.
Panuysen); 2. criação de um
instrumentoabsolutamente original ou
protótipo (e.g. esculturas manipuláveis de
I.Wada); 3. simbiose de instrumentos
industrializados e heterodoxiasartesanais
(e.g. como isomorfismo da BD de Buzzelli e o seu
heróivioloncelista Zil Zelub que se
desmembrava, está o daxofone de H.
Reichel,partes decepadas e reunidas num
corpo ambíguo).Muitos percussionistas
desmontam o corpo da bateria, constróem
instrumentosheteróclitos, incompletos,
ditos traps (e.g. M. Graves, B. Lubat, R.
Turner,P. Lovens, D. Moss, Cyro Baptista, M.
Cinelu, T. Gurtu, Le Quan Nihn; J.Gallivan;
Les Percussions de Strasbourg criaram o método percustra
queindiciava a improvisação;
e.a.)Outro fenómeno é o da
espacialização do som: ou seja, a fixação da
fontesonora localizada em determinada
cenografia natural (e.g. o caso
daacordeonista virtuosa Pauline Oliveros que
situava as suas
longasimprovisações em grutas,
junto a cascatas de água, etc…num aproveitamento
dareverberação e do eco)
.A ecopraxiologia estuda os lugares de
realização da música, e explica
umaimprovisação aberta nas ruas,
nos parques, nos terraços, nos lagos, fora
daclaustrofóbica sala de
concerto.De notar as improvisações
conceptualistas de M. Redolfi no
mundosubaquático. Há o espaço
determinado pela coreografia e pela
encenação,congeminado por
geometrias fractais com o corpo dos músicos e as
suasdeslocações espontâneas
(e.g. o paradigmático H. Bennink que percute
asparedes, o chão e volumes ou objectos
que se encontrem no espaço doconcerto;
o Kollektief de W. Breuker, uma das mais imaginativas
orquestrasde teatro musical e
improvisação, que percorre as ruas ou toca em
coretos;e.a.).
IMPROVCOLECTIVA
nova música improvisada, exonerada ex cathedra segundo o adágio
latino"verba volent scripta manent" (i.e.
"as palavras voam os escritos
ficam")recuperou a sua legítima voz com
o desaparecimento progressivo das escalasde
valores absolutos, que aspiravam à imortalidade, anunciou o triunfo
dosrelativismos, sem epitáfios ou
promessas de eternidade.O fenómeno
colectivo é aquele constituído por partes as quais exercem
mútuase fortes influências,
empatia decidida por fases de transição entre
ossolistas, que actuam no mesmo sentido
estético.O imperativo, o
conservatório, o academismo, tornou-se expressão, a
maisbrilhante, de ideias comuns;
opostamente, na improvisação dispersa-se
opulular de signos; condutas instrumentais e
vocais, construção a partir
dosobjectos e das acções sobre os
objectos; no seu devir, a
improvisaçãocolectiva joga na
alternância de exibições e nas fissuras brilhantes
dosraros e ocasionais
uníssonos.Com poucas
excepções, a nova música improvisada não versa o
mágico-ritual ouo religioso; é
pagã, agnóstica, mesmo iconoclasta, como se, numa
posturaamoral nietzscheana, estivesse para
além do bem e do mal. A
improvisaçãocolectiva segue os
desígnios de Eros de unir e
ligar.Tusques reputava a
improvisação não como uma ideologia estética mas como
um"comunismo intuitivo da
música".A nova música
improvisada, como é um assunto artístico-cultural,
dizrespeito à Paz; ao seu cariz
anarco-comunal denota a independência e
asubversão em relação a
organismos estéticos administrativos; é
obscuramentesonegada pela musoburocracia e
pelas informação e política
culturaldominantes, estas sim coniventes com
a globalização do poder, da guerra e
doterror.
A música experimental desautoriza o apodrecimento do consumo e o consumo
doapodrecimento, porque é uma
experiência da totalidade individual, é
aoriginal revelação do homem
trabalhador e participante da comunidade
social.O improvisado colectivo é
panfletário, afirma uma convicção estética
contrao tentacular da
industrialização da
música.Quando executada em duo ou
agrupamento, a improvisação é uma
associaçãocontrolada,
corolário da empatia, num status semelhante ao do
manifestopolítico; força produtiva
contestatária da divisão do trabalho, e
dassuperestruturas ideológicas ligadas
à política da música; nos
processoscriativos define-se como uma
espécie de luta social; aqui, o instante
existenuma forma dialogal, tecido conjuntivo
de uma intriga, nas
inter-relaçõesdesconhecidas e fora
das estratégias do controle corporativo, apologia
dotransnacionalismo e do radicalismo
expressivo do indivíduo e
dacolectividade militante (e.g. os fabulosos
agrupamentos de Miles Davis, aGalaxy Dream
Band de G. Hampel; T.O.K.; S.O.S.; as intricadas formações
deT. Watts, C. McGregor ou Django Bates;
Masada de J. Zorn; Mujician de K.Tippett;
Acoustics; Lounge Lizards de J. Lurie; Carbon de E. Sharp;
GrandLousadzak de C. Tchamitchian;
e.a.).Na improvisação
dialogal ou na colectiva há um apelo à união, no sentido
decriar um movimento e corresponsabilizar os
improvisadores de todos osquadrantes,
pródomo de qualquer assunto irreconciliável que está em marcha
ecom um caracter de choque, paradoxo da
rotura e da sintonia, num nível quevai
do inconsciente à utopia política concreta - para Cardew a
improvisaçãoseria então a
politização total.A
expressão colectiva levada ao conflito e ao paroxismo, pela
exasperação
darepresentação imediata (e.g. a
Creative Improvisation Orchestra, a
ItalianInstabile Orchestra,
e.a.).Na situação pósmoderna
a nova improvisação foi ficando, porém, refém
declichés e citações, sem o
fio condutor do discurso (o mesmo que acontecia
noneoclassicismo) - é uma pose
estrutural semelhante aos textos de James
Joyce(e.g. "Ulisses", pode ler-se do fim
para o princípio; passim; repetir-se
…).Sendo pela abolição do
conceito de líder, muitas vezes, num isomorfismo
damúsica clássica
contemporânea, pode até admitir-se a figura do regente
deorquestra (e.g. J. Zorn recupera a figura
teatral do "ponto" em "Cobra").A
orquestração, ou arranjo, é a estratégia da difusão
directa, mantém opapel euforizante do
chefe do grupo; há uma espécie de distribuição
depapéis como no teatro, instiga-se a
decisão genuína, processo de
acumulaçãode analogias numa
epifania do caos, da entropia e da
incompreensibilidade(e.g. Alan Silva e a sua
The Sound Visions Orchestra).Por vezes
e numa tendência multiculturalista, a improvisação suporta-se
quertécnica, quer estética, quer
instrumental ou vocalmente, em saberes
damúsicas do mundo, pelas
observação e o simulacro (e.g. tango, salsa,
funky,gospel, rumba, bossa nova, morna,
merengue, yodel…); harmonia que vem
denenhures, moléculas duma bruma sonora
que enevoam a circularidade, amontagem, ou a
colagem; a improvisação timbrada pelas músicas do mundo
éderivação e inflexão
morfológica.Acto lúdico cuja
matéria prima, votada ao regozijo e ao júbilo, são
asmúsicas ditas exóticas, expostas
sem o conhecimento dos elementos
própriosde significação e
articulação, aparência etnomusical apadrinhada,
adegradar-se na mixórdia atípica
do "fado japonês".Simultaneidade
de momentos divergentes, ductilidade de figuras
estranhasentre si e que se podem exibir como
similares, a premonição da
obraindefinida torna-se um organismo vivo;
ruínas das mais
tradicionaisocorrências, aprendizagem e
mestria, podendo basear-se o intercâmbio
emfórmulas trivializadas, em registos
estereotipados, aceitação de
formasstandard, especialmente na
concretização rítmica, de evidente inflexão
paraa isometria; critérios duma
mestiçagem estilística (e.g. rap, hip hop,
jazzmodal, concretismo, gaita celta,
etc…); na improvisação comercializada,
odinheiro será o primum mobile,
acção para satisfação instantânea, a qual
nãoescapa a um sentimentalismo
primitivo, em busca do ritual perdido,
surgedeformada pela
mercantilização mundial das culturas locais, numa acepção
de"turismo musical"; decisão
identificadora em conjuntos instrumentais,
desubjectividade pregnante, o feed back
opera entre os executantes, a partirou
não duma preparação ideal, num envolvimento de
discrepâncias,
distúrbios,heterarquia e
coalescência - meta-estilo, polimorfismo,
pulsãocolectivizante,
sublimação do recalcamento da relação amorosa,
discussãoalienada, cacofonia ou,
plenitude mística.A
supressão de imperativos da duração é adoptada pelos
parceiros, o jogo épartilhado numa
acção lúdica extemporânea; vingam as estratégias
demarginalização, da
comunicação abstracta, do auto-referencial (e.g.
acriação "afternoon of a georgia
faun", dirigida por Marion Brown, com
umnaipe de percussões, instrumentos
inventados, prefigura uma das amais
altasexpressões do jazz-off); o
envolvimento político- estético, sendo
umarquitexto, segrega atitudes de liberdade
como a da improvisação (e.g.
aCompany, laboratório experimental de
D. Bailey, que acolheu e acolhe umavariedade
inumerável de tendências da nova
improvisação).Para Mauricio
Kagel, na sua vituperação do institucionalismo
clássicovigente, as óperas e as
orquestras sinfónicas são entidades
museográficas,campos de
concentração culturais.O
experimental é uma vivência separada, abolição do
recalcamento e dacensura, já que o
discurso evita a arregimentação. Discurso sobre
aproibição, também
recuperação /contestação desta, separação da
culturamusical dominante. Culto
iniciático na sociedade de consumo, todo
oexperimental é subsumido pelo
interesse e pela crítica dos
aparelhosideológicos da Música,
torna-se música efectiva, manipulada,
dependente.Na sua tendência
solística é autoerótica; num convénio de
improvisadoresserá classificada de
aloerótica.O solilóquio, o
colóquio ou a conferência da improvisação, pode
seracidental, coincidente ou ocasional;
intertextualidade, articulação
desaberes; D. Bailey dizia preferir os solos
ou os grupos minúsculos aosensembles ou
grandes orquestras - referindo uma privilegiada capacidade
decondução no gesto de Butch
Morris ou no grafismo de A. Von
Schlippenbachpara a Globe Unity
Orchestra.Segundo Anthony Braxton a
improvisação exprime a criatividade do
mundo,política no seu sentido colectivo
e, pessoal como opinião do solista;
tem,assim, uma qualificação
histórica e cultural; é um veículo de
transformaçãosocial, um
empreendimento filosófico, elemento central e ritualístico, é
umaorientação epistemológica
alternativa no mundo da música
contemporâneaglobalizada.
A verdade do momento, distinta da desinspirada performance comercial,
brotada contestação, onde que cada
artista desafia o status, e o
improvisoapresenta, como a sucessiva
pincelada na tela do pintor, a definição da
suaidentidade musical; o improvisador
estabelece um laço na cadeia da
tradiçãoinstrumental acústica
e é participante e/ ou manipulador da
invençãotecnológica
acústica e
electroacústica.Sob
influência das filosofias pacifistas orientais como o Zen ou o
Ioga,surgiu uma plêiade de executantes
de uma espécie de música
ambiental,tendendo para o envolvimento
imaginário, por vezes alegadamente new age,
comas a suas improvisações
subliminares e anestesiantes (e.g. Brian
Eno).A música ambiental improvisada,
tem o sentido cósmico da criação original
demundos sonoros
envolventes.O experimental existe
antes de ser mercado - segundo G. Debord,
in:"Sociedade do Espectáculo", "o
imediatismo é de certo a mais
sumáriareivindicação, mas
também a mais radical", a que define os novos
músicoscomo construtores de
"situações a viver".A
notação é para o olho e não para o ouvido; a
improvisação,
primacialmenteauditiva, é o enlace do
Homem e da Natureza; elementos pessoais, matizes
ecampos hiper
subjectivos.A nova música improvisada
repõe a ilusão narcísica de Dorian Gray,
espelhomágico que retrata e reflecte a
beleza efémera.DA
NOIVA MECNICA À
ELECTROMUSAA
planificação tecnológica da música improvisada de hoje
resulta de diversostipos de
interacção instrumental e dos dispositivos sonoros, de
concepçãoexperimentalista;
junção do orgânico da improvisação corporal humana e
docorpo, sem órgãos e
afectividade, das máquinas
cibernéticas.A última fase
tecnológica da História da Música está ligada à
electricidade;toda a Música do
Séc. XX esteve comprometida coma tecnologia
eléctrica.A música passou por
vários processos no seu compromisso com a
electricidadee a invenção
científica de instrumentos; podemos marcar um itinerário
damúsica electroacústica:
microfone - altifalante - amplificador -
ondasMartenot (e.g. I. Loriot) - Theremin
(e.g. C. Rockmore, L. Lavina) -
máquinade ritmo - estúdio de
Colónia - sintetizador - workstation -
controladordigital - computador
portátil - grande máquina cibernética de estúdio
-satélite …ad
infinitum…O implemento
electroacústico movimenta a matéria sonora no espaço virtual
erelativisa-a no tempo real (e.g. delay,
eco, fuzz, rewind, loop, e tantasoutras
operações tecnológicas que participam da representação
multimedia). Ahiperespecialização
dos estúdios de gravação, fixos ou portáteis,
foisolícita para os improvisadores.
Muitos instrumentos típicos surgem
emversões electrificadas (e.g. a harpa
de Zeena Parkins ou Rodri Davies;
ovioloncelo de David Darling; o violino de
J.-L. Ponty; a guitarra &electronics
& objectos na cenografia de K. Rowe.;
e.a.).O intérprete da partitura
diz o que o outro (o compositor) quer,
naelectronic live improvisada o músico
executante tem uma vantagem muitoprivada,
como autor, ele diz apenas o que
quer.Há requisitos para as suas
elaborações discursivas, quer ao nível
dosoftware, fabrico de sons e programas ou
simples usufruto de presetsindustrializados,
(e existe mesmo uma literatura especial
paraimprovisadores); quer no âmbito do
hardware em que o artista cria
umaespécie de efeito orgânico na
instrumentação electrónica (e.g. Paul
Bley/Annette Peacock synthesiser Show) ou
cibernética (e.g. Phill Niblock,
ummentor da
ciber-improvisação)O caso da
textura tímbrica está não raro ligado à
singularidadeinstrumental, assim o uso de um
modelo de sintetizador da Yamaha
éimplicitamente distinto da Moog ou da
Roland e, seus resultados sonoros
sãoespantosamente diferentes e
identificáveis; o instrumento monofónico
permitea manipulação horizontal,
no polifónico abrangem-se campos
cromatizantes;importantes são as
diversas parafernálias como pitch-benders;
controladoresde sopro, percussão e
cordas; pedais de voltagem, etc...Devido às
múltiplasdistorções
eléctricas, o vocalista ou o instrumentista não necessita
tantoesforço físico, pela simples
utilização do micro e do
altifalante.Na electronic live aposta-se num
produto manufacturado no devir doimproviso;
comparando-a com a electrónica de estúdio e sem intérprete,
aimprovisação electronic live
é uma forma especiosa de artesanato, parte
doprincípio similar ao da sinopse da
encenação teatral.Claro
está que o nosso conhecimento da nova música improvisada provém
doconcerto, assistência ou
realização sincrónicas; mas
muitosignificativamente da audição
do documento discográfico; os sons são
fixadosno gravador durante a
composição e depois editados em disco; a
gravaçãomultipista permitiu a
criação de um espaço virtual e a estratificação
detakes por cada pista; o recurso ao remix,
posterior à gravação,
permiteformular outra sedimentação
estática, numa bitola
irrealista.graças ao disco, que
principalmente se refere ao aspecto sónico,
podemosavaliar os resultados e,
aproximadamente, o modus faciendi da
matériaimprovisada. assim a conhecemos
diacronicamente, o que é um paradoxo, já
queem qualquer mass media a música se
encontra fixada (e.g. gravador,
disco,vídeo, memória de
computador).Só a rádio e a TV e as
redes telemáticas como a NET, podem oferecer o
eventosonoro ou o espectáculo musical
em directo.O disco, que como medium
passaria a instrumento do DJ, a partir do reggae,
edo dub, tornou-se a extensão da
composição em lugar da partitura e,
éepigonal da globalização
mediológica (e.g. DJ Spooky; DJ Pogo; DJ
Logic;e.a.).
Hoje, uma música indiscreta correlativa
ao hip hop ou ao techno, sonoplastiada dance
culture, proclama-se "música electrónica", qualquer
coisaimprovisada com matérias sonoras
fixadas, exibindo muitas vezes o trivial
dacena tecnoinstrumental do pop rock e do
scratch; non nova sed nova;desprezando o
conceptivo compositor, o executante improvisa sobre
matériaspré- fixadas em
vários suportes: gira-discos, LP, CD, DVD; sector da
videoart, como o video clip; qualquer
software inadvertidamente disponível para
odesvio; edições
cleptofónicas, pirataria sónica sortida, e.a.; afinal é
umerro terminológico pusilânime,
mais uma apropriação lexical propagandista
damúsica de massas; alienação
sociopata, ideologia da
não-ideologia.Uma
investigação científica electroacústica e informática,
deu azo aoimaginário e à
invenção estética permanente e, às criações
sónicas/ musicaisdos grandes autores de
sínteses, (e.g. I. Hiller, Risset, K. Stockhausen,
E.Leip. R. Voss, J. Chowning, P. Barbaut,
Philipot/ Babbitt, M. Mathews, E.Heimert, B.
Parmegiani, T. Machover; o pósmodernismo da
ciber-praxisinformática de Jean
Schwartz, H. Bojé, P. Eotvos; e.a.); é necessário
osolfejo informático para aprender a
trabalhar como músico que
pretendaconsiderar o computador como
instrumento musical.Em 1971, na senda da
brain music, Pierre Henry improvisava
mentalmente,através das próprias
ondas cerebrais conectadas com transcritores,
otrabalho
"corticalart".Importante foi a inclusão
de solistas improvisadores nas suas
magnânimascomposições,
acústicas, electroacústicas e/ou cibernéticas, (e.g.
K.Penderecky, J. Appleton, & Don Cherry;
E. Schwartz & Marion Brown; G. Mumma,B.
Ashley & Bob James, P. Boulez & Michel Portal Unit, I. Mimaroglu &
oquinteto de F. Hubbard,
e.a.).Neste escopo referimos
sumariamente o efeito dos media na nova
músicaimprovisada à luz da
mediologia ou da teoria da comunicação; alguns
mediaaparecem na encenação sonora
das improvisações: o aparelho radiofónico
(e.g."contrapuntal radio" de G. Gould ); o
gira-discos (e.g. a corrente"plunderphonic"
liderada por J. Oswald, as acções de C. Marclay;
O.Yoshihide, M. Tetrand, Eric M., jogos com
CD de T. Spelios) e, o computador(e.g. A.
Braxton/ R. Teitelbaum em "open aspects"; a video art e
aextrapolação estética no
piano video de Blue Gene Tyranny; no trumpet
videode J. Hassell, ou no design sónico
de Paul de Marinis; na teoria da
"músicaexótica" de David Toop;
e.a.).Na Teoria da
Informação de A. Moles quanta mais probabilidade
maisinformação – as
execuções dos improvisadores virtuosos tendem
aopoli-semiótico da
representação imediata (e.g. a novaiorquina
ExperimentalIntermedia Foundation desde 1980
promove e divulga actuações e
teorizaçõese, expandiu-se pelo
mundo numa abertura pedagógica ímpar aos
maisextraordinários idioletos
multimedia).Os novos inventos
tecnológicos (e.g. a drum machine, o sequencer, o
ringmodulator, o sampler, o processador
ultra harmoniser, destacando o eventide,a
wavestation, e.a.), propiciam outros níveis lexicais e
estruturassintáxicas (e.g. o loop, o
dolby, o play-back, o reverb, e.a.).A
electronic live improvisada é uma música mista, algo ambíguo
entre os sonsinstrumentais e os artificiais
(e.g. W. Horvitz, J.W. Brennan,
MichaelSmith, D. Van Thiegen, L. Casserley,
e.a.), cânones do eco arcaico,
ondemesmo os ruídos são
apresentados como música (e.g. "as mãos" do
músicoandróide M.
Waisvitz).Reverificaram-se muitos valores da
nova improvisação, especialmente
pelaimplementação do disco (e.g.
D. Shea) e de parafernálias digitais (e.g.
ojogo excelso ao trombone & electronics
de G. Schiaffini; o
refinamentoelectrónico de W. Pratti; o
Electro-Acoustic Ensemble de Evan Parker; o
duoJ. Kuhn/ W. Quintus; a imagética de
Ph. Durrant, violino &
electronics;e.a.).
O sampler é o substituto digital
do gravador de bobine, espécie de
seringaque recolhe o sangue no êmbolo,
genoma proliferante; o sampler,
comotecnologia concretista de ponta, serve
para por à disposição todo
umuniverso de sons e segmentos musicais nele
armazenados e é recursotrivializado na
improvisação de música reapropriada (e.g. B.
Ostertag,Andrea Parkins,
e.a.).A prefiguração dos media
como instrumentos deve ser
consideradacomplementar, disco ou rádio
e, suplementar na dita "música assistida
porcomputador"; sinapses instrumentais (e.g.
o conjunto volúvel e multimediaMimeo,
conceito e direcção artística de K. Rowe, envolve
umaciberparafernália de concretismos,
sintetizadores, panóplia
electroacústica,tecnologias de ponta e
projecto sonoplástico).Não existe
o acto de pura improvisação com os media
instrumentalizadosmusicalmente; há
tão somente a possibilidade de coabitação dos vocalismos
edos instrumentos acústicos e
electroacústicos e, parafernália,
dispositivosou controladores
electrónicos analógicos e digitais (e.g. A. Elmer,
P.Rehberg, Ikue Mori, D. Fulton, N. Collins,
C. Fennesz, e.a.).Na sua
expressão digital, adjudicada ao computador, a improvisação
entrou noâmbito do imaginário
cyberpunk, e pulverizou-se na sua situação
pósmodernacom simulacros, jogos,
plágios, sobreposições, colagens, derivas e
outrasatitudes de instrumentistas ou
vocalistas que já não lidam com
partiturasescritas e impressas mas com o
próprio material sonoro criado
impromptu.O computador substitui o operador
musical humano, é por excelência
umaparato de planificação
tecnológica; estabelece conexões
entretecnopanóplias e instrumentos e,
programa relações sonoras
elementares.A memória computacional
consiste no arquivo de notas, silêncios,
ruídos,ritmos, madrigais, cantatas,
missas, sonatas, sinfonias, canções, e
depulverizados sintagmas musicais; trata-se
de um labirinto fonográfico tecidode
múltiplas direcções conceptuais e de inúmeras
substâncias sonoras.A
improvisação assistida por computador é uma work in progress que
marcafortemente as figuras inventadas pelo
executante e as transforma em temporeal
invocando o mito da sereia.Inicialmente
apelidava-se "groove" uma actividade improvisatória com
ocomputador assumido como instrumento: duma
parte o comando e a acção(teclas,
rato e ecrã do computador), da outra, autodeterminação e
controlo.Desenhando os sons ou
esculpindo-os, pode-se sucessivamente
modificá-los,deformar a sua imagem e
obter variedades acústicas
desconhecidas.Hoje popularizou-se o termo
"lap top" para designar uma atitude híbrida
doimprovisador e da sonoplastia do
computador, normalmente debilitada
pelodesconhecimento de operações
de síntese e de génese do som;
apropriando-sede programas prévios,
simulação de manobras
algorítmicas.A música
cinética evoluiu desde o posicionamento estético dos
altifalantes,à sua deslocação
algorítmica no espaço, determinada pelo computador,
criandouma realidade
virtual.Na nova música improvisada
é considerada a noção de espaço: a
fenomenologiasonora adequadamente dispersa,
o envolvimento conjecturado, a topologia
dosmúsicos; os espaços
sensíveis e os abstractos; a estruturação e cognição
dageografia dos sons, modelos de
configurações espaciais, a virtualidade
dosespaços sonoros, as
espacializações audiovisuais, a arquitectura sónica,
osespaços da imaginação
subjectiva do(s) músico(s) e do (s)
ouvinte(s)…O computador funciona de
maneira estatística, recodifica, armazena,
processae transmite o som digitalizado. As
máquinas calculadoras podem levar a
cabooperações qualificáveis
de mentais. Há um senão: o robot musical não
tememoções, nem sequer sonha,
desconhece a aventura e o amor.A computer
music é andróide, não é susceptível de ser executa
exclusivamentepor um músico,
corresponde grosso modo à união de duas inteligências,
anatural e
artificial.Todas as questões
extra-musicais como luminotecnia, video art,
instalação,performarte, são
epigonais da nova música improvisada, estão ligadas
aosituacionismo do espectáculo, da luz
estroboscópica ao raio laser ao
videowall do
megaconcerto.A improvisação
alterara-se substancialmente desde os anos 1950 na Rádio
deParis, com o projecto da "musique
concrète"; conheceu um
progressoimparável até à era
da telemática no último quartel do 2º milénio,
quecoloca a música na estética da
comunicação. A Telemática
situou a música em diversos espaços e tempos
sonoros,polissensoriais, interactivos
(rádio, exclusivamente sonora; TV,
queprivilegia a imagem sobre a música;
aparelhos ambulatórios,
génerowalkie-talkie, radio car,
rádio transístor, vídeo, satélite;
reprodutoresinteractivos, o CDI, o CDROM;
computador portátil; interacção e
participaçãocom a NET...); contra
o sentido da cultura de massas que reduz os
discursosà igualdade amorfa e, a
museomorfose do classicismo, a situação
pósmodernada música improvisada
propõe uma variante de protoformas, hibridez
estética,pastiche; heterogénea,
canibalisa todas as técnicas, é um
sintomaesquizóide.
Na sua situação
pósmoderna a improvisação electronic live, é
centáurica,feita de próteses,
abertura de opiniões, aceita a incompatibilidade, como
nojardim de pedras zen onde tudo é
relativo .Laboratório cultural,
investimento individual na experimentação, prática
deinsuspeitos modelos como
percepções e relações alternativas;
sendorizomórfica, a
improvisação empreende novos processos criativos de
produçãoe define assim a sua
situação pósmoderna.Com o
maior optimismo a pósmodernidade é um situacionismo crítico e
declariaudiência, associado às
viragens da dimensão estética da
improvisação.A Nova
Música Improvisada é, finalmente, uma questão de gosto, pelo
prazerde a tocar e a ouvir; para ser amada
pelo espírito
aberto.REFRÊNCIAS
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2004Copyright
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Posted at 08:02 PM
Ter - Fevereiro 24, 2004
RECO-RECO ou TRATACTUS PORCOMUSICOLOGICUS
RECO-RECO ou TRATACTUS
PORCOMUSICOLOGICUSA musicologia
oficiosa é uma rosquinha de merda de porco - a
estéticaacadémica nunca desceu
tão baixo; dois ou três recos jet set e mais a
legiãode imbecis ministeriáveis
e/ou deputáveis a roncar teorias sobre música
emais o cochon comissário de festival
suinóide e os agentes da porcaria,
emlavagices capitalizantes;
pigs…etnoporquitos cor-de-rosa,
instrumentistasque aspiram a cevados
compositores, famosos porcalhões do
empresariado,berrões a guinchar pelo
lugar na chafurdice maxima. Acontece -
umasfocinhadas na pauta e mais umas
iconografias porcinas a armar ao
ciberporco,ronco-reuniões,
conferências-saca-rolhas como as pirocas dos
porcos;sectores votados à música
de instituições genoporcinas; netmerda de
cochinomulticultural, cibercaca musical;
musicografia/gamela. Assim ficamos reduzidos
a montes de estrume literário, crítica vendida
àração, propaganda-brucelose
– ainda por cima apresentando-se como
porcusmusice – pocilga
político-partidária de qualquer burovarrão -
…pimbapigs…todos interligados
pela música via TV, exclusivamente caganeira
ligeiraem dó maior, e na rádio a
debitar salsichas com emulsionantes
econservantes; vejam lá! chama-se
música àquele pacote mercantil
hemorroidale estandardizado peidolar e
grunhir…como acontece entre os porcalhões
nolar-doce-lar: putedo de marrã,
paneleiragem, peidofilia, fressura,
evice-versa de erotismo
cropófago…lamentável! pigs…não interessam nem
àMusicologia nem à
Veterinária nem ao menino Jesus… narinas de reco,
tomadaseléctricas conectadas ao talho
da censura, traques badalhocos via
satélite,bandeira-forriqueira-cagofonia,
terrorismo escroto de berrão - onde
osartiodáctilos suídeos se
emboligam tipo perfodança ao som de cagadelas
newwave…pigs… fato com reflexos
asa de mosca da merda, e gravata porky:
emlimusinas matadouros; mamões! sempre
a cobiçar um lugar no pestilentopocilgo
da publicidade; varas de júris suinomusicólogos, só para punir
oueleger as estrelas do estrume, pela rara
sabedoria de imitar, continuar afétida
pseudo-música canónica; camarilha a babar ideologia musical
sebenta,indigna dum leitão da Bairrada
que se preze. Pusmoderno,
porcópera,escatomerdalogia
sónica.Filas de porquinhos lambões
a baterem-se à condecoração, ao prémio,
aosubsídio
chorudo.Trabalho multimerda suplementado por
uma hóstia de schwein mal cagada
ditaCD; infodarte reca; um chiqueiro sonoro
mixfedor…pigs...enfim…pigs… moral
dahistória: quanto mais a porcalogia
musical alçava o rabo mais o
sumoporcalhote lhe enterrava o nabo…os
sons que daí se ouviam eram
escatofetosuma suínaria
inaudível….tudo uma grande porcaria…pigs…estamos
ameaçados poruma nova espécie
genética:o musoporco.
para o forno, orelhas bem tostadinhas,
JÁ!Jorge Lima
Barreto
crit@net
Posted at 02:51 PM
Dom - Fevereiro 1, 2004
MÚSICA – Músicas para o 3º MILÉNIO
arte de Joana de
Deus
Músicas para o 3º
MILÉNIO" a
velocidade dos cavalos, por exemplo, tanto quanto a vimos como
aexperimentamos ,transportados por eles,
é agradabilíssima em si mesma,
ouseja, pela vivacidade, a energia e a
força de tal sensação;
realmentesuscita uma quase ideia de
infinito, sublima a alma e fortalece-a ".
-Giacomo Liopardi, citado por Italo Calvino,
in "seis propostas para opróximo
milénio". para um conceito
de música de massas No devir
deste milénio a Música foi a Arte mais transformada
pelaevolução tecnológica e os
sistemas sociocomunicativos. Até ao fim
do séc. XIX a música era um fenómeno passageiro, perpetuado
naescrita designativa duma espécie
fabulosa e exacta de sons
complexamenteorganizados, a serem realizados
por intérpretes; no último século, com
aelectricidade, o processo conheceria as
maiores revoluções e podemos
citar,de passagem e relativamente ao som, a
captação via microfone,
aamplificação, o registo
fonográfico, a conserva em disco ou banda, a
criaçãosintética, a
informatização, a telecomunicação, o multimedia,
e.a. Do desfile das tecnologias
eléctricas audiovisuais surgiu o conceito
demúsica de massas, significando a
reprodução, a multiplicação e a difusão
damúsica através dos mass media (
disco, rádio, tape, TV, computador ),
aoalcance de
todos. A musicologia dominante abriu
um cissura artificial separando
alegadamenteuma quantitativa música
popular duma qualitativa música
classicistapropagandeada como "erudita";
porém, a História comprovou a
enormecapilaridade de valores
estéticos, técnicos e
tecnológicos. É este
fenómeno transcultural da música fixada em diversos
suportesmediáticos que iremos
apresentar, enunciando breve taxinomia,
crónica,crítica, tópico,
recensão de movimento, género, estilo ou
tipologia. Dividiu-se o texto em
quatro assuntos: variedade musical, da tradição
oralao kitsch; jazz, sincrético e
seminal ,eleito língua franca; pop
rock,moda, formulação
espectacular; novas linguagens,
criatividadepluridisciplinar e
invenção
científica.variedade
musical No séc. XIX a
concepção romântica denotou a canção popular como
tradiçãoe signo nacionalista,
transferiu-se para o séc. XX como produto
domusic-hall e mercadoria massmediatizada;
participativa, reservou um
lugartotalitário na sociedade
contemporânea; o fenómeno das variedades montou
umagigantesca rede de intermediários e
repetiu receitas apaixonantes; alegoriade
formas originárias, fortemente semântica, fadigou-se no texto, elegeu
orapsódico e o
efémero. A música tornou-se um
fenómeno com projecção cultural planetária
semprecedentes, ampliou o idioleto,
consagrou o idioma, forjou sintaxes,designou
semânticas, envolveu todo o mundo numa alegoria
passional. A mais vasta
edição da música de massas, dita ligeira ou comercial,
éhipersigno da ideologia dominante,
região estatística onde a
autenticidadedo folclore deu lugar á
estandardização e o discurso tradicional foi
sendodevastado pela vulgaridade; erigiu-se
indústria, transformou a
criaçãocolectiva em mercado
consumista, indo direita a todos os corações e
ouvidos. A canção,
superfície sensual da melodia e do suplemento da secção
rítmicajazzística,
contestação ou evasão, generalizou-se como modelo sentimental
daglobalização durante todo o
século XX. A canção de
protesto incitou à revolução sociopolítica, numa
vertenteconsciencializadora, escorada na
tradição, tipicidade da genuína
músicapopular.
A teoria da música tonal europeia foi o denominador comum
destepanculturalismo, descodificador da
própria raiz cultural; a mescla e
ahibridação tipológica, onde
intérpretes clássicos e operáticos
contracenam,num gesto afluente, com pop
stars ou figuras de
qualquernacional-cançonetismo.
A música funcional submeteu-se ao gosto discricionário na dança,
noteatro, no cinema, na TV, no vídeo,
e.a. Irradiou-se o niilismo tecnocratada
MUZAK, música industrial e ambiental planificada para situações
sociaisdo quotidiano, elogio da
robotização e, da new age,
envolvimentoegocentrista, edulcorante e
hipnótico. Uma copiosa
edição de fonogramas etológicos e ecológicos tem
presenteadoo público com simulacros
musicais ou paisagens da Natureza.
No pós guerra com o incremento dos meio de comunicação e a
crescentecrise do colonialismo os povos
trocavam entre si ideias antes
aparentementeirreconciliáveis (exs.:
raga, gamelão, kabuki, juju, yodel, tango,
samba,salsa, rai, klezmer, morna, mariachi,
e.a.) e, marcaram definitivamentetoda a
semiologia da música de massas.
A world music, mosaico de rituais mágicos, canal prosélito das
músicas domundo, projecto
intercontinental, afirmação da dignidade étnica,
recuperourituais em extinção,
reconstruiu a instrumentação ancestral;
denominadorcomum de sintaxes multiculturais,
miscigenação discursiva,
actualizaçãoestética e
tecnológica; no fetichismo dos media o griot virou
vedeta. Os maiores vultos da música
etno popularizaram-se no contexto da
worldmusic, que levou a música
anteriormente criada por virtuosos, num
qualquerpróprio ambiente cultural e
natural, para o estúdio e para o
palco. A música popularizada
nos media procura realizar o projecto do
ideáriodemocrático; pacifismo,
romantismo e entretenimento, humor idílico,
gostodoméstico, transgressão
consentida, apologia da família, conciliação
sociale étnica - melodias e ritmos
estampam-se na memória como entidades
sublimes.jazzO
jazz, paralelamente ao gospel, aos espirituais ou aos blues, nasceu
comouma tipologia do cancioneiro
negroamericano, delta de
aculturações;apropriação
da notação europeia, com gradações emocionais da
texturatímbrica; evoluindo do ragtime,
de ritmo desgarrado e sincopado e, do
boogiewoogie, percussivo e cadenciado.
Padronizou conjuntos
instrumentais,congeminou harmonias e
dissonâncias específicas, implantou um
regimepulsional
empolgante. O jazz, arte
estereoespecífica, absorveu para a sua própria
gramatologiainumeráveis enredos da
música de massas mundial (ritmo, estrutura,
semânticada canção,
instrumentação, e.a.); galeria de executantes virtuosos
,conheceuinúmeras etapas no seu
processo histórico: O jazz
clássico foi inaugurado pelo estilo New Orleans, com
texturaspolifónicas, subministradas por
ritmos fortemente acentuados e
simétricos;no swing, pulsação
taquigráfica, break ,canto onomatopaico e rimado,
foimarcado pelo apogeu da big band, grande
orquestra. Logo a seguir ao fim da II
Grande Guerra, surgiu o bebop,
projectointelectual do jazz moderno,
expressionista, jogo de acordes,
ritmodialéctico; escola similar foi o
cool, integracionista, de
humormelancólico, poético, a
balada como forma dominante; houve
estilosdisjuntivos do bop como o west coast,
de tintagens tropicais e cinéfilas;
oprogressive, experimentando técnicas
superiores de composição e arranjo;
athird stream, fusão morfológica e
estrutural do jazz com músicas
clássicasplanetárias.
O hard bop ou funky adjectivou o bop com
enredos místicos dos blues, dogospel
,da soul, discurso palimpsesto com síncopes incisivas, um
regressometonímico á
tradição religiosa, reivindicação
etnocultural. O modalismo, isto é, a
adopção de escalas exóticas, caracterizou o jazz
dasdécadas seguintes, com notáveis
texturas tímbricas e prodigiosas
invençõesrítmicas.
No início dos anos 1960 aconteceu a rotura do jazz contemporâneo
perpetradapelo free jazz, cacofonia,
grito, sismografia; modos extravagantes,
fluxodo delírio á deriva de ritmos
assimétricos, contestação sociocultural
epolítica.
No jazz rock coabitaram duas linguagens implantadas sobre a vivacidade
dosritmos binários e complementadas
pela panóplia electrónica. No
último quartel do século detectou-se a corrente revisionista
doneomodernismo, devotado ao tema standard,
escolaridade na era do
computador,involução
irrevogável do academismo, generalização rebarbativa nos
limitesdo branqueamento do
jazz. O jazz disseminou-se em todo o
planeta e, uma frente vanguardista
ediaspórica tem proposto o estilo
múltiplo e poliscópico, renovação
enérgicada linguagem instrumental,
encantatória e permanente deste discurso
vívido. O movimento da nova
música improvisada surgiu em meados dos anos
6o;sucedâneo do free jazz, do
experimentalismo e da obra aberta; intuição
doinstante, constelação de
compositores-intérpretes; passarela
deinstrumentistas excepcionais, construtores
do bizarro, virtuosos doepigrama;
emancipou-se como música/ performarte, concebeu um espaço
autónomoe atípico da vertente
solística e/ou colectiva, com técnicas audaciosas
econceptualizações esquisitas;
formidável formulação da
pósmodernidade.pop rock
Os blues são a propedêutica
do rock, cuja primeira fase consistiu no
bluesrevival em duas frentes: nos EUA e na
Grã Bretanha; nos meados dos anos
6oproliferaram as estéticas mistas do
folk rock, do rockabilly, country rock ,e.a.
A síncrese do cancioneiro
negroamericano e do folclore dos colonos
progrediudesde o início do século
em alguns géneros originais como a folk ,
querefere sobrevivências da
tradição oral, a country, música do campo mais
aelectricidade; com a rádio e o disco,
surgiram os blues urbanos, os rhythmand
blues, electrizantes; no crepúsculo dos anos 5o, a soul
music,espiritualizada, combinação
de riffs ou figuras obsessivas, profanava
oritual
religioso. O rock ‘n’ roll,
aceleração dos rhythm and blues, é o domínio da
cançãoque projecta a guitarra
eléctrica como primeiro instrumento e assenta
sobreritmos binários enérgicamente
sincopados; passo inaugural do
rock,sociológicamente inseparável
da droga e do conflito de gerações, a
arteidolatrada pela
juventude. O rock é uma
expressão lírica pregnante e arrebatadora mais
qualquercoisa de vibrante, energia
sinestésica; é iconografia e
espectáculo. No rock dito progressive,
os discursos consolidaram-se no
conceitoharmónico, na excelência
de cantores, guitarristas e bateristas,
naestruturação e no arranjo, num
contexto poético confessional,
realista,erotizante, paleta tímbrica
progressivamente recorrente da
parafernáliaeléctrica.
Na década de 1970, o art rock concretiza alguns postulados da música
avantgarde e manteve o seu caracter
experimentalista. A facção
mainstream , jogo de convencionalismos, fermentou o hard rock
ouheavy metal ,excesso verbal e
expressão arrasadora, escórias
sonoras,impacto dos decibeis ,com o maior
culto popular. O punk apresentou-se como
música simplista, moda subversiva,
posturaanticultural.
Noutro projecto poético, o krautrock, rock planante ou alemão, tinha
umcaracter tecnoambiental, conversão
minimalista da pop. A rádio, que
prodigalizara o aparelho portátil e o auto-rádio,
privilegiouo rock FM, planificado e
indulgente. Nos anos 1980 o movimento
new wave, retrospectivo e futurista,
humorsofisticado, propunha o dinamismo
tecnológico, o sensualismo da
pósmodernidade.
Com o iridiscente funk, mistura activa do
cancioneiro negro americano, atechno pop
celebrou o lado laboratorial ,implementou novas tecnologias
(exs. mesa de mistura, walkman, CD,CD ROM )
primeiro analógicas e, desde osmeados
desta década, digitais; processamento e conexão
midi. Nos finais do milénio
propagou-se uma pop easy listenning, aeróbica, e
osmovimentos da dance
culture.Como sub-géneros pós punk
podemos apontar o grunge, o thrash metal,
ohardore, o noise, e.a., rituais de pendor
psiconáutico,
estereótipismo,euforia e transe.
Na derradeira década desencadeou-se,
com enorme velocidade, uma outrasemiologia
do pop rock: megaconcerto, espacialização,
quadrifonia,tecnologia cibernética,
video clip, light show informatizado; correntes
comoa pop experimental, o free rock, o
cyberpunk , empirismos da interacção e
darealidade virtual,
etc.Pode referir-se, suplementarmente,
uma música pop para pista de dança e
asua dance
culture. Inventaram-se desde o
primeiro quartel do século, novos passos de dança
oucenografias culturais e regionais pop como
o foxtrot, o charleston, o slow,o jive, o
jerk, o twist , a bossa nova ,a rumba ,o mambo, o zydeco, o
tap,o jig ,o afro beat , e.a. que
acompanharam diversas modas,
padronizaramcomportamentos e fluxos
tecnoinstrumentais, gírias ou atitudes
subculturais. Na aurora dos anos
197O, a música pop jamaicana do reggae apresentava
ofenómeno dub, corte e montagem do
acetato e, o DJ, disc jockey, manipular
dogira-discos como novo instrumento ; o
funk, hiperexpressão eléctrica
comcadências abruptas; o rap, com a
verborreia rimada do toasting; o
breakdance,arte de rua e de contorcionistas;
o disco sound que deu o nome
àsdiscotecas, antros da dance
culture. A civilização hip
hop adquiria a sua identidade, música para a rave,
pontode encontro da multidão
solitária, coordenada pelo MC, mestre de
cerimónia,com várias vertentes de
intrincada definição estética, teórica
esociomusical como o house, o acid, o
jungle, o ambient ,o garage ,o triphop, o
goa, e.a. O BPM, índice das
batidas por minuto, define vagamente as suas
pulsaçõessubliminais; o remix,
concocção ulterior de sintagmas e retalhos musicais;
asampladelia, jogo com amostras de
música prévia no aparato sampler,
sãosemióticas do hip
hop. O dashboard dub ,uma
tendência techno do último lustro, metáfora do
pilotode aeronave, significa a
acção do performartista, lúdica,
probabilística,como no video game,
desenvolve-se frente a painéis indicativos da
acçãoperante a variegada
parafernália multimédia. O
hip hop fica como o culto musical com maior número de seguidores em
todaa História do Segundo
Milénio.novas
linguagens A semiótica da
música de massas pode explicar-se pelas
invençõestecnológicas,
experimentações técnicas, formulações gráficas e
pelo caractercientífico da
composição da música clássica contemporânea e de
estéticassimilares da nova
música. Aplicações
tecnológicas do enquadramento, da amplificação, da
altafidelidade, da ambiência e da
reverberação do som; portabilidade
eminiaturização de instrumentos e
da parafernália electrónica; coordenação
doresultado sonoro por uma estirpe de
produtores e engenheiros. Gramáticas
generativas da música como o atonalismo, o dodecafonismo,
oserialismo, a politonalidade, o modalismo e
a microtonalidade; teoriasinterválicas,
rítmicas, harmónicas, texturais, e.a. inspiraram
váriassituações exógenas
na música de massas. Vejamos
alguns projectos da música de hoje: música aleatória,
destinadapelo acaso; gráfica, fruto do
design; conceptual onde a ideia
sobredeterminaa própria substância
sonora; música electrónica cuja matéria-prima são
ossons criados artificialmente, de
estúdio, sem intérprete, live electronic
emista de acústica e sintética,
com intérpretes; voz artificial e
técnicasvocais singulares;
anti-música com efeitos destrutivos; construção
ehibridação de instrumentos com
técnicas recentemente codificadas ;
notaçãonumérica e
cálculo matemático ; musique concrète cujo instrumento é
omicrofone, moviola sónica ;
percussão, com escrita específica para
estenaipe instrumental ; piano preparado e
traficância no
instrumento;textekomposition,
descrição prévia em prosa ou poema do devir
musical;música minimal repetitiva, nova
simplicidade e lógica da reiteração,
cominfluência ilimitada no pop rock do
último quartel; enredos de
ficçãocientífica na computer
music ; interacção em tempo real e som
virtual;fractal, jogo infinito e recursivo
de sons; brain music ,estimulada pelasondas
cerebrais; e.a. A música de
massas tem adoptado empíricamente os novos
vocabuláriosinterarte ( pintura,
instalação, escultura sonora, cinema,
vídeo,performarte, dança, e.a.);
interdiscursividade e poliarte nos happenings
;teatro musical, dramatização
instrumental; ópera pósmoderna,
metanarrativa,citação e
neoclassicismo; video music, sinestesias audiovisuais; a
músicasubaquática alterou os
prognósticos da disciplina acústica observadora
dosom transmitido no ar; metalinguagem
multimedia; concerto via satélite
commúsicos separados por
longínquos espaços, ad
infinitum. Da música
autófona do início do milénio (ex: a harpa eólica, onde o
ventocantava ) passou-se à
construção mecânica e maquínica ( ex: o órgão
barroco,paradigma do poder da música );
à música automática ( ex: a caixa de
ritmos,analogia do estereograma ); à
música cibernética, destacando-se
asinvestigações
espectro-morfológicas, processos algorítmicos,
mimetismo,robótica, síntese e
geração de sons, distribuição comunitária na NET
enoutras redes
telemáticas.A Música do
século XX legou-nos uma infinidade de propostas
maravilhantespara este terceiro milénio
que agora começou.JORGE
LIMA BARRETO
crit@net
Posted at 06:09 PM
Dom - Janeiro 18, 2004
Sun Ra & Prince
Sun
Ra Hermann Lee
autocognominou-se Sun Ra, considerou-se um
médiumintergalático e formou a sua
própria orquestra com vários heterónimos
:Arkestra, Solar Arkestra, Sun Mith,
Intergalactic Planet, Cosmic, qualquerum
deles revelando uma preocupação aberta pelos problemas siderais e por
umaestranha
metafísica. Músico que
jamais conheceu limites, reinventou-se como Mito planetário
;a sua arte é uma geografia sagrada
onde se definem tecnologias
electrónicasavançadas e
simbolizações históricas de profunda significação;
simulacrosmusicais, filtrados através
da luminosidade amorosa de melodias simples
eincantatórias.
Disse Mircea Eleade: "A abolição do tempo profano e a
projecção do homemno tempo
mítico não se produz naturalmente senão em intervalos
essenciaisonde o homem é ele
próprio no momento do ritual ".
A música de Sun Ra é ritual, inclui no movimento sonoro
figurasplásticas, bailado, gesto
secreto, luminotecnia, projecção de slides
oufilmes, conjunção grotesca do
passado e da previsão onde os termos
dumfanatismo fetichista conduzem á
alienação onírica. A
coreografia de Sun Ra imita sempre o gesto arquetípico, é a
revivênciadum rito, a consequente
imposição do tempo antigo, signos magnificados
pelacibernética e pela
evolução
tecnológica.Nas
orquestrações de Sun Ra há que ter em conta a
revalorização intensivadas
polirritmias afro-asiáticas sobre eventos sonoros impulsionados
pelapercussão
orgíaca.Sun Ra é a procura duma
realidade ancestral, sobrevivência duma
culturaafricana no mundo da tecnologia
electrónica.Para Sun Ra não
é possível viver na falsa reconstrução da sociedade
tribalnum Tempo Heliocêntrico, onde
tudo volta a acontecer. Bacanal,
metáfora do happening, do surrealismo, da
farra. A inscrição , tipo
colagem pop, de modulações electrónicas nas
texturassonoras instigava
vibrações viscerais, tensão-repouso, por vezes swing, e
éneste aspecto que se insere Sun Ra no
projecto da pósmodernidade. A
notação musical era feita através de esquemas gráficos
quecorrespondiam a vibrações
sonoras e Sun Ra explicava : "Quando a Terra
foratacada haverá uma guerra de
vibrações, e é essa luta que eu
estoupreparando
". Apesar de ser um dos mais
conceituados músicos de free jazz Sun Ra
abriuamplos horizontes a esta tipologia
vanguardista música negro
americana,considerou-a como forma de pop
art. Os músicos das suas
orquestras envergavam trajes ameríndios
numaextravagante alusão ao culto do
sol. Os conceitos parapsicólogos e os
elementos do esoterismo animavam
acomunicação entre os músicos
;Sun Ra seduziu-se pelo espectáculo
visual,aproveitou-se da ficção
científica, da banda desenhada ,de
históriasafricanas passadas de boca em
boca. Os sopros e as percussões
desenfreados, vocalizações
litúrgicas,aliavam-se à
instrumentação electrónica em livre
espiritualidade. Sun Ra foi um
sacerdote, um celebrante dum culto por ele imaginado,
umchefe de seita esotérica onde o
músico iniciou o seu conhecimento
ritual. "Uma falsa nota provoca a
desordem do Universo " profetizava Sun Ra.
Eleera um alquimista do
som. Justificava-se no espaço ,
na cosmogonia, na velocidade, na
duplicidadesom / luz, na figuração
escatológica duma filosofia
peculiarmentenegro-americana.
Sun Ra, o grande, o senhor, o mestre, o sábio, o bruxo, o mistificador,
omédico, é para sempre uma das
maiores figuras da black music. A
música de Sun Ra é obra aberta, simplicidade, paz, beleza ,fantasia
;como proclamaram os anarquistas do Maio 68
: "A revolução é uma festa
". le petit
Prince Prince surgiu como um
cometa anunciando a nova black pop. Se
Sly Stone considerou a soul e o funky elementos de colagem,
Princetrabalhou com matérias mais
actuais do jazz rock, da electrónica,
daprodução e da música para
discotecas, na linha da frente da corrente
ditaelectro funk.
Prince espoletou as
orquestrações dos metais e das cordas e impôs
oreino dos
sintetizadores. O timbre é obtido
por um processo de camuflagem especial ;a voz
dePrince, em solo ou em coro é falsete
/ dissonante, um delírio técnico
etecnológico fantasista ;as
matérias vocais ligam-se por
afinidadesharmónicas exuberantes na sua
coerência. Esta evocação
dissonante ( que se transporta para os instrumentos
)contém um high light de sensacional
erotização. Nos
instrumentos, o timbre está longe do registo natural ;um sax
ésuperestruturalmente manipulado, de
forma que a sua sonoridade é
alteradapela ideia pessoal ;o piano
eléctrico manobrado por recursos
técnicosdesventres da pureza
tímbrica original, os sintetizadores ora
osquestraisora miméticos,as
percussões pervertidas por intervenções maquínicas
dossintetizadores e dos dispositivos
sonoros. A textura tímbrica
era obtida tecnologicamente por
conjunção,sobreposição e
justaposição das coloraturas subjectivas, corais
ouinstrumentais ;a reduplicação,
forma de eco, perspectiva espaços
tímbricoscontínuos que oscilam da
superfície à profundidade, do primeiro plano
àintensidade do background ( e.g. "Sign
Of The Times ", 1987 ). Esta paleta
tímbrica electrónica industria uma típica
improvisaçãofunky ;uma linha
melódica transposta para outra realidade tímbrica
altera-sepela dissonância subjectiva e
cria uma espécie de melodia de timbres.
A dinâmica e a exaltação individual dos solistas cimenta-se em
temas eriffs temáticos expostos de modo
imperativo, e a improvisação é sempre
umadança / reflexão corporal do
tema ( e.g. "1999 ", de 1982 ). A forma
consiste na reposição espontânea das figuras temáticas,
embutidade variações
esquematizadas. Tudo é aparentemente
sempre o mesmo, o material funciona em
identidadeorgástica com o riff, escravo
do tempo; expressão de rebeldia harmónica
(e.g. "Love sexy ", 1988
). O plano da organização dos
riffs realizou-se no princípio técnico
dodesenvolvimento da improvisação;
de modo elementar, os instrumentos
desfilamum a um, cumulativamente, como numa
passarela, apoiados, pela
pujançarepetitiva da base rítmica
e interceptados por efeitos inusitados
deornamentação ( apitos, gritos,
vozes, percussões, escórias electrónicas
). Música tórrida e
trepidante, cada tema é uma nova proposta
dançantecuja composição se
realiza no cíclico tocar / gravar /
tocar. O disco sound ( ritmo
binário industrial ) combina-se com o rap, o
quasiparlando sobre o ritmo base, como as
vozes dum cocktail party. Recorre a
figuras típicas de black music como o street funk, que é
odomínio da forte base rítmica
tocada em guitarra baixo e percussão, ou
aoflat four beat em que as quatro batidas do
compasso são
igualmenteacentuadas.
Prince é o herói do adágio do grande poeta Octavio Paz : "Por
maisprofunda e determinante que seja a
influência do sistema de produção
nacriação da cultura, recuso-me a
acreditar que bastará possuirmos
umaindústria pesada para que
desapareçam as nossas distinções… mas para quê
irprocurar na História uma resposta que
só nós sabemos dar, se somos nós
quenos sentimos diferentes, o que nos faz
diferentes e em que consistem
essasdiferenças ? " - in "Labirinto da
Solidão".
crit@net
Posted at 04:35 PM
Sáb
- Dezembro
27, 2003
SINFOLUSA: A SINFONIA EM PORTUGAL
SINFOLUSAA
SINFONIA EM PORTUGALLivro de Alexandre
Delgado, da colecção "Caminho da
Música"A edição
musicológica em Portugal é escassa e então sobre a
músicaportuguesa é absolutamente
rara – não reconhecida ou acarinhada pelo
regimepolítico-cultural, assim apenas a
persistência de algum autor mais
convictoe com um esforço enorme pode de
vez em quando oferecer-nos uma obra
queconduza ao melhor conhecimento da (nossa)
Música.É o caso do notável
compositor e teórico Alexandre Delgado (AD) que
nesteopúsculo nos apresenta uma
História da Sinfonia em
Portugal.O texto consiste em
vários artigos monográficos sobre algumas das
sinfoniasmais importantes escritas por
autores portugueses.O livro é dedicado
ao saudoso Nuno Barreiros, um dos mais
doutosinvestigadores da música do
século XX, cujos textos dispersos foram
alentopara AD se lançar nesta
epopeia.Devido ao facto, mil vezes
reivindicado pelo autor, de a maior parte
dasnossas sinfonias não serem
regularmente tocadas ou distribuídas
empartitura, AD recorre a uma metodologia
interessante: ordenateleologicamente uma
série de sintagmas, de análise tão breve
quãosuculenta, complementada pela
reprodução de segmentos da escrita
eassinaladas como exemplos em faixas do CD
que acompanha o livro – o que
nosdá parte do processo
musicográfico e a possibilidade de ouvirmos a
própriaexecução;
procurando desvendar um elo estético,
definir uma idiossincrasia e
mesmoestabelecer retratos dos nossos maiores
sinfonistas.O termo sinfonia não
é unívoco e sofreu uma enorme evolução desde a
seusurto no século XVIII – pode
ser uma abertura de ópera, um poema
sinfónico,uma sinfonieta, ou, tout
court, uma obra em grande escala para
monumentalorquestra – os seus
movimentos são de número variável – no período
clássicoe no romântico foram
criadas as mais notáveis sinfonias, embora em
Portugalo género só tivesse
vingado num período pós-romântico e se apresentasse
comouma das formas mais importantes da nossa
literatura musical nos
temposmodernos.
A sinfonia persiste como uma das mais grandiloquentes formas
musicais,todavia numa acepção
mainstream, jogo de convencionalismos,
conspícuasinsinuações
nacionalistas, prodigiosas recuperações
regionalistas,disciplinaridades arreigadas
à mais rigorosa postura teórica - como
nasituação pósmoderna todas
as premissas são válidas a sinfonia
mantem-seviva, veja-se a sua prodigalidade
nos EUA ou na Finlândia, entre
outros.No devir da leitura deparamos muitas
vezes com uma sobrecarga de
filiaçõesde génese dos
compositores portugueses a estrangeiros, com agudeza
depercepção ou com certa
sonegação de valores por nós
consideradosextraordinários (Mahler
é um deles; Stravinsky é arrolado em situações
deeuforia prosaica,
etc.).Também o epigonismo da
produção sinfónica nacional se reflecte no tomo e
seo seu âmbito temporal vai até ao
fim do século XX, o enredo é solitário
eseparado das grandes revoluções
da Musica Contemporânea (
pós-serialismo,experimentalismo,
electroacústica, conceptualismos avant-garde,
e.a.),situando-se a postura de AD
obrigatória e exclusivamente na modernidade e
naretrospecção das suas
origens.O olhar pedagógico perscruta o
musicograma, o critério irrepreensível do
bomgosto pauta a amostra discográfica e
uma profunda e maravilhante
competênciailumina a
análise.Por ordem cronológica,
são avaliadas as mais distintas criações no
género:Começando por duas
sinfonias de João Domingos Bomtempo (a 1ª e a 2ª,
dosinícios do século XIX), de
caracter classicista mas abençoadas pelo
géniobeethoveniano.
A sinfonia nº 1", À
Pátria", é um ícone da Música Portuguesa –
escritaem1894 pelo insigne pianista Viana da
Mota, o compositor intenta levantar
aépica dos "Lusíadas" num
monumento sinfónico – relevante o tópico relativo
àtextura tímbrica que alegadamente
anteciparia o conceito de melodia detimbres
de Schonberg, bem como a denotação de factores do
folcloreportuguês, que iria
posteriormente epitomizar o nacionalismo da
criaçãosinfónica.Logicamente
mais generosa na sua análise está a abordagem das
quatrosinfonias de Luís de Freitas
Branco, aquele que foi talvez o
maiorcompositor português do
século XX e que em definitivo impôs um
sinfonismoespecificamente português
– "conciliação do erudito e do popular"
e"reminiscência wagneriana até ao
limiar do atonalismo" (na 1ª, de
1924);metamelodismo gregoriano na 2ª,
de 1926; inovação técnica,
neoclassicismo,arrebatamento
estilístico na 3ª, de 1944; ultramodernismo e
discursodissonante na 4ª de
1952.Seguidor do mestre Luis de
Freitas Branco foi o carismático Joly
BragaSantos – uma panóplia de
seis sinfonias: na 1ª, de 1946, a "conciliação
doneoclassicismo britânico e
neo-realismo russo": a 2ª, de 1948, que tem a
vercom a criação do Gabinete de
Estudos Musicais da Emissora Nacional
pelocontroverso ministro António Ferro,
desenhada como uma vasta e
apoteóticaforma sonata; a 3ª, de
1949, transpira o regionalismo alentejano; a 4ª
,1950, é um painel de referências
eruditas e modernistas de Joly,
comadjudicação do elemento coral;
a 5ª, conhecida por "virtus lusitaniae" é
asua obra-prima – pelo fulgor da
substância rítmica – cujo segundo
andamentointitulado "Zavala" e inspirado nos
marimbeiros moçambicanos
destalocalidade, pode ser considerado no seu
perfeccionismo um cúmulo da
nossaliteratura musical. A 6ª,de 1972,
num bloco contínuo, marca o
maisaventureiro estilo do compositor pelas
texturas dissonantes, as massassonoras e
preconiza, pela profusidade dos seus elementos, a
pósmodernidade.Fernando
Lopes-Graça, génio do lirismo, o mestre do neo-realismo, o
provedordas melodias tradicionais; foi
escolhida a sua " Sinfonia per Orchestra",
de1944; aqui o labirinto temático ou a
pura adopção de um auto
pastoriltransmontano fazem dela a mais
"portuguesa" de todas as
sinfonias.Outros autores com
criações relativas ao género sinfónico (Ruy
Coelho,Francisco de Lacerda e o seu
celebérrimo e belíssimo poema
sinfónico"Almourol"; Frederico de
Freitas, António Victorino d´Almeida,
ÁlvaroCassuto, e.a., foram preteridos
quiçá por critérios de gosto ou no
arbítrioda selecção);
há, acima de tudo, descobertas, ilações, correlatividades,
degrande eloquência e momentos de
superior congeminação que nos arrebatam
paraa audição das obras
estudadas.A constrição
estética induzida pela própria temática pode raiar por vezes
oconservadorismo, mas o musicólogo
Alexandre Delgado não se inibe
aodialecticamente vituperar o sistema
político-cultural vigente desde
Bomtempoe ampliado nos nossos dias pelas
ignorância e indiferença e mesmo
pelaatitude censória perante a
Música de Arte.Um livro estimulante
cuja força semântica nos eleva ao amor pela
músicasinfónica
portuguesa.JORGE LIMA BARRETO
net@info
Posted at 07:55 PM
Miguel Azguime ganha "EMS Prize"
A
Miso Music Portugal tem o prazer de anunciar que
o Electronic Music
Studio da rádio nacional sueca,
em Estocolmo, acaba de atribuir o
EMS Prize a Miguel Azguime, pela sua
obra "Le Dicible Enfin
Fini". A obra foi publicamente
apresentada no
Fylkingen em Estocolmo e transmitida
em directo pela rádio nacional
sueca.Miguel Azguime é o
primeiro compositor português a receber este prémio dedicado à
"Sound-Text Composition", na sequência do qual realizará uma
residência no Electronic Music Studio de Estocolmo, no decorrer de 2004,
para a criação de uma nova obra.
net@info
Posted at 07:52 PM
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Published On: mar 27, 2007 04:06 PM
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