segunda-feira - 15 de janeiro, 2007
Novidades
O senhor neste domingo fala-nos da restauração da cidade de Jerusalém, da cidade santa, do seu regresso ao esplendor, à alegria, à presença do próprio Deus. Essa renovação é tão grande que o seu nome será um nome novo: “Desposada”. Casada com o Divino que a recebe em sua companhia para viver eternamente com ela.
Na cidade de Jerusalém vemos todas as cidades do mundo, todos os lugares onde vivem os homens, onde eles crescem e constróem as suas vidas. É o símbolo do próprio mundo, morada dos homens, mas que não é a morada ideal, que está em permanente construção, mesmo quando parece estar destruída, é necessário iniciar a sua reconstrução. Nesta cidade dos homens, temos de tornar presente cada vez mais o próprio Deus, que quer morar connosco, que quer ser um só connosco, como o casal é um só.
Para construir esta nova realidade é necessário que cada um execute a sua missão, pois há muitas tarefas a realizar, muitas obras a fazer. O mundo é uma grande construção e cada um de nós é um operário que se encarrega de uma pequenina parte dessa tarefa, e se algum de nós não faz a sua parte a obra fica cheia de buracos, por onde entra o vento, o frio, o mal.
Mas cada obra precisa de um projecto, dir-me-ão os leitores. E é verdade: é necessário um projecto para que a obra cresça harmoniosamente. Isso é o que nos diz a carta aos Coríntios: “Há diversos modos de agir mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos.” É Deus o autor do projecto. Foi ele que começou a construção, mas não quer fazer tudo sozinho. Mesmo Jesus, nos milagres que realizava, não fazia tudo. Deixava algo para os outros fazerem. É por isso que Maria disse aos serventes das Bodas de Caná: “Fazei o que ele vos disser.” E Jesus apenas lhes disse para encherem as talhas de água e darem a provar ao chefe de mesa. Foi o que eles fizeram, e apesar de acharem estranho descobriram que a água se tinha transformado em vinho.
É esta novidade que temos de viver: somos homens novos, temos um novo nome: cristãos. Este novo nome, neste novo século, neste novo milénio, é uma tarefa para nós. Não podemos ficar parados, à espera que o mundo se acabe. Temos de transformá-lo para que ele seja sempre novo, uma nova casa para todos nós.
Termino citando o Papa João Paulo II na carta apostólica "Tercio millenium ineunte" “Por isso, é necessário que a Igreja do terceiro milénio estimule todos os baptizados e crismados a tomarem consciência da sua própria e activa responsabilidade na vida eclesial. Ao lado do ministério ordenado, podem florescer outros ministérios - instituídos ou simplesmente reconhecidos - em proveito de toda a comunidade ajudando-a nas suas diversas necessidades: desde a catequese à animação litúrgica, desde a educação dos jovens às várias expressões da caridade.”