domingo - 07 de janeiro, 2007
Os Reis Magos
Celebramos neste domingo a Epifania de Jesus, que tradicionalmente é conhecido como o Dia de Reis, o dia em que terminam as festividades natalícias.
Este nome significa revelação, e na verdade, o facto de alguns sábios, astrónomos, de fora de Israel terem vindo adorar o deus menino é sinal de que o Messias é verdadeiramente Universal. Esta noção já tinha sido pressentida por Isaías quando ele escreve “As nações caminharão em direcção à tua luz” referindo-se a Jerusalém, como a cidade do futuro, da congregação de todos os homens porque nela está o Messias, a verdadeira luz do mundo. Uma cidade que ainda hoje vive dividida é de facto também o lugar onde também ainda hoje se encontram as grandes religiões monoteístas.
De facto para que haja uma revelação tem de existir luz, que possa mostrar aquilo que existe. Mais ainda esta revelação não é apenas para alguns iluminados, mas para todos, como diz S. Paulo aos Efésios: “Os gentios são admitidos à mesma herança”. Todos são chamados a conhecer e a receber a salvação, a encontrar aquilo que é necessário para tornar o mundo melhor. Porque o mistério é afinal muito simples: a Salvação que Deus quer dar aos homens.
No entanto são necessárias algumas condições para essa salvação.
Os Reis Magos tiveram de saber ler os sinais do céu para saber que o rei do mundo, o rei universal tinha nascido, tiveram de percorrer um longo e perigoso caminho para encontrar esse rei (até há a história de um quarto Sábio que se perdeu pelo caminho). É isso que Deus nos propõe: perceber os sinais dos tempos, sobretudo neste novo século em que vivemos, um século que muitos dizem ser o século da espiritualidade, da interioridade, do Espírito (Santo).
A estrela que os magos vêm não é um simples cometa, ou planeta. É o próprio Jesus Cristo, como prometido pelo profeta Isaías.
Passados dois mil anos de fé cristã qual o caminho que temos de percorrer? Certamente o nosso caminho é maior do que o dos Reis Magos, certamente tem também as suas armadilhas, mesmo de pessoas aparentemente bem intencionadas, como parecia ser Herodes, mas não podemos perder de vista a estrela, a luz que nos guia: Jesus, humilde e pobre, mas que foi e continua a ser a razão de viver de tantas pessoas, que por ele vão arriscando a vida, para que a luz continue a brilhar no mundo.
Hoje a Epifania de Jesus faz-se por nós próprios, somos nós a revelação do Messias, somos nós a fotografia de Jesus, nem sempre uma cópia fiel do que ele é, muitas vezes somos um mero esboço, mas não podemos deixar de apresentar os traços fundamentais do seu retrato. E esses traços podem ser resumidos a dois: um traço vertical e outro horizontal, uma cruz, a nossa cruz, que levamos erguida para mostrar o mais, o positivo que é viver com Jesus dentro de nós.
Os magos ofereceram ouro, incenso e mirra, sinais da sua realeza, divindade e humanidade. E o que é que nós oferecemos a esse Jesus, não apenas menino, mas homem que morreu na cruz?