sábado - 30 de setembro, 2006
O Último Papa
Foi lançado esta semana mais um livro de um autor português. Isto não seria nada de especial se não fosse o Dan Brown e o Código de DaVinci. Porque toda a gente agora resolver escrever romances pretensamente históricos e certamente conspirativos.
Este retoma o tema já clássico da morte de João Paulo I, mas, coitado do autor, confunde a maçonaria (a famosa loja P2) com o Opus Dei, que pretendia a eleição de outro papa. Diz que o papa foi assinado porque defendia uma abertura da Igreja à pílula, à homossexualidade e ao sacerdócio das mulheres. E ainda por cima cria uma ligação entre a morte de João Paulo I e Sá Carneiro.
O autor, Luís Miguel Rocha, diz que é uma obra de ficção que conta a verdade. Isso não sabemos. O que sabemos é que as pessoas não mudam de repente, e históricamente não temos nenhuns dados prévios que indiquem que esse era o pensamento do cardeal Albino Lucciani.
Fui hoje à Bertrand para comprar o livro, mas como costumo fazer, fui-o folheando e lendo umas partes aqui e outras ali. Sobretudo o início é atroz. Tive de ler algumas vezes o primeiro parágrafo para perceber o que o autor queria dizer, e todos nós sabemos como são importantes as primeiras linhas de um livro: são elas que agarram o leitor ao livro. É uma escrita gongórica, rotunda, que tenta dar profundidade com uma confusa construção das frases,
Não o comprei, acho que é mais um autor que embarca no comboio do Dan Brown.