Compasso a compasso,
palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Estarei
ainda muito perto da luz? (Manuel António
Pina)
Estarei ainda muito perto da luz?
Poderei esquecer
estes rostos, estas vozes,
e ficar diante do meu rosto?
Às vezes, como num sonho,
vejo formas como um rosto
e pergunto: "De quem é este rosto?"
E ainda: "Quem pergunta isto?"
E: "E com quem fala?"
Estarei ainda longe de Ti,
quem quer que sejas ou eu seja?
Cresce a noite à minha volta,
terei palavras para falar-Te?
E compreenderás Tu este,
não sei qual de nós, que procura
a Tua face entre as sombras?
Quando eu me calar
sabei que estarei diante de uma coisa imensa.
E que esta é a minha voz,
o que no fundo de isto se
escuta.
Prayer
for the dying (Seal)
Fearless people,
careless needle. Harsh words spoken and lives
are broken. Forceful ageing, help me I'm
fading. Heaven's waiting, it's time to move
on. Crossing that bridge, with lessons I've
learned. Playing with fire and not getting
burned. I may not know what you're going
through. But time is the space between me and
you. Life carries on... it goes
on.
Just say die and that would be
pessimistic. In your mind, we can walk across
the water. Please don't cry, it's just a prayer
for the dying. I just don't know what's got
into me.
Been crossin' that bridge with
lessons I've learned. ...learned Playing with
fire and not getting burned. ...burned
burned... I may not know what you're going
through, But time is the space bBetween me and
you. There is a light through that
window ...light through that
window... Hold on say yes, while people say
no Life carries on... on on
on... Ohh! It goes
on...
I'm crossing that bridge, with
lessons I've learned... I'm playing with fire,
nnd not getting burned... I may not know what
you're going through. But time is the space
between me and you. There is a light through
that window. Hold on say yes, while people say
no
'Cause life carries
on... It goes on... it goes
on. Whoah. Life carries
on. When nothing else
matters. When nothing else
matters. I just don't know what's got into
me. It's just a prayer for the dying... dying
dying dying dying... For the
dying.
It’s
all right, ma… (Manuel António
Pina)
Está tudo bem,
mãe, estou só a esvair-me em
sangue, o sangue vai e
vem, tenho muito
sangue.
Não tenho é
paciência, nem tempo que
baste (nem espaço),
deixaste-me pouco espaço para tanta
existência.
Lembranças a
menos faziam-me
bem, e esquecimento
também e sangue e água a
menos.
Teria
cicatrizado a ferida do
lado, e eu
ressuscitado pelo lado de
dentro.
Que é o
lado por onde estou
pregado, sem
mandamento e sem
sofrimento.
Nas tuas
mãos entrego o meu
espírito, seja feita a tua
vontade, e por aí
adiante.
Que não se
perturbe nem
intimide o teu
coração, estou só a morrer em
vão.
Waiting
in vain (Annie Lennox)
From the very
first time I rest my eyes on you, boy My heart
said follow through. But I know now that I'm
way down on your line But the waiting feeling's
fine
So don't treat me like a puppet on a
string 'Cause I know how to do my
thing Don't talk to me as if you think I'm
dumb I wanna know when you're gonna
come
See- I don't wanna wait in vain for
your love I don't wanna wait in vain for your
love I don't wanna wait in vain for your
love 'Cause summer is here and I'm still
waiting there Winter is here I'm still waiting
there
Like I said- It's been three years
since I'm knocking on your door And I still can
knock some more Ooh, boy, ooh, boy, is it
crazy? Look, I wanna know now For I to knock
some more
You see- In life I know that
there is lots of grief But your love is my
relief Tears in my eyes burn while I'm
waitin' While I'm waitin' for my
day
Like I said- I don't wanna, I don't
wanna I don't wanna wait in
vain I don't wanna, I don't
wanna I don't wanna wait in
vain It's been three years since I'm knocking
on your door And I still can knock some
more Ooh, boy, ooh, boy, is it crazy? Look, I
wanna know now Like I said- Tears in my eyes
burn Tears in my eyes burn while I'm
waiting While I'm waiting for my
day
You see- Ooh, boy, ooh, boy, is it
crazy? Look, I wanna know now For I to knock
some more In life I know there is lots of
grief But your love is my
relief
Separação
do corpo (Manuel António Pina)
O
corpo tem abóbadas onde soam os sentidos,
se tocados de leve, ecoando longamente como
memórias de outra vida em frios desertos ou
praias de lama. O passado não está
ainda preparado para nós, para não
falar do futuro; é certo que temos um
corpo, mas é um corpo inerte, feito mais de
coisas como esperança e desejo do que de
carne, sangue, cabelo, e desabitado de
línguas e de astros e de noites escuras, e
nenhuma beleza o tortura mas a morte, a dor e a
certeza de que não está aqui nem tem
para onde ir. Lemos demais e escrevemos
demais, e afastámo-nos de mais – pois
o preço era muito alto para o que
podíamos pagar – da alegria das
línguas. Ficaram estreitas passagens entre
frio e calor e entre certo e
errado por onde entramos como num quarto de
pensão com um nome suposto; e quanto
a tragédia, e mesmo quanto a drama
moral, foi o melhor que
conseguimos. A beleza do corpo amado
é (agora sabêmo-lo) lixo
orgânico. O mármore que pudemos foi o
das casas de banho e o dos balcões dos
bancos, e grandes gestos nem nos
romances, quanto mais nos versos! E do
amor melhor é nem falar porque as
línguas tornaram-se objecto de estudo
médico e nenhuma palavra é já
suficientemente secreta. Corpo, corpo, porque me
abandonaste? “Tomai, comei”, pois
sim, mas quando a química não chega
para adormecermos, a que divindades havemos de
nos acolher senão àquelas últimas
do passado soterradas sob tanta chuva ácida
e tanta investigação
histórica, tanta psicologia e tanta
antropologia? A memória, sem o corpo,
não é ascensão nem
recomeço, e, sem ela, o corpo é
incapaz de nudez e de amor. Agora podemos
calar-nos sem temer o silêncio nem a
culpa porque já não há tais
palavras.
Goodbye
cruel world (Pink Floyd)
Goodbye cruel
world, I'm leaving you today. Goodbye, Goodbye,
Goodbye.
Goodbye, all you people, there's
nothing you can say To make me change my mind.
Goodbye.
Don't
say goodbye (Crosby, Stills, Nash &
Young)
Never leave me alone (don't say
goodbye) I don't wanna face my world without
you. Never leave me alone (don't say
goodbye) I don't wanna lose your lasting
love. Never tell me
goodbye, I don't wanna live my life without
you. Never tell me
goodbye, I don't wanna see you walk away from
me.
If I open up my
heart I can always find you
there So I'll never be apart from
you My heart is on my
sleeve And even though you started
to I hope you never
leave, Never leave, me
alone.
If I open up my
heart I can always find you
there So I'll never be apart from
you In you I still
believe And even though you started
to I hope you never
leave, Never leave, me
alone.
Never leave me alone (don't say
goodbye) I don't wanna live my life without
you.
…
… … Já não é
possível dizer mais nada mas também
não é possível ficar calado. Eis
o verdadeiro rosto do poema. Assim seja feito: a
mais e a
menos.
Com
amizade: Davy Spillane, Jami Sieber, Mike Oldfield, Cheat Atkins & Mark
Knopfler, Seal, Annie Lennox, Pink Floyd, Crosby, Stills, Nash & Young,
Manuel António Pina e José-António
Moreira.
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'