Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Queixei-me
do nome que me deste (Maria do Rosário
Pedreira)
Queixei-me do nome que me
deste antes ainda de teres podido
ver-me entre os folhos e as rendas do
meu
berço - pedra muito rugosa
para carregar ao ombro a vida
inteira, chicote na boca, rasgão interno
no fundo do ouvido, camisa que
nunca
se fez pele junto do corpo.
Disseste que podia escolher desse
património o que melhor vestisse o meu
futuro: ou
uma cruz, como parecia ser, ou
dois paus de bandeira para conquistar
o mundo. Não dei ouvidos. Mas
hoje,
enquanto espero de pé que me
chamem ao tampo frio de um balcão,
sinto-me humilhada por terem transformado
a minha herança num simples
número.
Queixa
das Jovens Almas Censuradas (José Mário
Branco)
Dão-nos um lírio e um
canivete e uma alma para ir à
escola mais um letreiro que
promete raízes, hastes e
corola Dão-nos um mapa
imaginário que tem a forma de uma
cidade mais um relógio e um
calendário onde não vem a nossa
idade Dão-nos a honra de
manequim para dar corda à nossa
ausência. Dão-nos um prémio de
ser assim sem pecado e sem
inocência Dão-nos um barco e um
chapéu para tirarmos o
retrato Dão-nos bilhetes para o
céu levado à cena num
teatro Penteiam-nos os crânios
ermos com as cabeleiras dos
avós para jamais nos
parecermos connosco quando estamos
sós Dão-nos um bolo que é a
história da nossa história sem
enredo e não nos soa na
memória outra palavra para o
medo Temos fantasmas tão
educados que adormecemos no seu
ombro sonos vazios
despovoados de personagens de
assombro Dão-nos a capa do
evangelho e um pacote de
tabaco dão-nos um pente e um
espelho pra pentearmos um
macaco Dão-nos um cravo preso à
cabeça e uma cabeça presa à
cintura para que o corpo não
pareça a forma da alma que o
procura Dão-nos um esquife feito de
ferro com embutidos de
diamante para organizar já o
enterro do nosso corpo mais
adiante Dão-nos um nome e um
jornal um avião e um
violino mas não nos dão o
animal que espeta os cornos no
destino Dão-nos marujos de
papelão com carimbo no
passaporte por isso a nossa
dimensão não é a vida, nem
é a
morte
Pai,
dizem-me que ainda te chamo, às vezes (Maria do Rosário
Pedreira)
Pai, dizem-me que ainda te
chamo, às vezes, durante o sono - a
ausência não apaga como a
bruma sossega, ao entardecer, o gume das
esquinas. Há nos meus sonhos um
território suspenso de toda a dor, um
país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem
pérola. Aí
nos encontramos, para
dizermos um ao outro aquilo que pensámos
ter, afinal, a vida toda para dizer; aí
te chamo, quando a luz me cega na lâmina do
mar, com lábios que se movem como
serpentes, mas sem nenhum ruído que
envenene as palavras: pai pai.
Contam-me
depois que é deste lado da
noite que me ouvem gritar e que por isso me
libertam bruscamente do cativeiro escuro desse
sonho. Não sabem
que o pesadelo
é a vida onde já não posso dizer o
teu nome - porque a memória é um
fogueira dentro das mãos e tu onde
estás também não me
respondes.
Father's
eyes (Amy Grant)
I may not be every
mother's dream for her little girl, And my face
may not grace the mind of everyone in the
world. But that's all right, as long as I can
have one wish I pray: When people look inside
my life, I want to hear them say,
She's
got her Father's eyes, Her Father's
eyes; Eyes that find the good in
things, When good is not
around; Eyes that find the source of
help, When help just can't be
found; Eyes full of
compassion, Seeing every
pain; Knowing what you're going
through And feeling it the
same. Just like my Father's
eyes, My Father's
eyes, My Father's
eyes, Just like my Father's
eyes.
And on that day when we will pay
for all the deeds we have done, Good and bad
they'll all be had to see by everyone. And when
you're called to stand and tell just what you saw in
me, More than anything I know, I want your
words to be,
She had her Father's
eyes, Her Father's
eyes; Eyes that found the good in
things, When good was not
around; Eyes that found the source of
help, When help would not be
found; Eyes full of
compassion, Seeing every
pain; Knowing what you're going
through, And feeling it the
same. Just like my Father's
eyes, My Father's
eyes, My Father's
eyes, Just like my Father's
eyes. My Father's
eyes, My Father's
eyes, Just like my Father's
eyes.
Mãe,
os meninos andam distraídos (Maria do Rosário
Pedreira)
Mãe, os meninos andam
distraídos, junto ao rio ao rio e tu
não queres saber de os perder. Sentaste-te
a pensar nesse homem que apareceu e a desfolhar
os malmequeres da tua bata nova - e não
viste que te largaram a mão nem para onde
fugiram com a pressa do vento. Mãe, os
meninos
saíram da tua para a beira do
rio e tu não queres saber de os chamar.
Eles estendem agora os braços
pequeninos para o sol que brilha sobre as
águas como um punhado de moedas que
nunca
hão-de ter - mas tu hoje
só conheces um nome nos teus lábios e
nem sequer te lembras que esse nome não
é o que puseste a nenhum deles. Mãe,
os meninos
são tão pequenos e
já vão tão longe que a luz pode
cegá-los para sempre. Andam perdidos no rio
há tanto tempo que será tarde demais
quando gritarem por ti - porque a ideia do amor
é hoje muito maior do que a voz deles.
Mãe, se tu quiseres, eu posso tomar conta
dos meninos, sento-me com eles na margem a
desenhar o sol e havemos de fazer horas para o
teu sonho:
depois de tanta dor e de tanto
luto, eu não vou deixar que percas os teus
meninos nem pedir-te que sejas viúva para
sempre.
Mother
(Era)
Mother, / You're always
around Let me tell you, / You're the only
one Mother, / When I see that look in your
eye I know you're my only child / And you make
my world go round, And round / And round / And
round / And round / And round / And
round
Rentiro men foni / Senti re da
muntera Ioshepa runo / Solite tiro re
tiro
Do you love your mother / Like I
love mine? Do you wanna hold her / All through
the night? Do you love your mother / Like I
love mine?
Solite tiro re tiro / Do you
love your mother Like I love mine? / Amio
sumoni Yofanati vorento / Amere
coreni Yoa simento
canante
Rentiro men foni / Senti re da
muntera Ioshepa runo / Solite tiro re
tiro
Mas
partir é mesmo a minha
última
vontade: tu já morreste, morreu o gato
há dias; encontrei hoje um pombo morto no
quintal e, quando o enterrar,
não
haverá já nada que me
prenda - vou-me embora daqui tão só
como cheguei, sem ter deixado a ninguém o
nome que me
deram.
Com
amizade: Davy Spillane, Constance Demby, Andreas Vollenweider, John Adorney,
José Mário Branco, Amy Grant, ERA, Maria do Rosário Pedreira e
José-António
Moreira.
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'