Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
O
tango (Jorge Luís Borges)
Onde
estarão? Pergunta a elegia Sobre os que
já não são, como se houvesse Uma
região onde o Ontem pudesse Ser o Hoje, o
Ainda, o Todavia.
Onde estará
(repito) esse selvagem Que ergueu, em tortuosas
azinhagas De terra ou em perdidas
plagas, A seita do punhal e da
coragem?
Onde estarão aqueles que
passaram, Deixando à epopeia um
episódio, Uma fábula ao tempo, e que
sem ódio, Lucro ou paixão de amor se
esfaquearam?
Procuro-os na lenda, na
apagada Brasa que, como uma indecisa
rosa, Conserva dessa chusma
valorosa De Corrales e Balvanera um
nada.
Que escuras azinhagas habitará
a dura Sombra daquele que era sombra
escura, Muraña, essa faca de
Palermo?
E esse Iberra (tenham dele
piedade Os santos) que na ponte de uma
via, Matou o irmão, Ñato, que
devia Mais mortes que ele, ficando em
igualdade?
Uma mitologia de
punhais No esquecimento aos poucos se
desgasta. E dispersou-se uma canção de
gesta Em sórdidas notícias
policiais.
Há outra brasa, outra
candente rosa Dos seus restos totais
conservadores; Aí estão os soberbos
matadores E o peso da adaga
silenciosa.
Embora a adaga hostil ou essa
adaga O tempo, os dispersassem pelos
lodos, Hoje, para além do tempo e da
aziaga Morte, no tango vivem eles
todos.
(…)
Os
acordes conservam velhas cousas: Ou a parreira o
pátio ancestral. (E por trás das
paredes receosas O Sul tem uma viola, um
punhal.)
O tango, essa rajada,
diabrura, Os trabalhosos anos
desafia; Feito de pó e tempo, o homem
dura Menos que a leviana
melodia,
Que é tempo somente. O tango
cria Um passado irreal, real
embora, Recordação que não
pôde ir-se embora Morta na luta, algures na
periferia.
Tango
to Évora (Lorenna
Mckennitt)
(intrumental)
Página
à memória do coronel Suarez, vencedor em Junín (Jorge Luís
Borges)
Que importam as penúrias, o
deserto, A humilhação de envelhecer, a
sombra crescente Do ditador sobre a pátria,
a casa no Bairro do Alto Que os irmãos
venderam quando guerreava, os dias
inúteis (os dias que esperamos esquecer, os
dias que sabemos que esqueceremos), Se, a
cavalo, teve a sua hora alta Na visível
pampa de Junín como um cenário para o
futuro, Como se o anfiteatro de montanhas fosse
o futuro.
Que importa o tempo sucessivo
quando nele Houve uma plenitude, um êxtase,
uma tarde.
Serviu por treze anos nas
guerras da América. Por fim A sorte levou-o
ao Estado Oriental, aos campos do Rio
Negro. Aí pela tardinha
pensaria Que para ele tinha florido essa
rosa: A encarnada batalha de Junín, o
instante infinito Em que as lanças se
tocaram, a ordem que desencadeou a batalha, A
derrota inicial, e no meio dos
fragores (não menos brusca para ele que
para a tropa) A sua voz gritando aos peruanos
que atacassem, A luz, o ímpeto e a
fatalidade da carga, O furioso labirinto dos
exércitos, A batalha de lanças em que
não ecoou sequer um tiro, O godo que ele
com o ferro trespassou, a vitória, a felicidade, a fadiga, um
princípio de sono, E a gente a morrer por
entre os pântanos E Bolívar a proferir
palavras sem dúvida históricas E o sol
já ocidental e o recuperado sabor da água e do
vinho E aquele morto sem cara porque a pisou e
dissipou a batalha…
O seu bisneto
escreve estes versos e uma tácita voz lhe chega do antiquíssimo do
sangue: — Que me importa a batalha de
Junín se é uma gloriosa
memória, Uma data que se aprende para um
exame ou um lugar no atlas. A batalha é
eterna e pode prescindir da pompa De
visíveis exércitos com
clarins; Junín são dois civis que numa
esquina maldizem um tirano, Ou um homem obscuro
que na prisão
morre.
Winner/Loser
(Steve Winwood)
Sometimes I think I'm
losing Then again I think I
win I don't want to think at all of
hope
It could be better for
me If I win or I give
in It could be better for
you If I lose
everything It could be better for
you If I lose or you give
in It could be better for
me If you lose
everything
When you win sometimes you
lose All that you had when you
lose It could be better for
me If I win or give
in It could be better for
you If you lose or give
in
When you win, when you
lose I don't know who to
choose Winner
lose Loser
win Winner
lose Loser win
Xadrez
(Jorge Luís Borges)
No seu grave
recanto, os jogadores Deslocam os peões. O
tabuleiro Tem-nos até à alva no
altaneiro Âmbito em que se odeiam duas
cores.
Dentro irradiam mágicos
rigores As formas: torre homérica,
ligeiro Cavalo, alta rainha, rei
postreiro, Oblíquo bispo e peões
agressores.
Quando os jogadores se
houverem ido, Quando o tempo os tiver já
consumido, Nem por isso terá cessado o
rito.
A leste se ateou uma tal
guerra Que hoje se propaga a toda a
terra. Como o outro, este jogo é
infinito.
Games
People Play (Alan Parson Project/Lenny
Zakatek)
Where do we go from here now
that all other children are growin' up And how
do we spend our lives if there's noone to lend us a
hand
I don't wanna live here no more, I
don't wanna stay Ain't gonna spend the rest of
my life, Quietly fading away
Games people
play, You take it or you leave it Things that
they say, Honor Brite If I promise you the Moon
and the Stars, Would you believe it Games
people play in the middle of the
night
Where do we go from here now that
all of the children have grown up And how do we
spend our lives knowin' nobody gives us a
damn
I don't wanna live here no more, I
don't wanna stay Ain't gonna spend the rest of
my life, Quietly fading away
Games people
play, You take it or you leave it Things that
they say, Just don't make it right If I'm
telling you the truth right now, Do you believe
it Games people play in the middle of the
night
Games people play, You take it or
you leave it Things that they say, Honor
Brite If I promise you the Moon and the Stars,
Would you believe it Games people play in the
middle of the night
Games people play,
You take it or you leave it Things that they
say, Just don't make it right If I'm telling
you the truth right now, Do you believe
it Games people play in the middle of the
night
Penso
num tigre. E a penumbra exalta A vasta
Biblioteca laboriosa E parece afastar as
prateleiras; Forte, inocente, ensanguentado e
novo, Irá p'la sua selva e p'la
manhã E marcará seu rasto na
lodosa Margem dum rio cujo nome
ignora.
Com
amizade: Davy Spillane, Adiemus, Ion, Bruce Mitchell, Loreena McKennitt, Stomu
Yamashta & Steve Winwood, Alan Parsons Project, Jorge Luís Borges e
José-António
Moreira.
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'