Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Borges
e eu (Jorge Luís Borges)
É ao
outro, a Borges, que aconteceram as coisas. Eu caminho por Buenos Aires e
demoro-me, talvez já mecanicamente, a olhar o arco de um alpendre e o
guarda-vento; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo o seu nome num
grupo de professores ou num dicionário biográfico. Gosto dos
relógios de areia, dos mapas, da tipografia do século XVIII, do sabor
do café e da prosa de Stevenson; o outro compartilha dessas
preferências, mas de um modo vaidoso, que as converte em atributos de um
actor. Seria exagerado afirmar que as nossas relações são hostis;
eu vivo, eu deixo-me viver, para que Borges possa tecer a sua literatura e essa
literatura justifica-me. Nada me custa confessar que conseguiu certas
páginas válidas, mas essas páginas não me podem salvar,
talvez porque o que é bom já não é de ninguém, nem
sequer do outro, mas sim da linguagem ou da tradição. Além do
mais, eu estou destinado a perder-me, definitivamente, e apenas algum instante
meu poderá sobreviver no outro. A pouco e pouco vou cedendo-lhe tudo,
embora não desconheça o seu perverso costume de falsear e de
magnificar. Spinoza entendeu que todas as coisas querem perseverar no seu ser; a
pedra quer eternamente ser pedra e o tigre um tigre. Eu hei-de ficar em Borges,
não em mim (se é que sou alguém), mas reconheço-me menos nos
seus livros que em muitos outros ou que no laborioso zangarreio de uma viola.
Há anos procurei libertar-me dele e passei das mitologias do arrabalde aos
jogos com o tempo e com o infinito, mas esses jogos são agora de Borges e
terei de idealizar outras coisas. Assim, a minha vida é uma fuga e perco
tudo e tudo é do esquecimento ou do
outro. Não sei qual dos dois escreve esta
página.
Me
And My Shadow (Robbie
Williams)
[spoken] [Robbie:
(american accent)] Johnny and
Robbie [Jonathon:] Youth why you talking like
that were from Stoke! [Robbie:] I dunno but I
can't stop here pally
Like the wallpaper
sticks to the wall Like the seashore clings to
the sea Like you'll never get rid of your
shadow You'll never get rid of
me
Let all the others fight and
fuss Whatever happens, we've got
us.
(Me and my
shadow) Closer than pages that stick in a
book We're closer than ripples that play in a
brook (Strolling down the
avenue) Wherever you find him, you'll find me,
just look Closer than a miser or the
bloodhounds to Liza
Me and my
shadow Closer than smog is to all of
L.A. Closer than Ricky to confessing he's
gay?? Not a soul can bust this team in
two We stick together like
glue
And when it's sleeping
time That's when we
rise We start to
swing Oh you think you're so jazz
you Our clocks don't
chime What a
surprise They
ring-a-ding-a-ding-ding! Happy New
Year
(Me and my
shadow) And now to repeat what I said at the
start You'll need a large crowbar to break us
apart We're alone but far from
blue
Before we get finished, we'll make
the town roar We'll hit a few late spots, and
then a few more We'll start out at Stringy's
and maybe Groucho Life is gonna be
wow-wow-whee! For my shadow and
me!
[spoken] Ho-hooo [Jonathon:]
Can we do that again? [Robbie:] No, I'm too
tired [Jonathon:] Oh! Please
Rob [Robbie:] No, I'm swung
out [Jonathon:] Oh! C'mon! I'll give you some
money [Robbie:] I don't need
money [Jonathon:] What about a cup of
tea? [Robbie:] I'm not
thirsty [Jonathon:] I won't tell anybody you're
gay. [Both
Laugh]
Before we get finished, we'll make
the town roar We'll hit all the late spots, and
then a few more We'll start out at Stringy's
and maybe Groucho Life is gonna be
wow-wow-whee! For my shadow and
me!
Não
sei se voltaremos num ciclo segundo (Jorge Luís
Borges)
Não sei se voltaremos num
ciclo segundo Como voltam as cifras duma
fracção periódica; Sei porém
que uma obscura rotação
pitagórica Noite a noite me deixa num lugar
do mundo
Que é dos arrabaldes. Uma
esquina remota Que pode ser do norte, do sul ou
do oeste, Mas que sempre possui uma cerca
celeste, Uma figueira escura e uma senda
tortuosa.
Aí está Buenos Aires.
O tempo que aos homens Traz o amor, o ouro, a
mim apenas me deixa Esta rosa apagada, esta
inútil madeixa De ruas que repetem os
pretéritos nomes
Do meu sangue:
Laprida, Cabrera, Soler,
Suárez… Nomes onde ecoam (já
secretas) as alvoradas, As repúblicas, os
cavalos, as madrugadas, As felizes
vitórias, as mortes militares.
As
praças agravadas pela noite sem
dono São os pátios profundos dum
palácio baço E as ruas unânimes
que geram o espaço São corredores de
vago medo e de sono.
Volta a côncava
noite que decifrou Anaxágoras; Regressa
à minha carne a eternidade constante E a
lembrança (o projecto?) dum poema
incessante: «Souberam-no os árduos
alunos de
Pitágoras…»
Return
To Innocence (Enigma)
Love - Devotion
Feeling - Emotion
Don't be afraid to be weak
Don't be too proud to be strong
Just look into your heart my friend
That will be the return to yourself
The return to innocence
The return to
innocence
If you want, then start to
laugh If you must, then start to cry
Be yourself don't hide
Just believe in destiny
Don't care what people say
Just follow your own way
Don't give up and lose the chance
To return to innocence
That's not the beginning of the end
That's the return to yourself
The return to
innocence
Arte
poética (Jorge Luís
Borges)
Olhar o rio que é de tempo e
água E recordar que o tempo é outro
rio, Saber que nos perdemos como o
rio E que os rostos passam como a
água.
Sentir que a vigília
é outro sono Que sonha não sonhar e
que a morte Que teme nossa carne é essa
morte De cada noite, que se chama
sono.
Ver no dia ou até no ano um
símbolo Quer dos dias do homem quer dos
anos, Converter a perseguição dos
anos Numa música, um rumor e um
símbolo.
Ver só na morte o sono,
no ocaso Um triste ouro, assim é a
poesia Que é imortal e pobre. A
poesia Volta como a aurora e o
ocaso
Às vezes certas tardes uma
cara Olha-nos do mais fundo dum
espelho; A arte deve ser como esse
espelho Que nos revela a nossa própria
cara.
Contam que Ulisses, farto de
prodígios Chorou de amor ao divisar a
Ítaca Verde e humilde. A arte é essa
Ítaca De verde eternidade e não
prodígios.
Também é como o
rio interminável Que passa e fica e é
cristal dum mesmo Heraclito inconstante, que
é o mesmo E é outro, como o rio
interminável.
River
Of No Return (Jeff Healey Band)
Well, you
know you're gonna have to steal it, if you want
your cake and eat it, too There is no one less
believin', than the guy who's been deceiving
you
You got to pay the
piper, in the end you will be so much
wiser Got to use your best
endeavor, when you're kissing to be
clever
'Cause it's a hard, hard
lesson, that you're gonna
learn, on the river of no
return
You been burnin' all your
bridges, like a child with forty
wishes, on the river of no
return
Well, you got your
finger, on the
trigger, it would help if you was-a
bigger Now, it's not easy, I know, it's not
easy
'Cause it's a hard, hard
lesson, that you're gonna
learn, on the river of no
return
Yes, you have done your share of
cheatin', now you're gonna have to take a
beatin' You been acting like a
sucker Now, you're gonna have to suffer,
yeah
'Cause it's a hard, hard
lesson, that you're gonna
learn, on the river of no
return
Say, say,
say It's a hard, hard,
lesson, that you're gonna
learn, on the river of no
return
It's a one way to
go, it's on and on you
go on the river of no
return.
Say it
again! It's a hard, hard
lesson, that you're gonna
learn, on the river of no
return
Got swept out in the
tide, with no one on your
side, on the river of no
return
Há
uma linha de Verlaine que não mais
recordarei, Há uma rua próxima vedada
aos meus passos, Há um espelho que me viu
pela última vez, Há uma porta que eu
fechei até ao fim do mundo. Entre os livros
da minha biblioteca (estou a vê-los) Algum
existirá que já não abrirei. Este
verão farei cinquenta anos; A morte,
incessantemente, vai-me
desgastando.
Com
amizade: Davy Spillane, Kitaro, Rob Costlow, Gomer Edwin Evans, Robbie Williams,
Enigma, Jeff Healey Band, Jorge Luís Borges e José-António
Moreira.
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'