Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Praça
da canção (Manuel Alegre)
Cantar
não é talvez suficiente. Não
porque não acendam de repente as
noites Tuas palavras irmãs do
fogo Mas porque palavras
são Apenas chama e
vento.
Eu venho
incomodar. Trago palavras como bofetadas
E é inútil mandarem-me
calar Porque a minha canção não
fica no papel. Eu venho tocar os
sinos. Planto espadas e transformo
destinos. Os homens ouvem-me
cantar E a pele
dos homens fica
arrepiada. E depois é madrugada
Dentro dos homens onde
ponho Uma espingarda e um
sonho.
E é inútil mandarem-me
calar. De certo modo sou um
guerrilheiro Que traz a
tiracolo Uma espingarda carregada de poemas
Ou se preferem sou um marinheiro
Que traz o mar ao
colo E meteu o Navio pela terra
dentro E pendurou depois no
vento Uma
canção.
Já disse: planto
espadas E transformo
destinos. E para isso basta-me tocar os
sinos Que cada homem tem no
coração.
Canção
com lágrimas (Adriano Correia de
Oliveira)
Eu canto para ti o mês das
giestas mês de morte e crescimento ó
meu amigo Como um cristal partindo-se
plangente No fundo da memória
perturbada.
Eu canto para ti o mês
onde começa a mágoa E um
coração poisado sobre a tua
ausência Eu canto um mês com
lágrimas e sol o grave mês Em que os
mortos amados batem à porta do
poema
Porque tu me disseste quem em dera
em Lisboa Quem me dera me Maio depois
morreste Com Lisboa tão longe ó meu
irmão tão breve Que nunca mais
acenderás no meu o teu cigarro
Eu
canto para ti Lisboa à tua espera Teu nome
escrito com ternura sobre as águas E o teu
retrato em cada rua onde não
passas Trazendo no sorriso a flor do mês de
Maio
Porque tu me disseste quem em dera em
Maio Porque te vi morrer eu canto para
ti Lisboa e o sol, Lisboa com
lágrimas Lisboa à tua espera ó
meu irmão tão breve Eu canto para ti
Lisboa à tua
espera...
Canção
tão simples (Manuel Alegre)
Quem
poderá domar os cavalos do vento quem
poderá domar este tropel do pensamento
à flor da pele?
Quem poderá
calar a voz do sino triste que diz por dentro do
que não se diz a fúria em riste do meu
país?
Quem poderá proibir estas
letras de chuva que gota a gota escrevem nas
vidraças pátria viúva a dor que
passas?
Quem poderá prender os
dedos farpas que dentro da canção
fazem das brisas as armas harpas que são
precisas?
Canção
tão simples (Adriano Correia de
Oliveira)
Quem poderá domar os
cavalos do vento quem poderá domar este
tropel do pensamento à flor da
pele?
Quem poderá calar a voz do sino
triste que diz por dentro do que não se
diz a fúria em riste do meu
país?
Quem poderá proibir estas
letras de chuva que gota a gota escrevem nas
vidraças pátria viúva a dor que
passas?
Quem poderá prender os
dedos farpas que dentro da canção
fazem das brisas as armas harpas que são
precisas?
Exílio
(Manuel Alegre)
Venho dizer-vos que
não tenho medo A verdade é mais forte
que as algemas Venho dizer-vos que não
há degredo Quando se traz a alma cheia de
poemas.
Em qualquer parte eu estou
presente Tomo o navio da
canção E vou direito ao
coração de toda a gente.
Venho
dizer-vos que não tenho
medo.
Eu
tinha grandes coisas para vos dizer. Porém
não tenho tempo. Vou-me embora.
Deixo-vos com a vossa
tristeza mergulhada no vinho quieta
envilecida. Minha tristeza é mais
pura não se esconde no vinho não se
esconde. Precisa de
grandes rios ao ar livre. De partir à
pedrada o corpo onde a vossa tristeza
apodrece. Precisa de correr. Apertar muitas
mãos encher as ruas de muita
gente. Precisa de
batalhas. Pecisa de
cantar.
Com
amizade: Davy Spillane, Natalie MacCaster, Kirsty Hawkshaw, Mark Knopfler,
Adriano Correia de Oliveira, Manuel Alegre e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'