Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
As
mãos (Manuel Alegre)
Com mãos se
faz a paz se faz a guerra. Com mãos tudo se
faz e se desfaz. Com mãos se faz o poema -
e são de terra. Com mãos se faz a
guerra - e são a paz.
Com mãos
se rasga o mar. Com mãos se lavra. Não
são de pedras estas casas mas de mãos.
E estão no futuro e na palavra as mãos
que são o canto e são as
armas.
E cravam-se no Tempo como
farpas as mãos que vês nas coisas
transformadas. Folhas que vão no vento:
verdes harpas.
De mãos é cada
flor cada cidade. Ninguém pode vencer estas
espadas: nas tuas mãos começa a
liberdade.
As
mãos (Adriano Correia de
Oliveira)
Com mãos se faz a paz se
faz a guerra. Com mãos tudo se faz e se
desfaz. Com mãos se faz o poema - e
são de terra. Com mãos se faz a guerra
- e são a paz.
Com mãos se rasga
o mar. Com mãos se lavra. Não são
de pedras estas casas mas de mãos. E
estão no futuro e na palavra as mãos
que são o canto e são as
armas.
E cravam-se no Tempo como
farpas as mãos que vês nas coisas
transformadas. Folhas que vão no vento:
verdes harpas.
De mãos é cada
flor cada cidade. Ninguém pode vencer estas
espadas: nas tuas mãos começa a
liberdade.
Abril
de Abril (Manuel Alegre)
Era um Abril de
amigo Abril de trigo Abril de trevo e
trégua e vinho e húmus Abril de novos
ritmos novos rumos.
Era um Abril comigo
Abril contigo ainda só ardor e sem
ardil Abril sem adjectivo Abril de
Abril.
Era um Abril na praça Abril de
massas era um Abril na rua Abril a
rodos Abril de sol que nasce para
todos.
Abril de vinho e sonho em nossas
taças era um Abril de clava Abril em
acto em mil novecentos e setenta e
quatro.
Era um Abril viril Abril tão
bravo Abril de boca a abrir-se Abril
palavra esse Abril em que Abril se
libertava.
Era um Abril de clava Abril de
cravo Abril de mão na mão e sem
fantasmas esse Abril que Abril floriu nas armas.
Fala
do homem nascido (Adriano Correia de
Oliveira)
Venho da terra
assombrada do ventre de minha
mãe não pretendo roubar
nada nem fazer mal a
ninguém
Só quero o que me é
devido por me trazerem
aqui que eu nem sequer fui
ouvido no acto de que
nasci
Trago boca pra
comer e olhos pra
desejar tenho pressa de
viver que a vida é água a
correr
Venho do fundo do
tempo não tenho tempo a
perder minha barca
aparelhada solta o pano rumo ao
norte meu desejo é
passaporte para a fronteira
fechada
Não há ventos que
não prestem nem marés que não
convenham nem forças que me
molestem correntes que me
detenham
Quero eu e a
natureza que a natureza sou
eu e as forças da
natureza nunca ninguém as
venceu
Com licença com
licença que a barca se fez ao
mar não há poder que me
vença mesmo morto hei-de
passar com licença com
licença com rumo à estrela polar
Trova
do vento que passa (Manuel
Alegre)
Pergunto ao vento que
passa Notícias do meu
país E o vento cala a
desgraça E o vento nada me
diz.
Mas há sempre uma
candeia Dentro da própria
desgraça Há sempre alguém que
semeia Canções no vento que
passa.
Mesmo na noite mais
triste Em tempo de
servidão Há sempre alguém que
resiste Há sempre alguém que diz
não.
Trova
do vento que passa (Adriano Correia de
Oliveira)
Pergunto ao vento que
passa Notícias do meu
país E o vento cala a
desgraça E o vento nada me
diz.
Mas há sempre uma
candeia Dentro da própria
desgraça Há sempre alguém que
semeia Canções no vento que
passa.
Mesmo na noite mais
triste Em tempo de
servidão Há sempre alguém que
resiste Há sempre alguém que diz
não.
Darei
ao povo o meu poema. Eu lhe darei a flor e a
pedra cada minuto cad
tristeza uma azagaia contra a dura
sorte a minha raiva acesa em cada
noite. Eu lhe darei a flor e a
pedra. E a minha vida. E a minha
morte.
Com
amizade: Davy Spillane, Carlos Paredes, Adriano Correia de Oliveira, Manuel
Alegre e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'