Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Testamento
(Manuel Bandeira)
O que não tenho e
desejo É que melhor me
enriquece. Tive uns dinheiros —
perdi-os... Tive amores —
esqueci-os. Mas no maior
desespero Rezei: ganhei essa
prece. Vi terras da minha
terra. Por outras terras
andei. Mas o que ficou
marcado No meu olhar
fatigado, Foram terras que
inventei. Gosto muito de
crianças: Não tive um filho de
meu. Um filho!... Não foi de
jeito... Mas trago dentro do
peito Meu filho que não
nasceu. Criou-me, desde eu
menino Para arquiteto meu
pai. Foi-se-me um dia a
saúde... Fiz-me arquiteto? Não
pude! Sou poeta menor,
perdoai! Não faço versos de
guerra. Não faço porque não
sei. Mas num
torpedo-suicida Darei de bom grado a
vida Na luta em que não
lutei!
Le
testament (Léo Ferré)
Avant de
passer l'arme à gauche Avant que la faux ne
me fauche Tel jour, telle heure, en telle
année Sans fric, sans papier, sans
notaire Je te laisse ici
l'inventaire De ce que j'ai mis de
côté :
La serviette en papier
où tu laissas ta bouche Ma mèche de
cheveux quand ils n'étaient pas gris Mon
foulard, quelques plumes, et cette chanson
louche Avec autant de mots que nous avions de
nuits L'oreille de Van Gogh, la pipe de
Balzac Cette armée d'anarchie et ces
fanfares blêmes Le cheval qui travaille
avec son petit sac Où dorment des prairies
d'avoine et de carême Et de
carême
L'Enfer de Monsieur Dante
où je descends ce soir Un paquet vide de
Celtiques sur la table Quelques stylos à
bille au roulement d'espoir Avec dans leur
roulis des chansons formidables Le pick-up du
tonnerre et les gants de la pluie La voix
d'André Breton, l'absinthe de Verlaine Les
âmes de nos chiens en bouquet
réunies Et leurs paroles dans la nuit comme
une traîne Comme une
traîne
Le zinc de ce bistrot où
nous perdions nos gueules Cette affiche où
nos yeux écoutaient des bravos Cette page
d'annonces où s'ennuie toute seule Notre
maison avec mes rêves en
in-quarto
Avant de passer l'arme à
gauche…
Mais je te laisse ça
comme une chanson tendre Avec ta fantaisie qui
fera beaucoup mieux Et puis ma voix perdue que
tu pourras entendre En laissant retomber le
rideau si tu veux Si tu
veux
Vou-me
embora pra Pasárgada (Manuel
Bandeira)
Vou-me embora pra
Pasárgada Lá sou amigo do
rei Lá tenho a mulher que eu
quero Na cama que
escolherei Vou-me embora pra
Pasárgada
Vou-me embora pra
Pasárgada Aqui eu não sou
feliz Lá a existência é uma
aventura De tal modo
inconsequente Que Joana a Louca de
Espanha Rainha e falsa
demente Vem a ser
contraparente Da nora que nunca
tive
E
como farei ginástica Andarei de
bicicleta Montarei em burro
brabo Subirei no
pau-de-sebo Tomarei banhos de
mar!
E quando estiver
cansado Deito na beira do
rio Mando chamar a
mãe-d'água Pra me contar as
histórias Que no tempo de eu
menino Rosa vinha me
contar
Vou-me embora pra
Pasárgada Em Pasárgada tem
tudo É outra
civilização Tem um processo
seguro De impedir a
concepção Tem telefone
automático Tem alcalóide à
vontade Tem prostitutas
bonitas Para a gente
namorar
E
quando eu estiver mais triste Mas triste de
não ter jeito Quando de noite me
der Vontade de me
matar
— Lá sou amigo do rei
— Terei a mulher que eu
quero Na cama que
escolherei
Vou-me embora pra
Pasárgada.
Going
nowhere (Oasis)
Hate the way that you've
taken back Eveything you've given to me
And the way that you'd always say
'It's nothing to do with me'
Different versions of many men
Come before you came
All their questions were similar
The answers just the same
I'm gonna get me a motor car
Maybe a Jaguar
Maybe a plane or day of fame
I'm gonna be a millionaire
So can you take me there?
Wanna be wilde 'cos my life's so tame
Here am I, going nowhere on a train
Here am I, growing older in the rain
Hey 'ey
Hate the way that you've taken back
Eveything you've given to me
And the way that you always say
'It's nothing to do with me'
Different versions of many men
Come before you came
All their questions were similar
The answers just the same
I'm gonna get me a motor
car…
Here am I, going nowhere on a
train Here am I, growing older in the rain
Here am I, going nowhere on a train
Here am I, getting lost and lonely
Sad and lonly, why sometimes does my life feel
so tame? Hey 'ey
O
último poema (Manuel Bandeira)
Assim
eu quereria meu último poema Que fosse
terno dizendo as coisas mais simples e menos
intencionais Que fosse ardente como um
soluço sem lágrimas Que tivesse a
beleza das flores quase sem perfume A pureza da
chama em que se consomem os diamantes mais
límpidos A paixão dos suicidas que se
matam sem explicação.
Famous
last words (Tears for fears)
After the
wash Before the
fire I will
decay Melt in your
arms As the day hits the
night We will sit by
candlelight We will
laugh We will
sing When the saints go marching
in
A for a
heart B for a
brain Insects and
grass Are all that
remain When the light from
above Burns a hole straight through our
love We will
laugh We will
sing When the saints go marching
in And we will carry war no
more
All our love and all our of
pain Will be but a
tune The Sun and the
Moon The wind and the
rain Hand in hand we'll do and
die Listening to the band that made us
cry We'll have nothing to
lose We'll have nothing to
gain Just to stay this real life situation
For one last
refrain
As the day hits the
night We will sit by
candlelight We will
laugh We will
sing When the saints go marching
in And we will carry war no
more
Febre,
hemoptise, dispnéia e suores noturnos. A
vida inteira que podia ter sido e que não
foi. Tosse, tosse,
tosse. Mandou chamar o
médico: – Diga trinta e
três. – Trinta e três...trinta e
três...Trinta e três... –
Respire. – O senhor tem uma
escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito
infiltrado. – Então, doutor, não
é possível tentar o
pneumotórax? – Não. A única
coisa a fazer é tocar um tango
argentino.
Com
amizade: Davy Spillane, Oystein Sevåg & Lakki Patey, Nightnoise, George
Harrison, Léo Ferré, Oasis, Tears for Fears, Manuel Bandeira e
José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'