Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Plenitude
(Manuel Bandeira)
Vai alto o dia. O sol a
pino ofusca e vibra. O ar é como de forja.
A força nova e pura Da vida embriaga e
exalta. E eu sinto, fibra a fibra, Avassalar-me
o ser a vontade da cura.
A energia vital
que no ventre profundo Da Terra estuante ofega
e penetra as raízes, Sobe no caule, faz
todo galho fecundo E estala na amplidão
das ramadas felizes,
Entra-me como um
vinho acre pelas narinas... Arde-me na
garganta... E nas artérias sinto O
bálsamo aromado e quente das resinas Que
vem na exalação de cada terebinto.
O furor de criação
dionisíaco estua No fundo das rechãs,
no flanco das montanhas, E eu absorvo-o nos
sons, na glória da luz crua E ouço-o
ardente bater dentro em minhas entranhas
Tenho êxtase de santo... Ânsias
para a virtude... Canta em minhalma absorta um
mundo de harmonias. Vêm-me audácias
de herói... Sonho o que jamais pude - Belo
como Davi, forte como Golias...
E neste
curto instante em que todo me exalto De tudo o
que não sou, gozo tudo o que invejo, E
nunca o sonho humano assim subiu tão alto
Nem flamejou mais bela a chama do desejo.
E tudo isso me vem de vós, Mãe
Natureza! Vós que cicatrizais minha velha
ferida... Vós que me dais o grande exemplo
de beleza E me dais o divino apetite da
vida!
The
land of plenty (Leonard Cohen)
Don’t
really know who sent me To raise my voice and
say: May the lights in The Land of
Plenty Shine on the truth some
day.
I don’t know why I come here, /
Knowing as I do, What you really think of me, /
What I really think of you.
For the
millions in a prison, That wealth has set apart
– For the Christ who has not
risen, From the caverns of the heart
–
For the innermost
decision, That we cannot but obey
- For what’s left of our
religion, I lift my voice and
pray: May the lights in The Land of
Plenty Shine on the truth some
day.
I know I said I’d meet
you, I’d meet you at the
store, But I can’t buy it,
baby. I can’t buy it
anymore.
And I don’t really know who
sent me, To raise my voice and
say: May the lights in The Land of
Plenty Shine on the truth some
day.
I don’t know why I come here, /
knowing as I do, what you really think of me, /
what I really think of you.
For the
innermost decision That we cannot but
obey For what’s left of our
religion I lift my voice and
pray: May the lights in The Land of
Plenty Shine on the truth some
day.
A
morte absoluta (Manuel
Bandeira)
Morrer. Morrer
de corpo e de
alma. Completamente.
Morrer
sem deixar o triste despojo da carne, A exangue
máscara de cera, Cercada de
flores, Que apodrecerão – felizes!
– num dia, Banhada de
lágrimas Nascidas menos da saudade do que
do espanto da morte.
Morrer sem deixar
porventura uma alma errante... A caminho do
céu? Mas que céu pode satisfazer teu
sonho de céu?
Morrer sem deixar um
sulco, um risco, uma sombra, A lembrança de
uma sombra Em nenhum coração, em
nenhum pensamento, Em nenhuma
epiderme.
Morrer tão
completamente Que um dia ao lerem o teu nome num
papel Perguntem: "Quem
foi?..."
Morrer mais completamente
ainda, – Sem deixar sequer esse nome.
No
face, no name, no number (Traffic)
I'm
looking for a girl who has no face She has no
name, or number And so I search within his
lonely place Knowing that I won't find
her Well, I can't stop this feeling deep in
inside me Ruling my
mind
I feel no
sound Don't know where I'm
bound
The scenery is all the same to
me Nothing has changed or
faded I'm a part of it, some part of
me Painted cool green, and
shaded So, try to find myself must be the only
way To feel
free
Epígrafe
(Manuel Bandeira)
Sou bem-nascido.
Menino, Fui, como os demais, feliz.
Depois, veio o mau
destino E fez de mim o que quis.
Veio o mau gênio da
vida, Rompeu em meu
coração, Levou tudo de
vencida, Rugia e como um furacão,
Turbou, partiu,
abateu, Queimou sem razão nem dó
- Ah, que
dor! Magoado e
só, - Só! - meu coração
ardeu:
Ardeu em gritos
dementes Na sua paixão
sombria... E dessas horas
ardentes Ficou esta cinza
fria. - Esta pouca cinza fria.
I
burn for you (Sting & Police)
Now that
I have found you And the cool warmth of your
evening smile will shade like a
parasol And your love flows through
me Though I drink at your
pool I burn for you, I burn for
You and I are
lovers When night time folds around our
bed In peace we sleep
entwined And your love flows through
me Though an ocean soothes my
head I burn for you, I burn for
Stars will fall from dark
skies As ancient rocks are
turning Quiet fills the
room And your love flows through
me Though our lie here so
still I burn for you, I burn for
you I
burn...
Se
queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua
alma. A alma é que estraga o
amor. Só em Deus ela pode encontrar
satisfação. Não noutra
alma. Só em Deus — ou fora do
mundo. As almas são
incomunicáveis.
Deixa o teu corpo
entender-se com outro corpo.
Porque os
corpos se entendem, mas as almas
não.
Com
amizade: Davy Spillane, John Blackinsell, Simon Wynberg, Andreas Vollenweider,
Leonard Cohen, Traffic, Sting & Police, Manuel Bandeira e
José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'