Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Poeta
sou! (Manuel Bandeira)
Poeta sou; pai,
pouco; irmão, mais. Lúcido, sim;
eleito, não. E bem triste de tantos
ais Que me enchem a
imaginação.
Com
que sonho? Não sei bem não. Talvez com
me bastar, feliz - Ah feliz como jamais fui!
- Arrancado do
coração - Arrancado pela raiz
- Êste anseio infinito e
vão De possuir o que me
possui.
Les
poètes (Léo Ferré)
Ce sont
de drôl's de typ's qui vivent de leur plume
Ou qui ne vivent pas c'est selon la saison
Ce sont de drôl's de typ's qui traversent
la brume Avec des pas d' oiseaux sous l' aile
des chansons
Leur âme est en carafe
sous les ponts de la Seine Les sous dans les
bouquins qu'ils n'ont jamais vendus Leur femme
est quelque part au bout d'une rengaine Qui
nous parle d'amour et de fruit défendu
Ils mettent des couleurs sur le gris des
pavés Quand ils marchent dessus ils se
croient sur la mer Ils mettent des rubans
autour de l' alphabet Et sortent dans la rue
leurs mots pour prendre l'air
Ils ont des
chiens parfois compagnons de misère Et qui
lèchent leurs mains de plume et d' amitié
Avec dans le museau la fidèle lumière
Qui les conduit vers les pays d'absurdité
Ce sont des drôl's de typ's qui
regardent les fleurs Et qui voient dans leurs
plis des sourires de femme Ce sont de
drôl's de typ's qui chantent le malheur Sur
les pianos du cœur et les violons de l'âme
Leurs bras tout déplumés se
souviennent des ailes Que la littérature
accrochera plus tard A leur spectre gelé
au-dessus des poubelles Où remourront
leurs vers comme un effet de l'Art
Ils
marchent dans l'azur la tête dans les villes
Et savent s'arrêter pour bénir les
chevaux Ils marchent dans l'horreur la
tête dans des îles Où n'abordent
jamais les âmes des bourreaux
Ils
ont des paradis que l'on dit d' artifice Et
l'on met en prison leurs quatrains de dix sous
Comme si l'on mettait aux fers un édifice
Sous prétexte que les bourgeois sont dans
l'égout
Poética
(Manuel Bandeira)
Estou farto do lirismo
comedido Do lirismo bem
comportado Do lirismo funcionário
público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de
apreço ao Sr. Diretor. Estou farto do
lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um
vocábulo. Abaixo os
puristas
Todas as palavras sobretudo os
barbarismos universais Todas as
construções sobretudo as sintaxes de
excepção Todos os ritmos sobretudo os
inumeráveis
Estou farto do lirismo
namorador Político Raquítico Sifilítico De
todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo De
resto não é lirismo Será
contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às
mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos
loucos O lirismo dos
bêbados O lirismo difícil e pungente
dos bêbedos O lirismo dos clowns de
Shakespeare
- Não quero mais saber do
lirismo que não é libertação.
Poète,
vos papiers (Léo
Ferré)
Bipède volupteur de
lyre Époux châtré de
Polymnie Vérolé de lune à
confire Grand-duc bouillon des
librairies Maroufle à pendre à
l'hexamètre Voyou décliné chez
les grecs Albatros à chaîne et à
guêtres Cigale qui claque du
bec
Poète, vos papiers !
Syndiqué
de la
solitude Museau
qui dévore que
couic Sédentaire
des
longitudes Phosphaté
des dieux chair à
flic Colis en
souffrance à la
veine Remords
de la Légion
d'honneur Tumeur
de la fonction
urbaine Don
Quichotte du
crève-coeur Poète,
vos papiers
! Spécialiste
de la
mistoufle Émigrant
qui pisse aux
visas Aventurier
de la
pantoufle Sous
la table du
Nirvana Meurt-de-faim
qui plane à la
Une Écrivain
public des
croquants Anonyme
qui
s'entribune À
la barbe des
continents Poète,
vos papiers
! Citoyen
qui sent de la
tête Papa
gâteau de
l'alphabet Maquereau
de la
clarinette Graine
qui pousse des
gibets Châssis
rouillé sous les
démences Corridor
pourri de
l'ennui Hygiéniste
de la
romance Rédempteur
falot des
lundis Poète,
vos papiers
! Ventre
affamé qui tend
l'oreille Maraudeur
aux bras
déployés Pollen
au rabais pour
abeille Tête
de mort rasée de
frais Rampant
de service aux
étoiles Pouacre
qui fait dans le
quatrain Masturbé
qui vide sa
moelle A la
devanture du
coin Poète,
... circulez
!
Minha
grande ternura (Manuel Bandeira)
Minha
grande ternura Pelos passarinhos
mortos; Pelas pequeninas
aranhas.
Minha grande
ternura Pelas mulheres que foram meninas
bonitas E ficaram mulheres
feias; Pelas mulheres que foram
desejáveis E deixaram de o
ser. Pelas mulheres que me
amaram E que eu não pude
amar.
Minha grande
ternura Pelos poemas
que Não consegui
realizar.
Minha grande ternura
Pelas amadas
que Envelheceram sem
maldade.
Minha grande ternura
Pelas gotas de orvalho
que São o único enfeite de um
túmulo.
Pépée
Léo Ferré)
T'avais les mains
comm' des raquettes
Pépée Et
quand j'te f'sais les ongles J'voyais des
fleurs dans ta barbiche T'avais les oreill's de
Gainsbourg Mais toi t'avais pas besoin d'
scotch Pour les r'plier la nuit
Tandis que lui... ben oui !
Pépée
T'avais
les yeux comm' des lucarnes
Pépée Comme
on en voit dans l'port d' Anvers Quand les
matins ont l'âme verte Et qu'il leur faut
des yeux d'rechange Pour regarder la nuit des
autres Comme on r'gardait un
chimpanzé Chez les Ferré
Pépée
T'avais
le cœur comme un tambour
Pépée De
ceux qu'on voil' le vendredi saint Vers les
trois heures après midi Pour regarder
Jésus-machin Souffler sur ses trent'-trois
bougies Tandis que toi t'en avais qu'huit
Le sept avril
De
soixante-huit Pépée
J'voudrais
avoir les mains d'la mort
Pépée Et
puis les yeux et puis le cœur Et m'en venir
coucher chez toi Ça chang'rait rien à
mon décor On couch ' toujours avec des
morts x3
Pépée
João
Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num
barracão sem número Uma noite ele
chegou no bar Vinte de
Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois
se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu
afogado.
Com
amizade: Davy Spillane, Ehren Starks, Andreas Vollenweider, Franck Thores,
Léo Ferré, Manuel Bandeira e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'