Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Do
como e do quando (José Saramago)
E
quando não se calam os protestos Do sangue
comprimido nas artérias? E quando sobre a
mesa ficam restos, Dentaduras postiças e
misérias?
E quando os animais tremem
de frio, Olhando a sombra nova de
castrados? E quando num deserto de
arrepio Jogamos contra nós cartas e
dados?
E quando nos cansamos de
perguntas, E respostas não temos, nem
gritando? E quando às esperanças aqui
juntas Não sabemos dizer como nem
quando?
How?
(John Lennon)
How can I go forward when I
don't know which way I'm facing? How can I go
forward when I don't know which way to turn? How
can I go forward into something I'm not sure
of? Oh no, oh no
How can I have feeling when I don't know
if it's a feeling? How can I feel something if I
just don't know how to feel? How can I have
feelings when my feelings have always been
denied? Oh no, oh no
You know life can be
long And you got to be so
strong And the world is so
tough Sometimes I feel I've had enough
How can I give love when I don't know
what it is I'm giving? How can I give love when
I just don't know how to give? How can I give
love when love is something I ain't never
had? Oh no, oh no
You know life can be
long You've got to be so
strong And the world she is
tough Sometimes I feel I've had enough
How can we go forward when we don't know
which way we're facing? How can we go forward
when we don't know which way to turn? How can we
go forward into something we're not sure of? Oh
no, oh
no
Ouvindo
Beethoven (José Saramago)
Venham leis
e homens de balanças, Mandamentos
daquém e dalém mundo, Venham ordens,
decretos e vinganças, Desça o juiz em
nós até ao fundo.
Nos
cruzamentos todos da cidade, Brilhe, vermelha, a
luz inquisidora, Risquem no chão os dentes
da vaidade E mandem que os lavemos a
vassoura.
A quantas mãos existam,
peçam dedos, Para sujar nas fichas dos
arquivos, Não respeitem mistérios nem
segredos, Que é natural nos homens serem
esquivos.
Ponham livros de ponto em toda a
parte, Relógios a marcar a hora
exacta, Não aceitem nem votem outra
arte Que a prosa de registo, o verso
data.
Mas quando nos julgarem bem
seguros, Cercados de bastões de
fortalezas, Hão-de cair em estrondo os
altos muros E chegará o dia das
surpresas.
Ouvindo
Beethoven (Manuel Freire)
Venham leis e
homens de balanças, Mandamentos daquém
e dalém mundo, Venham ordens, decretos e
vinganças, Desça em nós o juiz
até ao fundo.
Nos cruzamentos todos
da cidade, Brilhe, vermelha, a luz
inquisidora, Risquem no chão os dentes da
vaidade E mandem que os lavemos a
vassoura.
A quantas mãos existam,
peçam dedos, Para sujar nas fichas dos
arquivos, Não respeitem mistérios nem
segredos, Que é natural nos homens serem
esquivos.
Ponham livros de ponto em toda a
parte, Relógios a marcar a hora
exacta, Não aceitem nem votem outra
arte Que a prosa de registo, o verso
data.
Mas quando nos julgarem bem
seguros, Cercados de bastões de
fortalezas, Hão-de cair em estrondo os
altos muros E chegará o dia das
surpresas.
Fala
do velho do Restelo ao astronauta (José
Saramago)
Aqui, na Terra, a fome
continua, A miséria, o luto, e outra vez a
fome.
Acendemos cigarros em fogos de
napalme E dizemos amor sem saber o que
seja. Mas fizemos de ti a prova da
riqueza, E também da pobreza, e da fome
outra vez. E pusemos em ti sei lá bem que
desejo De mais alto que nós, e melhor e
mais puro.
No jornal, de olhos tensos,
soletramos As vertigens do espaço e
maravilhas: Oceanos salgados que
circundam Ilhas mortas de sede, onde não
chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa
mesa Onde come, brincando, só a
fome Só a fome, astronauta, só a
fome, E são brinquedos as bombas de
napalme.
Mr.
Spaceman (Byrds)
Woke up this morning with
light in my eyes And then realized it was still
dark outside It was a light coming down from the
sky I don't know who or
why
Must be those strangers that come
every night Those saucer shaped lights put
people uptight Leave blue green footprints that
glow in the dark I hope they get home all
right
Hey, Mr.
Spaceman Won't you please take me
along I won't do anything
wrong Hey, Mr.
Spaceman Won't you please take me along for a
ride
Woke up this morning, I was feeling
quite wierd Had flies in my beard, my toothpaste
was smeared Over my window, they'd written my
name Said, So long, we'll see you
again
Hey, Mr.
Spaceman Won't you please take me
along I won't do anything
wrong Hey, Mr.
Spaceman Won't you please take me along for a
ride
Hey, Mr.
Spaceman Won't you please take me
along I won't do anything
wrong Hey, Mr.
Spaceman Won't you please take me along for a
ride
Bem
sei que as meias-solas que deitei Nas botas
aprazadas não resistem À calçada
do tempo que discorro.
Talvez parado as
botas me durassem, Mas quieto quem pode, mesmo
vendo Que é deste caminhada que me
morro.
Com
amizade: Davy Spillane, Dead Can Dance, Jami Sieber, Jamie Lizmore, John Lennon,
Manuel Freire, Byrds, José Saramago e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'