Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Acerca
do sentido (Fernando
Guimarães)
1 Aproxima-te.
É assim que consegues encontrar algumas palavras. Estão juntas.
Têm um sentido capaz de vir acompanhar-te
como se pelos dedos escorresse um pouco de água, a sua transparência
súbita. Recebe o que elas te podem dar
agora, a respiração que fica tranquila e o mesmo aceno
só para que depois consigas compreender
como é fácil que tudo se perca nos teus
olhos.
2 Que
limites existem para a luz? Veio alguém acender esta candeia. À nossa
volta, uma pequena chama principia a erguer-se, mas em vão é que ela
se conserva perto de nós, quando abrimos devagar as leves páginas cujo
sentido se ignora e as fechamos depois sem esperança, como se fosse este o
seu destino no interior da noite. Estamos ali adormecidos e havemos de encontrar
uma outra luz, maior, que as permita
ler.
Light
of hope (Chris Rea)
This is the garden
that I know Ten thousand summers wait me
here You lead and I will
follow Your heart is mine
tomorrow Into your womb I fade
away
And while she
laughs Your pride is turning into
snow And melting on the face of this light of
hope Shine on, light of
hope Light of
hope
And while she
laughs Your pride is turning into
snow And dancing on the graves of what you
thought you used to know And in this garden I
will burn my callous robes And forever love my
darling Light of
hope
Acerca
do sentido (Fernando
Guimarães)
3 A
verdade cabia nos teus olhos, mas estes
fecham-se com um movimento que se torna simples.
Apenas a espuma era trazida pelas ondas e
outros vestígios chegaram de um dia
humedecido; depois, vimos como se deteve e
ficou de novo submersa. Mas é dela que talvez se
receba um aviso. Ainda hoje a esperamos quando
junto de nós finalmente se encontra uma
nova imagem abandonada pela proximidade da
noite. Sabias que a verdade é um
aviso?
4 Quem
veio escrever estas palavras? Abre sem pressa o
livro, mas nem sequer o leias todo. Deixa que
fiquem algumas dessas páginas caídas
ao teu lado. Assim talvez encontres a
imobilidade que finalmente existe no seu
interior. É tudo o que recebes de
alguém que nem sequer te pode conhecer
quando faz para ti um derradeiro
gesto.
Nothing
But the Truth (Procol Harum)
It seems as
clear as yesterday We saw it in a
dream but dream became
insanity an awful gaping
scream So sad to see such
emptiness So sad to see such
tears And heaped up leaves of
bitterness turned mouldy down the
years
Nothing but the
truth. Common words in
use Hard to find
excuse Harder than the
truth
Like Icarus we flew too
high We flew too near the
sun They caught us in that awful
glare Our hapless throats were
strung But just before the final
stroke They took us victims of the
rope And cast us far beyond the
deep To lie in never ending
sleep
It seems as clear as
yesterday They cast us in the
deep We lie in darkest night for
good Never ending
sleep A never ending bitter
gloom Whose darkness seldom
clears A God forsaken
emptiness Which fills our hearts with
tears
Acerca
do sentido (Fernando
Guimarães)
5 As
mãos uniram-se e é mais perto que
conservam a dimensão de uma palavra, a
última. A elas pertencem igualmente as
trevas que vinham ao encontro de tudo, leves
asas feridas pelo seu movimento, sem qualquer
cor e cada vez mais nossas. Aprendemos a
acreditar neste voo, na altura de uma haste, no
próprio olhar atento a uma linha mais alta
para assim encontrarmos no que nos rodeava a
vinda destas
aves.
6 Coloquemos
um lenço sobre o rosto. Não para o ocultar
mas para que fique mais nítido o que
vemos. Essa há-de ser a margem das nossas
feições, a sua mais
próxima brancura. A respiração
nem o toca sequer. Outra brisa começava a
atravessar o peito. Ela vem agora ao nosso
encontro sem qualquer ruído, como se as
mesmas folhas estivessem ausentes. Sabemos
há muito que é assim. Depois o silêncio
chega, porque foi sempre a ele que estas vozes
pertenceram.
7 O
que podemos esperar? É mais perto que vês
um caminho. A ele nos habituamos. É deste
modo que consegues compreender-me melhor.
Reparas agora como os gestos podem ficar
reduzidos a um único movimento e as cores
à mesma transparência que as
há-de tornar maiores. Encontras o sentido
que pertencia a tudo, para que finalmente seja
apenas nosso, como se olhássemos para
longe.
Long
Ago And Far Away (James Taylor)
Long ago a
young man sits and plays his waiting game But
things are not the same it seems as in such tender
dreams Slowly passing sailing ships and Sunday
afternoon Like people on the moon I see are
things not meant to be
Where do those
golden rainbows end? Why is this song so
sad? Dreaming the dreams I've dreamed my
friends Loving the love I love
To love is just a word I've heard when
things are being said Stories my poor head has
told me cannot stand the cold And in between
what might have been and what has come to pass A
misbegotten guess alas and bits of broken
glass
Where do the golden rainbows
end? And why is this song so
sad? Dreaming the dreams I dream my
friend Loving the love I love to love to love to
love to
love
Nem
sequer bebes a água que recolhes nas tuas mãos. Apenas procuras que
elas fiquem mais erguidas. E assim se justifica a inutilidade do teu
gesto.
Com
amizade: Davy Spillane, Nightnoise, Jami Sieber, Lito Vitale, Chris Rea, Procol
Harum, James Taylor, Fernando Guimarães e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'