Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
D.
Dinis (Fernando Pessoa)
Na noite escreve
um seu Cantar de Amigo O plantador de naus a
haver, E ouve um silêncio múrmuro
consigo: É o rumor dos pinhais que, como um
trigo De Império, ondulam sem se poder
ver.
Arroio, esse cantar, jovem e
puro, Busca o oceano por
achar; E a fala dos pinhais, marulho
obscuro, É o som presente desse mar
futuro, É a voz da terra ansiando pelo
mar.
Sea
People (Emiliana Torrini)
Can you ever see
me as you did before Can you ever see me like
you did once more When I look into your
eyes I can breathe in
water Like you
When you say
goodbye My lungs ache filled with
water 'Cause I will always love
you
Mar
português (Fernando Pessoa)
Ó
mar salgado, quanto do teu sal São
lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos,
quantas mães choraram, Quantos filhos em
vão rezaram! Quantas noivas ficaram por
casar Para que fosses nosso, ó
mar!
Valeu a pena? Tudo vale a
pena Se a alma não é
pequena. Quem quer passar além do
Bojador Tem que passar além da
dor. Deus ao mar o perigo e o abismo
deu, Mas nele é que espelhou o
céu.
Swallowed
in the sea (Coldplay)
You cut me down a
tree And brought it back to
me And that's what made me
see Where I was going
wrong
You put me on a
shelf And kept me for
yourself I can only blame
myself You can only blame
me
And I could write a
song A hundred miles
long Well, that's where I
belong And you belong with
me
And I could write it
down or spread it all
around Get lost and then get
found Or swallowed in the
sea
You put me on a
line And hung me out to
dry And darling that's when
I Decided to go to
sea
You cut me down to
size And opened up my
eyes Made me
realize What I could not
see
And I could write a
book The one they'll say that
shook The world, and then it
took It took it back from
me
And I could write it
down Or spread it all
around Get lost and then get
found And you'll come back to
me Not swallowed in the
sea
Ooh...
And
I could write a song A hundred miles
long Well, that's where I
belong And you belong with
me
The streets you're walking
on A thousand houses
long Well, that's where I
belong And you belong with
me
Oh what good is it to
live With nothing left to
give Forget but not
forgive Not loving all you
see
Are the streets you're walking
on A thousand houses
long Well that's where I
belong And you belong with
me Not swallowed in the
sea
You belong with
me Not swallowed in the
sea Yeah, you belong with
me Not swallowed in the
sea
Nevoeiro
(Fernando Pessoa)
Nem rei nem lei, nem paz
nem guerra, Define com perfil e
ser Este fulgor baço de
terra Que é Portugal a entristecer
- Brilho sem luz e sem
arder, Como o que o fogo-fátuo
encerra.
Ninguém sabe que coisa
quer. Ninguém conhece que alma
tem, Nem o que é mal nem o que é
bem. (Que ânsia distante perto
chora?) Tudo é incerto e
derradeiro. Tudo é disperso, nada é
inteiro. Ó Portugal, hoje és
nevoeiro…
É a
hora!
Nevoeiro
(José Mário Branco)
Onde vais
ó caminheiro Com o teu passo
apressado Onde vais ó
caminheiro Com o teu passo
apressado Vou ao cais do
terreiro Ver o rei Sebastião
primeiro Num lençol
amortalhado Voltou num
nevoeiro Num veleiro Sem leme nem
gageiro E de casco
arrebentado
Onde vais ó
caminheiro Com o teu passo
apressado Com teus olhos em
braseiro E o teu rosto
afogueado Vou ao cais do
terreiro Ver o rei Sebastião
primeiro Por alcunha ao
desejado Voltou no seu
veleiro Nevoeiro Sem
leme nem gageiro Num lençol
amortalhado
Onde vais ó
caminheiro Com o teu passo
apressado Porque levas
caminheiro tanta pressa no
cajado Vou ao cais do
terreiro Ver o rei Sebastião
primeiro Num lençol
amortalhado Voltou no seu
veleiro Nevoeiro Esperado
primeiro E depois
desesperado
Onde vais ó
caminheiro Com o teu passo
apressado Que te traz ó
caminheiro Esse príncipe
encantado Vou ao cais do
terreiro Ver o rei Sebastião
primeiro À tanto tempo
esperado Voltou no seu
veleiro Nevoeiro Sem
glória nem dinheiro Num lençol
amortalhado
Onde vais ó
caminheiro Com o teu passo
apressado Era príncipe ou
sendeiro Sebastião o
desejado Vou ao cais do
terreiro Ver o rei Sebastião
primeiro Num lençol
amortalhado Era príncipe
herdeiro Nevoeiro O
príncipe agoireiro o príncipe mal
esperado
Onde vais ó
caminheiro Com o teu passo
apressado Porque paras
caminheiro Se é Sebastião
finado Voltou no seu
veleiro Nevoeiro leme
nem gageiro Num lençol
amortalhado Vou ao cais do
terreiro, Nevoeiro, Pra
ficar bem certeiro De que é morto e
enterrado
Sem
a loucura que é o homem Mais que a besta
sadia Cadáver adiado que
procria?
Com
amizade: Davy Spillane, Jesse Manno, Dan Gibson, Mike Oldfield, Emiliana
Torrini, Coldplay, José Mário Branco, Fernando Pessoa e
José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'