Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Vem
sentar-te comigo, Lídia (Ricardo
Reis)
Vem sentar-te comigo, Lídia,
à beira do rio. Sossegadamente fitemos o
seu curso e aprendamos Que a vida passa, e
não estamos de mãos
enlaçadas. (Enlacemos as
mãos).
Depois pensemos, crianças
adultas, que a vida Passa e não fica, nada
deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito
longe, para ao pé do Fado, Mais longe que
os deuses.
Desenlacemos as mãos,
porque não vale a pena cansarmo-nos. Quer
gozemos, quer não gozemos, passamos como o
rio. Mais vale saber passar
silenciosamente E sem desassossegos
grandes.
Sem amores, nem ódios, nem
paixões que levantam a voz, Nem invejas que
dão movimento demais aos olhos, Nem
cuidados, porque se os tivesse o rio sempre
correria, E sempre iria ter ao
mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando
que podíamos, Se quiséssemos, trocar
beijos e abraços e carícias, Mas que
mais vale estarmos sentados ao pé um do
outro Ouvindo correr o rio e
vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e
deixa-as No colo, e que o seu perfume suavize o
momento - Este momento em que sossegadamente
não cremos em nada, Pagãos inocentes
da decadência.
Ao menos, se for
sombra antes, lembrar-te-ás de mim
depois Sem que a minha lembrança te arda ou
te fira ou te mova, Porque nunca enlaçamos
as mãos, nem nos beijamos Nem fomos mais do
que crianças.
E se antes do que eu
levares o óbolo ao barqueiro sombrio, Eu
nada terei que sofrer ao lembrar-me de
ti. Ser-me-ás suave à memória
lembrando-te assim - à beira-rio, Pagã
triste e com flores no
regaço.
Sitting
in a dream (Deep Purple)
Sitting in a
dream (Deep Purple) I'm just passing time before
the Ball Playing my
guitar I don't have to be where I don't want to
be at all Maybe I'll go
far Going nowhere, sitting in a
dream... Ah, in a
dream Sitting in a landscape full of
sighs Dream away the
day Making up a tune about the blueness of the
skies This is where I'll
stay Going nowhere, sitting in a
dream... Oh, in a
dream Watching as a red and white
balloon Sails across my
mind In between the images that drift along my
tune Smile as they
unwind Going nowhere, sitting in a
dream... Ah, in a
dream
As
rosas amo (Ricardo Reis)
As rosas amo dos
jardins de Adónis, Essas volucres amo,
Lídia, rosas, Que em o dia em que
nascem, Em esse dia
morrem. A luz para elas é eterna,
porque Nascem nascido já o Sol, e
acabam Antes que Apolo
deixe O seu curso
visível. Assim façamos nossa vida um
dia, Inscientes, Lídia,
voluntariamente Que há noite antes e
após O pouco que
duramos.
Where
the wild roses grow (Nick Cave & Kylie
Minogue)
They call me The Wild
Rose But my name was Elisa
Day Why they call me it I do not
know For my name was Elisa Day
From the first day I saw her I knew she
was the one She stared in my eyes and
smiled For her lips were the colour of the
roses That grew down the river, all bloody and
wild
When he knocked on my door and
entered the room My trembling subsided in his
sure embrace He would be my first man, and with
a careful hand He wiped at the tears that ran
down my face
Chorus
On the second day I brought her a
flower She was more beautiful than any woman I'd
seen I said, "Do you know where the wild roses
grow So sweet and scarlet and free?"
On the second day he came with a single
red rose He said "Give me your loss and your
sorrow" I nodded my head, as I lay on the
bed "If I show you the roses, will you follow?"
Chorus
On the third day he took me to the
river He showed me the roses and we
kissed And the last thing I heard was a muttered
word As he knelt (stood smiling) above me with a
rock in his fist
On the last day I took
her where the wild roses grow And she lay on the
bank, the wind light as a thief And I kissed her
goodbye, said, "All beauty must die" And lent
down and planted a rose tween her teeth
Sofro,
Lídia (Ricardo Reis)
Sofro,
Lídia, do medo do destino. A leve pedra que
um momento ergue As lisas rodas do meu carro,
aterra Meu
coração.
Tudo quanto me ameace
de mudar-me Para melhor que seja, odeio e
fujo. Deixem-me os deuses minha vida
sempre Sem
renovar.
Meus dias, mas que passe e outro
passe Ficando eu sempre quase o mesmo;
indo Para a velhice como um dia
entra No
anoitecer.
Emily’s
song (Moody Blues)
Lovely to know the
warmth You're smile can bring to
me I want to tell you but the words you do not
know
Sing me a
lullaby Of songs you cannot
write And I will listen for there's beauty where
there's love
And in the morning of my
life And in the evening of my
day I will try to understand in what you
say...
River's of
endless Tides have passed beneath my
feet And all too soon they had me standing on my
own
Then when my eyes were
closed You opened them for
me And now we journey thro' our lives to what
will be
And in the morning of my
life And in the evening of my
day I will try to understand in what you
say
Through all that life can give to
you Only true love will see you
through And will stand beside you now in what
you say
And in the morning of my
life And in the evening of my
day I will try to understand in what you
say
Take me into your
world Alone I can not
go For I've been here so
long You're leaving me
behind Walk with me
now Into your land of fairy
tales And open up that book of pages in my
mind And open up that book of ages in my
mind
Tão
cedo passa tudo quanto passa! Morre tão
jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é
tão pouco! Nada se sabe, tudo se
imagina. Circunda-te de rosas, ama,
bebe E cala. O mais é
nada.
Com
amizade: Davy Spillane, Kirsty Hawkshaw, Deep Purple, Nick Cave & Kylie
Minogue, Moody Blues, Ricardo Reis e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'