Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Sim,
sou eu, eu mesmo (Álvaro de
Campos)
Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual
resultei de tudo, Espécie de acessório
ou sobresselente próprio, Arredores da
minha emoção sincera, Sou eu aqui em
mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não
fui, tudo isso sou. Quanto quis, quanto não
quis, tudo isso me forma. Quanto amei ou deixei
de amar é a mesma saudade em mim.
E
ao mesmo tempo, a impressão, um pouco
inconsequente, Como de um sonho formado sobre
realidades mistas, De me ter deixado, a mim, num
banco de carro eléctrico, Para ser
encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em
cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão,
um pouco longínqua, Como de um sonho que se
quer lembrar na penumbra a que se acorda, De
haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao
mesmo tempo, a impressão, um pouco
dolorosa, Como de um acordar sem sonhos para um
dia de muitos credores, De haver falhado tudo
como tropeçar no capacho, De haver
embrulhado tudo como a mala sem as escovas, De
haver substituído qualquer coisa a mim algures na
vida.
Baste! É a impressão um
tanto ou quanto metafísica, Como o sol pela
última vez sobre a janela da casa a
abandonar, De que mais vale ser criança que
querer compreender o mundo . A impressão de
pão com manteiga e brinquedos, De um grande
sossego sem Jardins de Prosérpina, De uma
boa vontade para com a vida encostada de testa à
janela, Num ver chover com som lá
fora E não as lágrimas mortas de
custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu
mesmo, o trocado, O emissário sem carta nem
credenciais, O palhaço sem riso, o bobo com
o grande fato de outro, A quem tinem as
campainhas da cabeça Como chocalhos
pequenos de uma servidão em cima.
Sou
eu mesmo, a charada sincopada Que ninguém
da roda decifra nos serões de
província.
Sou eu mesmo, que
remédio!...
I
am what I am (Mark Owen)
Looking at me
through the eye of a needle is a scary thing to
do I feel a mole hill lies in front of me to
climb Is your primary purpose in
life to scrutinize every move I
make cos if it is I think your wasting precious
time
Well I know that I have got a job to
do And I know, that my job is pleasing you,
but
I am what I
am The way god made
me I am what I
am Don't try and change
me
Well I know I have my
weaknessess as you point them out to
me but our confont the spots of doubt as they
arise Never born to be a
leader but I'll take my role with
pride cos a soldier with his honours lies
inside
Well I know that I have got a job
to do As you say, that my job revolves around
you I am what I
am The way god made
me I am what I
am Don't try and change
me
Well I know that I have got a job to
do But my life, wasn't made:for
you
I am what I
am The way god made
me I am what I
am Don't try and change
me
I am what I
am The way god made
me
Lisbon
revisited (Álvaro de
Campos)
Não: não quero
nada. Já disse que não quero
nada.
Não me venham com
conclusões! A única conclusão
é morrer.
Não me tragam
estéticas! Não me falem em
moral! Tirem-me daqui a
metafísica! Não me apregoem sistemas
completos, não me enfileirem conquistas Das
ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)
- Das ciências, das artes, da
civilização moderna!
Que mal fiz
eu aos deuses todos?
Se têm a
verdade, guardem-na!
Sou um técnico,
mas tenho técnica só dentro da
técnica. Fora disso sou doido, com todo o
direito a sê-lo. Com todo o direito a
sê-lo, ouviram?
Não me macem,
por amor de Deus!
Queriam-me casado,
fútil, quotidiano e
tributável? Queriam-me o contrário
disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu
fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a
vontade. Assim, como sou, tenham
paciência! Vão para o diabo sem
mim, Ou deixem-me ir sozinho para o
diabo! Para que havemos de ir
juntos?
Não me peguem no
braço! Não gosto que me peguem no
braço. Quero ser sozinho. Já disse que
sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu
seja de companhia!
Ó céu azul -
o mesmo da minha infância - Eterna verdade
vazia e perfeita! Ó macio Tejo ancestral e
mudo, Pequena verdade onde o céu se
reflecte! Ó mágoa revisitada, Lisboa
de outrora de hoje! Nada me dais, nada me
tirais, nada sois que eu me
sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo,
que eu nunca tardo… E enquanto tarda o
Abismo e o Silêncio quero estar
sozinho!
Left
outside alone (Anastacia)
All my life I've
been waiting For you to bring a fairy tale my
way Been living in a fantasy without meaning
It's not okay I don't feel safe
Left broken empty in despair
Wanna breath can't find air
Thought you were sent from up above
But you and me never had love
So much more I have to say
Help me find a way
And I wonder if you know
How it really feels
To be left outside alone
When it's cold out here
Well maybe you should know
Just how it feels
To be left outside alone
To be left outside alone
Why do you play me like a game?
Always someone else to blame
Careless, helpless little man
Someday you might understand
There's not much more to say
But I hope you find a way
Still I wonder if you know
How it really feels
To be left outside alone
When it's cold out here
Well maybe you should know
Just how it feels
To be left outside alone
To be left outside alone
I'll tell
you To be left outside alone
O
que há em mim é sobretudo cansaço (Álvaro de
Campos)
O que há em mim é
sobretudo cansaço - Não disto nem
daquilo, Nem sequer de tudo ou de
nada: Cansaço assim mesmo, ele
mesmo, Cansaço.
A
subtileza das sensações
inúteis, As paixões violentas por
coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto
em alguém. Essas coisas todas
- Essas e o que falta nelas eternamente
-; Tudo isso faz um
cansaço, Este
cansaço, Cansaço.
Há
sem dúvida quem ame o infinito, Há sem
dúvida quem deseje o
impossível, Há sem dúvida quem
não queira nada - Três tipos de
idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo
infinitamente o finito, Porque eu desejo
impossivelmente o possível, Porque quero
tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou
até se não puder ser…
E o
resultado? Para eles a vida vivida ou
sonhada, Para eles o sonho sonhado ou
vivido, Para eles a média entre tudo e
nada, isto é, isto… Para mim só
um grande, um profundo, E, ah com que felicidade
infecundo, cansaço, Um supremíssimo
cansaço, Íssimo, íssimo,
íssimo, Cansaço…
I’m
so tired (Beatles)
I'm so tired, I haven't
slept a wink I'm so tired, my mind is on the
blink I wonder should I get up and fix myself a
drink No,no,no.
I'm
so tired I don't know what to do I'm so tired my
mind is set on you I wonder should I call you
but I know what you would do
You'd say I'm
putting you on But it's no joke, it's doing me
harm You know I can't sleep, I can't stop my
brain You know it's three weeks, I'm going
insane You know I'd give you everything I've
got for a little peace of
mind
I'm so tired, I'm feeling so
upset Although I'm so tired I'll have another
cigarette And curse Sir Walter
Raleigh He was such a stupid
git.
You'd say I'm putting you
on But it's no joke, it's doing me
harm You know I can't sleep, I can't stop my
brain You know it's three weeks, I'm going
insane You know I'd give you everything I've
got for a little peace of
mind I'd give you everything I've got for a
little peace of mind I'd give you everything
I've got for a little peace of
mind
Não
sei. Falta-me um sentido, um tacto Para a vida,
para o amor, para a glória… Para que
serve qualquer história, Ou qualquer
facto?
Estou só, só como
ninguém ainda esteve, Oco dentro de mim,
sem depois nem antes. Parece que passam sem
ver-me os instantes, Mas passam sem que o seu
passo seja leve.
Com
amizade: Davy Spillane, Valgeir Gudjonsson, Mark Owen, Beatles, Álvaro de
Campos e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'