Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Nos
teus ouvidos (Luís Miguel Nava)
Nos
teus ouvidos isto explode de amor, palavra
ampola sob os astros funcionando Abril á
boca das cidades, dos imperturbáveis muros
aos quais as crianças que de cristais nos
punhos acontecem passam, seus chapéus
brevíssimos, os indícios de nada, o
modo de ler, de acender um texto de amor nos
ouvidos, isto explode e entra nesta página
o mar da minha infância, meigo no modo de
lembrá-lo, lê-lo, de acender de
carícias um texto na memória. De
astros as ruas eram cheias que os cuspiam
hoje na minha mãe de outrora, nas
crianças de água, nos pensamentos
nenhuns que eu punha em seus joelhos a que os astros
acorriam, minha mãe que arranco ao sono,
ás areias virgens das palavras, que
amanhecido eu gero, as mãos tão de
repente em pânico nos
muros.
Can
you hear me now (Gary B)
(sem
texto)
Lembranças
(Luís Miguel Nava)
Como é que eu
poderei sintonizar o poema de maneira a que a espessura do papel não se
insinua entre as suas inflexões e, a coberto da leve desfocagem a que a
página o submete, o não invadam ruídos doutros textos? Eu
sintonizo a página à memória, por cujas estrias as
lembranças parecem ficar eléctricas quando se vêm colar como
adesivos ao avesso das palavras ou irradiar, sabe-se lá donde, uma luz que,
projectada sobre a página, me faz de novo aproximar do mar com passos
vacilantes, dando ao meu pai uma das mãos e a outra ao terror de me saber
tragado em breve por aquela imensa massa de água a espumejar à minha
frente.
Memories
are designed to fade (Savage Garden)
I'd
never let you down when you're in a fix I'd come
running when you call That's my weakness
baby So connected are
we
You get your kicks from the ghost of a
memory So busy turning away from reality
baby That you just won't let it
go
But memories
fade Yeah they're designed that
way
But you're so wrapped up in her you
don't see straight Watch her mangle the truth
while you take the bait So tell her can't you
see? Your just turning yourself inside out for
no need
This thing you're using is worse
then a photograph It picks you up and it turns
you inside out now baby And it just won't let
you go
But memories
fade Yeah they're designed that
way
She doesn't love you
anymore Maybe she did long
ago You're just a slave to the grind that she
grew tired of baby So tell her can't you
see? You're just turning yourself inside out for
no need
But memories
fade Cause they're designed that
way
She doesn't love you
anymore Maybe she did long
ago You're just a slave to the grind that she
grew tired of baby So tell her can't you
see? You're just turning
yourself You're just turning yourself inside out
for no need
You're just turning yourself
inside out for no
need
A
memória (Luís Miguel Nava)
Assim
é a memória. Onde quer que eu me encontre abre um buraco, entra na
terra, o que me dificulta a marcha ao mesmo tempo que acentua esta estranheza de
eu me sentir eu até onde nem mesmo as minhas mãos, ainda que
escavassem, lograriam ir. Granitos, xistos, cimentos, a nada ela deixa de aceder
por causa deles - às vezes acontece essa inquietante coisa de, num
prédio, ser como se ela atingisse o andar de baixo ou outro mais abaixo
ainda, o que é de tal forma insidioso que, se alguém que dele chegasse
me dissesse nada ter notado, eu ficaria atónito. Mas é na pele que
tudo se reflecte com maior intensidade - a memória abre um sulco
através dela, espalha-se à tona com tudo o que da terra atrás de
si carrega até se misturar com a saliva, a qual - completamente
subterrânea - é o que por fim lhe serve de coroa, aquilo a que
chamamos, referindo o mar, rebentação. Vem sempre dar à pele o
que a memória carregou, da mesma forma que, depois de revolvidos, os
destroços vêm dar à
praia.
Minutes
to memories (John Mellencamp)
On a
Greyhound thirty miles beyond Jamestown He saw
the sun set on the Tennessee line He looked at
the young man who was riding beside him He said
I'm old kind of worn out inside I worked my
whole life in the steel mills of Gary And my
father before me I helped build this land Now
I'm seventy-seven and with God as my witness I
earned every dollar that passed through my
hands My family and friends are the best thing
I've known Through the eye of the needle I'll
carry them home
Days turn to
minutes And minutes to
memories Life sweeps away the
dreams That we have
planned You are young and you are the
future So suck it up and tough it
out And be the best you
can
The rain hit the old dog in the
twilight's last gleaming He said Son it sounds
like rattling old bones This highway is long but
I know some that are longer By sunup tomorrow I
guess I'll be home Through the hills of Kentucky
'cross the Ohio river The old man kept talking
'bout his life and his times He fell asleep with
his head against the window He said an honest
man's pillow is his peace of mind This world
offers riches and riches will grow wings I don't
take stock in those uncertain things
The
old man had a vision but it was hard for me to
follow I do things my way and I pay a high
price When I think back on the old man and the
bus ride Now that I'm older I can see he was
right
Another hot one out on highway
eleven This is my life It's what I've chosen to
do There are no free rides No one said it'd be
easy The old man told me this my son i'm telling
it to
you
O
céu recua, da memória eu já não
sinto senão as mais violentas cristas nas
gengivas, a minha mãe regressa, é
pelos dentes que a memória recomeça a
subir como a
maré.
Com
amizade: Davy Spillane, Gary B, Savage Garden, John Cougar Mellencamp, Luís
Miguel Nava e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'