Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Do
poema (Casimiro de Brito)
O problema
não é meter o mundo no poema;
alimentá-lo de luz, planetas,
vegetação.
Nem tão-pouco enriquecê-lo,
ornamentá-lo com palavras delicadas,
abertas ao amor e à morte, ao sol, ao
vício, aos corpos nus dos amantes
— o problema é torná-lo
habitável, indispensável a quem seja
mais pobre, a quem esteja mais
só do que as
palavras acompanhadas no
poema.
A
fábrica do poema (Adriana
Calcanhoto)
Sonho o poema de arquitetura
ideal Cuja própria nata de
cimento Encaixa palavra por palavra, tornei-me
perito em extrair Faíscas das britas e
leite das
pedras. Acordo; E
o poema todo se esfarrapa, fiapo por
fiapo. Acordo; O
prédio, pedra e cal, esvoaça Como um
leve papel solto à mercê do vento e
evola-se, Cinza de um corpo esvaído de
qualquer sentido Acordo, e o poema-miragem se
desfaz Desconstruído como se nunca houvera
sido. Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das
almas E os ouvidos
moucos, Assim é que saio dos sucessivos
sonos: Vão-se os anéis de fumo de
ópio E ficam-me os dedos
estarrecidos. Metonímias,
aliterações, metáforas,
oxímoros Sumidos no
sorvedouro. Não deve adiantar grande coisa
permanecer à espreita No topo fantasma da
torre de vigia Nem a simulação de se
afundar no sono. Nem dormir
deveras. Pois a questão-chave
é: Sob que máscara retornará o
recalcado?
Amo-te
porque não me amo (Casimiro de
Brito)
Amo-te porque não me
amo inteiramente. O que me
falta é
infinito mas tu és do bem que me
falta o enigma onde se
condensam a terra e o sol o ar as
águas invioladas e
tenho a boca cheia de música
ondulação do teu
silêncio.
Learning
how to love you (George Harrison)
While
all is still in the night And silence starts its
flow Become or disbelieve
me Left alone with my
heart I'm learning how to love
you
While waiting on the
Light How patience learned to
grow Endeavor could relieve
me Left alone with my
heart I know that I can love
you
Love you like you may have never
been Move you more ways than you have
seen To a point in the time where we see so much
more Than the ground that we
touch With each step so
unsure
As teardrops cloud the
sight Your eyes may never
know No truth could ever fear
me And left alone with my
heart I'm learning how to love
you.
Love you like you may have never
seen Move you more ways than you have
been To a point in the time where we see so much
more Than the ground that we
touch With each step so
unsure
As teardrops cloud the
sight Your eyes may never
know No truth could ever fear
me And left alone with my
heart I'm learning how to love
you.
Entro
no teu corpo árvore (Casimiro de
Brito)
Entro no teu corpo
árvore felina como
quem visita um templo vegetal uma ilha
impregnada pelas especiarias mais
raras do sol e do mar. Ascendo em
bocas que bebem a minha seiva em
dunas que me lavam e
queimam humildes. Armas tão
frágeis as que temos: o mel a saliva
o sémen.
Caminho na luz
obscura com as mãos
vazias de quem nasce de
novo.
Born
under a bad sign (Rita Coolidge)
Born
under a bad sign I been down since I begin to
crawl If it wasn't for bad luck, I wouldn't have
no luck at all
Hard luck and
trouble Is my only
friend I been on my
own Ever since I was
ten
Born under a bad
sign I been down since I begin to
crawl If it wasn't for bad luck, I wouldn't have
no luck at all
I can't
read Haven't learned how to
write My whole life has
been One big
fight
Born under a bad
sign I been down since I begin to
crawl If it wasn't for bad luck, I wouldn't have
no luck at all
If it wasn't for bad luck I
wouldn't have no kinda luck If it wasn't for
real bad luck, I wouldn't have no luck at
all
Wine and good
time is all I
crave A big legged man is gonna carry
me to my
grave
Born under a bad
sign I been down since I begin to
crawl If it wasn't for bad luck, I wouldn't have
no luck at all
Yeah my bad luck
boy Been havin' bad luck all of my days,
yes
Não
me pisem, já não danço
— o melhor que
faço é quando
descanso. Não me
louvem, estou cansado
— o melhor que
escrevo é quando
apago.
Com amizade:
Davy Spillane, Patrick O'Hearn, Peter Seiler, Corciolli, Adriana Calcanhoto,
George Harrison, Rita Coolidge, Casimiro de Brito e José-António
Moreira.
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'