Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
A
crise do petróleo (Nuno
Júdice)
Podiam-se contar pelos dedos
os petroleiros na linha do horizonte: saindo do
outro lado da terra até à frente do
cabo, cujos rochedos os desafiavam. Era ainda o
tempo da gasolina barata e dos bailes no clube,
que continuavam depois da meia-noite em casas
emprestadas, com as grandes salas de luzes meio
abertas, para que se escondesse o que havia a
esconder. Os petroleiros paravam, por vezes, em
frente da praia, assombrando quem se metia
à água com o peso da sua
presença; e nos dias seguintes a areia estava
preta, obrigando a que se tivesse cuidado com as
solas das sandálias. Também as meninas
do clube, sentadas à espera que as fossem
buscar, assombravam os mais tímidos: e as
mães, sentadas nas cadeiras de
trás, impediam muitas
aproximações, embora a sua
função fosse escolher os que melhor
poderiam servir casamentos prováveis,
rapazes sérios e com futuro — mas
isso era o que não havia para
ninguém, com a tropa pela frente e a guerra
garantida. Por isso, ao olhar para os
petroleiros, podia haver quem sonhasse em subir
para eles, e partir para o outro lado do mundo.
Mas quem seria capaz de nadar até tão longe
e, depois, de subir pelo aço da proa? Mais
valia limpar as solas do alcatrão com um
pedaço de cana, e correr até ao clube
onde o baile já começara. Mas era à
noite, nessas casas de empréstimo, ouvindo
a musica lenta de discos velhos, que melhor se
podia dançar, sem mães a olhar pelas
filhas nem filhas com medo das mães. Era no
tempo em que os petroleiros passavam devagar
frente à linha da costa, e podiam-se contar
pelos dedos quantos eram, com excepção
dos que paravam para limpar os porões. Uma
noite, houve um corte de luz durante o baile.
Não foi por isso que deixei de dançar
— e outros terão feito o mesmo.
Também o petróleo foi cortado uns
meses depois, e os petroleiros deixaram de
passar pelo cabo. Mas nem isso interrompeu os
bailes no clube, os fins de noite em
casas emprestadas, e o apagar da luz — que
já não era do corte da corrente
— para que a dança continuasse,
mesmo às
escuras.
A
whiter shade of pale (Annie Lennox)
We
skipped the light fandango turned cartwheels
'cross the floor I was feeling kinda seasick
but the crowd called out for more
The room was humming harder
as the ceiling flew away
When we called out for another drink
and the waiter brought a tray
And so it was that later
as the mirror told his tale
that her face, at first just ghostly,
turned a whiter shade of
pale
She said, "There is no reason
and the truth is plain to see."
But I wandered through my playing cards
and they would not let her be
one of sixteen vestal virgins
who were leaving for the coast
and although my eyes were open
wide they might have just as well been closed
And so it was that later
as the mirror told his tale
that her face, at first just ghostly,
turned a whiter shade of
pale
She said, "I'm here on a shore
leave," though we were miles at
sea. I pointed out this
detail and forced her to agree,
saying, "You must be the
mermaid who took King Neptune for a
ride." And she smiled at me so
sweetly that my anger straightway
died.
And so it was that later
as the mirror told his tale
that her face, at first just ghostly,
turned a whiter shade of
pale
If music be the food of
love then laughter is its
queen and likewise if behind is in
front then dirt in truth is
clean My mouth by then like
cardboard seemed to slip straight through my
head So we crash-dived straightway
quickly and attacked the ocean bed
And so it was that later
as the mirror told his tale
that her face, at first just ghostly,
turned a whiter shade of
pale
Conversa
com a minha Musa (Nuno
Júdice)
Dizes-me que tenho uma
visão negra do mundo, quando o frio das
imagens se sobrepõe à alegria que devia
nascer da manhã. Conversemos sobre isto: a
poesia faz-se sobre o ruído do mar, mesmo
quando o mar está longe, e as ondas
rebentam dentro das paredes que me rodeiam,
enquanto uma espuma sobe pelas madeiras das
portas, enchendo a casa de um cheiro a algas.
Depois, os versos suam um salitre de
significados: limpo-os da solidão, dos
sacrifícios da memória, da
surpresa ébria dos sons. Quero que estes
versos fiquem mudos quando te virem chegar, e tu
fores toda a poesia do seu canto. Tu, a minha
musa verdadeira, a quem estendo o espelho da
estrofe para que o teu rosto surja de dentro
dela, com os lábios que beijei,
aprendendo o gosto do amor. Assim, esta imagem
do mundo pode mudar a meio de um poema. Basta
que tu entres por dentro dele, batendo com as
suas portas, e fazendo-me sentir a tua
presença, mesmo que estejas longe.
É um vento que sopra nas minhas veias,
até à cabeça, onde limpa as
nuvens mais cinzentas, abrindo esse azul de que
as aves gostam. Tu, com quem converso sobre o
sentido da vida, ouvindo o teu riso sobre esta
maré que baixa com as vozes que o desejo
submerge, enquanto
antigas gaivotas poisam numa areia de
murmúrios.
Devant
toi (Calogero)
Faire, toujours, faire
comme Ce qu'on fait quand, on est un
homme Les cris, les coups qu'on se
donne Faire, toujours, faire
fort En affaire, en corps à
corps Attaques, armures, châteaux
forts
Mais devant
toi Je n'ai qu'à me
taire Et croiser les
doigts Plutôt que le
faire Devant
toi Je n'ai qu'une
envie C'est de laisser le
poids De mes
ennemis Derrière
moi Aller, toujours plus
haut Assis, debout, faire le
beau Trop lourd, le monde, plein le
dos Aller, toujours plus
fier Trophées, honneurs, phrases en
l'air Parler d'amour sans le
faire
Moi devant
toi...
Je laisse l'or et
l'argent A d'autres, la sueur et le
sang Discours semés dans le
vent Moi devant
ça Je n'ai qu'à me
taire Poser loin de
moi Mes armes de
guerre Devant
toi Rien d'autre à se
faire Que croiser les
doigts Plutôt que le
fer Devant toiJe n'ai qu'une
envie C'est de laisser le poids de mes
ennemis Derrière
moi.
Viagem
(Nuno Júdice)
Podia dizer que foi
nesta tarde, nesta cidade, ou noutro lugar
qualquer, que imaginei a
solução: mudar de tarde e de cidade, e
encontrar a razão para estar noutro
qualquer lugar onde não tinha de estar.
Podia ser uma noite, num corredor, entre uma
porta e outra porta, onde sabia o que iria
encontrar; e com a noite a acabar, a porta a
fechar, e o corredor sem saber onde iria dar,
talvez tivesse de ficar. E era à voz que
eu ouvia, à voz que me dizia o que eu lhe
queria dizer, à voz que me guiava entre uma
porta e outra porta, como se não houvesse
corredor, era a essa voz que eu respondia:
«Vem comigo, por entre portas e corredores,
tardes e noites, um lugar e qualquer lugar, e
não me deixes aqui, sem solução,
nem o calor da tua mão.» E podia dizer
que tudo ficou igual, se não
tivesses atravessado o corredor, entre uma porta
e outra porta, trazendo contigo o que eu queria
encontrar.
Won't
go home without you (Maroon 5)
I asked her
to stay But she wouldn't
listen She left before I had the chance to
say Oh The words
it would mend The things that were
broken But now it's far too late, she's gone
away
Every night you cry yourself to
sleep Thinking "Why does this happen to
me? Why does every moment have to be so
hard?" Hard to believe
that
It's not over
tonight Just give me one more chance to make it
right I may not make it through the
night I won't go home without
you
The taste of her breath, I'll never
get over And the noises that she made kept me
awake Oooh The
weight of the things that remain unspoken Built
up so much it crushed us everyday
Every
night you cry yourself to sleep Thinking "Why
does this happen to me? Why does every moment
have to be so hard?" Hard to believe
that
It's not over
tonight Just give me one more chance to make it
right I may not make it through the
night I won't go home without
you Oooh
It's
not over tonight Just give me one more chance to
make it right I may not make it through the
night I won't go home without
you Oooh
Of
all the things I felt I've never really
showed Perhaps the worst is that I ever let you
go Should not ever let you go, oh oh
oh
It's not over
tonight Just give me one more chance to make it
right I may not make it through the
night I won't go home without
you Oooh
It's
not over tonight Just give me one more chance to
make it right I may not make it through the
night I won't go home without you
And I won't go home without
you And I won't go home without
you And I won't go home without
you
Abro
a caixa do inverno. Tiro os ventos, as rajadas
de chuva, os bancos de neve de onde fugiram
todos os pássaros. Desenrolo à
minha frente os pântanos do inverno. Ando
à volta deles para desentorpecer as pernas;
sacudo o frio das mãos; limpo a chuva que
se me colou aos cabelos. Depois, volto a
lançar os dados — e avanço
até à
primavera.
Com
amizade: Davy Spillane, Ion, Wave, Paddy McAloon, Annie Lennox, Calogero, Maroon
5, Nuno Júdice e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'