Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Cartografia
de emoções (Nuno
Júdice)
É como se fosse a
leitura mais exacta: o céu, as nuvens, o
sol posto. O resto, a especulação que as
palavras trazem, o desenvolvimento de certos
tons de voz, o teu corpo encostado à pedra,
em frente do prédio, esperando que não
chova, desta vez. Podemos pensar melhor
nisto tudo; e trabalhar as cores que mudam a
cada instante, como se o fim do dia não
fosse uma altura de lentas transições.
Podemos entrar sem pressa nesta noite que nos
espera, vendo a treva cair por trás dos
vidros do carro, ouvindo o ladrar dos cães,
sabendo apenas que nenhuma noite nos
servirá de
abrigo.
Mas não sei: estas frases que
abrem o que tenho para te dizer com a
hesitação da gramática, estes lapsos que se
instalam no coração da palavra…
Como transformá-los em certezas, e fazer
com que uma flor cresça de um movimento de
afirmações visíveis como as
estrelas no intervalo das árvores? Queria
escrever-te um guia para o mundo da
evidência, com a sua exacta cartografia de
emoções, e encontrar nas tuas mãos a linha para o seu
centro, onde um fulgor de secretos vulcões
se acende. Em vez disso, dou-te este poema; e
sei que dele irá correr o rio que nasce do
teu riso de fonte.
Então, digo-te o
que é próprio destas situações. Não
me refiro às declarações de amor,
aos verbos que se prestam ao murmúrio, nem
ao fogo de substantivos que se prendem à
língua, deixando uma secura de cinza na
boca. Digo aquilo que pode caber neste verso:
atravessarei o campo do teu corpo. Pouco mais se
pode dizer numa noite como esta, quando o vento
entreabre as nuvens, soltando as invisíveis
matilhas do sonho. Assim, vejo-te adormecer;
vejo a tua nudez desembocar, no estuário da
madrugada; e ouço um soltar de velas na tua
respiração
matinal.
Heartbeats
(José González)
One night to be
confused One night to speed up
truth We had a promise
made Four hands and then
away
Both under
influence We had a divine
sense To know what to
say Mind is a razor
blade
To call for hands of
above to lean
on Wouldn't be good
enough for me,
no
One night of magic
rush The start a simple
touch One night to push and
scream And then
relief
Ten days of perfect
tunes The colors red and
blue We had a promise
made We were in
love
To call for hands of
above to lean
on Wouldn't be good
enough for me,
no
To call for hands of
above to lean
on Wouldn't be good
enough
And you, you knew the hand of the
devil And you, kept us awake with wolves
teeth Sharing different
heartbeats In one
night
To call for hands of
above to lean
on Wouldn't be good
enough for me,
no
To call for hands of
above to lean
on Wouldn't be good
enough
Angelus
(Nuno Júdice)
O anjo que renasce com
a tua luz, a forma obscura do seu voo, o canto
abstracto que o envolve, são os motivos do
meu canto.
Podia não saber que um
anjo tem a figura do espaço, no azul mais
fundo do meio-dia, ou na treva para que a noite
nos arrasta.
É de onde um bater de
asas celeste se ouve que tudo começa, como
quando te vejo sair dessa esquina de
memória em que te escondo.
Partilho
com esse anjo uma refeição de
salmos, e perguntas-me se é isso que espero
da vida, ou até onde poderei adiar a minha
morte.
«Não dependem de nós
as ultimas decisões», digo-te, olhando
o vazio nos olhos brancos do anjo que resolve um
último problema de xadrez.
E enxoto-o
para o seu ninho de nuvens: é contigo que
tenho de resolver as dúvidas do absoluto,
as linhas sem saída do infinito,
o
azul e a treva que me pões em frente, com
as tuas mãos pousadas no tampo do segredo,
para que eu abra a caixa dos
sentimentos.
Gabriel
(Lamb)
I can
fly But I want his
wings I can shine even in the
darkness But I crave the light that he
brings Revel in the songs that he
sings My angel
Gabriel
I can
love But I need his
heart I am strong even on my
own But from him I never want to
part He's been there since the very
start My angel
Gabriel My angel
Gabriel
Bless the day he came to
be Angel's wings carried him to
me Heavenly I
can fly But I want his
wings I can shine even in the
darkness But I crave the light that he
brings Revel in the songs that he
sings My angel
Gabriel My angel
Gabriel My angel
Gabriel
Poética
(variante com construção civil) (Nuno
Júdice)
Escrevo por entre
andaimes, ando por entre versos. Uma ideia
de construção ergue-se
no meio de palavras e tijolos. O
muro do verso separa-me da vida;
mas subo o escadote da estrofe,
espreito o outro lado — e
vejo-te.
Pareces calma, com o teu
vestido amarelo, e o sol a entrar-te
pelos cabelos. Eu vou a reboque do
tempo; e tu, com os pés assentes na
terra do campo, podias ser mais uma
dessas flores que crescem,
nesta estação, amarelas como o teu
vestido.
Começo, então, a tirar
os andaimes. As vogais aguentam-se,
com o seu reboco de gesso
e consoantes. Abro-te a porta.
Tu, entras no poema; e ficamos aí os
dois,
ouvindo a sua
música.
Cannonball
(Damien Rice)
there’s still a
little bit of your taste in my
mouth there’s still a little bit of you
laced with my doubt it’s still a little
hard to say what's going on
there’s
still a little bit of your ghost your
witness there’s still a little bit of
your face i haven't kissed you step a little
closer each day that I can´t say
what´s going on
stones taught me to
fly love, it taught me to
lie life, it taught me to
die so it's not hard to
fall when you float like a
cannonball
there’s still a little
bit of your song in my ear there’s still
a little bit of your words i long to hear you
step a little closer to me so close that I
can´t see what´s going
on
stones taught me to
fly love taught me to
lie life taught me to
die so its not hard to
fall when you float like a
cannon..
stones taught me to
fly love taught me to
cry so come on courage, teach me to be
shy 'cos its not hard to
fall,
and I don't want to scare
her its not hard to
fall and i don't want to
lose its not hard to
grow when you know that you just don't
know
Internet
(Nuno Júdice)
Nome: Joseline. Nascida
em 15 de novembro de
76, quer
um norte-americano que
se interesse por ela.
Solteira, acredita em
Deus sobre todas as coisas. Não
bebe nem fuma. Gosta
de andar de bicicleta, de
cantar, e de conhecer
gente séria.
Cristina.
Católica, acompanhada pela Bíblia, tem
26 anos e está a ver se Deus escolhe um
companheiro para si e um pai para o filho.
Divorciada, gosta de praia e de cinema, e
embora não fume acredita que a fé
move montanhas.
A
Ana Maria vive com a tia. Dinâmica,
divertida, é solteira e não tem
filhos. Nasceu em 4 de abril de 1980.
Católica, não bebe e
não fuma.
Nenhuma
das três toca piano e fala
francês.
Amor ponto
com.
Playground
love (Air)
I'm a high school lover, and
you're my favorite flavor Love is all, all my
soul You're my playground love
Yet my hands are shaking
I feel my body
reeling Time's no matter, I'm on
fire On the playground
love
You're the piece of
gold That flashes on my
soul Extra time, on the ground
You're my playground love
Anytime, anywhere,
You're my playground
love.
Encontrei
um filósofo no mercado. «Amigo,
disse-lhe, que fazes aqui, entre o peixe as
couves?» Ele sorriu-me, com um esgar de
ironia, e respondeu: «Compro axiomas por
escamar; peso conceitos em sacos de
serapilheira; ponho sofismas na balança dos
grelos...» E afastou-se, ao longo de bancas
e de clientes, cambaleando, como se a vida o
empurrasse até ao canto dos talhos, onde
se cortam bifes como os filósofos fazem
às ideias.
Com
amizade: Davy Spillane, Sunstatic, Clannad, Philip Glass, Rob Lansberg,
José González, Lamb, Damien Rice, Air, Nuno Júdice e
José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'