Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
A
voz (Nuno Júdice)
E de súbito a
voz: a voz límpida, a eclosão matinal,
o grito e o choro, o riso e o canto — as
palavras inúteis da confissão e do
murmúrio, as explicações
absurdas, o raciocínio por dentro das
frases que não ouço. Essa voz: a luz
inesperada de certas palavras, o poema, a prosa,
a fuga dos sentidos, a alegria dos ecos, o
timbre que atravessa os vidros, janelas, jarros,
espelhos, cristais, e se perde numa
suspensão de vogais, num átrio de
consoantes, num suor de sílabas. A voz
profunda dos poços, a voz superficial das
fontes, a voz de reflexo dos charcos, a voz
branda da chuva; todas as vozes que me ensinaram
todos os silêncios se juntam na tua voz. E
é a voz súbita que me chama, de dentro
dos quartos e das salas, sobre as árvores e
os canteiros, num recanto de muro, do fundo das
pedras. Uma voz de terra e de água,
acendendo o último fogo da vida, enchendo o
ar que
respiro.
Voices
(Cheap Trick)
You didn't know what you
were looking for 'Till you heard the voices in
your ear.
Hey, it's me
again. Plain, you see
again. Please, can I see you ev'ry
day? I'm a fool
again. I fell in love with you
again. Please, can I see you ev'ry
day?
You didn't know what you were
looking for 'Till you heard the voices in your
ear. You didn't know what you were looking for
'Till you heard the voices in your
ear.
Words don't come out
right. I tried to say it, oh, so
right. I hope you understand my
meaning. Hey, it's me
again. I'm so in love with you
again. Please, can I see you ev'ry
day?
You didn't know what you were
looking for 'Till you heard the voices in your
ear. You didn't know what you were looking for
'Till you heard the voices in your
ear.
I remember ev'ry word you said.
(Word you said.) I remember voices in my head.
(In my head.) I remember ev'ry word you said.
(Word you said.)
Your voices.
(I) Cool voices.
(hear) Warm voices.
(your) It was just what I needed to.
(voice.)
Cool voices.
(Words) Warm voices.
(don't) Your voices.
(seem) But it's just what I needed for.
(right.)
Warm voices.
(Love) Your voices.
(is) Cool voices.
(the) It was just what I needed to.
(word.)
Your voices.
(I) Cool voices.
(hear) Warm voices.
(your) It was just what I needed to.
(voice.) Just what I needed to, just what I
needed to, just what I
needed.
You didn't know what you were
looking for 'Till you heard the voices in your
ear. You didn't know what you were looking for
'Till you heard the voices in your
ear.
O
lugar das coisas (Nuno Júdice)
Gosto
das palavras exactas, as que acertam com o
centro das coisas, e quando as encontro é
como se as coisas saíssem de dentro
delas.
Essas palavras são duras como
os objectos que designam, pedra, tronco, ferro,
o vidro de espelhos quebrados com o calor da
tarde.
Tento incendiá-las quando
escrevo, como se o fogo saísse de dentro da
frase, e se espalhasse pelo campo da página
numa devastação de
sílabas.
Então, atiro sobre as
palavras outras palavras, água, pó,
terra, o ar seco do verão, para que a
voz não fique queimada nesta paisagem
negra.
Recolho os restos, os adjectivos,
os advérbios, artigos,
preposições, para que só as palavras que
indicam as coisas fiquem no lugar que já
tinham.
Pouco importa que as frases percam
o sentido. O que fica são os nomes das
coisas, para que as coisas saiam
de dentro deles e as possamos ver nos seus
lugares.
I'll
take everything (James Blunt)
Oh these
feet carry me far. Oh my body. Oh so
tired. Mouth is dry. Hardly speak. Holy spirit
rise in me. Here I swear, forever is just a
minute to me.
I'll take everything in
this life. I'll join everyone when I
die.
Have my body. Have my mind. Have my
coat. Take my time. Theses I borrow. Borrow so
far. Turn to dust. Fall apart. Here I swear,
forever is just a minute to me.
I'll take
everything in this life. I'll join everyone and
understand. 'Cause all men die. 'Cause all men
die.
I'll take everything in this
life. I'll join everyone since I'm gonna
die I'll take everything in this
life I'll join everyone 'cause all men
die.
O
amor (Nuno Júdice)
Deus —
talvez esteja aqui, neste pedaço de mim e
de ti, ou naquilo que, de ti, em mim ficou.
Está nos teus lábios, na tua voz, nos
teus olhos, e talvez ande por entre os teus
cabelos, ou nesses fios abstractos que
desfolho, com os dedos da memória, quando
os evoco.
Existe:
é o que sei quando me lembro de ti. Uma
relação pode durar o que se quiser;
será, no entanto, essa impressão
divina que faz a sua permanência?
Ou impõe-se devagar, como as coisas a que
o tempo nos habitua, sem se dar por isso,
com a pressão súbtil da
vida?
Um deus não precisa do tempo
para existir: nós, sim. E o tempo corre por
entre estas ausências, mete-se no
próprio instante em que estamos juntos,
foge por entre as palavras que trocamos,
eu e tu, para que um e outro as
levemos connosco, e com elas o que
somos, a ânsia efémera dos corpos,
o mais fundo desejo das
almas.
Aqui, um deus não vive
sozinho, quando o amor nos junta. Desce dos
confins da eternidade, abandona o mais remoto
dos infinitos, e senta-se aos pés da cama,
como um cão, ouvindo a música da
noite. Um deus só existe enquanto o dia
não chega; por isso adiamos a madrugada,
para que não nos abandone, como se um
deus não pudesse existir para lá do
amor, ou
o amor não se pudesse fazer sem um
deus.
God
put a smile upon your face
(Coldplay)
Where do we go, nobody
knows I've gotta say I'm on my way
down God give me style and give me
grace God put a smile upon my
face
Where do we go to draw the
line I've gotta say, I wasted all your time, oh
honey honey Where do I go to fall from
grace God put a smile upon your face,
yeah
Now when you work it out I'm worse
than you Yeah when you work it out, I want it
too Now when you work out where to draw the
line Your guess is as good as
mine...
Where do we go, nobody
knows Don't ever say you're on your way down,
when.. God gave you style and gave you
grace And put a smile upon your face, oh
yeah
Now when you work it out I'm worse
than you Yeah when you work it out, I want it
too Now when you work out where to draw the
line Your guess is as good as
mine...
It's as good as
mine As good as
mine...
Where do we go, nobody
knows Don't ever say you're on your way down,
when.. God gave you style and gave you
grace And put a smile upon your
face
Despertar
(Nuno Júdice)
O que quero dizer
é isto: estes ramos que saem da parede, e
se estendem pelo muro até ao fim do
quintal, trazem-me os frutos da tarde. Abro-os:
os gomos húmidos dos teus lábios, as
grainhas que saltam das frases, e se
espalham pelo chão, a macia polpa dos
dedos que procuram o sexo da noite,
agora que é tarde para encontrar o
caminho do regresso. E lembro-me de tudo. A
lua posta nos teus seios como a
branca medusa dos fundos. O beijo árido
da luz que salta da janela, quando a
abro, e dou com a lâmpada agonizante
da madrugada. Não te acordo. Os
teus cabelos estendem-se pelo
travesseiro do desejo, caem da cama,
estendem-se pelos rodapés da memória
até ser dia,
e a tua nudez saltar de dentro de
mim.
Hard
sun (Eddie Vedder)
When I walk beside
her I am the better
man When I look to leave
her I always stagger back
again
Once I built an ivory
tower So I could worship from
above When I climb down to be set
free She took me in
again
There's a
big A big hard
sun Beating on the big
people In the big hard
world
When she comes to greet
me She is mercy at my
feet I see her inner
charm She just throws it back at
me
Once I dug an early
grave To find a better
land She just smiled and laughed at
me And took her rules back
again
When I go to cross that
river She is comfort by my
side When I try to
understand She just opens up her
hands
Once I stood to lose
her And I saw what I had
done Bowed down and threw away the
hours Of her garden and her
sun
So I tried to want
her I turned to see her
weep 40 days and 40
nights And it's still coming down on
me
Quando
a melancolia enche o sol, o esvazia do seu
brilho, faz baço o amarelo do rebordo,
apaga os fios de fogo que da sua esfera fulgem,
pego nele e ponho-o na travessa do bolo. Com a
faca, corto-o; e
ofereço-te uma fatia de sol, que levas
à boca; e ele volta a
brilhar, iluminando-te os lábios, os
olhos, o rosto. Então, beijo-te: e é
como se tocasse o sol; como se a sua chama me
queimasse, sem doer, ou como se a sua luz
entrasse por dentro de mim, quando a
sobremesa chega ao
fim.
Com amizade: Davy
Spillane, Rhonda Lorence, Ralf Illenberger, Vangelis Papathanasious, Frozen
Silence, Cheap Trick, James Blunt, Coldplay, Eddie Vedder, Nuno Júdice e
José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'