Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
As
tulipas (excertos) (Sylvia Plath)
As
túlipas são demasiado sensíveis; é Inverno
aqui. Vê como tudo está branco,
silencioso e calmo. Deitada, isolada e calma vou
apreendendo a quietude enquanto a luz incide
naquelas paredes brancas, nesta cama, nestas
mãos. Não sou ninguém; nada tenho
a ver com sobressaltos. Entreguei o meu nome, as
minhas roupas de sair às enfermeiras, a
minha história ao anestesista e o meu corpo ao cirurgiões.
(…)
Não queria flores, apenas
queria estar prostrada com as palmas das
mãos para cima e ficar toda vazia. Como se
sinto livre sem que ninguém faça ideia da
libertação… A paz é
tão intensa que nos entorpece e nada exige
em troca, uma etiqueta com o nome, algumas
bugigangas. Aquilo a que finalmente os mortos se
agarram: imagino-os introduzindo-as na boca,
como se fosse hóstias.
Mais do que
tudo o vermelho intenso das túlipas
fere-me. Mesmo através do papel de celofane
as ouvia respirar suavemente, por entre as suas
faixas brancas, como um bebé medonho. A
minha ferida corresponde à sua cor
rubra. São subtis: parecem pairar, embora
me esmaguem, perturbando-me com as suas
línguas súbitas e a sua cor, uma
dúzia de vermelhos pesos de chumbo em volta do meu
corpo.
Nunca alguém me vigiara,
vigiam-me agora. As túlipas voltam-se para
mim, assim com a janela donde, uma vez por dia,
a luz se espraia e esvai lentamente, e vejo-me,
estendida, ridícula, uma sombra de papel
recortado entre o olhar do sol e o olhar das
túlipas, e, sem rosto, quis
apagar-me. As túlipas plenas de vida
comem-me o oxigénio.
Antes de elas
virem todo o ar era calmo, entrando e saindo,
sopro a sopro, sem alvoroço. Então as
túlipas encheram-no com um forte
ruído. O ar agora embate nelas e redemoinha
como um rio embate e redemoinha num engenho
imerso e vermelho de ferrugem. Chamam a minha
atenção, que era feliz quando se
entretinha e descansava
despreocupadamente.
Também as paredes
parecem animar-se. As túlipas deviam estar
atrás de grades como animais
perigosos; abrem-se como a boca de um animal
africano, e é ao meu coração que
estou atenta: ele abre e fecha o seu vaso de
florescências vermelhas pelo puro amor que me
tem. A água que saboreio é quente e
salgada como o mar, e vem de país tão
longínquo como a
saúde.
Wildflower
(Skylark)
She's faced the hardest times
you could imagine And many times her eyes fought
back the tears And when her youthful world was
about to fall in Each time her slender shoulders
bore the weight of all her fears And a sorrow no
one hears Still rings in midnight silence in her
ears
Let her cry for she's a
lady Let her dream for she's a
child Let the rain fall down upon
her She's a free and gentle
flower Growing
wild
And if by chance I should hold
her Let me hold her for a
time But if allowed just one
possession I would pick her from the garden to
be mine
Be careful how you touch her for
she'll awaken And sleep's the only freedom that
she knows And when you walk into her eyes you
won't believe The way she's always payin' for a
debt she never owes And a silent wind still
blows That only she can hear and so, she
goes
Let her cry for she's a
lady Let her dream for she's a
child Let the rain fall down upon
her She's a free and gentle
flower Growing
wild
Let her cry for she's a
lady Let her dream for she's a
child Let the rain fall down upon
her She's a free and gentle
flower Growing
wild
Estremeceis Não posso
tocar-vos. Ponho as minhas mãos por entre
as chamas. Mas nada queima.
E fico exausta
quando vos vejo estremecer assim, pregueadas e
rubras como a pele da boca.
Uma boca
há pouco ensanguentada. Pequenas orlas de
sangue!
Há nela um fumo que não
consigo tocar. Onde está o vosso ópio,
as vossas cápsulas nauseabundas?
Se
eu pudesse esvair-se em sangue ou dormir!... Se
a minha boca conseguisse desposar uma tal
ferida!
Ou os vossos licores me
penetrassem, nesta cápsula de
vidro, trazendo-me a acalmia e o
silêncio.
Mas sem cor. Sem nenhuma
cor.
Sweet
July (Rick
Wright)
(instrumental)
Papoilas
em Outubro (Sylvia Plath)
Esta manhã
nem mesmo as nuvens entre o sol podem pôr estas
saias. Nem a mulher na
ambulância de coração vermelho a
florescer assombrosamente através do casaco
-
Uma oferenda, uma oferenda de
amor jamais
pedida nenhum
céu
esmaiado e em
chamas pondo a trabalhar o seu monóxido de
carbono, nenhuns olhos estáticos, em
sentido sob chapéus de coco.
Ó
meu deus, o que sou eu possam as últimas
bocas gritar alto numa floresta de gelo, num
amanhecer de
centáureas.
Flower
duet (Charlotte Church)
Sous le dôme
épais où le blanc jasmin A la rose
s'assemble Sur la rive en fleurs riant au
matin
Doucement glissons De son flot
charmant Suivons le courant
fuyant Dans l'onde
frémissante D'une main
nonchalante Viens, gagnons le
bord, Où la source dort
et L'oiseau, l'oiseau
chante.
Sous le dôme épais ou le
blanc jasmin, Ah!
descendons Ensemble!
Sous
le dôme épais où le blanc
jasmin A la rose
s'assemble Sur la rive en fleurs riant au
matin Viens, descendons
ensemble
Doucement glissons de son flot
charmant, Suivons le courant
fuyant Dans l'onde
frémissante D'une main
nonchalante Viens, gagnons le
bord Où la source dort
et L'oiseau, l'oiseau
chante.
Sous le dôme épais ou le
blanc jasmin, Ah!
descendons Ensemble!
A
lua não tem nada que estar
triste, pasmada lá do seu
capucho de osso.
Está
acostumada a este tipo de
coisas. As suas manchas negras
explodem e passam
devagar.
Com
amizade: Davy Spillane, Vangelis Papathanasious, Skylark, Rick Wright, Carlotte
Church, Sylvia Plath e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'