Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
I'm
coming home (Rui Pires Cabral)
O tempo
corre nas paredes livremente mas não toma a
direcção da morte: ela esteve
aqui desde o princípio, uma
vocação adormecida debaixo do
estuque.
A manhã nasce viciada nos
brandos venenos que os móveis destilam,
haverá pombas sobre o parapeito, o senhorio
arrastará o chinelo sob um eco que caminha
pelo tecto. Nada poderá perturbar a
fluência da penumbra nos cantos para onde
se varre a casa aos domingos. A pele respira
tenuamente mas não posso falar em tristeza.
Este é o meu endereço, um lugar
composto para a
submergência.
Better
be home soon (Crowded House)
Somewhere
deep inside Something's got a hold on
you And it's pushing me
aside See it stretch on
forever
I know I'm
right For the first time in my
life That's why I tell
you You'd better be home
soon
Stripping back the
coats Of lies and
deception Back to
nothingness Like a week in the
desert
I know I'm
right For the first time in my
life That's why I tell
you You'd better be home
soon
So don't say no, don't say nothing's
wrong Cos when you get back home maybe I'll be
gone oh oh....ohhhh
It would cause me
pain If we were to end
it But I could start
again You can depend on
it
I know I'm
right For the first time in my
life That's why I tell
you You'd better be home
soon That's why I tell
you You'd better be home
soon
China
doll (Rui Pires Cabral)
Eu ia na
passadeira com um propósito mas
a
gravata de um homem atirou-me para o
coração do abismo. Uma insuspeitada
gravata de seda com pintas discretas, o
catalizador
da vertigem. Aquilo que o
vento levantava na avenida era uma
espécie de música, um barulho de sinos
remoto
e descompassado, viam-se algumas
flores a entrar na boca do esgoto como se fosse
ali a casa delas. E sem deixar eco qualquer
coisa ruía
nas fachadas, o
próprio oxigénio era nesse
instante como uma língua estrangeira. Eu
sentia na garganta os tambores do sangue e os
prédios enfadonhos pulsavam na taquicardia,
caíam em desamparo
para a cova do meu
peito. Do outro lado da rua um sinal de
trânsito foi a minha
âncora.
China
girl (David Bowie)
Oh oh oh ohoo little
china girl Oh oh oh ohoo little china
girl
I could escape this feeling, with my
China Girl I feel a wreck without my, little
China Girl I hear her heart beating, loud as
thunder Saw the stars
crashing
I'm a mess without my little
China Girl Wake up in the morning. Where's my,
little China Girl? I hear our heart's beating,
loud as thunder I saw the stars crashing
down
I'm feelin' tragic like I'm Marlon
Brando When I look at my China
Girl I could pretend that nothing really meant
too much When I look at my China
Girl
I stumble into town just like a
sacred cow Visions of swastikas in my
head Plans for
everyone It's in the white of my
eyes
My little China
Girl You shouldn't mess with
me I'll ruin everything you
are I'll give you
television I'll give you eyes of
blue I'll give you a man who wants to rule the
world
And when I get
excited My little China Girl
says Oh baby just you shut your
mouth She says... shh / She says... shh / She
says / She says
Oh oh oh ohoo little china
girl
Dark
end of the street (Rui Pires Cabral)
Os
corredores caíam fundo para onde os
chamava a escuridão. Era quase uma
maneira de denunciar a noite, como ela se
atravessava nas flores por onde a
bebias.
Uma casa foi inventada para
sustentar o espaço sobre aquela praça,
obrigava aos caminhos que tomavas, trazia a
claridade em todas as hastes. Por quem
esperavas se a paisagem estava
vazia?
Na parede havia uma imagem com
cavalos onde as cores se transformavam. O
coração batia devagar em cada
nódoa. Tu contavas quantos obstáculos os dias
traziam à terra, eram pequenas armadilhas
para os teus movimentos. E desde o primeiro,
todos os corpos ganharam a sua
distância como barcos a que não podias
dar
sentido.
In
the dark (Norah Jones)
In the
dark It's just you and
I Not a
sound There's not one
sigh Just the beat of my poor
heart In the
dark
Now in the dark, in the
dark I get such a
thrill When he presses his
fingertips Upon my
lips And he begs me to please keep
still In the
dark
But
soon This dance will be
endin' And you're gonna be
missed Gee, I'm not
pretendin' 'Cause I swear it's
fun Fun to be
kissed
In the
dark Now we will
find What the
rest Have left
behind Just let them
dance We're gonna find
romance Lord, in the
dark
E
depois falaste durante muito
tempo com os incêndios da
cidade a rebentar por trás
dos teus olhos. Parecia que não te
bastava trazeres-me de regresso
ao mundo real, também o
querias justificar para
mim.
Com
amizade: Davy Spillane, Natalie MacMaster, Crowded House, David Bowie, Norah
Jones, Rui Pires Cabral e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'