Sons da Escrita 168



Vieira da Silva
Onde estás, ó Liberdade?
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Compasso a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da escrita.

Quando um homem interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens entre o quase tudo e o quase nada.

Então, da raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no silêncio dos sons da escrita.

Sons da Escrita – à volta de uma ideia de José-António Moreira.






Onde estás, ó Liberdade? (Vieira da Silva)

nunca vi tanta mentira
disfarçada de verdade
dizem todos que sou livre
viva viva a liberdade
dizem todos que sou livre
e talvez tenham razão
já sou livre de voar
bem agarradinho ao chão
já sou livre e eu nem sabia
vejam lá tão distraído
já sou livre de falar
para nunca ser ouvido
já sou livre já sou livre
e eu aqui sem dar por nada
que tens tu ó liberdade
que andas sempre tão calada
nunca vi tanta mentira
disfarçada de verdade
dizem todos que sou livre
onde estás ó liberdade



Abril (Vieira da Silva)

talvez um dia
em abril
abril renasça
mais forte
que este abril
não é abril
é trevo de pouca sorte.





Genérico final



Com amizade: Davy Spillane e, no 25 de Abril de 2008, Vieira da Silva e José-António Moreira

Sejam felizes!, pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem capazes!

And in the end
the love you'll take
is equal to the love you make

Posted: sex - abril 25, 2008 at 12:00 AM          


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