Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Era
uma casa de silêncio (Maria
Manuel)
era uma casa de
silêncio.
desafio contido nas
gargantas mudas. levitação sob o tecto
de cimento, árido ritual.
as
crianças jogavam no interior dos dedos as
fantasias tímidas de água derramada de
rodas redondas de bicicleta encalhadas nos
declives naturais das ruas estreitas vozes
explodem à luz do sol ridente.
depois
as mãos. as mãos nas bonecas de olhos
azuis, tristes.
de noite as borboletas
eram imensas na inteireza dos prados prenhes de
sílabas.
This
house (Alison Moyet)
Whose
sticky hands are these? And what
is this empty place I could be
happily lost but for your
face Here stands an empty
house That used to be full of
life Now it's home for no one
and his wife It's a hovel and
Who can take your
place? I can't face another
day And who will shelter
me? It's cold in
here Cover
me
Under these fingertips
a strange body rolls and dips I
close my eyes and you're here
again Later as day
descends I'll shout from my
window To anyone listening. "I'm
losing"
Who can take your
place? I can't face another
day And who will shelter
me? It's cold in
here Cover
me
Oh in a plague of
hateful questioning Tap dancing
every syllable from ear to ear I
hear the din of lovers
jousting When I'm hiding with my
head to the wall
Who will
shelter me? It's cold in
here
Nasceste
na seiva (Maria Manuel)
nasceste na seiva
dessa casa crepuscular. eras o frasco de mel em
estado de bolor se visto a um microscópio
intransigente, a tua boca não se tingiu da
cor dos lagartos na fuga do
quintal.
galgaste depois atrás dos
lagartos trepadores nas arestas da casa
em tardes de folhas
secas. eles escapuliam no mesmo
espaço apertadíssimo entre
os teus dedos, cavavam rápidas as
sepulturas na terra ou nas tábuas do
soalho. levaste anos a ensaiar corridas
estratégicas das fábulas que
amargaste na infância,
cego
afugentaste todos os teus outonos
últimos redutos inteiros acima da
terra.
Air
born (Camel)
High flying glider, spread
your wings Flying high on a
cloud Born on the air, spiral
around So busy making
circles You never touch the
ground
You see the sea, feel the
sky Don't know where you go when you
die Don't know the
answers To what's in my
mind Riding on the wind and turning with the
tide
life takes you up, it brings
you down Changes the pain that
remains Keep moving fast, though the wind and
the rain And if the world keeps spinning
round You'll be back
again
Não
saber o que sinto (Maria Manuel)
não
saber o que sinto, turva ventania. onde os
sentidos esmorecem e o sangue deriva à
porta fechada.
como uma paisagem
desconstruída na tela onde os rios riem das
searas desgrenhadas e os abutres caminham
pausados os vales despidos da madrugada nas
casas altas.
a pele parece rasgada.
inacabada. pedaços de sombra sem seguro de
vida no labirinto que sustém as
horas.
Do
ya? (Nick Mason)
I try
God knows I try
It seems very clear to me, that I try
But it's not clear to you, that I do
You don't know what I mean, do ya?
You don't know what I mean
I mean I
mean I try God knows that I mean to try
I mean it seems so very clear to me, that I'm
Trying But
it's not clear to you, what I'm trying to do
You don't know what I mean, do ya?
You don't know what I mean
You're not trying
God knows you probably mean to try
I mean sometimes it even seems clear to me
I mean sometimes it even seems clear to me that
You're trying to try
Is that clear? Do you know what I mean, what
I'm trying to say
You don't know what I mean, do ya?
You don't know what I mean
God knows I
try
O
céu de Magritte (Maria Manuel)
Ele
aguardava ser chamado pelo director que o convocara. Tão raro era! Devia
ser especial a novidade. Fixava a parede branca, escrutinava-a com o olhar,
procurava uma infracção, uma pequena fractura, uma minúscula
mancha, uma gota de humidade, algum bichinho assustado. Nada! A parede
permanecia imaculadamente branca. O que não entendia, não podia mesmo
ser. Por um momento, acreditou que também os seus olhos se haviam tornado
brancos. Entrou. O vigilante ficou à porta.
Parecia inquieto, o que também era raro. À saída, foi conduzido
de novo à cela. Ficava nas águas-furtadas da casa grande. As cores do
arco-íris reluziam nas gotículas que ainda escorriam os vidros da
clarabóia. Sete as cores do arco-íris. Sete anos a repetir meta-se na
sua vida! porque a minha é mágica.... Silêncio esquadrinhado no
tecto espelhado da mansarda que guardava todos os segredos, instantes onde
arranhava os limites do visível, memória das horas
indizíveis… e o céu é o mar do meu poema…
Desceu o olhar ao jardim, onde o vigilante de
bata branca fitava o banco vazio em frente. E recordou as palavras do director:
“ Tem estado calmo, melhor, e o seu médico deu-lhe alta. Já
não constitui perigo para a sociedade nem para si mesmo. Além disso, o
vigilante está em idade de reforma, vai-se aposentar.” Olhou de novo
o homem de bata branca… meta-se na sua vida! porque a minha é
mágica... O vigilante reapareceu. Era a hora do passeio no jardim.
“Hora de passeio no jardim” disse ele com secura. Em todo o caso,
ainda os pássaros...Todo o canto era deles.
Os dias passaram iguais, perfilados em sentido.
No dia da saída, os dois homens permaneceram, por alguns minutos, parados
em frente ao portão, na mesma hesitação muda.
- Vou estranhar a nova casa – disse o
ex-vigilante. - Vou estranhar o novo céu
– respondeu o ex-paciente – neste, tudo era
possível.
Rene
and Georgette Magritte with their dog after the war (Paul
Simon)
Rene and Georgette Magritte with
their dog after the war Returned to their hotel
suite And they unlocked the
door Easily losing their evening
clothes They danced by the light of the
moon To the Penguins, the
Moonglows The Orioles, and The Five
Satins The deep forbidden
music They'd been longing
for Rene and Georgette
Magritte With their dog after the
war
Rene and Georgette Magritte with their
dog after the war Were strolling down
Christopher Street When they stopped in a men's
store With all of the mannequins dressed in the
style That brought tears to their immigrant
eyes Just like The Penguins, the
Moonglows The Orioles, and The Five
Satins The easy stream of
laughter Flowing through the
air Rene and Georgette
Magritte With their dog apres la
guerre
Side by side they fell
asleep Decades gliding by like
Indians Time is cheap when they wake up they
will find All their personal belongings have
intertwined Oh Rene and Georgette Magritte with
their dog after the war Were dining with the
power elite And they looked in their bedroom
drawer And what do you
think They have hidden
away In the cabinet cold of their
hearts? The Penguins, the
Moonglows The Orioles, and The Five SatinsFor
now and ever after As it was
before Rene and Georgette Magritte with their
dog after the
war
Genérico
final
Tantas as vozes na
geometria das ruas
pardacentas enormes eram os
olhos sob a lâmina em
riste fracturas em caminho
dentro dos dias
incompletos
aspirava-se a
um fôlego mínimo uma
maresia na madrugada das
aves solidão amanhecida em
cada
sílaba
Com
amizade: Davy Spillane, Alyson Moyet, Camel, Nick Mason, Paul Simon, Maria
Manuel e José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias… no resto das vossas vidas, se forem
capazes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'