Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
A
quem? (João Camilo)
Eu amava as
árvores, a rua deserta em que descansava o
sol da tarde, o frio que arrefecia o meu
corpo. À janela da casa olhava lá para
fora. Nenhuma paixão pelo que é humano
perturbava, durante esse instante de
silêncio, a paz do meu espírito.
Flores amarelas na erva que crescia entre a
estrada e a residência. De uma árvore
caíam, lânguidos, os ramos e no
seu verde brilhavam espigas vermelhas. Era
sábado, talvez. A poesia era-me
inacessível. As palavras pesavam no papel e
no espírito como erros de
cálculo, como um excesso e prova,
inesperadamente, do desajuste. A quem dirigir
uma súplica ou uma carta em que, não
falando de amor, se revelaria o maior amor? A
quem? Incapaz de responder e de me
atormentar, eu deixava passar os minutos. Depois
levantava-me da cadeira em que estivera sentado
e ia àquilo a que eu chamava a minha vida,
o meu
destino.
Stand
(Mark Owen)
A bag of
years, a cup of tears, lie in a glass
And every line on my face has a
tale to tell.
For, I have
worn this skin I live in And so
I will until I'm dying I've had
it good, had it bad, until its
over.
Stand, if you wanna
know yourself Stand, if your
head's with someone else Stand,
if you feel like making up
Stand, when you think you've
had enough
A set of
words, a busy mind lie in a bed
And everyday there is a way
I've yet to walk So many times
I took for granted When love is
all I've ever wanted To come
alive, see the sights, stay up late and then its
over.
Stand, if you love
the one you're with Stand, when
you've nothing else to give
Stand, cos its all you'll ever
know Stand, cos there's nowhere
left to go Stand, if you have
something to say Stand, when
you need a place to stay Stand,
if you wanna be alone Stand,
anywhere you want to
All
that I am is all I'll be, when
you.... Stand, as a woman or a
man Stand, anywhere you know
you can Stand, if you want
without a sound Stand, when
you're tired of sitting
down
Sábado
à tarde (excerto) (João
Camilo)
Uma outra mulher tivera
recentemente a generosidade de olhar para mim com algum interesse e
emoção, eu sentira-o e ficara a pensar nisso. Estávamos no
intervalo de um filme no cinema e eu não a conhecia. Percebi depois que
estava sentada duas filas à frente da minha, à minha esquerda. Ela
também olhou para trás quando se sentou e quando cruzou o meu olhar
sorriu discretamente. Fiquei meio sobressaltado, já não vi o resto do
filme em paz. Os meus olhos de vez em quando desviavam-se do ecran e
precipitavam-se sobre a sua nuca, sobre o seu cabelo. Na penumbra da sala a sua
figura vaga enchia-se de mistério. Romantismo. Sou incorrigível.
Arranjei maneira de lhe falar quando a apercebi atrás de mim na fila que
depois de terminar o filme ia abandonando a sala. Ela não sorriu quando a
olhei, mas respondeu-me quando comentei que o filme me parecera excelente de
muitos pontos de vista apesar de me ter escapado um pouco o seu sentido
principal. É uma história política, mas a violência do
desejo na intriga amorosa acaba por diminuir a importância de tudo o resto,
disse ela. Eram 10 da noite, caminhámos juntos para o parque de
estacionamento. Eu já a tinha visto antes e ela também se lembrava de
mim. Ficámos a conversar uns dez minutos, depois arrefeceu e
separámo-nos.
Encontrei-a dois dias
depois numa livraria do centro da cidade. Percebi que lhe deu prazer ver-me.
Tomámos um café e falámos, disto e daquilo, de livros e de
filmes, de tudo e de nada. As palavras tornavam-nos conhecidos um do outro,
embora a pessoa que cada um de nós era continuasse escondida e a sua
descoberta reservada para um futuro hipotético. Gostei dos olhos dela, da
vivacidade juvenil dos seus gestos. Entrevi-lhe os seios pela abertura da
camisa, mas o corpo dela não me perturbou, eu queria primeiro saber que
pessoa é que ela era, se seria mulher para me amar e se deixar amar. Em
casa pensava nela com ternura, talvez ela não me
desiludisse.
Ia passando o tempo
lentamente e eu ia esperando pelo amadurecimento dos frutos, sem saber o que
iria acontecer. Entretanto, para não morrer de tédio, para me
distrair, ia jantar com raparigas que não podia nem queria amar. E no
sábado à tarde sentava-me no pátio da casa a contemplar na minha
memória os destroços do passado, troncos e ramos de árvore que
deslizavam na água do rio a caminho do vasto oceano. Há quem esteja
convencido de que o amor é uma alegria ou uma excitação
permanente. Mas a maior força do amor, a sua virtude mal conhecida, é
manter a ordem nos nossos dias e na nossa
vida.
I'm
not in love (Will to Power)
I'm not in
love, so don't forget it It's just a silly phase
I'm going through And just because I call you
up Don't get me wrong, don't think you've got it
made I'm not in love,
no-no (Just
because...)
I like to see you, but then
again That doesn't mean you mean that much to
me So if I call you, don't make a
fuss Don't tell your friends about the two of
us I'm not in love,
no-no (Just
because...)
Ooh, you'll wait a long time
for me Ooh, you'll wait a long
time
(Just
because...)
Ooh, you'll wait a long time
for me Ooh, you'll wait a long
time
I keep your picture upon the
wall It hides a nasty stain that's lyin'
there So don't you ask me to give it
back I know you know it doesn't mean that much
to me I'm not in love,
no-no
Beber
(João Camilo)
À tua saúde:
levanto o braço e bebo. Onde estarás
ó rapariga que vieste visitar-me algumas
vezes no verão passado? Como tudo se vai
transformando em outra coisa. Como falarei de
mim num tempo que há-de vir? Estarei pobre
de quê e há-de faltar-me quem? Terei
aprendido a privar-me de mais alguma
coisa)? Quem sabe se não serei apenas mais
feliz. As páginas brancas de livros que
talvez sejam meus e se não forem há-de
ter pouca importância. hei-de escrever
cartas se não escrever romances. E terei em
que pensar aconteça o que acontecer. De
todas as voltas que o mundo pode dar nenhuma que
me ponha a cabeça no chão e os pés no
ar. Sou eu que me o permito às vezes para
divertir-me e fazer circular o sangue nas veias
mais cimeiras. Entretanto que dizer? Não
chove nem há sol, não é um dia
particular nem um mês de férias. Estar
aqui à espera é apenas estar aqui e
esperar. rapariga que hei-de voltar a ver
levanto o copo e é à tua saúde
que entorno o vinho dentro. Quero ir contigo e
ver os teus olhos contentes E um dia talvez
hei-de explicar-te o que se sente. Por ora digo:
bolas! E que estás longe. E que chatice. E
que nunca mais decido. Mas que importa o que tu
fazes e o que eu digo: Tu estás aí e
eu aqui, é longe e é
difícil. Há tantas maneiras de passar
o tempo. E entretanto a vida continua e eu digo
adeus, levanto o braço de novo e vou
agitando o
lenço.
Picasso's
last words (Paul McCartney)
The Grand Old
Painter Died Last Night His Paintings On The
Wall Before He Went He Bade Us
Well And Said Goodnight To Us
All. Drink To Me, Drink To My
Health You Know I Can't Drink Any
More Drink To Me, Drink To My
Health You Know I Can't Drink Any
More
3 O'clock In The
Morning I'm Getting Ready For
Bed It Came Without A
Warning But I'll Be Waiting For You
Baby I'll Be Waiting For You
There
So Drink To Me Drink To My
Health You Know I Can't Drink Any
More Drink To Me Drink To My
Health You Know I Can't Drink Any
More
(French
Interlude) (Temp
Change) (Jet... Drink To
Me)
Na
areia húmida (João Camilo)
A
solidão verdadeira, quando a conhecerei de
novo? Vejo-me caminhar à beira da
água, embebido em mim mesmo. Os meus
pés deixam marcas na areia húmida, o meu
cabelo esvoaça suavemente ao vento do
outono, brisa vinda de longe. De mãos nos
bolsos, eu sei que me afastei de tudo, do
meu destino e das cidades, dos pais e dos filhos
que me couberam para que também eu
conhecesse o peso das palavras e do tempo. Praia
do Norte que chamas por mim, floresta
densa coberta de neve, quando virá enfim a
manhã de novembro, quando poderei caminhar
na tua areia ensopada de sal? Na véspera
terei posto uma cruz nos dias que faltam para
que o mês termine. O sucesso da minha
existência terá deixado de
interessar-me. De manhã saí de casa, era
cedo, como se fosse ao encontro da morte que
espera por nós na luz pálida de um dia
igual aos
outros.
Parallel
lines (Kings of Convenience)
What's the
immaterial substance that envelopes
two, that one perceives as
hunger and the other as
food. I wake in tangled
covers, to a sash of
snow, you dream in a cartoon
garden, I could never
know. Innocent
imitation, of how it could
be, if when the music
ended, you did not
retreat. In my
imagination, you are cast in
gold, your image a compensation for me to
hold. Parallel lines, move so
fast, toward the same
point, infinity is as near as it is
far. Parallel lines, move so
fast, toward the same
point, infinity is as near as it is
far.
Genérico
final
Não me digam
nada, deixem-me em paz. Já
sei que hei-de morrer. Já
aprendi a suportar a dor diante
da beleza intocável. Não me
consolam as palavras, prefiro
que não dêem por
mim. Digo-o sem ironia, detesto
dramatizar. Nada tem muita
importância. Tudo acaba,
até, por ter um certo
encanto. Sorrio por dentro,
todo o meu corpo é um
sorriso quando a melancolia se
instala no meu espírito ao fim da
tarde.
Com
amizade: Davy Spillane, Kirsty Hawkshaw, Mark Owen, Will to Power, Paul
McCartney, Kings of Convenience, João Camilo e José-António
Moreira
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'