Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Em
pleno azul (Alexandre O'Neil)
Com horror
mal disfarçado sincero desgosto
(sim!) lágrima azul
aflita mão crispada de
piedade vêem-me passar
cantando calamidades
desastres impossíveis de
evitar as
mães as minhas a
tua as que estropiam ternamente os
filhos para monótono e
prudente avanço da
família
E quando páro e
faço a propaganda dos lugares mais comuns
da poesia há um terror quase
obsceno nos seus olhos
maternais
Então prometo
congressos em pleno
azul
Prometo uma
solução em pleno
azul
Prometo não fazer
nada em pleno
azul
sem consultar o
«bureau» em pleno
azul
Visivelmente
sossegadas é a hora de não
cumprir de recomeçar
cantando calamidades
desastres ruínas por
decifrar
*
Se eu não estivesse a
dormir perguntaria aos
poetas A que horas desejam que vos
acorde?
Vamos decifrar
ruínas identificar os
mortos dormir com mulheres
reais denunciar os
traidores e atraiçoar a
poesia envenenada nas
palavras que respiram ausência
podre vamos dizer sem
maiúsculas o amor a vida e a
morte
*
E as
mães onde estão
elas?
As mães rezam as
mães cosem farrapos de
dor as mães
gritam choram uivam no
espesso rio de um sono já quase só
animal
Cielo
azul (Johannes
Linstead)
(instrumental)
Uma
vida de cão (Alexandre
O'Neil)
Não não
é a poesia caixa de música ou a poesia
piolho místico enterrado no sebo destes
dias ou qualquer
outra que podem dissolver a tua
alma tão
problemática no vinho da
beatitude
Ah o
«mistério» da poesia a
poesia técnica da
confusão a capelista poética e os
primeiros fregueses ainda a medo ainda
receosos de te pedirem a Dor em alfinetes que
não tenhas logo ali à
mão
E quando dizes «Poesia»
eu tenho nojo aquele nojo violento que me
dá o olhar furtivo a atenção
desatenta dos que se demoram nos lavabos nas
salas dos cinemas de mãos distraídas
procurando a solução da
noite
Instalaram-se em
ti a mesma contracção
suspeita a mesma hipocrisia o mesmo
sobressalto a mesma curva
obscena que o olhar
descreve goza e
disfarça
Quando dizes
«Poesia» dizes medo dizes família
tradição classe e a vida de cão
que te esperava e que é hoje a tua vida a
tua «transcendente» vida de
cão
•••
Ensinaram-te
palavras que pareciam prontas a derrotar quem as
ouvisse ensinaram-te gestos para
elas e a tal ponto te
humilharam que te puseram de pé
limpo inteligente e
aprumado
Pronto a
seguir seguiste e
agora estás aqui estás aqui pois
claro angustiado e
iludido mas
deliciado
•••
Até
aos últimos arcanos cafés e
leitarias seguiste André
Breton ou a sombra
dele e a aventura mental que
procurava um sinal
exterior um estilhaço vivo do
acaso a Nadja lisboeta que
salvasse ou a noite ou a
vida acabou em “bons” poemas
“maus” poemas em palavras e
palavras
E coberto de palavras
enterrado numa terra de murmúrios de
gemidos teu coração já nada faz
mover senão moinhos de
palavras e “a dor é grande”
dizes tu “mas
sublime”
•••
Mas
não sou eu que te lamento Os teus mitos
esperam-te já
impacientes
Agora põe-te a
andar agora passa por cá daqui a uns
anos
Talvez me
encontres talvez possa fazer qualquer coisa por
ti qualquer coisa
simples quase
inútil quase
ridícula oferecer-te uma
sílaba um
conselho um
cigarro
Dog's
a best friend's dog (Tears for Fears)
Shame Dog
shame I know what's
wrong Man's too old and
wise Bring in the
dog Turn on Down
the mountain rescue Slip and slide when
sunny Small cat better move
along Or this bitch could do harm,
baby Straight as an
arrow I'm walking the
dog
Three is a
crowd Two is a dog and me
playing (What's he
saying) Free as a
cloud No one ever really knew
you Make clear your illusion no, no, no,
no
Some dreams you dream you
alone You thank Christ you're coming
home Better better give the dog a
bone Go go go go chew chew chew
chew Some dreams you dream
alone Go get a life and ease the
pain Dog's a best friend's
dog Dog's a best friend's
dog
Word, speech, blurred,
bleached Tell Mr Godot I'm walking the
dog Walking the
dog
Some dreams you dream you
alone You thank Christ you're coming
home Better better give the dog a
bone Go go go go chew chew chew
chew Some dreams you dream
alone Go get a life and ease the
pain Dog's a best friend's
dog Dog's a best friend's
dog
Auto-retrato
(Alexandre O'Neil)
O'Neill (Alexandre),
moreno português cabelo asa de corvo; da
angústia da cara, nariguete que sobrepuja
de través a ferida desdenhosa e não
cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito
é o que vês (omita-se o olho triste e
a testa iluminada) o retrato moral também
tem os seus quês (aqui, uma pequena frase
censurada...)
No amor? No amor crê
(ou não fosse ele O'Neill.) e tem a
veleidade de o saber fazer (pois amor não
há feito) das maneiras mil
que
são a semovente estátua do prazer. Mas
sofre de ternura, bebe demais e ri-se do que
neste soneto sobre si mesmo
disse...
Let's
talk about me (Alan Parsons Project)
Let's
talk about me for a minute Well how do you
think I feel about what's been going
on Let's talk about me for a
minute Well how do you
think I feel about what's gone
wrong Let's talk about
dreams I never learned to read the
signs Let's think about what it all
means I never seem to have the
time Let's talk about you and your
problems All that I seem to do is spend the
night Just talking 'bout you and your
problems No matter what I say I can't get it
right Don't think about
dreams Is it all a waste of
time Don't think about what it all
means If you are a friend of
mine Talk about me, for a
minute I'm the one who's
losing Talk about me, for a
minute I'm the one who's always losing
out And how do you
think I feel about what's been going
on Let's talk about me for a
minute Well how do you
think I feel about what's gone
wrong Let's think about
dreams We never seem to have the
time Let's talk about what it all
means If you are a friend of
mine Let's talk about
me I'm the one who's losing
out I'm the one who's losing
out I'm the one who's losing out, losing
out Talk about me, for a
minute I'm the one who's
losing Talk about me, for a
minute I'm the one who's always losing
out
Genérico
final
Você tem-me
cavalgado, seu
safado! Você tem-me
cavalgado, mas nem por isso me
pôs a pensar como
você.
Que uma coisa
pensa o cavalo; outra quem
está a
montá-lo.
Com
amizade: Davy Spillane, Valgeir Gudjonson, Patrick O’Hearn, Andy Summers,
Johannes Linstead, Tears for Fears, Alan Parsons Project, Alexandre
O’Neill e José-António
Moreira
Às dores
inventadas Prefere as
reais Doem muito
menos Ou então muito
mais
E não se
esqueçam – Há mar e mar; há ir e
voltar!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'