Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Bê-a-barba
(Alexandre O'Neil)
Um homem, diante do
espelho, pronto a arrostar com mais um dia de
barba — logo desenxabido pelo sólito insólito enquadramento: a
sua própria cara. Não há
filosofia matinal que resista a um descaro
assim. Resiste o
espelho. Primeiros socorros: deitar a
língua de fora, caretear, esfregar com energia a toalha turca na
língua. Ajuda a tirar o sarro. Fiapos na
boca! O pano turco já não é o que
era. Quando menino, atara dois lençois de pano turco um ao outro e a pulso
descera da varanda ao pátio. Nem um fiapo lhe sobrara nas mãos. Agora
é o que se vê… Não! O que
se vê é, já agora, a
cara… Vamos preferi-la a qualquer
outra? Fácil, repara! Não há
outra… Ela aí, aqui está,
estanhada — mas tua! Mapa de excessos esta
cara! Todos lá, até o excesso de
servilismo. Áspera ao tacto, parece a cara
de um homem, mas a bochecha-nalga a descair sobre a direita escorre o olho do
mesmo lado Chorão! Por um pouco, cara de cão de água: olho a
varzar-se, boca desdém-desgostosa, meio dente à mostra na comissura
ascendente. Assim eis a
barba! Olhou com rancor aquela cara, tomou do
pincel. Num assomo, avisou para o
espelho: — Viva
eu! E às pressas ensaboou a sua cara de
todas as
manhãs.
Your
mirror (Simply Red)
I've
got to stand up for myself This
society don't care about nobody
else I've got to be
strong Even if I know that this
feeling is wrong I've got to not
care Even if I know that this
world is meant to
share
Wait a minute. This
is wrong Even the birds still
sing their faithful song And
your beauty lies within you Look
in the mirror baby Look in the
mirror baby
What you gonna
do when your friends have Gone
away And deserted
you You'll have to be
strong 24 hours can seem so
long You're taught to not
care And then not realise this
world is meant to
share
Wait a minute. It's
wrong Even the birds still sing
their faithful song And your
beauty lies within you Look in
the mirror baby Look in the
mirror baby
We've got to
stand up for ourselves Even if a
leader so cold wants to glory
himself We've got to be
strong Even if our reasons seem
wrong We've got to not
care Even if the world that we
know may not even Be
here
Hold it! It's
wrong Even the birds still sing
their faithful song And your
beauty lies within you Look in
the mirror baby Look in the
mirror
baby
Meditação
na pastelaria (Alexandre O'Neil)
Por
favor, Madame, tire as patas, Por favor, as
patas do seu cão De cima da mesa, que a
gerência agradece.
Nunca se sabe
quando começa a insolência! Que tempo
este, meu Deus, uma senhora Está sempre em
perigo e o perigo Em cada rua, em cada
olhar, Em cada sorriso ou gesto de
boa-educação!
A
inspecção irónica das pernas, eis o que os homens sabem
oferecer-nos!, Inspecção demorada e
ascendente, acompanhada de assobios E de
sorrisos que se abrem e se fecham Procurando uma
fresta, uma fraqueza qualquer da nossa
parte...
Mas uma senhora é uma
senhora. Só vê a malícia quem a
tem. Uma senhora passa e ladrar é o seu
dever – se tanto for preciso!
O
pó de arroz: Horrível! O bâton:
Igual!
O amor de Raul é já uma
saudade, foi sempre uma saudade... (O
escritório toma-lhe o tempo todo? Desconfio
que não...)
Filhos tivemos um:
desapareceu... E já nem sei
chorar!
Chorar... como eu queria poder
chorar!
Chorar encostada a uma saudade bem
maior do que eu, Que não fosse esta
tristeza absurda de cada dia: Unha quebrada de
melancolia...
Perdi tudo, quase
tudo... Hoje, resta-me a devoção e
este pequeno inteligente cão.
Por
favor, Madame, tire as patas, Por favor, as
patas do seu cão De cima da mesa, que a
gerência
agradece.
Moondog
(Prefab Sprout)
The funeral cars crawl
down The heartbreak side of
town The mourners all
discuss The boy who caused a
fuss We chopped a billion trees to print up
eulogies But guys we should have
guessed, The girls would say it
best MOONDOG
! Love. 'Cos love's the final
word Nothing crosses
love Reason has to bow if love demands
it MOONDOG ! - Guess who's on the
moon Up there a flag will fly for mom and apple
pie MOONDOG ! - Guess who's on the
moon The one place left to
play The comeback's
underway The world was younger
then In bed asleep by
ten And daddies shook their
fists At hidden
communists The earth was merely
round Before the slapback
sound Is there one spell can
bring The once and future king
? MOONDOG
! Cut... To somewhere deep in
space Beyond the Colonel's
arms Handsome doggone rake the truly
weightless MOONDOG ! - Guess who's on the
moon Up there a flag will fly for mom and apple
pie MOONDOG ! - Guess who's on the
moon The one place left to
play The comeback's
underway MOONDOG ! - Guess who's on the
moon Up there a flag will fly for mom and apple
pie MOONDOG ! - Guess who's on the
moon The one place left to
play The comeback's
underway
Que
vergonha, rapazes (Alexandre O'Neil)
Que
vergonha, rapazes! Nós
práqui, caídos na cerveja ou no
uísque, a enrolar a conversa no “diz
que” e a desnalgar a fêmea
(“Vist’? Viii!”)
Que miséria, meus filhos! Tão sem
jeito é esta videirunha à
portuguesa, que às vezes me sorgo no meu
leito e vejo entrar quarta invasão
francesa.
Desejo recalcado, com
certeza... Mas logo desço à rua,
encontro o Roque (“O Roque abre-lhe a
porta, nunca toque!”) e desabafo: - Ó
Roque, com franqueza:
Você nunca quis ver outros
países? – Bem queria, Snr.
O’Neill! E... as
varizes?
Shameless
(Garth Brooks)
Well I'm shameless when it
comes to loving you I'll do anything you want me
to I'll do anything at all.
And I'm standing here for all the world
to see Oh baby, that's what's left of me
Don't have very far to fall
You know now I'm not a man who's ever been
Insecure about the world I've been living in
I don't break easy, I have my pride
But if you need to be satisfied
I'm shameless, oh honey, I don't have a
prayer Every time I see you standin' there
I go down upon my knees.
And I'm changing, swore I'd never
compromise Oh, but you convinced me
otherwise I'll do anything you please.
You see in all my life I've never found
What I couldn't resist, what I couldn't turn
down I could walk away from anyone I ever knew
But I can't walk away from you.
I have never let anything have this much
control over me I work too hard to call my life
my own And I've made myself a world and it's
worked so perfectly But it's your world now, I
can't refuse I've never had so much to lose
Oh, I'm shameless.
You know it should be easy for a man who's
strong To say he's sorry or admit when he's
wrong I've never lost anything I've ever missed
But I've never been in love like this.
God It's out of my hands.
I'm shameless, I don't have the power
now I don't want it anyhow
So I got to let it go.
Oh, I'm shameless, shameless as a man can
be You make a total fool of me
I just wanted to you to know.
Oh, I'm shameless, I just wanted you to know
Oh, I'm shameless, Oh, I'm down on my knees
shameless
Guiché.2
(Alexandre O'Neil)
Há pessoas que
são como aviões no ar: precisam de
muita gente a apoiá-los de terra. Essa que
se insinuou a meia-bicha devia ser uma
delas: com um sorriso meteu-se à frente de
quatro e só dois resmungaram. Pouco.
Estão habituados ao atropelo. A
espertalheta virou-se para mim a pedir a
caneta. “Canetas não se emprestam,
mas por ser para si…”, disse eu. E
dei comigo de caneta na mão a
oferecê-la àquela que me
ultrapassara e com a minha caneta afinal
assinava. Até os burocratas que
destrabalhavam ao guiché assomaram quando
ela firmava. Eram três (os gentis!) a ouvir
as pulseiras que ela tilintava com as suas
maneiras de nada subscrever logo assim às
primeiras. Quando, língua de fora, ela
assina-assinou, um vei com o mata-borrão e
incontineti lhe secou a assinatura. Ela sorrio e
entregou o requerimento para sua
excelência. A bicha comoveu-se: teria ela
urgência? Assim se passa de embirrenta
intrometida a senhora por três (e por mim)
assistida, que à beira guiché é
assim a
vida…
The
answer to your life (Backstreet Boys)
You
see me sitting here A smile upon my face
(face) The time has come
But you know that it's not too
late There's been too many
things Together we have
seen It's not that hard if we start to
believe
And we're not gonna take
anymore Can we try to erase all the
pain So
please
Show me a reason, give me a
sign Tell me the way we fall out of
line Is it today or is it tonight we'll
find The answer to our
life
This world is not at
ease We seem to hide the
truth Thinking there's only so much we can
really do It's up to you and
me To fix our
destiny The jury's here, so let's take the
stand
So tell me why we have to cry (and I
try) When there's so many things we can
do To help this troubled world start
anew
I need a reason, I need a
sign There's no turning back, I'm here by your
side Is it today or maybe tonight (we'll
find) The answer to our
life
Show me the way, give me a
sign Tell me the way we fall out of line
(line) Is it today (is it today), is it
tonight The answer to our
life
Genérico
final
Com um tiro no
artelho, viva o velho! Com um
tiro no abdome, passa-te a
fome! Com um tiro no nariz,
«Que é que ele
diz?». Com um tiro no rabo,
podes ir de rabo a cabo. Com um
tiro na cedilha, terá de ser doutro a
filha… Com um tiro no
coração, oh que sono e que
colchão!
Com
amizade: Davy Spillane, Manuel João Ferreira Múrias, Scott Cossu, Air,
LVX Nova, Simply Red, Prefab Sprout, Garth Brooks, Backstreet Boys, Alexandre
O’Neill e José-António
Moreira
Por favor sejam
felizes!, pelo menos nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias, no resto dos anos das vossas
vidas!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'