Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Amigo
(Alexandre O'Neil)
Mal nos
conhecemos Inaugurámos a palavra
"amigo".
"Amigo" é um
sorriso De boca em
boca, Um olhar bem
limpo, Uma casa, mesmo modesta, que se
oferece, Um coração pronto a
pulsar Na nossa
mão!
"Amigo" (recordam-se, vocês
aí, Escrupulosos
detritos?) "Amigo" é o contrário de
inimigo!
"Amigo" é o erro
corrigido, Não o erro perseguido,
explorado, É a verdade partilhada,
praticada.
"Amigo" é a solidão
derrotada!
"Amigo" é uma grande
tarefa, Um trabalho sem
fim, Um espaço útil, um tempo
fértil, "Amigo" vai ser, é já uma
grande
festa!
Hello
friend (Chris Rea)
Hello
friend, where you been so
long? Time goes by, so easy it
sleeps away Just like a shadow
at the end of the
day
Hello friend, how are
things for you these days? Some
guy from way-back-when, he mentioned your
name Did he ever get back to
you? Ah, you know I told him
to
Sometimes I turn and I
swear I hear you call And I
often wonder how we lost what we
knew Seems it gone in the wind,
washed away in the rain And the
years go by and by
The
bridges you burned, long sinced turned into
ashes When there were no
reasons, now the river runs
dry Seems it gone in the wind,
washed away in the rain And the
years go by and by Where you
been so
long
Sentenças
delirantes dum poeta para si próprio (Alexandre
O'Neil)
Não te ataques com os
atacadores dos outros. Deixa a cada sapato a sua
marcha e a sua direcção. 0 mesmo deves
fazer com os açaimos. E com os
botões.
Não te candidates, nem
te demitas. Assiste. Mas não penses que
vais rir impunemente a sessão inteira. Em
todo o caso fica o mais perto possível da
coxia.
Tira as rodas ao peixe
congelado, mas sempre na tua
mão. Depois, faz um
berreiro. Quando tiveres bastante gente à
tua volta, descongela a posta e oferece um
bocado a cada um.
Não te arrimes
tanto à ideia de que haverá sempre um
caixote com serradura à tua espera. Pode
haver. Se houver, melhor... Esta deve ser a tua
filosofia.
Tudo tem os seus trâmites,
meu filho! Não faças brincos de
cerejas sem te darem, primeiro, as
orelhas. Era bom que esta fosse, de facto, a tua
filosofia.
Perguntas-me o que deves fazer
com a pedra que te puseram em cima da
cabeça? Não penses no que fazer com.
Cuida no que fazer da. É provável que
te sintas logo muito melhor. Sai, então, de
baixo da pedra.
Onde houver obras
públicas não deponhas a tua
obra. Poderias atrapalhar os
trabalhos. Os de pedra sobre pedra,
entenda-se. Mas dá sempre um "Bom dia!" ao
pessoal do estaleiro. Uma palavra é,
às vezes, a melhor argamassa.
Deves
praticar os jogos de palavras, mas sempre com a
modéstia do cientista que enxertou em si
mesmo a perna da rã, e que enquanto
não coaxa, coxeia. Oxalá o
consigas!
Resume todas estas
sentenças delirantes numa única
sentença: Um escritor deve poder mostrar
sempre a língua
portuguesa.
Língua
(Caetano Veloso)
Gosto de sentir a minha
lígua roçar / A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar / E quero me dedicar
A criar confusões de prosódias / E
uma profusão de paródias Que encurtem
dores / E furtem cores como camaleões Gosto
do Pessoa na pessoa / Da rosa no Rosa E sei que
a poesias está para a prosa Assim como o
amor está para a amizade E quem há de
negar que esta lhe é superior E deixa os
portugais morrerem à míngua "Minha
pátria é minha língua" Fala
mangueira! Fala! Flor do Lácio
Sambódromo / Lusamérica latim em
pó O que quer / O que pode / Esta
língua? Vamos atentar para a sintaxe dos
paulistas E o falso inglês relax dos
surfistas / Sejamos imperialistas Vamos na
velô da dicção choo choo de Carmen
Miranda E que o Chico Buarque de Holanda nos
resgate E - xeque-mate - explique-nos
Luanda Ouçamos com atenção os
deles e os delas da TV Globo Sejamos o lobo do
lobo do homen Adoro nomes / Nomes em à / De
coisas como Rã e Imã Nomes de nomes /
Como Scarlet Moon Chevalier Glauco Matoso e
Arrigo Barnabé e maria da / Fé e Arrigo
barnabé Flor do Lácio Sambódromo
/ Lusamérica latim em pó O que quer /
O que pode Esta língua? /
Incrível É melhor fazer um
canção Está provado que só
é possível / Filosofar em alemão
Se você tem uma idéia incrível /
É melhor fazer um
canção Está provado que só
é possível / Filosofar em alemão
Blitz quer dizer corísco / Hollyood quer
dizer Azevedo E o Recôncavo, e o
Recôncavo, e o Recôncavo / Meu medo! A
língua é minha pátria / E eu não tenho pátria: tenho
mátria E quero
frátria Poesia concreta e prosa
caótica / Ótica futura Samba-rap,
chic-left com banana Será que ela está
no Pão de Açúcar? Tá craude
brô você e tu lhe amo Qué queu te
faço, nego? / Bote ligeiro Nós
canto-falamos como que inveja negros Que sofrem
horrores no gueto do Harlem Lívros, discos,
vídeos à mancheia E deixe que digam,
que pensem e que
falem
Guiché
(Alexandre O'Neil)
Quando o burocrata
trabalha é pior do que quando
destrabalha. Antes quero esperar, aquém
guichê, que ele discuta toda a bola ou pedal que tem para
discutir com os destrabalhadores dos seus
colegas; antes quero esperar pelo meu
burocrata do que ter a desilusão de o ver
trabalhar para mim mal eu chegue. Isso custa-me
pés e cotovelos, cãibras e suspiros, repentinos ódios
vesgos, projectos de cartas a directores de
vespertinos, mas se o meu burocrata assomasse
à copa do papel selado e me convidasse,
acto contínuo, a dizer ao que vinha pelo
higiefone, da boca não me sairia um pedido,
mas um regougo, e eu teria de ceder a
vez ao cigarro que me queimasse a
nuca. É preciso exercer a paciência e
cultivar a doçura no canteiro do
rosto, enquanto o burocrata
destrabalha. Geralmente não serve de nada
pigarrear ou dizer com voz-passadeira
«Fazmòbséquio». Levantar-se-iam,
além guichê, as sobrancelhas de, pelo menos, três
sujeitos. Melhor será começar pelo
globo que pende do tecto e que é um olho
vazado sobrepujando a cena. Melhor será
observar como a mosca dos tinteiros nele pousa
as patinas escriturárias. Depois
(lição de coisas!) baixar os olhos para o calendário
mural e ver quantas cruzes a azul ainda faltam
para liquidar o mês. A seguir,
circunnavegar o olhar para ir enquadrar noutra
parede um calendário perpétuo parado
um mês atrás. Também aqui há
zelo e desmazelo. Também aqui falta o tempo
e sobra o tempo. Por certo é o mantenedor
do calendário em dia o que está a vir
para estes lados. Já olhou para mim.
Sorrio-lhe. Passou. Volto ao globo e, geografia
cega, pergunto aos meus botões «Onde
será Paris?». Mas não é o
terráqueo. É um abafador que trago
desde a infância e não abafou
népia. Curvo-me, enfio a cabeça pelo
guichê e, num assomo, comando em voz clara
e alta: TODOS AOS SEUS LUGARES! Quebrei o
encanto! Os burocratas que destrabalhavam correm
pra mim à uma. Trémulo de prazer,
pergunto a um deles «É o senhor o
meu?»
All
mine (Portishead)
All the stars may shine
bright, All the clouds may be
white, But when you
smile, Oh how I feel so
good, That I can hardly
wait
To hold
you, Enfold
you, Never
enough, Render your heart to
me.
All
mine, You have to
be
From that cloud, number
nine, Danger starts the sharp
incline, And such sad
regrets, Oh as those starry
skies, As they swiftly
fall.
Make no
mistake, You shan't
escape, Tethered and
tied, There's nowhere to hide from
me.
All
mine, You have to
be
So don't
resist, We shall
exist Until the
day, Until the day, I
die.
All
mine, You have to
be
Genérico
final
"Quem? O
infinito? Diz-lhe que
entre. Faz bem ao
infinito estar entre
gente".
Com amizade:
Davy Spillane, Chris Rea, Texas, Portishead, Alexandre O’Neill e
José-António
Moreira
Por favor sejam
felizes!, pelo menos nos próximos minutos, nas próximas horas, nos
próximos dias, no resto dos anos das vossas
vidas!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'