Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
De
mãos dadas (Papiniano Carlos)
Era um
carreiro, era um
atalho, era um
caminho é uma estrada larga por
onde caminhamos de mãos
dadas.
Era um fio de
água, era uma
fonte, era um
ribeiro, é um imenso rio de sangue
correndo nas veias dos homens de mãos
dadas.
Era um
sopro, era uma
aragem, era um
vento, é um vendaval
levando-nos por sobre o mundo de mãos
dadas.
Era uma
chama, era uma faísca
subtil, era uma
fogueira, é um incêndio, é uma
aurora cobrindo os que marcham invencíveis
de mãos
dadas.
I
wanna hold your hand
(Beatles)
Oh yeah,
I´ll tell you something I
think you´ll
understand When I say that
something I wanna hold your
hand
Oh, please, say to
me You´ll let me be your
man and please, say to
me
You´ll let me hold
your hand Now let me hold your
hand I wanna hold your
hand
And when I touch you
i feel happy, inside It´s
such a feeling That my
love I cannot
hide
Yeah you, got that
something I think you´ll
understand When I say that
something I wanna hold your
hand
And when I touch you
I feel happy, inside It´s
such a feeling That my
love
Yeah you, got that
something I think you´ll
understand When I feel that
something I wanna hold your
hand
À
falta de areia (André Moreira)
À
falta de areia para esconder a cabeça e as dores de cotovelo, mergulhei no
mar. Durante horas a fio, mantive-me debaixo de
água e pensei. Pensei em tudo. Pensei em
ti. E já com a pele enrugada pela humidade
da água sentei-me no fundo do mar. Enrolado
à volta das conchas e dos corais multicolores que dão outra côr
para além da do céu ao mar, meu país, minha cidade, minha casa,
primeira e última morada,
adormeci.
Sandman
(America)
Ain't it foggy outside
All the planes have been grounded
Ain't the fire inside?
Let's all go stand around it
Funny, I've been there
And you've been here
And we ain't had no time to drink that beer
'Cause I understand you've been running
from the man That goes by the name of the
Sandman He flies the sky like an eagle in the
eye Of a hurricane that's abandoned
Ain't the years gone by fast
I suppose you have missed them
Oh, I almost forgot to ask
Did you hear of my enlistment?
Funny, I've been there
And you've been here
And we ain't had no time to drink that beer
'Cause I understand you've been running
from the man That goes by the name of the
Sandman He flies the sky like an eagle in the
eye Of a hurricane that's abandoned
I understand you've been running from the
man That goes by the name of the Sandman
He flies the sky like an eagle in the eye
Of a hurricane that's abandoned
I understand you've been running from the
man That goes by the name of the Sandman
He flies the sky like an eagle in the eye
Of a hurricane that's abandoned
I understand you've been running from the
man That goes by the name of the Sandman
He flies the sky like an eagle in the eye
Of a hurricane that's
abandoned
Túnel
(Arsélio Martins)
Sentado no
último banco da última carruagem do comboio, José António
sentiu a guinada da partida, ainda antes de ter ouvido a última nota do
apito do chefe da
estação.
Estava encostado à
janela sem ver. Quando olhou para fora, já só viu a parede negra do
túnel que tinha engolido o comboio. Fechou os olhos para não ver,
fingiu que dormia. Passada que foi a eternidade, José António abriu os
olhos e encontrou a mesma escuridão. Já com os sentidos todos alerta
contra a angústia, sentiu a prisão. Ouviu o chiar metálico do
comboio nos carris, viu a falta de luz, cheirou a carruagem vazia, tacteou a
napa dos bancos, falou baixinho para si mesmo. Sentiu o tremor na voz e procurou
escondê-lo, soltando uma canção ligeira, desajeitada e
desesperadamente.
Já calado, fixou o
olhar na parede escura que passava por ele. Começou a pensar na prisão
da partida, em que se tinha enclausurado voluntariamente para esquecer os seus
pontos de partida. Nem vivalma na carruagem. Quando se sentou naquele lugar,
desejou não ter companhia. Mas agora sente a falta das pessoas, enquanto
pensa que ninguém, em seu perfeito juizo, foge de si mesmo prendendo-se ao
último banco da última carruagem do comboio que não tem destino
marcado na estação de embarque. E começou a conjecturar sobre o
destino do comboio.
Já tinha passado
aquele túnel tantas vezes e não percebe porque é que ele agora
nunca mais acaba. Levanta-se. Senta-se. Levanta-se. Senta-se. Aflito e exausto
adormece. Quando acorda de novo, tenta ver as horas. É manhã do dia
seguinte e o comboio ainda está no túnel. Tenta acalmar-se e não
consegue. Lembra-se em todos os detalhes da fotografia que em tempos tirou da
luz ao fundo daquele túnel. Agora só espera que aquela imagem
apareça. Já nem deseja sair do túnel realmente, só espera a
imagem fotográfica que guarda da luz anunciadora da curva do fim do
túnel.
Pelas 8 horas, José
António ouve barulho de conversa. Os
operários da manutenção da CP acabam de chegar e dirigem-se ao
comboio que tinha sido conduzido ao hangar para ser
reparado.
Long
train running (Doobie Brothers)
Down
around the corner A half a mile from
here You CAN see them LONG trains
RUN And you watch them
disappear Without
love Where would you be
now Without love
You know I saw Miss
Lucy Down along the
tracks She lost her home and her
family And she won't be comin'
back Without
love Where would you be RIGHT
now Without love
Well the Illinois
Central And the Southern Central
Freight Gotta keep on pushin'
Mama 'Cause you know they're runnin'
late Without
love Where would you be now - now, now,
now Without love
WELL THE pistons keep on
churnin' And the wheels go 'round and
'round And the steel rails are cold and
hard For the miles that they go
down Without
love Where would you be right
now Without
love Where would you be
now
Genérico
final
Inútil definir
este animal aflito. Nem
palavras, nem
cinzéis, nem
acordes, nem
pincéis são gargantas
deste grito. Universo em
expansão. Pincelada de
zarcão desde mais infinito
a menos
infinito.
Com
amizade: Davy Spillane, Andreas Vollenweider, David Lanz & Paul Speer,
Channel Light Vessel, Beatles, America, Doobie Brothers, Papiniano Carlos,
André Moreira, Arsélio Martins, António Gedeão e
José-António
Moreira
Sejam felizes!,
pelo menos neste fim de ano, no próximo ano, no resto dos anos das vossas
vidas!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
makethe love you'll take is
equal to the love you make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'