Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Fingir
que está tudo bem (José Luís
Peixoto)
Fingir que está tudo bem: o
corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do
corpo, gritos desesperados sob as
conversas; Fingir que está tudo
bem! olhas-me e só tu sabes: na rua onde os
nossos olhares se encontram é noite. As
pessoas não imaginam. São tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis… As pessoas falam e
não imaginam… nós
olhamo-nos. Fingir que está tudo bem: o
sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de medo nos
lábios a sorrir Será que vou morrer?,
pergunto dentro de mim: será que vou
morrer? Olhas-me e só tu sabes: ferros em
brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: amor e
morte Fingir que está tudo bem: ter de
sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos
afoga.
Join
me in death (H.I.M.)
We are so young.
Our lives have just
begun, But already we are
considering, Escape from this
world.
And we've waited for so long,
For this moment to
come. Were so anxious to be
together, Together in
Death.
Won't you Die tonight for
Love? Baby, join me in
Death. Won't you
Die? Baby, join me in
Death. Won't you Die tonight for Love?
Baby, join me in
Death.
This world is a Cruel place,
And we're here only to
lose. So before life tears us apart let,
Death bless me with
you.
This life it ain't worth
living. Join me
This life ain't worth
living.
Won't you Die tonight for
Love? Baby, join me in
Death. So will you
die? Baby, join me in
Death Won't you Die tonight for
Love? Baby, join me in
Death.
Baby, join me in
Death.
Hoje
o tempo não me enganou (José Luís
Peixoto)
Hoje o tempo não me enganou.
Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo
quente de lume e não ar simples de respirar, como se a tarde não
quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há
nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfiados de nuvens. E o céu,
daqui, parece fresco, parece água limpa de um açude. Penso: talvez o
céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande
debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao
contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a
gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu. Um açude sem
peixes, sem fundo, este céu. Nuvens, veios ténues. E o ar a arder por
dentro, chamas quentes e abafadas na pele, invisíveis. Suspenso, como um
homem cansado, ar. Há-de ser um instante em
que não se veja um pardal, em que não se ouça senão o
silêncio que fazem todas as coisas a observar-nos.
Chegará.
Same
mistakes (Unbelievable Truth)
A source of
anger. A source of
need. A kind of
raging. Sudden I cant
see. He walks on past
me. I follow close and
let the fear inside him
flow. A sense of
reason, a sense of aim created
this. Created the
pain. Put down his
payment to run
away, the truth and honor combine to
make The same
mistakes. I make the same mistakes
again. Leave it on the
table. Leave it up to
him. Leave it on the
table. Leave it up to
him. A sense of
reason, a sense of aim created
this. Created the
pain. Put down his
payment to run
away. Truth and honor combine to
make the same mistakes
again. You make the same mistakes
again. You make the same mistakes
again.
Pai!
A tarde dissolve-se sobre a terra (José Luís
Peixoto)
Pai. A tarde dissolve-se sobre a
terra, sobre a nossa casa. O céu desfia um sopro quieto nos rostos.
Acende-se a lua. Translúcida, adormece um sono cálido nos olhares.
Anoitece devagar. Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. Anoitecia devagar e, a
esta hora, nesta altura do ano, desenrolavas a mangueira com todos os preceitos
e, seguindo regras certas, regavas as árvores e as flores do quintal; e
tudo isso me ensinavas, tudo isso me explicavas. Anda cá ver, rapaz. E
mostravas-me. Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa
indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos
teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio
e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol
dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele. Pai. Nunca
envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar
as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras.
Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em
vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho
alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais
poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te
fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus
olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para
nunca mais. Pai. Tudo o que te sobreviveu me agride. Pai. Nunca
esquecerei.
The
writing on my father's hand (Dead Can
Dance)
(instrumental)
Genérico
final
Tem de se ser
verdadeiro na escrita, porque os leitores sentem. A mentira é
impossível na boa literatura. E o que procuro, mais do que a beleza ou
qualquer outra coisa, é a verdade, livro após livro, tentando
desvendar um pouco mais de mim e esperando que essa possa ser uma forma de
desvendar alguma coisa dos outros e que eles também se vejam reflectidos
nessa procura que
faço.
Com
amizade: Davy Spillane, José Luís Peixoto e José-António
Moreira
Vá lá!
Sejam felizes!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'