Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
O
Senhor Valéry – Os dois lados (Gonçalo M.
Tavares)
O senhor Valéry era
perfeccionista. Só tocava nas coisas que
estavam à sua esquerda com a mão esquerda, e nas coisas que estavam
à sua direita com a mão
direita. Ele
dizia: – O Mundo tem 2 lados: o direito
e o esquerdo, tal como o corpo; e o erro surge quando alguém toca o lado
direito do Mundo com o lado esquerdo do corpo, ou
vice-versa. Seguindo escrupulosamente esta
teoria, o senhor Valéry
explicava: – Eu dividi a minha casa em
dois, com uma linha. E
desenhava… – Defini um lado
direito e um lado esquerdo Lado direito |
Lado esquerdo
– Assim, para os
objectos do lado direito reservo a minha mão direita e
vice-versa. Nesse momento, perante uma
dúvida colocada por um amigo, o senhor Valéry
explicou: – Aos objectos muito pesados
coloco-os exactamente com o seu centro na
linha. E
desenhou… – Assim –
explicava o senhor Valéry – posso carregá-los utilizando a
mão esquerda e a mão direita, desde que tenha o cuidado de os
transportar com o seu centro exactamente sobre a linha
divisória. – Para os objectos
leves – continuou o senhor Valéry – não necessito de
tantas preocupações: mudo-lhes a posição apenas com uma
mão. A mão certa, claro. –
Mas como manter esse rigor em todas as situações? –
perguntou-lhe o mesmo amigo: quando o senhor Valéry está de costas,
por exemplo, como sabe qual a parte direita e a esquerda da
casa? O senhor Valéry mostrou-se quase
ofendido com a questão, pois não gostava de ser posto em causa, e
respondeu, bruscamente: – Eu nunca viro
as costas às coisas.
(Isto era o
que o senhor Valéry dizia, mas na verdade, para nunca se enganar, havia
pintado todo o lado direito da casa, incluindo os seus objectos, de vermelho, e
todo o lado esquerdo de azul. Assim se percebia melhor a verdadeira razão
de o senhor Valéry ter pintado a sua mão direita de vermelho e a
esquerda de azul. Não tinha sido um acto estético, como ele dizia. Era
bem mais do que
isso.)
The
weight of the world (Ringo Starr)
Maybe your daddy never held you like
he should Maybe your mama just held on the
best she could Every soul has a
secret Give it away or keep
it But yesterday's gone so tell me
why
You carry the
weight The weight of the world it's breakin'
me down on my back like a boulder Before it's
too late get rid of it girl Get it off of
your shoulder I know you've been used but you
gotta lose the weight of the
world
Maybe I haven't always been there
just for you Maybe I try but then I got my
own life too Every heart has a
hunger I'm not gettin' any
younger And I got all the crosses I can
bear
Don't gimme the
weight The weight of the world it's breakin'
me down on my back like a boulder Before it's
too late get rid of it girl Get it off of my
shoulder You know I've been
used And I gotta lose the weight of the
world It all comes down to who you
crucify You either kiss the future or the
past goodbye We could fly so
high
But we carry the
weight The weight of the world it's breakin'
me down on my back like a boulder Before it's
too late get rid of it girl Get it off of our
shoulders We've all been
used And we gotta lose the weight of the
world It's takin' us
down And the night's growin'
colder Just blame it on
fate That was yesterday
girl And we're just growin'
older We've all been
abused Now it's time to lose the weight of
the
world
O
Senhor Valéry – O espirro (Gonçalo M.
Tavares)
O senhor Valéry tinha medo
da chuva. Durante anos treinou a sua rapidez a
esquivar-se da água que caía do
céu. Ficou um
especialista. Ele dizia: É assim que eu
fujo à chuva. E desenhava, representando-se
a si próprio como uma seta. – No fim
– orgulhava-se o senhor Valéry – cá estou eu, seco e sem
guarda-chuva. Detesto objectos feios –
dizia ele.
Um dia, por acidente, uma
senhora que fazia limpeza no passeio atirou um balde cheio de água para a
rua no preciso momento em que o senhor Valéry
passava. Completamente encharcado, o senhor
Valéry, explicou: – Eu estava a olhar
o céu quando tudo aconteceu. E acrescentou
ainda: – Se a vertical se une à
horizontal existe sempre um ponto que é
capturado. E
desenhou… – Esse ponto –
murmurou o senhor Valéry, ainda a pingar do cabelo – esse ponto fui
eu. – O Destino – disse, por fim, o
senhor Valéry – isso é que desconheço o que
seja.
E terminou com um forte
espirro.
Lord,
let it rain (Sheiks)
Please,
Lord Lord let it
rain Greenfields and
meadows Are dying in
vain
Please,
Lord Lord let it
rain We’re together
praying With faith, peace and
pain
Listen,
Lord Blowing in the
wind Rain
coming So wonderful
thing
Please,
Lord Lord let it
rain Bless your
homeland Please don’t be
ashamed
Listen,
Lord Blowing in the
wind Rain
coming So wonderful
thing
Please,
Lord Lord let it
rain Bless your
homeland Please don’t be
ashamed
O
Senhor Valéry – O truque (Gonçalo M.
Tavares)
O senhor Valéry vestia
sempre de negro. Ele
explicava: – Ao verem-me de preto
julgam-me de luto e, por compaixão, não me enviam mais
sofrimento. E dizia
ainda: – Não se pode sofrer o dobro
de muito. É essa, aliás, a única razão por que consigo ser
feliz, em certos dias: o meu fato de luto engana-os. E é sempre boa a
sensação de enganar os mais fortes – acrescentava, orgulhoso, o
senhor Valéry, nunca se sabendo propriamente a que se referia. O senhor
Valéry, porém, insistia: –
É uma reacção química. E
desenhou… – Se de um lado se
encontra tudo escuro e do outro tudo claro, a tendência é para o lado
escuro oferecer escuro ao lado claro e o lado claro oferecer claridade ao lado
escuro. Passado algum tempo encontra-se um
equilíbrio. (E nessa altura o senhor
Valéry fez outro desenho) – O meu
truque – dizia o senhor Valéry, enquanto distraído pelos
raciocínios, vestia um fato branco – o meu truque – dizia ele
– é andar sempre vestido de luto. Para atrair a
alegria.
Your
latest trick (Dire
Straits)
All the late
night bargains have been
struck Between the satin
beaus and their belles And
prehistoric garbage
trucks Have the city to
themselves Echoes roars
dinosaurs Theyre all doing
the monster mash And most of
the taxis, most of the
whores Are only taking calls
for cash
I dont know
how it happened It all took
place so quick But all I can
do is hand it to you And your
latest trick
My door
was standing open Security
was laid back and lax But it
was only my heart got
broken You must have had a
pass key made out of wax You
played robbery with
insolence And I played the
blues in twelve bars down Lovers
Lane And you never did have
the intellegence to use The
twelve keys hanging off my
chain
I dont know how
it happened It all took place
so quick But all I can do is
hand it to you And your
latest trick
Now its
past last call for
alcohol Past recall has been
here and gone The landlord
finally paid us all The satin
jazzmen have put away their
horns And were standing
outside of this
wonderland Looking so
bereaved and so bereft Like a
Bowery bum when he finally
understands The bottles empty
and theres nothing
left
I dont know how it
happened It was faster than
the eye could flick But all I
can do is hand it to you And
your latest
trick
Genérico
final
O senhor Valéry
era pequenino, mas dava muitos
saltos. Ele
explicava: Sou igual às
pessoas altas só que por menos
tempo!
Com amizade:
Davy Spillane, Edite Morujão, Gonçalo Manuel Tavares e
José-António
Moreira
Que teimosia
essa!… Sejam felizes!,
pelo menos nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos
dias, no resto das vossas
vidas! É
possível?! Claro que é
possível!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'