Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Mas
basta-me um quadrado de sossego.1 (Daniel
Faria)
Amanhecemos sem materiais
suficientes para a luz total Embora nos
estiquemos como cabras nos penhascos para os
arbustos Mais tenros, esticamo-nos para
não nos doer a lembrança Das
manhãs tão sossegadas dos cavalos nos
pastos
Explico que amanhecemos
mastigando as ervas venenosas Buscando um
som mais poderoso do que o bater dos
cascos Um balido interior reunindo
rebanhos Uma palavra fonte múltipla como
o úbere das cabras
Amanhecemos
cheios de sede como se viéssemos de um outro
hemisfério Num galope
rápido Esticando-nos como arbustos
tenros chamando Amanhecemos nocturnamente
fincando os joelhos nos
penhascos Levantamo-nos para sacudir as
crinas para escovar os
cavalos
Amanhecemos sem braçados
bastantes para a luz Queimados pelas
palavras. Organizamos rebanhos junto das
águas Andamos nas margens no meio da
tarde. Esticamo-nos para sermos setas de
fogo Ou o som dos chocalhos
trespassando Os mais tenros rebentos das
chamas
Fire
and rain (James Taylor)
Just yesterday
morning they let me know you were
gone Susanne the plans they made put an end
to you I walked out this morning and I wrote
down this song I just can't remember who to
send it to
I've seen fire and I've seen
rain I've seen sunny days that I thought
would never end I've seen lonely times when I
could not find a friend But I always thought
that I'd see you again
Won't you look
down upon me, Jesus You've got to help me
make a stand You've just got to see me
through another day My body's aching and my
time is at hand And I won't make it any other
way
Oh, I've seen fire and I've seen
rain I've seen sunny days that I thought
would never end I've seen lonely times when I
could not find a friend But I always thought
that I'd see you again
Been walking my
mind to an easy time my back turned towards the
sun Lord knows when the cold wind blows it'll
turn your head around Well, there's hours of
time on the telephone line to talk about
things to
come Sweet dreams and flying machines in
pieces on the ground
Oh, I've seen fire
and I've seen rain I've seen sunny days that
I thought would never end I've seen lonely
times when I could not find a friend But I
always thought that I'd see you, baby, one more time again,
now
Thought I'd see you one more time
again There's just a few things coming my way
this time around, now Thought I'd see you,
thought I'd see you fire and rain,
now
Mas
basta-me um quadrado de sossego.2 (Daniel
Faria)
Repito que vivo enclausurado na
agilidade de um animal nascido Correndo ao lado
dele, correndo para ele — era assim Que eu
queria que fosse a linguagem veloz: Uma casa
para a infância com trepadeiras Para que as
palavras ficassem como frutos no
alto.
Repito a corrida na memória
quando estou parado Penso velozmente que o amor,
como Dante disse, é um estado De
locomoção. É um motor. E fico a trabalhar no mecanismo
secreto Do
amor Sei que estou em viagem na palavra que se
move. Repito o trajecto para ver o poema de novo
– era assim Que eu queria que fosse a
linguagem de uma coisa amada Correndo ao meu
lado, correndo para mim no mecanismo violento Do
amor. Era nele que eu queria a casa com
trepadeiras Onde as palavras ficassem
silenciosas e altas com um pátio
interior.
Slave
to love (Alan Parsons Project e John
Miles)
Tell her I'll be
waiting in the usual
place with the tired and
weary and there's no
escape.
To need a
women you've got to
know how the strong get
weak and the rich get
poor.
Slave to
love Oh Oh Slave to
love
You're running
with me don't touch the
ground we're the restless
hearted not the chained and
bound.
The sky is
burning a sea of
flame though your world is
changing I will be the
same.
Slave to
love oh oh Slave to
love Slave to
love na na na na na na na
na And I can't
escape I'm a slave to
love
Can you help
me? Oh oh Can you help
me?
The storm is
breaking or so it
seems we're too young to
reason too grown to
dream.
Now spring is
turning your face to
mine I can hear your
laughter I can see your
smile.
Mas
basta-me um quadrado de sossego.3 (Daniel
Faria)
Foi um tempo branco, repetidamente
lavado nas próprias mãos Desviando a
transparência do rosto para a noite Um
tempo branco muito diferente da verdade Muito
diferente das estrelas que se apagam
Foi
um tempo muito branco Mais doloroso do que os
olhos sempre abertos no escuro Inimaginável
quando pus de fora a cabeça , as
mãos — tendo deposto o que trazia
nelas — O corpo
todo E saí como um paralítico depois
do milagre Na forma de quem grita por
socorro
Foi um tempo branco porque era
mudo E não havia nenhuma palavra que
pudesse apagá-lo Um tempo tão manso
como um lobo que não morde Um tempo
tão branco Tão
raso
Saí como um coxo que caminha
sobre o tempo tão liso Tão
branco Que pensei que era um muro aquele tempo
estar ali E bati contra ele como uma badalada
que demora
E era branco, um som que nunca
ouvi
Nights
in white satin (Moody
Blues)
Nights in white
satin, never reaching the
end Letters I've written,
never meaning to send Beauty
I've always missed, with these eyes
before Just what the truth
is, I can't say
anymore 'Cause I love you,
yes I love you, oh, how I love
you
Gazing at people,
some hand in hand Just what
I'm going through, they can't
understand Some try to tell
me, thoughts they cannot
defend Just what you want to
be, you will be in the
end And I love you, yes I
love you Oh, how I love you,
oh, how I love
you
(musical
part)
Nights in white
satin, never reaching the
end Letters I've written,
never meaning to send Beauty
I've always missed, with these eyes
before Just what the truth
is, I can't say
anymore 'Cause I love you,
yes I love you Oh, how I love
you, oh, how I love
you
'Cause I love you,
yes I love you Oh, how I love
you, oh, how I love
you
(Spoken) Breathe
deep the gathering
gloom Watch lights fade from
every room Bedsetter people
look back and lament Another
day's useless energy's
spent Impassioned lovers
wrestle as one Lonely man
cries for love and has
none New mother picks up and
suckles her son Senior
citizens wish they were
young Cold-hearted orb that
rules the night Removes the
colors from our sight Red is
grey and yellow white, But we
decide which is right, And
which is an
illusion.
Foram
pétalas Ou olhos de
deusas O que
calquei? Não Não
digam Eu
sei Que foram
sonhos.
Com amizade:
Davy Spillane, James Taylor, Bryan Ferry, Moody Blues, Edite Morujão,
Daniel Faria e José-António
Moreira
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'