Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
As
portas que Abril abriu (Ary dos
Santos)
Era uma vez um
país onde entre o mar e a
guerra vivia o mais
infeliz dos povos à
beira-terra
Onde entre vinhas
sobredos vales socalcos
searas serras atalhos
veredas lezírias e praias
claras um povo se
debruçava como um vime de
tristeza sobre um rio onde
mirava a sua própria
pobreza.
Era uma vez um
país onde o pão era
contado onde quem tinha a
raíz tinha o fruto
arrecadado onde quem tinha o
dinheiro tinha o operário
algemado onde suava o
ceifeiro que dormia com o
gado onde tossia o
mineiro em Aljustrel
ajustado onde morria
primeiro quem nascia
desgraçado.
Era uma vez um
país de tal maneira
explorado pelos consórcios
fabris pelo mando
acumulado pelas ideias
nazis pelo dinheiro
estragado pelo dobrar da
cerviz pelo trabalho
amarrado que até hoje já se
diz que nos tempos do
passado se chamava esse
país Portugal
suicidado.
Ali nas vinhas
sobredos vales socalcos
searas serras atalhos
veredas lezírias e praias
claras vivia um povo tão
pobre que partia para a
guerra para encher quem estava
podre de comer a sua
terra.
Um povo que era
levado para Angola nos
porões um povo que era
tratado como a arma dos
patrões um povo que era
obrigado a matar por suas
mãos sem saber que um bom
soldado nunca fere os seus
irmãos.
Ora passou-se
porém que dentro de um povo
escravo alguém que lhe queria
bem um dia plantou um
cravo.
Era a semente da
esperança feita de força e
vontade era ainda uma
criança mas já era a
liberdade.
Era já uma
promessa era a força da
razão do coração à
cabeça da cabeça ao
coração Quem o fez era
soldado homem novo
capitão mas também tinha a seu
lado muitos homens na
prisão. Esses que tinham
lutado a defender um
irmão esses que tinham
passado o horror da
solidão esses que tinham
jurado sobre uma côdea de
pão ver o povo
libertado do terror da
opressão.
Não tinham armas
é certo mas tinham toda a
razão quando um homem morre
perto tem de haver
distanciação uma pistola
guardada nas dobras da sua
opção uma bala
disparada contra a sua própria
mão e uma força
perseguida que na escolha do mais
forte faz com a que a força da
vida seja maior do que a
morte.
Quem o fez era
soldado homem novo
capitão mas também tinha a seu
lado muitos homens na
prisão.
Posta a semente do
cravo começou a
floração do capitão ao
soldado do soldado ao
capitão.
Foi então que o povo
armado percebeu qual a
razão porque o povo
despojado lhe punha as armas na
mão.
Pois também ele
humilhado em sua própria
grandeza era soldado
forçado contra a pátria
portuguesa.
Era preso e
exilado e no seu próprio
país muitas vezes
estrangulado pelos generais
senis.
Capitão que não
comanda não pode ficar
calado é o povo que lhe
manda ser capitão
revoltado é o povo que lhe
diz que não ceda e não
hesite - pode nascer um
país do ventre duma
chaimite.
Porque a força bem
empregue contra a posição
contrária nunca oprime nem
persegue - é a força
revolucionária!
Foi então que
Abril abriu as portas da
claridade e a nossa gente
invadiu a sua própria
cidade.
Disse a primeira
palavra na madrugada
serena um poeta que
cantava o povo é quem mais
ordena.
E então por vinhas
sobredos vales socalcos
searas serras atalhos
veredas lezírias e praias
claras desceram homens sem
medo marujos soldados
"páras" que não queriam o
degredo de um povo que se
separa. E chegaram à
cidade onde os monstros se
acoitavam era a hora da
verdade para as hienas que
mandavam a hora da
claridade para os sóis que
despontavam e a hora da
vontade para os homens que
lutavam.
Em idas vindas
esperas encontros esquinas e
praças não se pouparam as
feras arrancaram-se as
mordaças e o povo saiu à
rua com sete pedras na
mão e uma pedra de
lua no lugar do
coração.
Dizia soldado
amigo meu camarada e
irmão este povo está
contigo nascemos do mesmo
chão trazemos a mesma
chama temos a mesma
razão dormimos na mesma
cama comendo do mesmo
pão Camarada e meu
amigo soldadinho ou
capitão este povo está
contigo a malta dá-te
razão.
Foi esta força sem
tiros de antes quebrar que
torcer esta ausência de
suspiros esta fúria de
viver este mar de vozes
livres sempre a crescer a
crescer que das espingardas fez
livros para aprendermos a
ler que dos canhões fez
enxadas para lavrarmos a
terra e das balas
disparadas apenas o fim da
guerra.
Foi esta força
viril de antes quebrar que
torcer que em vinte e cinco de
Abril fez Portugal
renascer.
E em Lisboa
capital dos novos mestres de
Aviz o povo de
Portugal deu o poder a quem
quis.
Mesmo que tenha
passado às vezes por mãos
estranhas o poder que ali foi
dado saiu das nossas
entranhas. Saiu das vinhas
sobredos vales socalcos
searas serras atalhos
veredas lezírias e praias
claras onde um povo se
curvava como um vime de
tristeza sobre um rio onde
mirava a sua própria
pobreza.
E se esse poder um
dia o quiser roubar
alguém não fica na
burguesia volta à barriga da
mãe. Volta à barriga da
terra que em boa hora o
pariu agora ninguém mais
cerra as portas que Abril
abriu.
Grândola,
Vila Morena (Zeca
Afonso)
Grândola, vila
morena Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó
cidade
Dentro de ti, ó
cidade O povo é quem mais
ordena Terra da
fraternidade Grândola, vila
morena
Em cada esquina um
amigo Em cada rosto igualdade
Grândola, vila
morena Terra da
fraternidade
Terra da
fraternidade Grândola, vila
morena Em cada rosto
igualdade O povo é quem mais
ordena
À sombra duma
azinheira Que já não sabia a
idade Jurei ter por
companheira Grândola a tua
vontade
Grândola a tua
vontade Jurei ter por
companheira À sombra duma
azinheira Que já não sabia a
idade
Levanta-te
meu Povo. Não é
tarde. Agora é que o mar
canta, é que o sol
arde, pois quando o povo acorda
é sempre cedo..
Com amizade: Davy
Spillane, Zeca Afonso, José Carlos Ary dos Santos e José-António
Moreira
Vá lá!
Sejam felizes! E, se não puderem, sejam felizes
também!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'