Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Aprender
a estudar (Ary dos Santos)
Estudar é
muito importante, mas pode-se estudar de
várias maneiras.... Muitas vezes estudar
não é só aprender o que vem nos
livros.
Estudar
não é só ler nos livros que
há nas escolas. E também aprender a
ser livre, sem ideias
tolas. Ler um livro é muito
importante, às vezes
urgente. Mas os livros não são o
bastante para a gente ser
gente. É preciso aprender a escrever, mas
também a viver, mas também a
sonhar. É preciso aprender a
crescer, aprender a
estudar.
Aprender
a crescer quer dizer: aprender a estudar, a
conhecer os outros, a ajudar os
outros, a viver com os
outros. E quem aprende a viver com os
outros aprende sempre a viver bem consigo
próprio. Não merecer um castigo é
estudar. Estar contente consigo é
estudar. Aprender a terra, aprender o
trigo e ter um amigo também é
estudar.
Estudar
também é repartir, também é
saber dar o que a gente souber
dividir para
multiplicar. Estudar é escrever um
ditado sem ninguém nos
ditar; e se um erro nos fôr
apontado é sabê-lo
emendar. É preciso em vez de um
tinteiro, ter uma cabeça que saiba
pensar, pois, na escola da vida, primeiro
está saber
estudar.
Cantar
todas as papoilas de um trigal é a mais
linda conta que se pode fazer. Dizer apenas
música, quando se ouve um
pássaro, pode ser a mais bela
redacção do mundo... mas pensar é
tudo!
Learning
to fly (Pink Floyd)
Into the distance,
a ribbon of black Stretched to the point of
no turning back A flight of fancy on a
windswept field Standing alone my senses
reeled A fatal attraction is holding me
fast, How can I escape this irresistible
grasp?
Can't keep my eyes from the
circling sky Tongue-tied and twisted just an
earthbound misfit eye
Ice is forming on
the tips of my wings Unheeded warnings, I
thought I thought of everything No navigator
to find my way home Unladened, empty and
turned to stone
My sole intention is
learning to fly Condition grounded but
determined to try Can't keep my eyes from the
circling skies Tongue-tied and twisted just
an earthbound misfit eye
Above the
planet on a wing and a prayer, My grubby
halo, a vapour trail in the empty air, Across
the clouds I see my shadow fly Out of the
corner of my watering eye A dream
unthreatened by the morning light Could blow
this soul right through the roof of the
night
There's no sensation to compare
with this Suspended animation, a state of
bliss Can't keep my mind from the circling
skies Tongue-tied and twisted just an
earthbound misfit
eye.
O
objecto (Ary dos Santos)
Há que
dizer-se das coisas o somenos que elas
são. Se for um copo é um
copo se for um cão é um
cão. Mas quando o copo se
parte e quando o cão faz ão
ão? Então o copo é um
caco e um cão não passa dum
cão. Quatro cacos são um
copo quatro latidos um
cão. Mas se forem de
vidraça e logo foram
janela? Mas se forem de
pirraça e logo forem
cadela? E se o copo for
rachado? E se o cão não tiver
dono? Não é um copo é um
gato não é um cão é um
chato que nos interrompe o
sono. E se o chato não for
chato e apenas cão sem
coleira? E se o copo for de
sopa? Não é um copo é um
prato não é um cão é
literato que anda sem eira nem
beira e não ganha para a
roupa. E se o prato for de
merda e o literato de
esquerda? Parte-se o prato que é
caco mata-se o vate que é
cão e escreveremos
então parte prato sape
gato vai-te vate foge
cão Assim se chamam as
coisas pelos nomes que elas
são.
A
horse with no name
(America)
On the first
part of the journey, I was
looking at all the life.
There were plants and birds.
and rocks and things, There
was sand and hills and rings.
The first thing I met, was a
fly with a buzz, And the
sky, with no clouds. The
heat was hot, and the ground was dry,
But the air was full of
sound.
I've been
through the desert on a horse with no name,
It felt good to be out of
the rain. In the desert you
can remember your name,
'Cause there ain't no one
for to give you no pain.
After two days, in the
desert sun, My skin began to
turn red. After three days,
in the desert fun, I was
looking at a river bed. And
the story it told, of a river that flowed,
Made me sad to think it was
dead.
You see I've
been through the desert on a horse with no name,
It felt good to be out of
the rain. In the desert you
can remember your name,
'Cause there ain't no one
for to give you no pain.
After nine days, I let
the horse run free, 'Cause
the desert had turned to sea.
There were plants and birds,
and rocks and things, There
was sand and hills and rings.
The ocean is a desert, with
its life underground, And a
perfect disguise above.
Under the cities lies, a
heart made of ground, But
the humans will give no love.
You see I've been
through the desert on a horse with no name,
It felt good to be out of
the rain. In the desert you
can remember your name,
'Cause there ain't no one
for to give you no
pain.
Poeta
castrado, não! (Ary dos Santos)
Serei
tudo o que disserem por inveja ou
negação: cabeçudo
dromedário fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado
não!
Mostely
like you go your way an I'll go mine (Bob
Dylan)
You say you love
me / And you're thinkin' of
me, But you know you could be
wrong. You say you told
me That you wanna hold
me, But you know you're not
that strong. I just can't do
what I done before, I just
can't beg you any more. I'm
gonna let you pass And I'll
go last. Then time will tell
just who fell And who's been
left behind, When you go your
way and I go mine.
You
say you disturb me / And you don't deserve
me, But you know sometimes
you lie. You say you're
shakin' And you're always
achin', But you know how hard
you try. Sometimes it gets so
hard to care, It can't be
this way ev'rywhere. And I'm
gonna let you pass, Yes, and
I'll go last. Then time will
tell just who fell And who's
been left behind, When you go
your way and I go
mine.
The judge, he
holds a grudge, / He's gonna call on
you. But he's badly built /
And he walks on stilts, / Watch out he don't fall on
you.
You say you're
sorry / For tellin'
stories That you know I
believe are true. You say ya
got some Other kinda
lover And yes, I believe you
do. You say my kisses are not
like his, But this time I'm
not gonna tell you why that
is. I'm just gonna let you
pass, Yes, and I'll go
last. Then time will tell who
fell And who's been left
behind, When you go your way
and I go
mine.
Original
é o poeta que se origina a
si mesmo que numa sílaba
é seta noutro pasmo ou
cataclismo o que se atira ao
poema como se fosse um abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.
Com amizade: Davy
Spillane, Air, Patrick O’Hearn, Eddie Jobson, Pink Floyd, America, Bob
Dylan, José Carlos Ary dos Santos e José-António
Moreira
Vá lá!
Sejam felizes! E, se não puderem, sejam felizes
também!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'