Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
1.ª
Canção (Daniel Filipe)
De ti
sabes o nome, a hora exacta, o martelo no relógio, a escassa visão do
tempo novo, a vida sempre imatura e, no entanto,
desejada.
De ti sabes a calma citadina,
a distância entre a casa e o emprego, o perfil da amante, o sabor do
café matinal, a maresia
súbita.
De ti sabes a idade, a
altura, o peso e o vigor dos músculos, a suave atracção da porta
do cinema, a misteriosa voz lunar, palavras soltas — gagarine, vostok,
estação espacial.
De ti sabes
os sinais característicos, quanto pode ser escrito, medido, registado em
fichas, passaportes, cartões de identidade. Só não sabes da bala,
da pólvora, da arma; só não sabes das mãos, como as tuas,
plebeias, erradas mãos do povo; só não sabes do medo, do
ódio, da terrível
impotência.
Só não sabes
da morte antes do tempo, exilado na pátria numa tarde de
Maio.
God
only knows (Beach Boys)
I may not
always love you But long as there are stars
above you You never need to doubt
it I'll make you so sure about
it
God only knows what I'd be without
you
If you should ever leave
me Though life would still go on believe
me The world could show nothing to
me So what good would living do
me?
God only knows what I'd be without
you God only knows what I'd be without
you
If you should ever leave
me Well life would still go on believe
me The world could show nothing to
me So what good would living do
me?
God only knows what I'd be without
you God only knows what I'd be without
you
Canto
e lamentação na cidade ocupada (2) (Daniel
Filipe)
Com ternura crescente, insone,
canto. Com simples flores de angústias,
canto. Em termos de revolta, crise, sonho,
ergo, à mesa do café vazio e enorme, meu sonho de viagem sem
regresso. Para enganar a solidão, o
medo, digo palavras, música,
esperança.
Canto porque estou vivo
e amarrado à condição de ser fiel e
agreste. Porque em vão nos destroem a
memória com máquinas, rodízios,
honorários. Porque o sol torna fulvo o
teu cabelo e apetecem meus lábios os teus
seios.
Canto para espantar o espectro
indefinido da besta apocalíptica,
medonha. Canto e louvo o teu sonho, amigo
anónimo, sonhando e trabalhando, algures
oculto.
Canto a tua coragem, general,
confinado na prática e fora dela. Canto
como quem morde, ofende, esmaga e, exausto, resiste e
sobrevive.
Canto para saber que vale a
pena ter voz, músculos, nervos,
coração. À mesa do café,
nas ruas, canto. Nos jardins, nos
estádios, sofro e canto. No quarto
abandonado, sonho e canto. Nos pequenos
cinemas, rio e canto. Entre teus braços
doces, choro e canto.
Descerro a aurora
com palavras graves, cantando. Reinvento a
melodia, o sol aberto, o amor pelas esquinas, a marca sensual nos ombros nus, a
memória da infância, a tua face — e
canto. Inutilmente embora,
canto.
How
can I keep from singing
(Enya)
My life goes on
in endless song above earth's
lamentations, I hear the
real, though far-off
hymn that hails a new
creation.
Through all
the tumult and the strife I
hear it's music ringing, It
sounds an echo in my
soul. How can I keep from
singing?
While though
the tempest loudly roars, I
hear the truth, it
liveth. And though the
darkness 'round me
close, songs in the night it
giveth.
No storm can
shake my inmost calm, while
to that rock I'm
clinging. Since love is lord
of heaven and earth how can I
keep from singing?
When
tyrants tremble in their
fear and hear their death
knell ringing, when friends
rejoice both far and near how
can I keep from
singing?
In prison cell
and dungeon vile our thoughts
to them are winging, when
friends by shame are
undefiled how can I keep from
singing?
Canto
e lamentação na cidade ocupada (6) (Daniel
Filipe)
Pelo silêncio na
planície, pela tranquilidade em tua voz, pelos teus olhos verdes,
estelares, pelo teu corpo líquido de bruma, pelo direito de seguirmos de
mãos dadas na solidão nocturna – lutaremos, meu
amor!
Pela infância que fomos,
pelo jardim escondido que não teve o nosso amor, pelo pão que nos
recusam, pela liberdade sem fronteiras, pelas manhãs de sol sem mácula
de grades – lutaremos, meu
amor!
Pela dádiva mútua da
nossa carne mártir, pela alegria em teu sorriso claro, pelo teu sonho
imaterial, pela cidade escravizada, pela doçura de um beijo à
despedida – lutaremos, meu
amor!
Pelos meninos tristes,
suburbanos, contra o peso da angústia, contra o medo, contra a seta de
fogo, traiçoeira, cravada em nosso doce coração aberto –
lutaremos, meu amor!
Na aparência,
sozinhos, multidão, na verdade – lutaremos, meu
amor!
Can't
fight this feeling anymore (REO
Speedwagon)
I can't
fight this feeling any longer.
And yet I'm still afraid to
let it flow. What started
out as friendship, Has grown
stronger. I only wish I had
the strength to let it show.
I tell myself that I
can't hold out forever. I
said there is no reason for my fear.
Cause I feel so secure when
we're together. You give my
life direction, You make
everything so clear.
And even as I wander,
I'm keeping you in sight.
You're a candle in the
window, On a cold, dark
winter's night. And I'm
getting closer than I ever thought I might.
And I can't fight this
feeling anymore. I've
forgotten what I started fighting for.
It's time to bring this ship
into the shore, And throw
away the oars, forever.
Cause I can't fight
this feeling anymore. I've
forgotten what I started fighting for.
And if I have to crawl upon
the floor, Come crashing
through your door, Baby, I
can't fight this feeling anymore.
My life has been such
a whirlwind since I saw you.
I've been running round in
circles in my mind. And it
always seems that I'm following you, girl,
Cause you take me to the
places, That alone I'd never
find.
Que
importa a melodia, se acaso aos
outros dou, com pávida
alegria, o pouco que me
sou?
Que importa ao que me
sabe estar só no meu
caminho, se dentro de mim
cabe a glória de ir
sózinho?
Com
amizade: Davy Spillane, Vangelis Papathanasious, Beach Boys, Enya, Reo
Speedwagon e José-António
Moreira. Os textos são de
Daniel Filipe.
Vá
lá! Sejam felizes! E, se não puderem, sejam felizes
também!
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'