Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Semnome,
15 de Agosto de 1994 (André
Moreira)
Semnome, 15 de Agosto de
1994
Guida, acabei
de chegar a Semnome vindo de Lugaralgum aqui
vejo, sinto, cheiro; sim, vejo coisas que só por uma vez vi, num sonho
alucinado, alucinante, de alucinar: – o
céu é um imenso chocolate que se derrete sobre
nós – nas árvores nasce a
música que me invade e me faz
cócegas – e o chão reflecte a
luz dos teus olhos, que são o
sol
amo-te
The
way I feel inside (André Moreira)
Should I try to
hide The way I feel
inside My heart for
you? Would you say that
you Would try to love me
too? In your mind could you ever
be Really close to
me? I can tell the way you
smile If I feel that I could be certain
then I would say the
things I want to say
tonight
But till I can
see That you'd really care for
me I will dream that someday you'll
be Really close to
me I can tell the way you
smile If I feel that I could be certain
then I would say the
things I want to say
tonight
But till I can
see That you'd really care for
me I'll keep trying to
hide The way I feel
inside
Semnome,
16 de Agosto de 1994 (André
Moreira)
Semnome, 16 de Agosto de
1994
Guida, aqui
os dias esvaem-se rapidamente, dissolvem-se na noite a uma velocidade
estonteante, enquanto o chocolate cede o lugar às
estrelas nunca chove de noite, em
Semnome.
Unchained
melody (André
Moreira)
Whoa! My love,
my darling, I hunger for
your touch, Alone. Lonely
time. And time goes by, so
slowly, And time can do so
much, Are you still
mine? I need your
love. I need your
love. God speed your love to
me.
Lonely rivers flow
to the sea, to the sea, To
the open arms of the
sea. Lonely rivers sigh, wait
for me, wait for me, I'll be
coming home, wait for
me.
Whoa! My love, my
darling, I hunger, hunger!,
for your love, For love.
Lonely time. And time goes
by, so slowly, And time can
do so much, Are you still
mine? I need your
love. I need your
love. God speed your love to
me.
Semnome,
17 de Agosto de 1994 (André
Moreira)
Semnome, 17 de Agosto de
1994
Guida, hoje
morreu o dono da pensão em que me
instalei aqui não se choram os mortos
— sorri-se não há lutos nem
sofrimentos — falsos ou
verdadeiros amam-se os
mortos
Nothing
really changed (André
Moreira)
i need to fix
the colours the lights have
been turned on up the white
corridor the dream machine is
done and it sows me through
the rainbows but no harvest
has been done and all these
bugs they’ve been
teasing me they’re
sucking all my blood i hear
my name echoing through the
fissures of the door is that
you calling me back home? is
it the devil of my own? come
and feed the land where i was
brought up where i drive my
fears insane i know that i
have died once but nothing really
changed
Semnome,
18 de Agosto de 1994 (André
Moreira)
Semnome, 18 de Agosto de
1994
Guida, hoje
embalei o vento; soltei-o em todas as direcções; criei um tufão e
acabei com ele — e ele comigo estou
cansado e longe da pensão e só o mar me ofereceu guarida — mas
eu não sei
nadar
Anyway
(André
Moreira)
see the
laughts the amazing
gaffs they’re smashing
you will you
collapse? will your pitty be
enough? will you stand the
uppercut? hide your smile
behind the scarf you
can’t count on xmas
anytime lay down your hands
and mute your
voice you know it speaks for
difference in this brave new
world
Semnome,
20 de Agosto de 1994 (André
Moreira)
Semnome, 20 de Agosto de
1994
Guida, estou
com medo o vento espalha minha alma por
Semnome e, sem me dar satisfação, leva-a a Lugaralgum e trá-la de
volta, continuamente, num ciclo infernal que me fustiga cá dentro, bem
dentro de mim o ar que me envolve aperta-me,
enlaça-me, sufoca-me, não me deixa
respirar os insectos perseguem-me e sugam-me
o sangue das veias ouço o meu nome a
ecoar ao virar de cada esquina, soprado por alguém por entre as frinchas
dos portões da aldeia
serás
tu a chamar-me de
volta?
Glue
(André Moreira)
my
body lays on sunday lewis
carrol is near my bed the
strings on recycled
paper come from
farmingdale new york –
they say think my brain is
thinking backwards each day
i’m becoming
younger aging is senseless
when cannot express what i feel when the beasts fill my
head imagine highways
invadind your
house half-a-dozen
burnouts milk-blooded
rainbows on your vcr and
special combs for naked heads from up-john’s lab down is
marrakesh
Algures,
31 de Dezembro de 1994 (André
Moreira)
Algures, 31 de Dezembro de
1994
ontem senti vontade de
abraçar o sol; da mesma maneira que te
quero abraçar a ti; da mesma maneira que
te quero aquecer, da mesma maneira que te
quero fazer brilhar, como ele
brilha…
quero esconder-te por
detrás do horizonte guardar-te
lá, só para
mim.
tu és o desejo
maravilhoso que me faz voar
e eu, que
não acredito nem em fantasmas nem em bruxas, só posso
perguntar:
— De onde vens tu,
feiticeira?
Espera por
mim Estou a
chegar
Till
the world that you've been chasing (André
Moreira)
and in
time out of a
shell the rush i face
ain’t so sublime now
you’re the light an
inner light you bold my
sight to be
precise till the world that
you’ve chasing starts
colliding with my own till
you think this set is
over but it has really just
begun i can see your house
from here opened
doors
Lugaralgum,
1 de Janeiro de 1995 (André
Moreira)
Lugaralgum, 1 de Janeiro de
1995
acabei de chegar a
lugaralgum venho de semnome seguindo a tua
voz
assim que deixei a aldeia fui
engolido pela planície vizinha e percorri as suas entranhas, sofregamente,
à espera de te encontrar, por detrás do horizonte, onde te guardo
só para mim
convenhamos que o
horizonte não é o melhor sítio para te
guardar compreendo agora que, onde
estás, escondida dos outros, também eu não te
vejo e é por isso que escrevo esta carta
sem destino, na esperança que o carteiro, furtuitamente, te encontre um
destes dias
e desse dia para a frente
faz-me um favor tem um bom
ano
amo-te
But
me no buts (André
Moreira)
heal these
eyes it’s nice to see
you again though i’d
tossed you and turned you
away grim cold night –
january a fridge is in my
head you say to
me fast steps near
joe’s bar gloves off to
push the door hot coffee
ready – no drink no
breath nor fear mutual we
left joe still waits for
peter to pour the
coffee which is
cold
Lugaralgum,
2 de Janeiro de 1995 (André
Moreira)
Lugaralgum, 2 de Janeiro de
1995
já percorri a aldeia de
lés a lés e não te
encontrei lugaralgum ainda não é o
meu horizonte — eu posso ver mais longe que lugaralgum, muito mais
longe
Ai, quem me dera ser
cego
Drive
(André Moreira)
i
fear i hear me loaded on your
drive you take you fake you
browse me undecently this may
sound like commom sense our
polaroid is growing softly
tense
we may take a
while to gather but in the
end we’ll be
together
the room is
sunny it’s not you
it’s just my
mind it’s not a
pleasant role to play but i
think i’m doing
great
i fear i hear you
take you fake you browse this
takes this fakes and takes a while to
end
Semnome,
19 de Agosto de
1994
Guida, aqui
não há americanos em
Semnome, eles são impedidos de
entrar são detidos nos
portões da aldeia e metidos no esgoto que os leva de volta ao novo
mundo hipocrisias, demagogias,
pestes, pragas e gente que se julga superior aos demais são
lixo aqui não há
americanos
Com
amizade, na celebração do segundo aniversário dos Sons da
Escrita: David Spillane, Andreas Vollenweider, André Moreira e
José-António
Moreira.
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'