Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
Os
livros (Carlos Poças
Falcão)
Também os Livros como
estrelas estão abertos em grandes
vazios. O estrondo das explosões
solares não é sequer ouvido nos
planetas mais chegados tal como o
coração ruidoso de um amante passa
ignorado por aqueles que não
crêem. Embora os Livros brilhem e
atraiam os errantes para que se purifiquem e
percam matéria tanta solidão
torna-os pesados abismando todo o campo da
sabedoria. Os astrónomos desenham então
constelações que são como
amores falsos e contratos fraudulentos. Mas
os Livros brilham abertos toda anoite e
aquecem o que os homens entregam para
arder. As estrelas entretanto acenam com
protuberâncias e só de muito longe
a vida corresponde. Ouve-se um murmúrio
fóssil: é a recitação
perpétua do breve e belíssimo verso
inicial.
A
thousand words (Savage Garden)
We
stumble in a tangled web, decaying friendships almost
dead And hide behind a mask of
lies We twist and turn and we avoid, all hope
of salvage now devoid I see the truth inside
your eyes So take all this noise into your
brain and send it back again I'll bear the
cost, shed my skin, call you up and
then... I'll say the words out
loud
You could resurrect a thousand words
to deceive me more and more A thousand words
will give the reasons why I don't need you
anymore
Time manipulates your heart,
preconceptions torn apart Begin to doubt my
state of mind But I won't go down on what I
said I won't retract convictions
read I may perplex, but I'm not
blind So take all this noise into your brain
and send it back again I'll bear the cost, shed
my skin, call you up and then... I'll say the
words out loud
You could resurrect a
thousand words to deceive me more and more A
thousand words will give the reasons why I don't need you
anymore
I'll say the words outloud. I'll
say a thousand words or
more
Manipulation.
Fabrication. Conversation.
Annihilation I'll say a thousand words or
more Damnation. Frustration.
Elevation. Procreation I'll
say a thousand words or more
You could
resurrect a thousand words to deceive me more and
more A thousand words will give the reasons why
I don't need you
anymore
Completas
(um programa) (Carlos Poças
Falcão)
Proferia sem cessar frases
completas não fosse a realidade
bater-lhe sem sentido
Frases completas,
tensas, dirigidas de um caos a outro
caos tecendo o envoltório magnífico
de um homem
As frases não cantavam
nem tinham de cantar apenas sustentavam em
arco a coisa imensa a grande ruína de
tudo o que aparecia
Era um eremita de
tipo moderno orando na corrente dos
transportes públicos erguendo nas
descidas metropolitanas passando e
abençoando desertos suburbanos
Era
necessário compor frases
completas não fosse a realidade
confundir-se com a mentira Jurou chegar ao
fim numa evocação
contínua teimando na palavra como o sol
teima na luz mas sem poder algum, nem
talento, nem usura – apenas real, como
um rei no seu exílio
Se bebia uma
cerveja num último reduto ou se
atravessava em grande perigo uma avenida eram
frases quase santas aquelas que o
salvavam tensas, dirigidas, como um arco de
guerreiro
Pois que todos sofriam de uma
voz entrecortada de um coração
disperso num olhar em fragmentos ele era o
eremita transportador do manto dessa mortalha
leve que a inteligência outrora
amava
Não é o insignificante
o inverso da verdade? E assim vestindo o
mundo ia ele sem descanso envolvendo-o nas
faixas de defunto ou de menino segundo as
exigências tão claras do
sagrado
Anónimo, perdido e cheio
de esperança agora é outra hora, a
do silêncio, a melhor
hora.
Silent
lucidity (Queensryche)
After all we
said today The strangest thought
occurred I feel I ought to tell
you But it's clearly quite
absurd Wouldn't it be
wonderful If you could read my
mind Imagine all the
stuff That we could leave
behind How many words you
waste Before you're
understood Or simply sow some
seeds You'd do it if you
could Let me take a
moment Of your
time Inside you
mind
I know what you're
thinking But I don't know what to
say The turmoil and the
conflict You don't have to feel that
way Look into my
eyes And feel my hand upon your
heart Holding us
together Not tearing us
apart How many words we
waste To justify a
crime Compare it to an act of
love That really takes no
time Why not take a
moment Of your
time Inside your mindHush now, don't you
cry Wipe away the teardrop from your
eye You're lying safe in
bed It was all a bad
dream Spinning in your
head Your mind tricked you to feel the
pain Of someone close to you leaving the game
of life So here it is, another
chance Wide awake you face the
day Your dream is over... or has it just
begun?
There's a place I like to
hide A doorway that I run through in the
night Relax child, you were
there But only didn't realize and you were
scared It's a place where you will
learn To face your fears, retrace the
years And ride the whims of your
mind Commanding in another
world Suddenly you hear and
see This magic new
dimension
I- will be watching over
you I- am gonna help you see it
through I- will protect you in the
night I- am smiling next to you, in Silent
Lucidity [Visualize your dream / Record it in
the present tense / Put it into a permanent form / If you persist in your
efforts / You can achieve dream control / Dream control / How's that then,
better? / Dream control / Hug me] If you open
your mind for me You won't rely on open eyes
to see The walls you built
within Come tumbling down, and a new world
will begin Living twice at once you
learn You're safe from pain in the dream
domain A soul set free to
fly A round trip journey in your
head Master of illusion, can you
realize Your dream's alive, you can be the
guide but... I- will be watching over
you I- am gonna help to see it
through I- will protect you in the
night I- am smiling next to
you....
Rogo
escutado a um coração (Carlos Poças
Falcão)
Não faças de mim
um despreocupado os meus irmãos
trabalham nas produções
ruidosas mas eu tenho de ir aos mortos e aos
esquecimentos a mostrar a árvore o ramo
e o raminho onde despontou primeiro a
primavera.
No silêncio e na
esperança repousa a minha vida que eu
não seja um distraído mesmo que a festa ao
longe me chame toda a noite. Como
louvarei o sono e o despertar, os primeiros
cantos e as últimas estrelas? Tenho
tanto que fazer — contemplar a árvore o ramo e o
raminho onde despontou primeiro a
primavera governar velhas nações
desavindas no meu peito deixar comida limpa
aos animais da rua.
Não me deixes
ser um despreocupado os meus irmãos
saíram para trabalhar em terra
estranha sou eu que tenho agora de amar os
horizontes fazer visitaçoes, traçar
as Tuas marcas que salvam nas
soleiras.
Não há hora de
descanso para as minhas
vigilâncias deito-me e levanto-me nos
turnos do temor. Quem há-de pôr
grinaldas nos círculos do fogo? Quem
há-de levar água à boca dos
sedentos? Não permitas que eu seja um
despreocupado correspondo a rostos pobres,
entrego-me aos olhares e só assim
distingo, espelho e anuncio. Grandes coisas
se preparam mas os meus irmãos não
vêem. Agora tenho de ir a guardar as
orações a recordar a árvore o
ramo e o raminho onde despontou primeiro a
primavera
Hold
on my heart (Genesis)
Hold on my
heart just hold on to that
feeling we both know we've been here
before we both know what can
happen
Hold on my
heart cos I'm looking over your
shoulder ooh please don't rush in this
time don't show her how you
feel
Hold on my
heart throw me a
lifeline I'll keep a place for
you somewhere deep
inside
So hold on my
heart please tell her to be
patient cos there has never been a
time that I wanted something
more
If I can recall this
feeling and I know there's a
chance oh I will be
there yes I will be
there be there for
you whenever you want me
to whenever you call oh I will be
there Yes I will be
there
Hold on my
heart don't let her see you
crying no matter where I
go she'll always be with
me
So hold on my
heart just hold on to that
feeling we both know we've been here
before we both know what can
happen So hold on my
heart…
Pequenos
negócios, olhares
lançados sem
dilatação. Dedos a
tocar mármores tão
frios. Sombras sem memória
de mesas de cafés. Tudo
apagamentos – como um
jornal esquece mais um
dia.
Com amizade:
David Spillane, Andreas Vollenweider, Savage Garden, Queensyche, Genesis, Carlos
Poças Falcão e José-António
Moreira.
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'