Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira.
O
amor entrou em mim (Isabel Meyrelles)
O
amor entrou dentro de mim por arrombamento,
contra a minha vontade. Sinto-me invadida,
devassada, afogada! Este fedelho julga que
pode fazer o que quiser mas está
completamente enganado, hei-de arranjar
maneira de me livrar desta espécie de
anjinho vira-lata, vou armar especialmente
para ele ratoeiras
labirintiformes com memória
circular, vou fazê-lo devorar pelo
Minotauro, pedir ajuda aos marcianos
verdes, fazer-me exorcizar pelo abade da
esquina ou pedir um conjuro à feiticeira
de serviço, enfim, qualquer coisa, o que
quero sobretudo é que ele seja esmagado,
empalado, apedrejado, supliciado, reduzido a
pó, quero que este andrajoso
querubim saia completamente da minha vida e
me deixe em paz. Nunca desconfiarei
suficientemente do amor. Que filho da
mãe!
The
ole devil called love (Alyson Moyet)
It's that ole devil called love
again Gets behind me and keeps giving me that
shove again Putting rain in my eyes, tears in
my dreams And rocks in my
heart It's that sly old son of a gun
again He keeps telling me I'm the lucky one
again But I still have that
rain Still have those
tears And those rocks on my
heart
S'pose I didn't
stay Run away wouldn't
play The devil what a potion he would
brew He'd follow me
round Build me
up Tear me
down Till I'll be so
bewildered I wouldn't know what to
do
Might as well give up that fight
again I know darn well he'll convince me that
he's right again When he sings that sorry
song I've just gotta tag
along With that ole devil called
love
He'd follow me
round Build me
up Tear me
down Till I'll be so
bewildered I wouldn't know what to
do
Might as well give up that fight
again I know darn well he'll convince me that
he's right again When he sings that sorry
song I've just gotta tag
along With that ole devil called
love
With that ole devil called
love
Se
é infeliz (Isabel Meyrelles)
Se
é infeliz, insone,
angustiado, cardíaco,
dipsomaníaco, melancólico ou
hipocondríaco, se anda deprimido pelo
tempo morto dos sonhos e se acredita que um
na mão vale mais que dois a
voar, faça como eu: arranje um
armário. O meu tem protecção
contra o nevoeiro, as traças, a
amnésia, possui o
tudo-é-d’esgo(s)to, ar condicional e muros acolchoados para
cabeças sensíveis. Previ
também uns ganchos no tecto para o excedente dos
bolsos: óculos, amores mortos, sapatos
velhos, casa dos antepassados e várias
outras coisas de que não direi o
nome. Para as horas de ócio, escolhi um
pedaço de mar, a biblioteca de Babel, a
praça St. Germain des Prés às 5 da
manhã e uma floresta do Plistoceno com
inúmeros mamutes e macairódus, sem
esquecer o fundo sonoro ad hoc, rugidos, uivos e barridos extremamente
típicos.
Muito
repousante. Experimente e depois diga se
gostou.
50
ways to leave your lover (Paul
Simon)
"The problem is all inside your
head", she said to me The answer is easy if
you take it logically I'd like to help you in
your struggle to be free There must be fifty
ways to leave your lover
She said it's
really not my habit to intrude Furthermore, I
hope my meaning won't be lost or
misconstrued But I'll repeat myself at the
risk of being crude There must be fifty ways
to leave your lover Fifty ways to leave your
lover
You just slip out the back,
Jack Make a new plan,
Stan You don't need to be coy,
Roy Just get yourself
free Hop on the bus,
Gus You don't need to discuss
much Just drop off the key,
Lee And get yourself
free
She said it grieves me so to see
you in such pain I wish there was something I
could do to make you smile again I said I
appreciate that and would you please
explain About the fifty
ways
She said why don't we both just
sleep on it tonight And I believe in the
morning you'll begin to see the light And
then she kissed me and I realized she probably was
right There must be fifty ways to leave your
lover Fifty ways to leave your
lover
Senhores
passageiros (Isabel Meyrelles)
Senhores
passageiros tomem os vossos lugares, partida da via
0, não esqueçam no cais as vossas
tristezas nem o vosso armário
Renascença. Agradece-se aos senhores
passageiros que mantenham as garrafas de whisky pela
trela, chegaremos dentro de 51 dias e 3
minutos, hora local.
Senhores
passageiros tomem os vossos lugares, neste
comboio todos os corpos são
permutáveis sendo-vos portanto permitid
arrancar um olho à vizinha e cortar a
cabeça ao vosso vis-à-vis se ela não vos
agradar. Não deixem os vossos lugares
salvo em caso de força
maior, Ahasvérus ou o arcebispo de
Canterbury poderiam ocupá-los e
seríeis definitivamente riscados do
comboio. Quem tiver o lugar 46 pode
trocá-lo pelo 64, ninguém verá
absolutamente nada e os cornudos ficarão
contentes.
É proibido
debruçar-se , os vizinhos poderão
empurrar-vos julgando-vos uns pássaros de
arribação, mas é-vos permitido
contar os postes telegráficos até mil ou
mais, actualmente há mais postes que
carneiros e são muito mais fáceis de
distinguir. O comboio entra na
estação, os senhores passageiros
deixaram de ser uns mal-partidos para serem uns
mal-chegados, antes de descerem verifiquem se
é bem a vossa cabeça que têm sobre os
ombros, um erro depressa se
comete. Atenção ao degrau, um bom
passageiro é um passageiro
morto.
Obrigada pela vossa
atenção.
Long
train running (Dobbie Brothers)
Down
around the corner A half a mile from
here You CAN see them LONG trains
RUN And you watch them
disappear Without
love Where would you be
now Without love
You know I saw Miss
Lucy Down along the
tracks She lost her home and her
family And she won't be comin'
back Without
love Where would you be RIGHT
now Without love
Well the Illinois
Central And the Southern Central
Freight Gotta keep on pushin'
Mama 'Cause you know they're runnin'
late Without
love Where would you be now - now, now,
now Without love
WELL THE pistons keep on
churnin' And the wheels go 'round and
'round And the steel rails are cold and
hard For the miles that they go
down Without
love Where would you be right
now Without
love Where would you be
now
Eis
que chegaste. E cada coisa
recomeçou o gesto
interrompido
Com amizade:
David Spillane, David Arkenstone, Alyson Moyet, Paul Simon, Doobie Brothers,
Edite Morujão e Isabel Meyrelles e José-António
Moreira
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'