Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira
Que
longevidade (Al Berto)
que longevidade
terá a morte das aves no âmbar da
noite? e os passos envenenados de quem fere
as palavras? que horas serão para
lá desta precária
sílaba? ouço a voz estonteante dos
guardadores de fogos a suave fala de
marítimas estrelas... a lua rente à
parede a fuligem da memória... o
susto nada me
ensinaram e no entanto aprendi a viver com
este zumbido no coração nada me
contaram mas suspeito que continuarei sozinho
até ao fim nada me
disseram tenho 35 anos... ainda bem que
voltaste! não não
tenho fome... repara a noite insinua-se na
pele e dilui a loucura calemo-nos um
instante o susto
cresce da tua voz de ontem no
gravador
The
voice (Alan Parsons Project)
It's
almost a feeling you can touch in the air You
look all around you but nobody's there It's
been a long time now since you've been
aware That someone is watching you (he's
gonna get you)
Sooner or later when
your big chances come You'll look for the
catches but there will be none Remember
before you grab the money and run That
someone is watching you (he's gonna get
you)
Before you run and
hide He's gonna get
you You got no
choice Because you can't escape the
voice
Jumping at shadows that come up
from behind Scared of the darkness that's
there in your mind You're frightened to move
because of what you might find That someone
is watching you (he's gonna get
you)
Before you run and
hide He's gonna get
you You got no
choice Because you can't escape the
voice
Se
um dia (Al Berto)
se um dia a juventude
voltasse na pele das serpentes atravessaria
toda a memória com a língua em teus
cabelos dormiria no sossego da noite
transformada em pássaro de lume
cortante como a navalha de vidro que nos
sinaliza a vida sulcaria com as unhas o medo
de te perder... eu veleiro sem madrugadas nem
promessas nem riqueza apenas um vazio sem
dimensão nas algibeiras porque só
aquele que nada possui e tudo partilhou pode
devassar a noite doutros corpos inocentes sem
se ferir no esplendor breve do amor depois...
mudaria de nome de casa de cidade de rio de
noite visitaria amigos que pouco dormem e têm
gatos mas aconteça o que tem de
acontecer não estou triste não
tenho projectos nem ambições guardo
a fera que segrega a insónia e solta os
ventos espalho a saliva das visões pela
demorada noite onde deambula a melancolia
lunar do corpo mas se a juventude viesse
novamente do fundo de mim com suas
raízes de escamas em forma de
coração e me chegasse à boca a
sombra do rosto esquecido pegaria sem
hesitações no leme do frágil barco...
eu humilde e cansado
piloto que só de te sonhar morro de
aflição
Sometimes
when I'm dreaming (Art Garfunkel)
All
the friends I believed in I believed in for a
while They had their
flair They had their
style But nobody quite got it
right Nobody knew just how it feels to
dream Dream...
But
sometimes when I'm dreaming And I dream a lot
these days I need someone who
understands Who leads me through the
haze It's only when I'm
dreaming That I fall in love for
real But I wake up
screaming Sometimes when I'm
dreaming
And it's now that I need a
friend I reach out for the
phone Nobody's there, nobody's
home Though it may not be right to give up
the fight I'm sailing
away Now I'm on my
own Alone...
Hoje
à noite avistei (Al Berto)
hoje
à noite avistei sobre a folha de papel o
dragão em celulóide da
infância escuro como o interior polposo
das cerejas antigo como a insónia dos
meus trinta e cinco anos dantes eu conseguia
esconder-me nas paisagens podia beber a
humidade aérea do musgo derramar sangue
nos dedos magoados foi há muito
tempo quando corria pelas ruas sem saber ler
nem escrever o mundo reduzia-se a um berlinde
e as mãos eram
pequenas desvendavam os nocturnos segredos
dos pinhais não quero mais perceber as
palavras nem os corpos deixou de me pertencer
o choro longínquo das pedras prossigo o
caminho com estes ossos cor de malva som a
som o vegetal silêncio sílaba a sílaba o
abandono desta obra que fica por construir...
o receio de abrir os olhos e as rosas
não estarem onde as sonhei e o teu rosto
ter desaparecido no fundo do mar ficou-me
esta mão com a sua sombra de terra sobre
o papel branco... como é louca esta
mão tentando aparar a tristeza antiga
das
lágrimas
The
tracks of my tears (Justin
Hayward)
People say I'm the life of the
party Cause I tell a joke or
two Although I might be laughing loud and
hearty Deep inside I'm
blue
So take a good look at my
face You'll see my smile looks out of
place Just look closer, it's easy to
trace The tracks of my
tears
Since you left me if you see me
with another girl Seeming like I'm having
fun Although she may be cute she's just a
substitute 'Cause you're the permanent
one
So take a good look at my
face You'll see my smile looks out of
place Just look closer, it's easy to
trace The tracks of my
tears
Outside, I'm
masquerading Inside, my hope is
fading Just a clown, oh yeah since you put me
down My smile is my make-up I wear since my
break-up with you
So take a good look
at my face You'll see my smile looks out of
place Just look closer, it's easy to
trace The tracks of my
tears
eis
o espólio: um papel
embrulhando um pedaço de
sabonete. uns óculos de
sol dois lenços sujos de
esperma uma nota de cem escudos
com uma morada escrita um
berlinde duas canetas de tinta
permanente cinco lâminas de
barbear uma página de livro
rasgada uma
faca um bilhete
postal
Com amizade:
David Spillane, New American Orchestra, Alan Parsons Project, Art Garfunkel,
Justin Hayward, Al Berto e José-António
Moreira
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'