Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira
Vem
vento, varre (Adolfo Casais
Monteiro)
Vem vento, varre sonhos e
mortos. Vem vento, varre medos e
culpas. Quer seja dia, quer faça treva,
varre sem pena, leva adiante paz e sossego; leva contigo nocturnas preces,
presságios fúnebres, pávidos rostos, só
cobardia. Que fique apenas, erecto e duro, o
tronco estreme da raiz funda. Leva a
doçura, se for preciso: ao canto fundo, basta o que
basta. Vem vento,
varre!
I
talk to the wind (King Crimson)
Said
the straight man to the late man Where have
you been I've been here and I've been
there And I've been in
between.
I talk to the
wind My words are all carried
away I talk to the
wind The wind does not
hear The wind cannot
hear.
I'm on the outside looking
inside What do I
see Much confusion,
disillusion All around
me.
You don't possess
me Don't impress
me Just upset my
mind Can't instruct me or conduct
me Just use up my
time
I talk to the
wind My words are all carried
away I talk to the
wind The wind does not
hear The wind cannot
hear.
Ode
ao Tejo e à memória de Álvaro de Campos.1 (Adolfo Casais
Monteiro)
E aqui estou eu, ausente
diante desta mesa — e ali fora o
Tejo. Entrei sem lhe dar um só
olhar. Passei e não me lembrei de voltar
a cabeça, e saudá-lo deste canto da praça: "Olá, Tejo! Aqui
estou eu outra vez!" Não, não
olhei. Só depois que a sombra de Álvaro de Campos se sentou a meu lado
me lembrei que estavas aí, Tejo. Passei
e não te vi. Passei e vim fechar-me dentro das quatro paredes,
Tejo! Não veio nenhum criado dizer-me se
era esta a mesa em que Fernando Pessoa se sentava contigo e os outros
invisíveis à sua volta, inventando vidas que não queria
ter. Eles ignoram-no como eu te ignorei
agora, Tejo. Tudo são desconhecidos,
tudo é ausência no mundo, tudo indiferença e falta de
resposta. Arrastas a tua massa enorme como um
cortejo de glória, e mesmo eu que sou poeta passo a teu lado de olhos
fechados, Tejo que não és da minha infância, mas que estás
dentro de mim como uma presença indispensável, majestade sem par nos
monumentos dos homens, imagem muito minha do eterno, porque és real e tens
forma, vida, ímpeto, porque tens vida, sobretudo, meu Tejo sem corvetas nem
memórias do passado... Eu que me esqueci
de te olhar.
Hey,
you looking at the moon (Graham
Nash)
Hey you (looking at the
moon) waiting for the stars to give you
answers, eating in your cars and building
fences, is this what we've come
to?
Hey you, wailing by the
wall, hoping it'll fall in their
direction, you're waiting for another
resurrection is this what we've come
to? Tell me how come everything appears to be
hazy, there's nothing left to
see Tell me how come everyone appears to be
crazy too
Well, maybe it's me there,
shaking at the gate can I bear the weight of
all you borrow you know it never comes, so
pay back tomorrow. How come if it ain't you,
this is what we've come
to?
Ode
ao Tejo e à memória de Álvaro de Campos.2 (Adolfo Casais
Monteiro)
O meu mal é não ser
dos que trazem a beleza metida na algibeira e não precisam de olhar as
coisas para as terem. Quando não
estás diante dos meus olhos, estás sempre
longe. Não te reduzi a uma ideia para
trazer dentro da cabeça, e quando estás ausente, estás mesmo
ausente dentro de mim. Não tenho nada
porque só amo o que é vivo, mas a minha pobreza é um grande
abraço em que tudo é sempre virgem, porque quando o tenho, é
concreto nos braços fechados sobre a
posse. Não tenho lugar para nenhum
cemitério dentro de mim… é por isso que fiquei a pensar como era
grave ter passado sem te
olhar.
If
I could change your mind (Alan Parsons Project/ Lesley
Duncan)
I prefer to spend my time in
solitary ways Keeping myself to
myself Can't pretend that it's been easy
since you went away Living with somebody
else
If you should change your
mind If you should turn around and look
behind If you could see me the way I used to
be At the risk of bringing back the sorrow
and despair I would do it all
again Holding on to memories and pretending
not to care Knowing that the show was soon to
end If only I could change your
mind If only you would
change If I had the chance I'd do it all
again I would do it all
again
I remember windy shores on
menancholy days Drifting along with the
tide And the joy of simple things and
ordinary ways Taking it all in my
stride
If you should change your
mind If I could let you see what lies
behind If you could need me the way it used
to be
Even for the moment of the happy
times we shared Living in my dreams since
then At the risk of losing only castles in
the air Come with me and we can try
again Oh, if I could change your
mind
Can't pretend it's been lonely
since you went away Oh, if I could change
your
mind
Pelo
que não fiz, perdão!
Pelo tempo que vi, parado,
correr chamando por mim, pelos enganos que talvez poupando me empobreceram,
pelas esperanças que não tive e os sonhos que somente sonhando julguei
viver, pelos olhares amortalhados na cinza de sóis que apaguei com riscos
de quem já sabe, por todos os desvarios que nem cheguei a conceber, pelos
risos, pelas lágrimas, pelos beijos e mais coisas, que sem dó de mim
malogrei — por tudo, vida,
perdão!
Com amizade:
Davy Spillane, King Crimson, Graham Nash, Alan Parsons Project, Lesley Duncan,
Beatles, Adolfo Casais Monteiro e José-António
Moreira
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'