Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira
Castelos
tombados (Adolfo Casais Monteiro)
Altos
castelos tombados de sonhos desiludidos, arquitecturas tamanhas, tecidas por
mãos estranhas juncam o chão. Nasce
outro dia, sobre as ruínas de há
pouco. E no tempo, essas ruínas tão
grandes, de sonhos tão desmedidos, fazem apenas figura de um grão de
areia sem peso, leve ao acaso do
vento...
The
windmills of your mind (José Feliciano)
Round Like a circle in a
spiral Like a wheel within a
wheel Never ending nor
beginning On an ever-spinning
wheel Like a snowball down a
mountain Or a carnival
balloon Like a carousel that's
turning Running rings around the
moon Like a clock whose hands are
sweeping Past the minutes of its
face And the world is like an
apple Whirling silently in
space Like the circles that you find in the
windmills of your mind Like a tunnel that you
follow To a tunnel of its
own Down a hollow to a
cavern Where the sun has never
shone Like a door that keeps
revolving And a half-forgotten
dream Or the ripples from the
pebble Someone tosses in a
stream Keys that jingle in your
pocket Words that jangle in your
head Why did summer go so
quickly Was it something that you
said Lovers walk along the
shore Leaving footprints in the
sand Is the sound of distant
drumming Just the fingers of your
hand Pictures hanging in a
hallway And the fragments of a
song Half-remembered names and
faces But to whom do they
belong? When you knew that it was
over You were suddenly
aware That the autumn leaves were
turning To the color of her
hair
Eu
falo das casas e dos homens (Adolfo Casais
Monteiro)
Eu falo das casas e dos
homens, dos vivos e dos mortos: do que passa e não volta nunca mais.. .
Não me venham dizer que estava
materialmente previsto, ah, não me venham com teorias!
Eu vejo a desolação e a fome, as
angústias sem nome, os pavores marcados para sempre nas faces trágicas
das vítimas. E sei que vejo, sei que imagino apenas uma ínfima, uma
insignificante parcela da tragédia. Eu,
se visse, não acreditava. Se visse, dava em louco ou em profeta, dava em
chefe de bandidos, em salteador de estrada, - mas não acreditava!
Olho os homens, as casas e os bichos.
Olho num pasmo sem limites, e fico sem
palavras, na dor de serem homens que fizeram tudo isto: esta pasta ensanguentada
a que reduziram a terra inteira, esta lama de sangue e alma, de coisa a ser, e
pergunto numa angústia se ainda haverá alguma esperança, se o
ódio sequer servirá para alguma coisa...
Deixai-me chorar — e chorai! As
lágrimas lavarão ao menos a vergonha de estarmos vivos,
de termos sancionado com o nosso
silêncio o crime feito instituição, e enquanto chorarmos talvez
julguemos nosso o drama, por momentos será nosso um pouco do sofrimento
alheio, por um segundo seremos os mortos e os torturados, os aleijados para toda
a vida, os loucos e os encarcerados, seremos a terra podre de tanto
cadáver, seremos o sangue das árvores, o ventre doloroso das casas
saqueadas, sim, por um momento seremos a dor de tudo isto. . .
Eu não sei porque me caem as
lágrimas, porque tremo e que arrepio corre dentro de mim,
eu que não tenho parentes nem amigos na
guerra, eu que sou estrangeiro diante de tudo isto, eu que estou na minha casa
sossegada, eu que não tenho guerra à porta, — eu porque tremo e
soluço? Quem chora em mim, dizei
— quem chora em nós? Tudo aqui
vai como um rio farto de conhecer os seus meandros: as ruas são ruas com
gente e automóveis, não há sereias a gritar pavores
irreprimíveis, e a miséria é a mesma miséria que já
havia... E se tudo é igual aos dias
antigos, apesar da Europa à nossa volta, exangue e mártir, eu pergunto
se não estaremos a sonhar que somos gente, sem irmãos nem
consciência, aqui enterrados vivos, sem nada senão lágrimas que
vêm tarde, e uma noite à volta, uma noite em que nunca chega o alvor
da madrugada...
House
of broken dreams (Crosby Stills &
Nash)
Living in a house of broken
dreams, Where shadows throw shadows on the
wall, And memories are mountains to
climb Knowing everyone can
fall.
And here where the cobwebs count
the hours. Since we let the laughter clear
the air, Painfully trying to
touch Knowing that we used to
care.
Separate houses, separate
hearts, It's hard to face the feelings
tearing us apart. And in this house of broken
dreams love lies.
Can we keep our
castles in the air While we're keeping both
feet on the ground? `Cos if your heart can
touch another heart Love can turn it all
around.
Get rid of those empty glances
and empty sighs Or tears of longing will fill
your eyes. In this house of broken dreams
love
hides.
Permanência
(Adolfo Casais Monteiro)
Não
peçam aos poetas um caminho. O poeta não sabe nada de geografia
celestial. Anda aos encontrões da
realidade, sem acertar o tempo com o
espaço. Os relógios e as fronteiras
não têm tradução na sua língua. Falta-lhe o amor da
convenção em que, nas outras, as palavras fingem de
certezas. O poeta lê apenas os sinais da
terra. Seus passos cobrem apenas distâncias de amor e de presença.
Sabe apenas inúteis palavras de consolo e mágoa pelo inútil.
Conhece apenas do tempo o já perdido; do amor a câmara escura sem
revelações; do espaço o silêncio de um vôo pairando em
toda a parte. Cego entre as veredas obscuras
é ninguém e nada sabe — morto
redivivo. Tudo é simples para quem adia
sempre o momento de olhar de frente a ameaça de quanto não tem
resposta Tudo é nada para quem descreu
de si e do mundo e de olhos cegos vai dizendo: não há o que não
entendo.
Standing
in the doorway (Bob Dylan)
I'm walking
through the summer nights Jukebox playing
low Yesterday everything was going too fast
Today, it's moving too
slow I got no place left to turn, I got nothing
left to burn Don't know if I saw you, if I
would kiss you or kill you It probably wouldn't
matter to you anyhow You left me standing in
the doorway, crying I got nothing to go back to
now The light in this place is so
bad Making me sick in the
head All the laughter is just making me
sad The stars have turned cherry
red I'm strumming on my gay guitar, smoking a
cheap cigar The ghost of our old love has not
gone away Don't look like it will anytime soon
You left me standing in the doorway
crying Under the midnight
moon Maybe they'll get me and maybe they
won't But not tonight and it won't be
here There are things I could say but I don't
I know the mercy of God must be
near I've been riding the midnight train got
ice water in my veins I would be crazy if I
took you back It would go up against every
rule You left me standing in the doorway,
crying Suffering like a
fool When the last rays of daylight go
down Buddy, you'll roll no more
I can hear the church bells ringing in the
yard I wonder who they're ringing
for I know I can't win but my heart just won't
give in Last night I danced with a
stranger But she just reminded me you were the
one You left me standing in the doorway crying
In the dark land of the sun
I'll eat when I'm hungry, drink when I'm
dry And live my life on the
square And even if the flesh falls off of my
face I know someone will be there to
care It always means so much even the softest
touch I see nothing to be gained by any
explanation There are no words that need to be
said You left me standing in the doorway
crying Blues wrapped around my
head
A
poesia não é voz — é uma inflexão.
Dizer, diz tudo a prosa. No
verso nada se acrescenta a nada, somente um jeito impalpável dá figura
ao sonho de cada um, expectativa das formas por achar. No verso nasce à
palavra uma verdade que não acha entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos homens um sentido que não há nos gestos nem nas coisas: vôo
sem pássaro
dentro.
Com amizade: Davy
Spillane, Mike Oldfield, José Feliciano, Crosby, Stills & Nash, Bob
Dylan, Adolfo Casais Monteiro e José-António
Moreira
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'