Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira
A
casa do ferreiro (Arsélio
Martins)
11. As mulheres da minha
aldeia dispensam as lâminas das facas quando separam o bordado rendado, a
teia de gordura, a elástica estrutura na nave das tripas cheias. E para
fazer as partilhas comunais do sangue talhado ou para desmanchar o corpo que o
pino enxugou. São as unhas que cavam
fronteiras entre as peças como se sentiissem linhas de soldadura, prontas
a ceder à carícia de uma mão
assassina. A feminina lascívia vai
solta em seu passeio pela carne.
12.
Morres um pouco cada dia de vidro que é cada noite das brilhantes meninas
dos olhos ou das meninas do ferreiro do espeto de
pau. Na casa da eira sofrias as
ausências entre os sacos, enquanto ouvias moer o milho e a verdade
até ser farinha. O ciúme era um fio
de ferro ao rubro dentro da tua cabeça, de uma orelha à
outra. Voa ainda hoje pelos capilares do
corpo, subindo até à alma, o ciúme. E é por isso que finges
não ter alma essa e assim sofrer
menos. Pelo menos é isso que mostras.
É isso que parece. É assim que parece. Que
apareces.
The
great pretender (Queen)
Oh yes I'm the
great pretender (ooh ooh) Pretending I'm
doing well (ooh ooh) My need is such I
pretend too much I'm lonely but no one can
tell
Oh yes I'm the great pretender
(ooh ooh) Adrift in a world of my own (ooh
ooh) I play the game but to my real
shame You've left me to dream all
alone
Too real is this feeling of make
believe Too real when I feel what my heart
can't conceal
Ooh Ooh yes I'm the great
pretender (ooh ooh) Just laughing and gay
like a clown (ooh ooh) I seem to be what I'm
not (you see) I'm wearing my heart like a
crown Pretending that you're still
around
Yeah ooh
hoo Too real when I feel what my heart can't
conceal
Oh yes I'm the great
pretender Just laughing and gay like a clown
(ooh ooh) I seem to be what I'm not you
see I'm wearing my heart like a
crown Pretending that
you're Pretending that you're still
around
A
casa do ferreiro (Arsélio
Martins)
13. Quanto pau tem uma faca a
mais que ferro? Ou a roda de um carro ou a gadanha da morte? Ou a foicinha ou a
enxada que abre a regueira? No lagoaceiro e
guia a água até se sumir no leve areal onde o milho não sobrevive
e a abóbora raquítica e bêbeda da tua água boleca te serve
de desculpa para veres as pernas das cachopas passando, com seus carregos de
feijão arrancado pelo pé. Mal se
endireitam as cachopas na voz e é para murmurar coitado do rapaz!
Tão mordido pelas leituras que nem sabe que fazer do
entrepernas!
14. Por onde quer que
passes o beijo verás. Nas esquinas das casas, a argola que amarra as bestas
e o cano da fonte, na praça, tudo são marcas da oficina do
ferreiro. Que raiva! Quando a filha do
ferreiro desinfectava a agulha da seringa no álcool ardente e te
distraíam até que, em teu delírio, perdesses a vergonha antes
que te perdesses na dor. Na ideia absurda,
mas verdadeira, que atazanava os teus cornos de aço, a razão era a
tua. A tua razão não tinha que ser razão para toda a
gente.
All The King’s Men Stand
Still In A Thunder Storm Diamonds Of Rain On
The Skin Of The Battle Worn Eyes Touching
Eyes In The Sight Of Their Long Range Guns
The Bough That Breaks, The Cradle Falls
Could This Be Reason Enough
The Beast That Down To Eden Crawls –
Reason Enough Staring Into The Depths Of The
Darkest Dream Hurling Your Stones In The Eye
Of The War Machine Howling Like Wolves To
The Moon For The Sons Of Our Daughters The
Bough That Breaks, The Cradle Falls Could This Be Reason Enough
The Beast That Down To Eden Crawls This
Could Be Reason Enough Hush Little Baby, Dry
Your Eyes Claro Que Sì, Reason Enough
Stars Will Fall For Love To Rise –
Reason Enough Little Drops Of Water Little
Grains Of Sand Make The Mighty Ocean And The
Pleasant Land The Bough That Breaks, The
Cradle Falls Could This Be Reason Enough
The Beast That Down To Eden Crawls This
Could Be Reason Enough Hush Little Baby, Dry
Your Eyes Claro Que Sì, Reason Enough
Stars Will Fall For Love To Rise Reason
Enough Lady Bug, Lady Bug – Fly Away
Home Your House Is On Fire – Your
Children Are Gone All The King’s
Horses, And All The King’s Men
Couldn’t Put Humpty Together Again
She Went To The Cupboard, The Cupboard Was
Bare Eight Little Indians Never Heard Of
Heaven One Went To Sleep, And Then There
Where Seven Ashes, Ashes, We All Fall Down,
Hark, Hark, The Dogs Do Bark Beggars Are
Coming To Town And If The Great Man Cut Down
The Great Tree What A Splish-Splash That
Would
Be
A
casa do ferreiro (Arsélio
Martins)
15. O meu avô sentava-se
na berma da 109. Lia o jornal do dia e dormitava livros americanos acenando a
quem passava. Pouco falava. Se me lembro de coisas que ele
fez? Uma guitarra e piões em madeira.
Bustos de mulher em pedra de ançã de antigas lápides do
cemitério, Melhor me lembro como a
minha avó as desfez a golpes certeiros do machado afiado para o outono da
lenha do inverno e de todo o ano. Antes fosse
bêbedo meu avô sem arte, sem literatura e sem mistério. Assim
ninguém o via quando ele vagueava no seu modo translúcido de uma
garrafa para outra de aniz escarchado depois de já ter bebido toda a
genebra que havia na aldeia, todo gin e todo o
whisky. Por via dele tinham entrado no
comércio local. Por via da minha avó tinham saído, que as proibia
à medida que se esgotavam os
stocks.
16. Escondido entre pinheiros
e incêndios, masturbaste a tua aldeia. Ou foi outra aldeia qualquer? Ou foi
mulher que o desejasse e não te desejasse em mais que à tua mão
decepada na guerra colonial e logo substituída por um toco de madeira verde
para depois ser puída pela tua vida. És uma carícia de pau
envernizada. Honesta caricatura de carícia, mas não mais que
isso. Antes assim que peso morto em
contentor de chumbo! - dizias tu para quem te queria ouvir. Não sei se
acreditavas nisso que dizias. Eu
acreditava.
Help
me to believe (Paul Brady)
I guess it's
time to face the whole truth This situation's
here to stay We keep returning to this same
place I watch my courage slip
away I look for something in your eyes
A sign of anything between us
Come on and help me to believe
That we can save our love
Come on and help me to believe
In blessings from above
I'd get down on my bended knees
If wanting was
enough Is there some thruway in my mind
Or will I find that love is over?
love is
over? You walk towards me like a memory
We pass each other in a dream
Outside the rain falls on a new world
A world of things that might have
been I hear an echo from inside
It speaks of never ending
heartbreak Come on and help me to believe
That we can save our love
Come on and help me to believe
In blessings from above
I'd get down on my bended knees
If wanting was
enough Too many nights we hold this line
For us to find that love is
over
Genérico
final
De que me hei-de
lembrar? Se a aldeia tal como a conheci nem existe já e as pessoas fugiram
a sete pés de lá para fugir dos seus mortos que não páram de
as atazanar com as promessas por cumprir e a inveja da vida que levam antes da
morte que as leve. A aldeia é a cobrança coerciva de uma dívida
que nunca existiu senão como sentimento de culpa pelos gatos que se
afogaram cumprindo ordens ou outras maldições menores tais como
pecados mortais que não matavam, da cobiça da mulher alheia, da inveja
e da preguiça. Os outros nomes dos pecados nem sabíamos o que queriam
dizer. Como podíamos cometê-los? Devo dizer que ninguém
cobiçava a mulher alheia que para ali estava como se não estivesse
neste mundo. Nós só pensávamos que era maldade da parte de Deus
não a ter levado quando era um anjo leve e não aquele peso que a
aldeia inteira não conseguiu carregar aos ombros nem ninguém consegue
contar o que a aldeia fez para a levar até à cova. Estavam lá
todos e ninguém se lembra. Não é
estranho?
Com amizade:
Davy Spillane, Queen, Andreas Vollenweider, Elysa Gilkyson, Paul Brady,
Arsélio Martins e José-António
Moreira
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'