Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira
A
casa do ferreiro (Arsélio
Martins)
6. Se tapamos os olhos
às vacas é para que não enjoem. Nunca disputamos a
distracção das vacas na dança de roda. A vaca em volta do
poço, faz rodar um eixo vertical que, chumbado no engenho, por sua vez,
transmite a sua rotação roda contra roda dentada até, alcatruz
após alcatruz, inundar a caleira e matar a sede ao ar
seco. Esse é o engenho do ferreiro. O
meu engenho é outro, criou raízes em pés da criança
nómada que deslizam no rodado de poeira finíssima, dentro da
tempestade de areia dos cascos que
dançam. Os meus braços esticados,
cintilantes de suor, acrescentam-me como cauda à vaca
cega. Os cômoros rasgam-se para que a
poeira venha encaminhada pelas estreitas regueiras
caudalosas.
7. Quando o meu avô
voltou nem nome tinha por ter sido americano até se ter esquecido do tempo
em que tinha sido português. E vagueava pelos caminhos sem saber porque
voltara para ali e sem cuidar de saber quem tinha na aldeia. Ele queria ser o
que se mostra, o que se apresenta. Só que a aldeia não aceita quem se
mostra como é e foi preciso que a minha avó o crismasse como o homem
do seu passado apesar de ele já não ser o ferro em brasa, a queimadura
na sua juventude de nove sementeiras. Ela
rasgou a blusa para mostrar as marcas e ele a reconhecer
longínqua.
Don't
be a stranger (Frances Black)
You've
been avoiding Catching my eyes for so
long So let's stop
pretending That there's nothing
wrong We haven't been
talking Only mouthing the
words We have to do
something Before it gets any
worse
Chorus So
be my friend or my enemy Be whatever you have
to be But don't, don't be a
stranger Don't be a
stranger Don't be a stranger to
me
I wish you would tell
me What I'm doing
wrong We could talk it
over And try to get
along So I try to
imagine My imaginatino runs
wild Maybe you're only
leading To telling me
goodbye
A
casa do ferreiro (Arsélio
Martins)
8. Lembro-me de gritar às
vacas e aos bois, de os picar com os aguilhões que eram braços, longas
varas afiadas em vez dos meus braços que arrastavam pelo cabeçalho
os caminhos e o mundo. Ao contrário dos meus, os braços do meu
avô eram raminhos para afagar as vacas e sacudir moscas e sem as matar.
Era o que diziam os vizinhos a rir-se de mim e do ferreiro que era afinal
quem aguçava todas as pontas das armas da aldeia em armas, em
alerta. O meu avô não era daquele
lugar. Pelo menos, tornara-se um espantalho pregado num caminho pedregoso, os
olhos vazados virados às armas
silvestres.
Brothers
in arms (Dire Straits)
These mist
covered mountains Are a home now for
me But my home is the
lowlands And always will
be Some day you'll return
to Your valleys and your
farms And you'll no longer
burn To be brothers in
arms
Through these fields of
destruction Baptisms of
fire I've witnessed your
suffering As the battles raged
higher And though we were hurt so
bad In the fear and
alarm You did not desert
me My brothers in
arms
There's so many different
worlds So many differents
suns And we have just one
world But we live in different
ones
Now the sun's gone to
hell And the moon's riding
high Let me bid you
farewell Every man has to
die But it's written in the
starlight And every line on your
palm We're fools to make
war On our brothers in
arms
A
casa do ferreiro (Arsélio
Martins)
9. O ferro vermelho, depois de
batido na bigorna, era temperado a negro pelas águas da dorna vertidas na
celha do velho Calças do Lameiro. E era esse ferro que procurava a
primeira maçã de adão, a mais saliente, para colher, do porco
do vizinho, a vida, o sangue, o sangue. O curto guincho estridente do dia do
juízo insuportável é um ferro que entra no coração da
gente, vindo do pescoço. Com um ramo de
louro, batemos a tona do sangue, o sal, o vinagre e o cobre. O estertor ainda
se sente e já o sangue vai a cozer. Um alguidar fica como que abandonado
por ali a receber os pingos da
morte.
Sunday,
bloody sunday (U2)
I can't believe the
news today Oh, I can't close my
eyes And make it go
away! How long? How long must we sing this
song? How long?? How
long?? 'Cause tonight, we can be as one,
Tonight Broken bottles under children's
feet Bodies strewn across the dead end
street! But I won't heed the battle
call It puts my back
up Puts my back up against the
wall! Sunday, Bloody
Sunday All right let's go
! And the battle's just
begun There's many lost, but tell me who has
won? The trench is dug within our
hearts And mothers, children, brothers,
sisters Torn
apart! Sunday, Bloody
Sunday Sunday, Bloody Sunday
(tonight) (tonight)Sunday, Bloody
Sunday(tonight) Wipe the tears from your
eyes Wipe your tears
away ...Sunday, Bloody
Sunday... Oh, wipe your blood shot
eyes ...Sunday, Bloody
Sunday... And it's true we are
immune When fact is fiction and TV
reality! And today the millions
cry We eat and drink while tomorrow they
die! (Sunday, Bloody
Sunday) The real battle yet begun(Sunday,
Bloody Sunday) To claim the victory Jesus
won(Sunday, Bloody Sunday) On... ...Sunday,
Bloody Sonday... Sunday, Bloody
Sunday...
Genérico
final
10. O cobre
martelado ouve-se bem quando canta a forma que toma na bigorna. E brilha
reflexos de ouro, na paz do dia para que te preparaste: as tuas
bodas. O ataque de
coração que temias demais, acontece como acontece um toque a rebate, a
finados. Vem lembrar-nos, no bronze do alto sino, quem fomos no nosso tempo, os
homem que viram as suas máquinas bombeando veneno em seu movimento sem-fim,
perpétuo, sístole-diástole-sístole,...,
fim. Dizem-te que até o fim
é efémero.
Com
amizade: Davy Spillane, Terry Marshall, Frances Black, Dire Straits, U2,
Beatles, Arsélio Martins e José-António
Moreira
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'