Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira
Há
cidades cor de pérola (Herberto
Helder)
Há cidades cor de
pérola onde as mulheres existem velozmente. Onde às vezes param, e
são morosas por dentro. Há cidades absolutas, trabalhadas
interiormente pelo pensamento das mulheres. Lugares límpidos e depois
nocturnos, vistos ao alto como um fogo antigo, ou como um fogo juvenil. Vistos
fixamente abaixados nas águas
celestes. Há lugares de um esplendor
virgem, com mulheres puras cujas mãos estremecem. Mulheres que imaginam num
supremo silêncio, elevando-se sobre as pancadas da minha arte
interior. Há cidades esquecidas pelas
semanas fora. Emoções onde vivo sem orelhas nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor levitante. Zona que se refere aos meus dons
desconhecidos. Há fervorosas e leves cidades sob os arcos pensadores. Para
que algumas mulheres sejam cândidas. Para que alguém bata em mim no
alto da noite e me diga o terror de semanas desaparecidas. Eu durmo no ar dessas
cidades femininas cujos espinhos e sangues me inspiram o fundo da vida. Nelas
queimo o mês que me pertence, a minha loucura, escada sobre
escada. MuIheres que eu amo com um desespero
fulminante, a quem beijo os pés supostos entre pensamento e movimento. Cujo
nome belo e sufocante digo com terror, com alegria. Em que toco levemente a boca
brutal. Há mulheres que colocam cidades doces e formidáveis no
espaço, dentro de ténues pérolas. Que racham a luz de alto a
baixo e criam uma insondável
ilusão. Dentro de minha idade, desde a
treva, de crime em crime — espero a felicidade de loucas delicadas
mulheres. Uma cidade voltada para dentro do génio, aberta como uma boca em
cima do som. Com estrelas secas. Parada. Subo
as mulheres aos degraus. Seus pedregulhos perante Deus. É a vida futura
tocando o sangue de um amargo delírio. Olho de cima a beleza genial de sua
cabeça ardente: — E as altas cidades desenvolvem-se no meu pensamento
quente.
Ain't
no love in the heart of the city (Whitesnake)
Ain't no love in the heart of the
city, Ain't no love in the heart of
town. Ain't no love, sure 'nuff is a
pity, Ain't no love 'cos you ain't
around. Baby, since you been
around.
Ain't no love in the heart of
the city, Ain't no love in the heart of
town. Ain't no love, sure 'nuff is a pity,
child Ain't no love 'cos you ain't
around.
Every place that I
go, Well, it seems so
strange. Without you love, baby,
baby, Things have
changed. Now that you're
gone Y'know the sun don't
shine, From the city
hall To the county line, that's
why
Every place that I
go, Well, it seems so
strange. Without you love, baby,
baby, Things have
changed. Now that you're
gone Y'know the sun don't
shine, From the city
hall Woman, to the county line, that's
why
Ain't no love in the heart of the
city, There ain't no love in the heart of
town. There ain't no love, sure 'nuff is a
pity, Ain't no love 'cos you ain't
around.
There ain't no love in the
heart of the city, There ain't no love in the
heart of town. Ain't no love, sure 'nuff is a
pity, Ain't no love 'cos you ain't
around, 'Cos you ain't
around.
Os
animais carnívoros (Herberto
Helder)
Dava pelo nome muito
estrangeiro de Amor, era preciso chamá-lo sem voz — difundia uma
colorida multiplicação de mãos, e aparecia depois todo nu
escutando-se a si mesmo, e fazia de estátua durante um parque inteiro, de
repente voltava-se e acontecera um crime, os jornais diziam, ele vinha em estado
completo de fotografia embriagada, descobria-se sangue, a vítima caminhava
com uma pêra na mão, a boca estava impressa na doçura
intransponível da pêra, e depois já se não sabia o que
fazer, ele era belo muito, daquela espécie de beleza repentina e urgente,
inspirava a mais terrível acção do louvor, mas vinha comer
às nossas mãos, e bastava que tivéssemos muito silêncio para
isso, e então os dias cruzavam-se uns pelos outros e no meio habitava uma
montanha intensa, e mais tarde às noites trocavam-se e no meio o que
existia agora era uma plantação de espelhos, o Amor aparecia e
desaparecia em todos eles, e tínhamos de ficar imóveis e sem
compreender, porque ele era uma criança assassina e andava pela terra com
as suas camisas brancas abertas, as suas camisas negras e vermelhas todas
desabotoadas.
Man
gave names to all the animals (Bob
Dylan)
Man gave names to all the
animals In the beginning, in the
beginning. Man gave names to all the
animals In the beginning, long time
ago.
He saw an animal that liked to
growl, Big furry paws and he liked to
howl, Great big furry back and furry
hair. "Ah, think I'll call it a
bear."
He saw an animal up on a
hill Chewing up so much grass until she was
filled. He saw milk comin' out but he didn't
know how. "Ah, think I'll call it a
cow."
He saw an animal that liked to
snort, Horns on his head and they weren't too
short. It looked like there wasn't nothin'
that he couldn't pull. "Ah, think I'll call
it a bull."
He saw an animal leavin' a
muddy trail, Real dirty face and a curly
tail. He wasn't too small and he wasn't too
big. "Ah, think I'll call it a
pig."
Next animal that he did
meet Had wool on his back and hooves on his
feet, Eating grass on a mountainside so
steep. "Ah, think I'll call it a
sheep."
He saw an animal as smooth as
glass Slithering his way through the
grass. Saw him disappear by a tree near a
lake…
Se
houvesse degraus na terra (Herberto
Helder)
Se houvesse degraus na terra e
tivesse anéis o céu, eu subiria os degraus e aos anéis me
prenderia. No céu podia tecer uma nuvem
toda negra. E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas, e à
porta do meu amor o ouro se
acumulasse. Beijei uma boca vermelha e a
minha boca tingiu-se, levei um lenço à boca e o lenço fez-se
vermelho. Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra, e a
fímbria do mar, e o meio do mar, e
vermelhas se volveram as asas da águia que desceu para beber, e metade do
sol e a lua inteira se tornaram
vermelhas. Maldito seja quem atirou uma
maçã para o outro mundo. Uma maçã, uma mantilha de ouro e
uma espada de prata. Correram os rapazes à procura da espada, e as
raparigas correram à procura da mantilha, e correram, correram as
crianças à procura da maçã.Deste sem fim que escuto e sou no
seu
passar.
Apple
scruffs (George Harrison)
Now I've
watched you sitting there Seen the passers-by
all stare Like you have no place to
go But there's so much they don't know about
Apple Scruffs
You've been stood around
for years Seen my smiles and touched my
tears How it's been a long, long
time And how you've been on my mind, my Apple
Scruffs
Apple Scruffs, Apple
Scruffs How I love you, how I love
you
In the fog and in the
rain Through the pleasures and the
pain On the step outside you
stand With your flowers in your hand, my Apple
Scruffs
While the years they come and
go Now, your love must surely show
me That beyond all time and
space We're together face to face, my Apple
Scruffs
Apple Scruffs, Apple
Scruffs How I love you, how I love
you
Alguém
há-de tocar-me com um dedo, alguém há-de pôr-me um
selo. Amo devagar os amigos que
são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e
estão sentados, fechando os olhos, com livros atrás a arder para toda
a eternidade. Não os
chamo, e eles voltam-se profundamente dentro do fogo.
— Temos um talento
doloroso e obscuro. Construímos um lugar de silêncio. De
paixão.
Com amizade:
David Spillane, Lito Vitale, Whitesnake, Bob Dylan, George Harrison, Herberto
Helder e José-António
Moreira And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'