Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira
O
brinquedo do pobre (Charles
Baudelaire)
Quero transmitir a ideia de
uma distração inocente. Afinal há tão poucos divertimentos
que não sejam criminosos! Quando
sairdes, de manhã, com a firme intenção de vagabundear pelas
estradas, enchei os bolsos de pequeninas invenções de um euro (soldo)
e, pelas tavernas, ao pé das árvores, presenteai os meninos
desconhecidos e pobres que fordes encontrando. Então vereis os seus olhos
crescerem, crescerem… A princípio,
não ousarão tocar no presente: duvidarão da própria
felicidade. Depois, as suas mãos
agarrarão vivamente o brinquedo e eles fugirão, como fazem os gatos,
que, tendo aprendido a desconfiar do homem, vão comer longe de nós o
bocado que lhes damos. Numa estrada, por
trás das grades de um vasto jardim, ao fundo do qual surgia a brancura de
um lindo castelo batido pelo sol, via-se uma criança fresca e bela, vestida
de uma dessas roupas de campo, muito garridas.
O luxo, a ociosidade e o espectáculo
habitual da riqueza tornam esses meninos tão belos que nos parece terem
sido feitos de outra massa que não a dos filhos da mediania ou da pobreza.
Ao lado dessa criança, jazia sobre a
relva um brinquedo esplêndido, tão novo quanto o seu dono,
envernizado, dourado, com um traje cor de púrpura e coberto com plumas e
vidrilhos. O pequeno, porém, não se ocupava com o seu brinquedo
favorito e eis o que ele observava: do outro lado da grade, na estrada, entre os
cardos e as urtigas, havia outro menino, sujo, raquítico, tisnado, um
desses garotos-párias em quem um olho imparcial descobriria a beleza, se o
limpasse da repugnante patine da miséria.
Através daquelas vergas
simbólicas, que separavam dois mundos, a estrada real e o castelo, o menino
pobre mostrava o seu brinquedo ao menino rico, e o brinquedo que o pequeno
porcalhão atraía com afagos, agitava e sacudia, numa espécie de
gaiola, era um rato vivo! Os pais, decerto por economia, haviam tirado o
brinquedo da própria Vida. E as duas
crianças riam uma para a outra, fraternalmente, com dentes de uma brancura,
tão… branca, tão…
igual.
Night
of a thousand furry toys (Richard
Wright)
Now you feel it, a shiver and
you begin Frozen breath that scrapes across
the skin And a sound you've never heard
before, you screaming.
Welcome to the
world of random noise Where you simply
haven't got a choice When they push your
levers and pull your strings.
It's
another world, it's a better world that we bring.
Here you are on the planet of hot and
cold Where you'll do as exactly as you're
told.
In a world of a 1000 furry toys
You can hear the screams
Of little girls and boys
It's a charming noise
If you really want that kind of thing, mama.
Now you feel it, a shiver and you've
begun When they pull those strings how
you'll start to run ! And there's no
stepping off or stepping down
It's
another world and it's a better world,
That's what we have
found
A
serpente que dança (Charles
Baudelaire)
No teu corpo, lânguida
amante, apraz-me contemplar, como um tecido vacilante, a pele a
faiscar.
Na tua fluída cabeleira
de ácidos perfumes, onde olorosa e aventureira de azulados gumes, como um
navio que amanhece mal desponta o vento, a minha alma em sonho se oferece rumo
ao firmamento, os teus olhos que jamais traduzem rancor ou doçura, são
jóias frias onde luzem o ouro e a gema
impura.
Ao ver-te a cadência
indolente, bela de exaustão, dir-se-á que dança uma serpente no
alto de um bastão.
Ébria de
preguiça infinita, a fronte de infanta se inclina vagarosa e imita a de uma
elefanta.
E o teu corpo pende e
aguça-se como escuna esguia, que às praias toca e se debruça
sobre a espuma fria.
Como uma inflada
vaga oriunda dos gelos frementes, quando a água na tua boca inunda a arcada
dos dentes, bebo de um vinho que me infunde amargura e calma, um líquido
céu que difunde astros na minha
alma!
Dance
away (Bryan Ferry/Roxy
Music)
Yesterday, when it seemed so
cool, When I walked you home, kiss
goodnight, I said "it's love", you said
"alright". Its funny how, I could never
cry, Until tonight, when you pass
by, Hand-in-Hand with another
guy, You're dressed to kill, and guess whos
dying...
Dance away the
heartache, Dance away,
tears. Dance away the
heartache, Dance away,
fears. Dance
away...
Loneliness, is a crowded
room, Full of open hearts, turned to
stone. All together, all
alone. All at once, my whole world had
changed. Now I'm in the dark, off the
wall, Lit the strobe light up the
wall. I close my eyes, and dance til
dawn.
Now I know, I must walk the
line Until i find an open
door, Off the street or onto the
floor. There was I, many times a
fool, I hoped and prayed, but not too
much, Out of reach is out of
touch, All the way is far
enough.
O
gato (Charles Baudelaire)
Vem cá,
meu gato, aqui ao meu regaço! Guarda
essas garras, devagar, e nos teus belos olhos de ágata e aço deixa-me
aos poucos mergulhar.
Quando os meus
dedos cobrem de carícias a tua cabeça e dócil torso e a minha
mão se embriaga nas delícias de afagar-te o eléctrico dorso, em
sonho a vejo. O seu olhar, profundo como o teu, amável felino, qual dardo
que dilacera e fere fundo, e, dos pés à cabeça, um fino ar
súbtil, um perfume que envenena envolve-lhe a carne
morena.
Farmyard
cat (Paddy McAloon/Prefab
Sprout)
Farmyard cat (Prefab
Sprout) Two green eyes and a coat of silk
scourge of mice with a saucer of
milk I've got nine lives and a rhyme with
mat I'm a farmyard cat.
Scrounging scraps down a dead end
street - not for me, me the feline
elite ( he dreams full
cream, dairy's where he's at
) I'm a farmyard
cat.
Farmyard cat, farmyard
cat, farmyard cat, mi miaow
farmyard cat, farmyard
cat, farmyard cat, mi
miaow.
( He's a farmyard cat
)
All day long lounging in the
sun moon comes up and I'm prowling for
fun here she
comes, well just fancy that . .
. she's a farmyard
cat.
—
Devagar, devagarinho, o que é certo é que o caramelo já fez
trinta emissões e “auguenta-se à bronca”. Estou a
gostar… —
… — Pois!, eu
também pensava que à segunda semana, acabava tudo! Mas vês?
Aí está o gajo, cheio de pedalada, diz que não está muito
virado para essa coisa dos podcasts, mas ele só está fazê-los,
não é? —
… — Tens razão!
Seria ligeiramente diferente, mas não no que diz respeito ao som, o som
seria, certamente, o mesmo… pois… é o que dizes, tens
razão! —
… — Este chá
está para além de
bom!
Isso é uma
lista?, de compras? Não! De nomes?! Não me digas que está a
recolher assinaturas para alguma candidatura?! Deixa-te desses àpartes
grosseiros que eu não posso transcrever! E sempre te digo, a única
candidatura que vale a pena é a candidatura à felicidade. Eu até
voto em ti, se te candidatares,
claro!
Com amizade: Davy
Spillane, Daniel Blanchet, Richard Wright, Bryan Ferry com os Roxy Music, Paddy
McCaloon com os Prefab Sprout, Charles Baudelaire e José-António
Moreira.
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'