Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira
Texto
1 (Charles Baudelaire)
Quem quer que
escreva máximas gosta sempre de tornar mais carregada a sua imagem —
os jovens enchem-se de rugas, os velhos
esmeram-se. Como o mundo é um grande
sistema de contradições que tem em grande estima tudo o que é
caduco, não há nada melhor do que enfarruscarmo-nos de rugas; e como
os sentimentos, de um modo geral, cuidam sempre da sua apresentação, o
melhor é enchermo-nos de papelotes, como se o nosso coração fosse
um frontespício. Mas para quê?
— Se não sois verdadeiros homens, sede, ao menos, verdadeiros
animais. Sede ingénuos e acabareis, inevitavelmente, por ser úteis ou
agradar. O meu coração, mesmo que andasse ao contrário, ainda
seria capaz de encontrar mil companheiros de desgraça entre os três
biliões de seres humanos que chafurdam nos lamaçais do
sentimento. Se começo pelo amor é
porque ele é para todos — mesmo que o neguem — a coisa mais
importante da vida. Vós todos, que
servis de alimento a qualquer milhafre insaciável; vós, poetas
hoffmanianos que dançais ao som de harmónios nas regiões de
cristal ou que um violino despedaça, tal como uma lâmpada nos rasga o
peito; vós, contemplativos vorazes e exigentes a quem mesmo o
espectáculo da natureza comunica êxtases perigosísimos —
que para vós o amor seja um calmante. E
vós, poetas tranquilos — poetas objectivos — partidários
ilustres do método, arquitectos do estilo, políticos que tendes uma
tarefa de que dar conta todos os dias — que o amor seja para vós um
excitante, uma bebida tonificante e tónica e que a ginástica do prazer
seja para vós um constante incitamento à
acção. Para uns as poções
repousantes, para outros os álcoois. Mas
para vós, vós para quem a natureza é cruel e o tempo precioso,
que o amor seja para vós um revigorante que vos aqueça e
reanime.
Le
grand retour (Alain Chamfort)
Il est de
retour en ville Ce n' sera pas long avant
qu'il frappe à ta porte Il dira "je sais
très bien que t'es là Ca sert
à rien de faire la morte"
C'est le
grand retour, que tu l'veuilles ou non De
celui dont tu maudissais le nom C'est le
grand retour, un peu improbable, D'un
drôle de rôdeur, certes
infréquentable, Mais sympathique en
diable L'amour est de
retour
Tu l'avais pourtant
remercié Tu disais "c'est un dossier
classé sans suite" Optimisme
prématuré Tu l'as sans doute
enterré un peu trop vite
C'est le
grand retour d'une vieill'connaissance Qui t'
poursuit depuis ton adolescence C'est le
grand retour d'une fieffée canaille A la
perspective de vos retrouvailles Ton petit
coeur tressaille L'amour est de
retour
C'est un sacré
cabotin Un showman dont l'baratin casse la
baraque Avoue-le donc qu'il te
manque T'es ravie que l'saltimbanque fasse
son come-back
C'est le grand retour
d'un has-been superbe Dont peuvent s'inspirer
les idoles en herbe C'est le grand retour
longtemps redouté D'un vieux menteur
à la voix veloutée Qui revient
t'envoûter L'amour est de
retour
C'est le grand retour de
l'amour
Texto
2 (Charles Baudelaire)
As nossa
atracções, aliás, não costumam ser perigosas: a natureza,
tanto no que diz respeito à nossa alimentação como no amor,
raramente nos faz levar à boca o que nos sabe
mal. Como tomo o amor no sentido mais amplo,
vejo-me forçado a exprimir algumas máximas de pormenor sobre algumas
questões mais delicadas. Tu, Homem do
Norte, incansável navegador absorto em espessas brumas de névoas,
pesquisador de auroras boreais, mais belas do que o próprio sol e eterno
sedento de ideal — tu deves amar as mulheres frias! Ama-as bem, porque
essa tarefa é a mais difícil e árdua, e um dia ser-te-á
reconhecida mais glória por esse tribunal do amor que tem assento para
lá do infinito. Tu, Homem do sul, a quem
a transparência da natureza não consegue comunicar o gosto pelo
desconhecido e pelo mistério — tu homem frívolo de Bordéus,
de Marselha ou de Itália — a ti, que as mulheres ardentes te bastem!
A sua agitação e entusiasmo são o teu império natural: e um
império agradável! E tu jovem que
queres ser um grande poeta, foge do paradoxo nas coisas amorosas; deixa os
estudantes, ainda inebriados pelas fumaças que tiram do seu primeiro
cachimbo, entoarem grandiloquentemente as qualidades de fartas carnes: abandona
essas mentiras aos neófitos da escola pseudo-romântica! Se uma mulher
gorda pode por vezes constituir um capricho agradável, a magra é um
fogo de voluptuosidades tenebrosas! Nunca
desdenhes da grandiosidade da Natureza e se ela te tiver atribuído uma
amante sem peito, exclama: “Tenho um amigo com ancas!” e dirige-te,
para o agradecer aos deuses, à igreja mais
próxima.
Bless
you (John Lennon)
Bless you wherever
you are Windswept child on a shooting
star Restless Spirits
depart Still we're deep in each other's
hearts
Some people say it's
over Now that we spread our
wings But we know better
darling The hollow ring is only last year's
echo
Bless you whoever you
are Holding her
now Be warm and kind
hearted And remember though love is
strange Now and forever our love will
remain
Texto
3 (Charles Baudelaire)
Sendo qualquer
moral uma prova da boa vontade dos seus legisladores, qualquer religião a
suprema consolação dos aflitos, qualquer mulher um fragmento da mulher
essencial e o amor a única coisa por que vale a pena escrever um soneto ou
vestir roupa limpa, declaro respeitar todas estas coisas mais do quaisquer
outras, pelo que considero um caluniador quem quer que faça deste fragmento
de moral um motivo de excomunhão ou o pretexto para o escândalo
público. Uma moral cheia de cambiantes,
não é verdade? Filtros coloridos que tornam talvez demasiado viva a
eterna centelha de verdade que no seu interior
cintila? Não, não é
isso! Se eu tivesse querido mostrar que tudo
ia pelo melhor no melhor dos mundos possíveis, o ouvinte (leitor) teria
todo o direito de me dizer, como se se dirigisse a um mau actor: “tu
és um malicioso!” O que quis foi
mostrar que tudo ia pelo melhor no pior dos mundos
possíveis. Muita coisa, portanto, me
será perdoada já que amei muito… o meu ouvinte (leitor)…
ou a minha ouvinte
(leitora).
Love
hurts (Everly Brothers)
Love hurts,
love scars, love wounds and mars Any heart
not tough or strong enough To take a lot of
pain, take a lot of pain Love is like a
cloud holds a lot of rain Love hurts, mmm,
mmm, love hurts
I'm young I know but
even so I know a thing or two I learned from
you I really learned a lot, really learned a
lot Love is like a flame burns you when it's
hot Love hurts, mmm, mmm, love hurts
Some fools think of happiness
Blissfulness, togetherness
Some fools fool themselves I guess
But they're not fooling me
I know it isn't true, know it isn't true
Love is just a lie made to make you blue
Love hurts, mmm, mmm, love
hurts
—
Estes textos são retirados dos Escritos Íntimos, não
são? —
… — Bem me
parecia! —
… — Quem faz o
chá? Faço eu? ‘Tá
bem!
Então?,
muito ocupado no regresso ao trabalho? Deixa lá, já só faltam
onze meses para voltares a ter férias! Mas podes tentar ser feliz todos os
dias! Vê lá se és
capaz!
Com amizade: Davy
Spillane, Asha Quinn, Alain Chamfort, John Lennon, Everly Brothers, Charles
Baudelaire e José-António
Moreira.
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'