Compasso
a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da
escrita.
Quando um homem
interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os
esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens
entre o quase tudo e o quase
nada.
Então, da
raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no
silêncio dos sons da
escrita.
Sons da Escrita
– à volta de uma ideia de José-António
Moreira
Epitáfio
(Cristovam Pavia)
Um barco sem velas e
sem rumo, singrando um mar de fumo, mas descobrindo estrelas: nisto me
resumo.
Cor
do amor (Milton Nascimento/Andreas
Vollenweider)
Sai do tormento apaga a
dor dança bem leve ao som da
cor que se
encaminha à paz do amor que
chegou
Nossa primeira
emoção nasceu da forma da
canção mesmo que
ingénua veio p’ra sempre e
ficou
Marcou as nossas
vidas traçou os passos que
seguimos que éramos felizes bem
sabemos escrito em nossas almas, nossas
vidas total
garantia e a emoção tomou conta da
vida e tanto amor
jorrou
Longe o
tormento longe a
dor dançamos hoje a cor do
amor que a canção
trouxe e para sempre
ficou
Os
cabelos (Hugo Santos) adapt.
Aprendi,
nos teus cabelos, a lenta peregrinação da ternura. Neles incendiei os
meus gestos, vi os barcos partirem e, quando chegou a manhã, já os
dedos sabiam o ácido pólen das florestas. Aí fizeram ninho os
meus silêncios. É na desalinhada
renda sobre a nuca que a mão começa o seu festim de ventos.
Enrouparam-se os dedos da dúctil teia que veste todas as ausências.
Posso dizer rio, floresta de begónias, púrpura aranha de astros e, no
entanto, contento-me apenas, vê, com esta vagarosa recolha de limos, esta
silente amostra de naufrágios. Acordaram
cedo os pássaros, hoje. Pousaram devagar sobre os teus olhos e neles
beberam a clara dor da manhã. Resistem, agora, no trapézio alado dos
teus cabelos, aqui, onde a palma se funde com os ventos e os
respira. Digo: pão! É uma palavra,
parece, desajustada deste terno deambular dos dedos. Talvez vá falar do
corpo das searas, em Julho, quando os cavalos do trigo sacodem as suas crinas e
todas as mesas se dispõem para a solidária festa das papoilas. Mas,
tão-só, digo o teu nome e pão, outra
vez. Ouviremos o coro das gralhas que
sobrevoam a casa. Os chorões dormem junto ao rio, rente à boca da
terra sequiosa. As mãos nos teus cabelos, catando, persistindo, desdobram o
seu burel. De quantos mastros, diz, se faz um longe? De quantos deserdados
gestos, um adeus? Ai, o linho dos dedos sob
os dedos… Porque a tua mão subiu, lenta, e se funde com a minha.
Tão cúmplice este sopro, tão a meias a frágil tessitura
destes fios! Tão dolorida, às vezes, a
ternura! Eu falo dos amigos que partiram, dos
grandes sonhos subitamente interrompidos, de livros cujas últimas
páginas não lemos, de surpreendidos prodígios, até quando?,
adiados. Sem raiva já, recordo. Todas as
grandes viagens são possíveis ainda. Tenho os olhos grandes; como
não inventar longes para todas as manhãs dos teus
cabelos? Ah, este lento, lento e difícil
trajecto dos meus dedos… Este cheiro que fica… Esta imensa e
sábia adivinhação do corpo, a construir-se desde aqui, no exacto
momento em que as mãos, ambas, acabaram tecendo todos os fios e, voltada de
través, serenamente, me
olhaste.
You
make it easy (Air)
Never been here -
How about you? You smile at my
answer You've given me the
chance To be held and
understood
You leave me laughing
without crying There's no use
denying For many times I've
tried Love has never felt as
good
Be it downtown or way up in the
air When your hearts
pounding You know that I'm
aware
You make it easy to watch the
world with love You make it easy to let the
past be done You make it
easy
How'd you do it? How'd you find
me? How did I find
you? How can this be
true? To be held and
understood
Keep it coming - no one's
running The lesson I'm
learning Cause blessings are
deserved By the trust that always
could
Os
olhos (Hugo Santos)
adapt.
Claros os meus
olhos escuros. Tão claros, os teus olhos claros. E neles todas as cores,
todos os odores, os furores, esperas longas, nunca desejadas. Neles todos os
pontos, encontros, desencontros e
reencontros. Dizemos olhos,
porque somos testemunhas de nós e temos o céu por limite, quando
voamos nas asas da imaginação. Encontramos aves e girassóis de
todas as cores, como as cores das palavras e seguimos em direcção a um
ponto cardeal desconhecido. Descobrimos que a Terra não é redonda, que
a forma da Terra é a de um fruto raro que alimenta e mitiga a
sede. Espantados rodamos no ar
e sorrimos e o nosso sorriso é uma
borboleta.
Será nos teus olhos que
acenderei a lareira da casa. Nela semearei os nenúfares de minha mãe,
dispersos aos ventos. Nas tuas pupilas de água reabrirei rios, na espera
das marés. Os longes hão-de vir depois, quando os cílios
aprenderem o primeiro adeus de uma lágrima desta
revolta. Deixa-me agora descansar nos teus
olhos, entre a sombra fresca dos cílios, e viajar daí a planura do
meu-país-ao-sul, o «cante-hondo» das cigarras e a vagabunda
peregrinação dos duendes da floresta. Assim, em silêncio, para
que o corpo recomece inteiro, na água pura desta lágrima de
íntima revolta. Nada é gratuito
neste tempo que nos coube. Nem mesmo a
ternura. Hão-de passar por ti os atalhos
doutras íntimas descobertas e o arco-íris dos presságios que
vierem. Talvez as respostas nos não sirvam, mas que importa?
Restar-nos-ão os olhos, carregados de sal, sobre os restolhos do tempo,
tão imensamente claros como o vidro tocado pela chuva, tão
transparentemente cúmplices que deles beberei, ainda, todas as
sedes. Olha o fundo dos meus olhos, para que,
muito devagar, possa morrer,
olhando-te.
Bright
eyes (Art Garfunkel)
Is it a kind of
dream, Floating out on the
tide, Following the river of death
downstream? Oh, is it a
dream?
There's a fog along the
horizon, A strange glow in the
sky, And nobody seems to know where you
go, And what does it
mean? Oh, is it a
dream?
Bright
eyes, Burning like
fire. Bright
eyes, How can you close and
fail? How can the light that burned so
brightly Suddenly burn so
pale? Bright
eyes.
Is it a kind of
shadow, Reaching into the
night, Wandering over the hills
unseen, Or is it a
dream?
There's a high wind in the
trees, A cold sound in the
air, And nobody ever knows when you
go, And where do you
start, Oh, into the
dark.
A
boca (Hugo Santos)
Da boca foge o
murmúrio breve dum violoncelo de vento, tão devagar, que parece uma
lágrima nos vidros da
manhã.
É na boca que acontece
o napalm e os rios aprendem a serena foz de todos os silêncios. Com que
palavra, sílaba, acorde dum gesto dizer deste mel, desta súbita
caminhada inaugurando o dia? Aí centro meus dentes, minha súplice
ternura embainhada, e mordo devagar, de olhos cerrados, os gomos, que estendes
aos meus lábios.
Cresceram as
tâmaras, o plátano arde… Caíu dos teus cabelos a magoada
flor de tília e, bêbedos de saliva, os pássaros adormeceram no
linho dos teus seios. Sei lá se é possível a
poesia!
Entre o marfim célere
rasteja a húmida serpente dos sentidos. Ei-la que sorve, toca, ébria
de sua lentidão, aspergindo o seu néctar (Outra vez os barcos
atravessando o rio…). E grito! Grito o teu nome, como se soubesse já
que todas as palavras hão-de confluir aí, no vórtice dos dentes
que rasgam astros.
Boca, cratera de
lava, lavrada taça de mel onde bebem os deuses da manhã. Acento
circunflexo desta ternura que não calo, fruta acontecida, porão de
pólen, nascente de ventos, arco-íris de todos os silêncios. Aqui
faço a sementeira doutras palavras a vir. Só depois, vagarosa e
enternecidamente, recolherei as últimas espigas do silêncio e
escreverei a primeira pedra da casa e o longe que há-de
cinturá-la. Contigo, sobre a tua boca,
mesmo que uma vez só, acenei lenços, aproximei margens. No intervalo,
os dedos levantaram mastros, desenharam gaivotas… Foi possível, por
isso, crer que as palavras, sussurradas todas elas como quem deixa escorregar
furtivas bolas de mercúrio, suportariam o peso de todas as memórias.
Hoje, que te escrevo, exilado já das indecisões que foram cimento e
cal do homem a construir, limito-me a beber, ainda das palavras, crescendo e
multiplicando nelas o mosto com que se adubam os sonhos, se refaz a
esperança, se salivam os beijos e… todos os milagres, sabes?,
são possíveis e
quotidianos.
One
more kiss dear (New American
Orchestra)
One more kiss,
dear One more
sigh Only this,
dear It's
goodbye For our love is such
pain And such
pleasure And I'll treasure till I
die
So for now,
dear Aurevoir,
madame But I'm how-d'ye, not
farewell For in time we may have a love's
glory Our love story to
tell
Just as every
autumn Leaves fall from the
tree Tumble to the ground and
die So in the
springtime Like sweet
memories They will return as will
I
Like the sun,
dear Upon
high We'll return,
dear To the
sky And we'll banish the pain and the
sorrow Until tomorrow
goodbye
One more kiss,
dear One more
sigh Only this,
dear Is
goodbye For our love is such
passion And such
pleasure And I'll treasure untill I
die
Estás
a ver?, passaram mais alguns minutos da tua
vida! Não queres dizer
nada?! Está bem! Mas faz-me
um favor – sê feliz! Pelo menos sê feliz nos próximos
minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da tua vida,
se puderes!
Com amizade:
David Spillane, Pink Floyd, Milton Nascimento, Suzanne Ciani, Air, Art
Garfunkel, New American Orchestra, Beatles, Cristovam Pavia, Hugo Santos e
José-António
Moreira
And in the
end the love you'll
take is equal to the love you
make
A TSF, João Paulo Meneses e João Dias iniciaram a edição de uma série de programas — 'radio.com' — sobre o fenómeno Podcasting. Logo no primeiro programa, foi referido o Sons da Escrita [24 de Outubro de 2005].
Duas ou três notas de balanço e quem vai estar presente no Encontro de Podcasters, a realizar durante o Festival Black & White, da Universidade Católica do Porto [21 de Março de 2006].
Resumo editado do que a TSF, no programa 'radio.com', transmitiu a partir do Encontro de Podcasters, realizado durante o Festival Black & White, organizado pela Universidade Católica do Porto [7 de Abril de 2006].
Resumo editado do que Duarte Velez Grilo e David Rodrigues, responsáveis pelo Podcast 'ptPodcast', publicaram a partir do registo que o Duarte teve a ideia (brilhante, digo eu!) de fazer para a posteridade do que aconteceu na Sessão-Debate, organizada durante o Festival Black & White [8 de Abril de 2006].
O primeiro inquérito feito aos Podcasters portugueses foi objecto do 'radio.com' (TSF), programa de João Paulo Meneses. Mais uma vez é feita uma referência aos Sons da Escrita, que pode ser ouvida num curto resumo editado. O programa completo pode ser ouvido nos arquivos da TSF e diz respeito à edição de 13 de Maio de 2006. O estudo foi realizado por Luís Bonixe, professor da Escola Superior de Educação de Portalegre.
[13 de Maio de 2006].
Os Sons da Escrita foram objecto da atenção do Podcaster Brasileiro, Alexandre Sena, que fez uma incursão sobre o trabalho de Podcasting que se faz em Portugal [22 de Maio de 2006].
No último 'radio.com', programa sobre Podcasting da TSF, João Paulo Meneses passou em revista o que se passou em 8 meses de programas. [3 de Junho de 2006].
Os Sons da Escrita participaram em várias acções de promoção do Podcasting. Depois das Fnac de Santa Catarina, Norte Shopping e Gaia Shopping, foi a vez de Coimbra. Esteve lá a Leonor Fernandes, que escreveu o artigo [21 de Junho de 2006].
Para que conste, ficam registados os tops do iTunes nesta data:
1.º lugar na Categoria 'Artes'
1.º lugar na Categoria 'Literatura'
20.º lugar absoluto.
Podcast? | O que é isso?!
Chegaram aos SONS da ESCRITA, um Podcast – qualquer coisa parecida com um programa de rádio, que se pode ouvir a partir dos computadores.
O SONS da ESCRITA é um AudioBlog ou, para quem preferir, um Podcast. Significa isto que aqui há áudio (Podcast), mas também há texto (Blog). O texto corresponde ao que se pode ouvir em cada programa dos SONS da ESCRITA.
Os 'agregadores' são sites que acolhem listagens de Podcasts, a partir dos quais podem fazer o download dos programas estão listados abaixo. Escolham o que vos aprouver. Basta um click e qualquer um vos levará aos SONS da ESCRITA, na versão áudio.
Os textos de cada emissão, bem como as 'letras' das músicas podem ser encontrados neste Blog na opção 'Ler' correspondente a cada programa.
Qualquer comentário (sempre bem aceite e, mesmo, desejado!) deve ser feito através da opção 'Comentar' correspondente a cada emissão ou por Email, através da opção 'Feedback'. Ninguém ficará sem resposta. A isto poderá chamar-se interacção, que é algo que falta na rádio. Sugestões, críticas arrasadoras e outras indulgências, podem e devem ser feitas!
Recomenda-se que os programas sejam ouvidos por Ciclos, já que há um tema que enquadra cada três programas. Os programas têm edição semanal e serão colocados 'ON AIR' às sextas-feiras.
Os critérios editoriais regem-se por ideias simples. O tema de cada ciclo pode ter origem num texto ou na música de um autor, havendo o cuidado de relacionar os textos com os textos das músicas escolhidas. Algumas vezes, porém, pode acontecer que seja só o ambiente sonoro a ligar as palavras, criando-lhes o contexto julgado mais adequado.
Para maior comodidade, aconselha-se, vivamente, a subscrição do serviço da 'NotifyList.com' (mais abaixo, nesta coluna). A simples inscrição do endereço de email no campo respectivo, produzirá uma mensagem de aviso sobre alterações que acontecerem no Blog SONS da ESCRITA, nomeadamente, a disponibilidade de novos programas. Garantida está a protecção da identidade dos assinantes, a completa ausência de publicidade e o envio de 'emails' mínimo, ou seja, só quando houver alterações significativas no Blog ou quando for disponibilizado um novo programa.
Agora, é só pedir que sejam felizes, nos próximos minutos, nas próximas horas, nos próximos dias, no resto da vossa vida, se forem capazes.
Lembrem-se, apenas, que 'in the end, the love you'll take is equal to the love you make'.
É necessário ter o iTunes instalado. O iTunes, para além de ser absolutamente gratuito, permite não só aceder aos Podcasts ali listados, como, também, organizar a colecção de música de cada um. Tem tantas possibilidades que só uma exploração mais longa pode desvendar. Depois se abrir o iTunes é necessário seleccionar, na coluna da esquerda, 'Music Store'. Abrir-se-á, então, uma nova janela a partir da qual podem fazer compras, mas, também, aceder aos Podcasts (Choose genre - Podcasts). Chega-se, assim, aos conteúdos em formato Podcast e, para aceder aos Sons da Escrita, basta escolher nas Categorias - 'Arts'. Os Sons da Escrita aparecerão, certamente, na nova janela que se abrirá. Ou, então, basta fazer uma pesquisa por Sons da Escrita. Depois é só subscrever (absolutamente gratuito e não exige qualquer identificação). Podem consultar os 'Tops' nas diversas categorias. Os Sons da Escrita estão incluídos nas categorias 'Arts' e 'Literature'